thumb|O viaduto após o colapso
Em 3 de julho de 2014, um viaduto desabou em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, em uma avenida movimentada abaixo. O viaduto Batalha dos Guararapes estava em construção e não estava aberto ao tráfego no momento. O acidente deixou duas pessoas mortas e 22 outras feridas. Seis engenheiros responsáveis pela obra foram condenados.
Contexto
O projeto de construção fez parte das melhorias de infraestrutura destinadas a preparar a Copa do Mundo FIFA de 2014 que estava ocorrendo no momento do colapso. A ponte deveria fazer parte do sistema de veículo leve sobre pneus Move. A ponte de concreto e aço estava localizada a três quilômetros do Mineirão, onde muitos jogos da Copa do Mundo foram disputados. A construção começou em 2010 e estava programada para ser concluída em maio de 2014. A Copa do Mundo já era controversa para o público devido aos altos custos para os contribuintes. Executada ao custo de R$30 milhões ao longo de dois meses, a obra faria a transposição da Avenida Dom Pedro I pela Avenida General Olímpio Mourão Filho, fazendo parte do corredor do Move que levava à MG-010, rodovia que leva ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves.Levantamento da BHTrans mostra que viaduto que desabou na Pedro I era desnecessário
Acidente
A construção do viaduto Batalha dos Guararapes começou em 2010 e era para o projeto estar pronto em maio de 2014, mas acabou atrasando.
Em 3 de julho de 2014, após a retirada das escoras, o viaduto desabou na movimentada Avenida Pedro I abaixo. Um ônibus e um carro foram esmagados sob os escombros, bem como dois caminhões desocupados. O motorista do carro e a motorista do ônibus foram mortos e 23 pessoas ficaram feridas, 17 sendo passageiros do ônibus, incluindo a filha da motorista, e seis operários trabalhando no local. Pelo menos 12 dos feridos foram levados para o hospital; cinco outros foram libertados após tratamento no local do acidente.
Moradores dos condomínios e alunos de uma escola próximos do local foram retirados por questão de segurança enquanto os escombros eram retirados, e outra parte do viaduto foi implodida em 14 de setembro.
Investigação
A empresa que estava construindo o viaduto, a Cowan, imediatamente montou uma equipe forense para investigar as causas do acidente. A equipe técnica foi enviada para o local do acidente no dia do colapso. Em 2015, o então diretor da Cowan, José Paulo Toller Motta, admitiu em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais que a empresa utilizou concreto vencido nas obras da estrutura. O laudo do Instituto de Criminalística apontou que a causa da queda foi um erro no cálculo do bloco de fundação da alça sul, que acabou tendo menos ferragens que o necessário para suportar a pressão.
19 nomes foram indiciados pela Polícia Civil, entre Consol, Cowan, e a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).Saiba detalhes do inquérito sobre a queda do Viaduto Batalha dos Guararapes Seis engenheiros responsáveis pela obra foram condenados. Os diretores de Cowan e Consol expuseram seus casos à Assembleia em 2015,Responsáveis por viaduto que desabou trocam acusações e os eventuais 11 réus foram interrogados em 2017. Dos réus, dois morreram no curso do processo, dois foram absolvidos por falta de provas, dois tiveram os crimes prescritos pela idade avançada, um teve o julgamento desmembrado por ser estrangeiro, três tiveram a pena convertida para pagamento de indenização e perda do direito de atuar como engenheiros, e apenas Ozanir Vasconcelos Chaves, engenheiro responsável por fiscalizar as obras, que foi avisado de estalos na estrutura antes da queda, tinha sua pena de prisão e multa mantida. No entanto, como as sentenças foram apenas em primeira instância, nenhuma foi cumprida por não ter sido condenada em segunda instância. Em 2024, os ressarcimento dos cofres públicos e indenização às vítimas ainda não tinha sido feito. Réus Consol Maurício de Lana, diretor-presidente. Condenado.Justiça determina desbloqueio de valores de construtora responsável por viaduto que caiu em BH Rodrigo de Souza e Silva, engenheiro. Condenado. Marzo Sette Torres, engenheiro. Absolvido por falta de provas. Cowan José Paulo Toller Mota, diretor. Faleceu durante o processo. Omar Oscar Salazar Lara, engenheiro. Boliviano, seu julgamento foi desmembrado por ser estrangeiro, e acabaria não sendo localizado. O Ministério Público abriu nova denúncia em 2022 a respeito do ressarcimento dos cofres públicos. Francisco de Assis Santiago, engenheiro. Faleceu em 2017. Sua viúva e filhos foram procurados na denúncia de 2022. Ozanir Vasconcelos Chaves, engenheiro responsável por fiscalizar as obras. Condenado a 4 anos e 8 meses de reclusão, sendo o único sem direito a substituir a pena. Daniel Rodrigo do Prado, engenheiro. Absolvido por falta de provas.
Sudecap José Lauro Nogueira Terror, superintendente. Saiu da Prefeitura em 2017. Condenado. Cláudio Marcos Neto, diretor de obras. Ficou na Prefeitura até se aposentar. Condenado. Mauro Lúcio Ribeiro da Silva, supervisor. Condenado. Ainda estava na Prefeitura em 2024, declarando na defesa que sua responsabilidade se restringia ao contrato da obra, não à fiscalização da execução.
Reação Uma testemunha criticou as autoridades e empresas envolvidas por "não fazer as coisas corretamente" e culpou os cronogramas acelerados de construção e sua "incompetência" pelo desastre. O funcionário do banco também afirmou que "todo mundo está com raiva". A então presidente Dilma Rousseff ofereceu suas condolências "às famílias das vítimas" em um post no Twitter. A Prefeitura de Belo Horizonte divulgou comunicado informando que Marcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte, havia declarado oficialmente três dias de luto na cidade. 50 famílias que moravam em um dos condomínios próximos abriram um processo por danos materiais e morais. Após a demolição e limpeza, cruzamentos e semáforos foram instalados na região, e a implementação fez a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte concluir que o viaduto era desnecessário visto que os semáforos mantiveram o trânsito operando satisfatoriamente sem comprometer o Move.
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