Acelera, Tijuca! foi o enredo apresentado pela Unidos da Tijuca no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro do carnaval de 2014. Com o desfile, a escola conquistou o seu quarto título de campeã do carnaval carioca, sendo o terceiro em cinco anos. O enredo, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros homenageou o piloto brasileiro, tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna, morto em 1994. Barros optou por não fazer um enredo contando a vida de Senna, e sim uma corrida fictícia disputada e vencida por Senna contra competidores inusitados como o velocista jamaicano Usain Bolt; animais rápidos como o Leopardo; invenções do Homem como o trem bala e a internet; personagens do desenho animado Corrida Maluca, como Penélope Charmosa e Dick Vigarista; além de outros como Sonic, The Flash e Ligeirinho.
A Tijuca foi a sexta e última escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial, iniciando sua apresentação na manhã do dia 4 de março de 2014. O samba-enredo do desfile foi composto por Caio Alves, Fadico, Gustavinho de Oliveira e Rafael Tinguinha, sendo interpretado por Tinga. O desfile teve ainda Julinho Nascimento e Rute Alves como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira; Mestre Casagrande comandando a Bateria Pura Cadência; e a atriz Juliana Alves como Rainha da Bateria. Irmãos de Ayrton, Viviane Senna e Leonardo Senna; e o sobrinho do piloto, Bruno Senna, também participaram do desfile.
Especialistas classificaram o desfile como "correto", e alguns veículos de imprensa listaram a Tijuca entre as favoritas ao título junto com Salgueiro e Portela. A escola recebeu diversos prêmios, com destaque para a Bateria Pura Cadência, que foi a mais premiada do ano. A Tijuca foi campeã com um décimo de vantagem sobre o vice-campeão Salgueiro. A escola conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos. O criticado samba-enredo, listado por especialistas entre os piores do ano, foi o quesito mais despontuado, com a perda de cinco décimos. Após o carnaval, o carnavalesco Paulo Barros e os coreógrafos Priscilla Mota e Rodrigo Negri se desligaram da Tijuca.
Antecedentes esquerda|miniaturadaimagem|O carnavalesco Paulo Barros foi campeão dos carnavais de 2010, 2012 e 2014 com a Unidos da Tijuca. A Unidos da Tijuca passava por uma ótima fase no início da década de 2010. Foi campeã do carnaval de 2010 com o histórico desfile "É Segredo!", quebrando um longo jejum de 74 anos depois da primeira conquista, no carnaval de 1936. Após o vice-campeonato de 2011, foi novamente campeã no carnaval de 2012, com um desfile sobre Luiz Gonzaga. No carnaval de 2013 teve alguns problemas, mas conseguiu o terceiro lugar com um desfile sobre a Alemanha. Os desfiles, assinados pelo carnavalesco Paulo Barros, foram reconhecidos pela ousadia e criatividade, com muita coreografia e truques de mágica.
