As eleições gerais na Espanha em 2019 ocorreram em 28 de abril de 2019, com a finalidade de eleger os membros das 13.ª Cortes Gerais do Reino da Espanha. Todos os 350 assentos do Congresso dos Deputados estavam em disputa, bem como 208 (dos 266) assentos do Senado. Para um partido ter o direito de formar o governo, designando o primeiro-ministro do país, era necessário eleger 176 deputados.
As eleições gerais de 2016 resultaram em um parlamento bastante fragmentado, com os maiores partidos sendo o PP (137 deputados) e o PSOE (85). Desde a redemocratização da Espanha, na década de 1970, ambos os partidos alternaram-se no comando do país. Após semanas de impasse, Mariano Rajoy (PP), primeiro-ministro desde 2011, obteve apoio suficiente para formar um novo governo.
A permanência do PP no poder foi prejudicada por uma crise constitucional sobre a questão catalã, juntamente com escândalos de corrupção e protestos em massa, culminando na queda de Rajoy em junho de 2018. Pedro Sánchez (PSOE) alcançou os votos necessários e tornou-se o sucessor de Rajoy, mas, por conta de sua minoria parlamentar, seu governo foi visto como fragilizado. Sánchez convocou as eleições de 2019 após sua proposta orçamentária ser derrotada pelos parlamentares.
O PSOE acabou vencendo as eleições, elegendo 123 deputados e alcançando maioria absoluta no Senado. O PP, embora se manteve como o maior partido de direita, perdeu mais da metade de seus assentos e obteve seu pior resultado de sempre, enquanto que o resultado do Vox significou o regresso de um partido de Extrema-direita ao parlamento espanhol desde 1979.
Contexto Depois que as eleições gerais de 2016 resultaram no Partido Popular (PP) ganhando mais votos e assentos em comparação com as eleições de 2015, uma nova rodada de conversas durante o verão fez com que Mariano Rajoy obtivesse o apoio do Cidadãos (C's) e da Coligação Canária (CC) para sua posse, mas isso ainda não foi suficiente para assegurar-lhe a reeleição. As críticas ao líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, pelo desempenho eleitoral do partido e sua posição linha dura sobre a posse de Rajoy, considerada como um fator que contribuiu para o impasse político do país, atingiu um pico após os fracos desempenhos do PSOE nas eleições do País Basco e de Galiza. Uma crise partidária foi iniciada, levando Sánchez a ser destituído e um comitê interino sendo nomeado por rebeldes liderados por Susana Díaz. O PSOE, então, absteve-se nas votações para a formação do novo governo, permitindo a reeleição de Rajoy. Em maio de 2017, Sánchez voltou à liderança do partido ao derrotar Díaz na eleição interna; as críticas à abstenção do PSOE foram um tema central da campanha de Sánchez.
thumb|Mariano Rajoy cumprimentando Pedro Sánchez após perder a moção de censura proposta contra seu governo, em junho de 2018.
Simultaneamente com a crise no PSOE, o governo do PP liderado por Rajoy viu-se envolvido em uma série de escândalos políticos que abrangiam desde a renúncia de Esperanza Aguirre, líder partidária, a acusações de interferência judicial e política. Embora a moção de desconfiança apresentada pelo Unidos Podemos tenha sido rejeitada devido à falta de apoio de outros partidos da oposição, ela revelou a fraqueza parlamentar do governo de Rajoy. A pressão sobre o governo aumentou após a histórica crise constitucional envolvendo o referendo sobre a independência da Catalunha. A repressão do governo Rajoy contra os líderes catalães provocou protestos públicos que o acusavam de ser "antidemocrático e totalitário." Com a declaração unilateral de independência pelo parlamento catalão, Rajoy, em uma medida inédita na democracia espanhola, interveio na região, destituindo o governo local e estabelecendo outro sob seu comando.
A crise catalã e a do PP resultaram no C's disparando para o primeiro lugar nas pesquisas de opinião nacionais, colocando em risco a posição do PP como o partido hegemônico dentro do espectro da centro-direita espanhol. No final de maio de 2018, a Audiência Nacional concluiu que o PP lucrou com um esquema ilegal de propinas em contratos no julgamento do caso Gürtel, confirmando a existência de uma estrutura de contabilidade e financiamento ilegal que funcionava paralelamente à oficial do partido desde 1989. Em seguida, o PSOE apresentou uma moção de desconfiança contra Rajoy, e o C's retirou seu apoio ao governo e exigiu a imediata convocação de eleições antecipadas. Uma maioria absoluta de 180 deputados votou a favor do afastamento de Rajoy do poder em 1 de junho de 2018, substituindo-o no cargo de primeiro-ministro por Pedro Sánchez, do PSOE. Rajoy retirou-se da vida política, e Pablo Casado elegeu-se como líder do PP. Sánchez compôs um gabinete pró-europeu e com maioria feminina, pela primeira vez na história do país. Tornou-se, ainda, o primeiro chefe de governo espanhol a governar apesar de seu partido perder as últimas eleições.
Sistema eleitoral thumb|Mapa da Espanha indicando a quantidade de deputados eleitos por cada província. thumb|Mapa da Espanha indicando a quantidade de senadores eleitos por cada província.
As Cortes Gerais espanholas são vistas como um sistema bicameral imperfeito. O Congresso dos Deputados possui um poder legislativo maior do que o Senado, tendo a capacidade de nomear ou destituir o gabinete liderado pelo presidente do governo, bem como derrubar os vetos do Senado. No entanto, o Senado possui algumas funções exclusivas, mas limitadas—como o seu papel nas emendas constitucionais—que não estão sujeitas à anulação do Congresso. A votação para as Cortes Gerais é baseada no sufrágio universal, que compreende todos os cidadãos com mais de dezoito anos e em pleno gozo de seus direitos políticos. Além disso, os espanhóis residentes no exterior são obrigados a solicitar permissão antes de serem autorizados a votar.