Para o carnaval de 2014, a Tijuca realizou mudanças em sua equipe, vencedora dos carnavais de 2010 e 2012. A escola contratou o intérprete Tinga e o casal de mestre-sala e porta-bandeira Julinho Nascimento e Rute Alves. Os três estavam na Unidos de Vila Isabel, onde foram campeões do carnaval de 2013. Tinga substituiu Bruno Ribas, que estava na Tijuca desde 2009. Julinho e Rute substituíram Marquinhos e Giovanna Justo, que estavam na escola desde 2010. Fernando Costa assumiu a Direção de Carnaval; enquanto Paulinho Haiti assumiu a Direção de Harmonia. Foram mantidos na equipe o carnavalesco Paulo Barros; os coreógrafos da Comissão de Frente, Priscilla Mota e Rodrigo Negri; o Mestre de Bateria, Casagrande; e a Rainha de Bateria, Juliana Alves. No dia 8 de julho de 2013 foi sorteada a ordem dos desfiles para o carnaval de 2014. A Tijuca foi sorteada para ser a penúltima escola a se apresentar na segunda noite, mas trocou de posição com a Portela, ficando com a última posição de desfile, a preferida de muitas agremiações por ser a que mais rendeu títulos a desfiles no sambódromo. O enredo miniaturadaimagem|300x300px|Ayrton Senna, tema do enredo do desfile. O enredo do desfile homenageou o piloto brasileiro, tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna, morto em 1994. O enredo foi divulgado oficialmente no dia 1 de maio de 2013, data em que se completou dezenove anos da morte de Senna. O tema foi escolhido pelo presidente da Tijuca, Fernando Horta, que era fã de Senna. Horta entrou em contato com a irmã de Senna, Viviane, e o Instituto Ayrton Senna, que apoiaram a homenagem. O desfile fez parte de uma série de eventos com o selo "Ayrton Senna Sempre", realizados em 2014, em lembrança aos vinte anos da trágica morte do piloto. O carnavalesco Paulo Barros optou por não fazer um enredo contando a vida de Senna, e sim uma corrida fictícia disputada e vencida por Senna contra competidores inusitados como o velocista jamaicano Usain Bolt; animais rápidos como o Leopardo; invenções do Homem como o trem bala e a internet; personagens do desenho animado Corrida Maluca, como Penélope Charmosa e Dick Vigarista; além de outros como Sonic, The Flash e Ligeirinho."Será um grande desafio. Neste ano, mais brando por conta da figura do Ayrton, tenho certeza que as coisas vão fluir com muito mais naturalidade. Será mais apetitoso de se concluir. Mas o enredo não é biográfico. Ele é pautado na emoção, na alegria, na história do Ayrton herói, do mito. É pautado no prazer. Até porque se formos contar toda a história do Ayrton em seis carros alegóricos, precisaríamos de mais quatro agremiações para relatar tudo [...] Nossa única certeza é que buscaremos levar duas estrelas ao pódio: Unidos da Tijuca e Ayrton Senna".
O samba-enredo
Processo de escolha O samba-enredo enredo do desfile foi escolhido através de um concurso entre os meses de agosto e outubro de 2013. O processo de escolha foi realizado em forma de classificatória, com as obras concorrentes sendo apresentadas na quadra da escola, e avaliadas pela direção da agremiação, com eliminatórias semanais. A final da disputa foi realizada na madrugada do domingo, dia 20 de outubro de 2013, na quadra da Tijuca. Quatro parcerias disputaram a final: o samba de Celinho Maneiro, Enilson e Almir Aguiar; o samba de Márcio André Filho, R. Grassano, Flávio Martins, Niva; o samba de Caio Alves, Fadico, Gustavinho de Oliveira, Rafael Tinguinha; e o samba de Edinho, Diego do Carmo, Luiz Thiago e Vitor Coutinho. Por volta das seis horas da manhã de domingo, a diretoria da escola anunciou a vitória da obra composta Caio Alves, Fadico, Gustavinho de Oliveira, Rafael Tinguinha. Caio Alves é filho da porta-bandeira da escola, Rute Alves; enquanto Tinguinha é filho do intérprete da escola, Tinga. Após a escolha do samba, a diretoria da escola promoveu mudanças na letra da obra. O verso "a internet avançando a cada dia" foi alterado para "a internet ultrapassou a energia". No refrão principal, o trecho "Nos guia a estrela que brilha no céu / Ayrton Senna do Borel" foi alterado para "Guiando o futuro que um sonho construiu / Ayrton Senna do Brasil".
Letra A letra do samba narra uma corrida de carro onde participam animais, personagens, esportistas e outras coisas como internet e eletricidade. No final, a corrida é vencida pelo homenageado do enredo, Ayrton Senna. O samba começa descrevendo os preparativos para a corrida e a largada ("Vai começar / Libere a pista para a emoção / Foi dada a partida, prepare o seu coração / Tijuca, a hora chegou / Quem será o vencedor?"). A seguir, a letra começa a inserir os competidores, como os animais; e faz alusão ao Horse Power, unidade de medida inspirada na força dos cavalos de tração ("Dos animais, agilidade / A inspirar velocidade"). No verso seguinte, internet e energia são personificadas como se estivessem disputando a corrida ("Impressionante a ousadia / A internet ultrapassou a energia / A equipe anunciou, no pit stop o piloto parou"). O refrão central brinca com a bateria da escola, conhecida como "Pura Cadência", e cita os desenhos animados da Corrida Maluca e Dick Vigarista ("E lá vão eles na pura cadência do samba / Numa corrida maluca repleta de bambas / Tentando trapacear, deu mole, rodou na pista / Ficou pra trás o vigarista"). A segunda parte do samba inicia fazendo referência aos atletas e ao avião supersônico capaz de quebrar a barreira do som ("Rompendo barreiras, superam limites / Atletas buscando o primeiro lugar"). A seguir, são lembrados os colecionadores de carros antigos ("Quando de repente pisando no breque / Vi no calhambeque alguém acenar"). No final da fictícia corrida, desponta Ayrton Senna liderando ("Na última volta do meu carnaval / Desponta o gênio, talento imortal / Trazendo nas mãos a bandeira do nosso país"). Ayrton vence a competição e toca o "Tema da Vitória" ("Na reta, a consagração / O tema a emocionar / Lá vem o campeão voando baixo pra vitória alcançar"). O samba é finalizado com o refrão principal ("Acelera, Tijuca, eu vou com você / Nosso lema é vencer / Guiando o futuro que um sonho construiu / Ayrton Senna do Brasil").
Crítica especializada O samba recebeu críticas negativas dos especialistas. Os jornalistas Leonardo Lichote, do jornal O Globo; e Leonardo Bruno, do jornal Extra, listaram o samba tijucano entre os piores do ano. Segundo Marcus Vinicius Pinto, do Portal Terra, "o samba é interessante, embora algumas rimas sejam pobres e forçadas". Para Bruno Guedes, da Cult Magazine, o samba é "funcional" ("refrões fortes e letra casada com o enredo fazem da obra uma garantia de sucesso para o desfile"). Segundo Marco Maciel, do site especializado Sambario, o samba é "funcional, pra cima, cujo melhor momento se encontra disparadamente no refrão do meio, um achado. Bem-humorado e gingado, mistura muito bem o nome da bateria tijucana com o clássico desenho de Hanna-Barbera (Corrida Maluca). Já o restante da obra não chama atenção e peca em letra, principalmente na primeira parte. O trecho 'Impressionante a ousadia / A internet ultrapassou a energia', por mais que seja paupérrimo poeticamente, tem certa coerência e humor dentro do contexto do enredo. É um samba divertido, porém o mais fraco do ano no Grupo Especial". Para João Marcos, também do Sambario, "a letra é um pouco preguiçosa, com soluções com exagerada simplicidade em alguns pontos. O refrão do meio é interessante e se sobressai; e a segunda parte, apesar de simples, traz uma melodia levemente emocionante para falar de Ayrton Senna com algum sentimento, sem destoar da brincadeira inicial. É um samba muito simpático".
O desfile A Tijuca foi a sexta e última escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial, iniciando sua apresentação às quatro horas e vinte minutos da manhã do dia 4 de março de 2014. A apresentação contou com quatro mil e quinhentos componentes, divididos em 33 alas e seis carros alegóricos. A escola finalizou seu desfile às cinco horas e trinta e seis minutos da manhã, totalizando uma hora e seis minutos de apresentação, um minuto a mais do que o tempo mínimo estipulado pelo regulamento do concurso. Ao final, o público dos camarotes e arquibancadas invadiu a pista e seguiu atrás da escola, ato conhecido no meio carnavalesco como "arrastão". Participaram do desfile os irmãos de Ayrton, Viviane Senna e Leonardo Senna; e o sobrinho do piloto, Bruno Senna. Abaixo, o roteiro do desfile e o contexto das alegorias e fantasias apresentadas.