Para o Congresso dos Deputados, os 348 dos 350 assentos são eleitos usando o Método D'Hondt e uma representação proporcional de lista fechada, com uma cláusula de barreira de três por cento dos votos válidos—que incluiu os votos em branco. Os partidos que não atingem a votação mínima não são levadas em consideração na distribuição dos assentos. Os assentos são atribuídos aos círculos eleitorais, que correspondem às províncias. Cada província tem direito a um mínimo inicial de dois assentos, com os 248 restantes alocados entre as províncias de acordo com o tamanho de suas populações; a província mais populosa, Madri, elege 36 deputados. Os outros dois deputados representam Ceuta e Melilha, sendo eleitos pelo sistema de pluralidade dos votos.
Para o Senado, 208 assentos são eleitos com votação em lista parcialmente aberta, com os eleitores votando em candidatos em vez de nos partidos. Nos círculos eleitorais que elegem quatro assentos, os eleitores podem votar em até três candidatos; naqueles com dois ou três assentos, em até dois candidatos; e em apenas um candidato em províncias que elegem um senador. Assim como para o Congresso dos Deputados, as províncias elegem seus senadores de acordo com seu número de habitantes, tendo as 47 províncias peninsulares um mínimo de quatro senadores.
A legislação eleitoral prevê que partidos, federações, coligações e grupos de eleitores podem apresentar listas de candidatos. No entanto, para os partidos, federações ou coalizões que não elegeram pelo menos um membro em uma das casas do Parlamento na eleição anterior, é necessário garantir a assinatura de pelo menos 0,1 por cento dos eleitores registrados no distrito em que pretendem apresentar candidatos, enquanto agrupamentos de eleitores são obrigados a garantir a assinatura de um por cento dos eleitores. Os eleitores estão impedidos de assinar mais de uma lista de candidatos. Ao mesmo tempo, partidos e federações que pretendem entrar em coalizão para participar conjuntamente de uma eleição devem informar a Comissão Eleitoral dentro de dez dias após a convocação da eleição. Após o impasse político de 2015-2016 que conduziu às eleições de junho de 2016 e a possibilidade de uma terceira eleição ser necessária, a legislação eleitoral foi alterada para simplificar o processo eleitoral, incluindo o fim da necessidade de coleta de assinaturas se o percentual fora cumprido na eleição imediatamente anterior e a possibilidade de se manter as coligações.
Convocação da eleição thumb|Sánchez anunciando a convocação de eleição antecipada, em 15 de fevereiro de 2019
O mandato de cada casa das Cortes Gerais—o Congresso e o Senado—expira quatro anos a partir da data da eleição anterior, a menos que sejam dissolvidas antes. O Decreto eleitoral deverá ser emitido, o mais tardar, no vigésimo quinto dia antes da data de expiração das Cortes, no caso de o primeiro-ministro não fizer uso da sua prerrogativa de dissolução antecipada. O Decreto será publicado no dia seguinte no Boletim Oficial do Estado, com o dia da eleição sendo definido como o quinquagésimo quarto dia de sua publicação. A eleição anterior foi realizada em 26 de junho de 2016, o que significa que o mandato da legislatura expirará em 26 de junho de 2020.
O primeiro-ministro tem a prerrogativa de dissolver ambas as Casas a qualquer momento—em conjunto ou separadamente—e convocar eleições antecipadas, desde que nenhuma moção de desconfiança esteja em andamento, nenhum estado de emergência esteja em vigor e que a dissolução não ocorra antes de ter completado um ano da dissolução anterior. Ambas as Casas serão dissolvidas e uma nova eleição convocada se um processo de formação do governo não eleger um primeiro-ministro dentro de um período de dois meses a partir da primeira votação. Embora não haja exigência constitucional para eleições simultâneas para o Congresso e o Senado, não há precedentes de eleições separadas e, há muito tempo, governos preferem que as eleições para as duas Casas ocorram simultaneamente.
Depois que o Congresso dos Deputados rejeitou o Orçamento Geral do Estado para 2019 em 13 de fevereiro de 2019, confirmou-se que Sánchez convocaria uma eleição antecipada, com a data específica a ser anunciada na sequência de uma reunião do Conselho de Ministros em 15 de fevereiro. Sánchez confirmou 28 de abril como a data da eleição em uma declaração perante o Conselho de Ministros, e o decreto real de dissolução das Cortes Gerais foi redigido em 4 de março.
Composição das bancadas As Cortes Gerais foram oficialmente dissolvidas em 5 de março de 2019, após a publicação do Decreto de dissolução no Boletim Oficial do Estado. As tabelas abaixo mostram o tamanho das bancadas dos diferentes grupos parlamentares em ambas as câmaras no momento da dissolução do parlamento.
Congresso de Deputados Bancada Deputados PP 137 PSOE 84 Grupo UP–ECP–Marea Confederal 67 Cidadãos 32 Esquerda Republicana 9 Partido Nacionalista Basco 5 Grupo misto 16 Total 350 Senado Bancada Senadores PP 147 PSOE 60 Podemos 20 Esquerda Republicana 12 Partido Nacionalista Basco 6 Grupo Nacionalista 6 Grupo misto 15 Total 266
Campanha
Partidos e coligações A tabela abaixo apresenta os candidatos e partidos mais bem colocados nas pesquisas de opinião, em ordem crescente.