Marcelo Bezerra Crivella (Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1957) é um engenheiro, escritor religioso e político brasileiro, filiado ao Republicanos. Foi senador (2003 a 2017), ministro da Pesca e Aquicultura (2012 a 2014) e prefeito do Rio de Janeiro (2017 a 2020). É deputado federal pelo Rio de Janeiro, desde fevereiro de 2023.

É bispo, atualmente licenciado, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), denominação neopentecostal fundada por seu tio, Edir Macedo.

Foi eleito senador pela primeira vez 2002, com cerca de 3,2 milhões de votos. Em 2010, tornou-se o primeiro senador reeleito no estado do Rio de Janeiro em 24 anos. Exerceu seu mandato até sua posse como prefeito da capital fluminense, cargo para o qual foi eleito no segundo turno da eleição municipal de 2016, em disputa com Marcelo Freixo (PSOL). Candidatou-se à reeleição, sendo derrotado por Eduardo Paes (DEM) no segundo turno da eleição municipal de 2020. Eleito deputado federal em 2022, foi condenado à cassação de seu mandato pela Justiça Eleitoral em 2023, decisão da qual cabe recurso.

Na manhã de 22 de dezembro de 2020, Crivella foi preso preventivamente pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em operação que investiga esquema de corrupção na prefeitura do Rio, sendo também afastado do cargo de prefeito pela Justiça fluminense, nove dias antes do término de seu mandato. Como o vice-prefeito Fernando Mac Dowell faleceu em maio de 2018, o presidente da Câmara Municipal do Rio, Jorge Felippe (DEM), assumiu como prefeito em exercício.

Vida pessoal Nascido na Policlínica de Botafogo e residente à época no bairro da Gávea, é descendente de imigrantes italianos e de migrantes nordestinos e filho único de Eris Bezerra Crivella e Mucio Crivella, ambos católicos. Frequentou a Igreja Metodista na juventude. Sua ligação com o tio, Edir Macedo, fez com que começasse a frequentar a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em 1977. Depois de sua conversão começou a trabalhar na igreja recém-criada por Macedo. Após ter seu ministério aprovado, tornou-se pastor e depois foi consagrado a bispo. Trabalhou por dez anos como missionário em países da África. Sua pregação religiosa também é veiculada por radiodifusão.

É casado e tem três filhos. Formado em engenharia civil pela Universidade Santa Úrsula e Faculdade de Engenharia Civil de Barra do Piraí, atual UGB, em 1984. Trabalhou como taxista para custear os estudos universitários, e foi professor universitário em Barra do Piraí. Por conta do seu ministério religioso, tornou-se cantor e compositor, tendo 14 discos lançados, que já venderam mais de 5 milhões de cópias. Os álbuns foram lançados pela gravadora Line Records, da qual Crivella é o principal artista.

Prisão nos anos 1990 Em outubro de 2016, a revista Veja divulgou imagens onde Crivella aparece de frente e de perfil, em duas fotos tiradas na 9ª DP (Catete) no dia 18 de janeiro de 1990. Segundo a reportagem, Crivella passou o dia na prisão e só saiu com o compromisso de voltar no dia seguinte. O inquérito policial estava guardado há 25 anos, mas não estava em um arquivo público, e sim na casa do senador. A Veja diz que ele só decidiu mostrar o inquérito depois de ser confrontado com as fotos. A revista traz as diferentes versões contadas à polícia. O vigia Nilton Linhares, que morreu em 2001, reivindicava a posse do terreno. No inquérito, o advogado dele diz que Crivella foi até o local com seus comandados, chegou arrombando o portão com um pé de cabra e seguranças armados de revólveres, ameaçando toda a família do segurança, esposa e duas filhas. Segundo a revista, foi então que a polícia teria sido chamada.

Em resposta, Crivella gravou um vídeo negando a prisão, publicado em reportagem da Globo News. "Fiquei preso um dia. Na 9ª DP, lotada de gente. E o delegado pra me constranger, malandro, ele me mandou fazer essa foto. Isso devia ser, eu cheguei lá devia ser umas seis horas da manhã, seis e meia, o dia amanhecendo cedinho", contou Crivella. "Cara, pô, você acha justo invadir um terreno da igreja, que você vai construir um templo pras pessoas pobres, pra favelado, pra miserável e, de repente os caras, é o terreno da igreja. Eu até propus a eles o seguinte: eu alugo uma casinha pra vocês, pô. Mas aqui não dá. Era um terreno caro, meu irmão. [...] Cara, teve um dia que eu tava tão revoltado, eu acordei de manhã, levei os caminhões que a gente tinha, fui pra lá, arrebentei aquela cerca, entrei lá dentro, comecei a tirar as coisas do cara, botar em cima do caminhão, não toquei nas pessoas", diz Crivella ao justificar a ação.

A publicação da Veja gerou polêmica às vésperas do segundo turno das eleições para prefeito do Rio de Janeiro. Marcello Rubioli, juiz de fiscalização eleitoral do Rio, chegou a conceder direito de resposta na revista para o candidato pastor, mas Teori Zavascki, então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão. Para o ministro, "a ordem de retirada de conteúdo jornalístico [tinha] caráter de censura estatal".

Fazenda Canaã Na final da década de 1990, o bispo Edir Macedo, líder e fundador da IURD, convidou Marcelo Crivella para ajudar num projeto com o intuito de revitalizar a cidade de Irecê, localizada no sertão baiano. Para arrecadar os fundos necessários, Crivella lançou o CD "Mensageiro da solidariedade". Os recursos obtidos pela pela venda do CD - fontes falam em 1 milhão a 1,5 milhão de cópias - foram utilizados na compra de um terreno de 500 hectares, no qual foi instalada a "Fazenda Canaã".

O objetivo do projeto era criar uma fazenda que ajudasse a livrar o município da miséria e fome. Para tanto, a localidade teria plantações de alimentos com tecnologia de irrigação importada de Israel, moradias, escola, fábrica de extrato de tomate e uma confecção têxtil. A primeira colheita se deu um ano depois da inauguração da Fazenda, em 2001.

O projeto é de responsabilidade do Instituto Ressoar – braço social da RecordTV. A participação de Crivella no projeto social costuma ser utilizada por ele em suas propagandas eleitorais. Segundo Crivella, sua iniciativa teria levado água à cidade e livrado ela da fome, em iniciativa pioneira e num "modelo de reforma agrária", em suas próprias palavras. O jornal Folha de S.Paulo, no entanto, alega que quando Crivella iniciou o projeto da Fazenda Canaã Irecê já era uma das maiores produtoras de cenoura, cebola e beterraba irrigadas do país. O veículo de imprensa também aponta que a cidade já contava com empresas de irrigação e perfuração de poços artesianos muito antes da chegada da Universal.

Em 2013, a Comissão de Ética da Presidência da República decidiu investigar o uso da estrutura do Ministério da Pesca em benefício da Fazenda Nova Canaã. Crivella, na época, era o Ministro da Pesca. A decisão foi tomada após matéria da revista IstoÉ acusar Crivella de utilizar o Ministério para desenvolver um projeto de criação de tilápia na Fazenda Canaã. Crivella negou a utilização de dinheiro público na produção dos peixes.

Atuação política thumb|esquerda|upright|Crivella em 2006

Marcelo Crivella entrou na vida pública, postulando ao cargo de Senador da República nas eleições de 2002 pelo antigo Partido Liberal (PL). Crivella foi eleito para um mandato no período 2003–2011, e reeleito em 2010 para o período 2011–2019. Crivella candidatou-se ainda ao governo do Rio de Janeiro, em 2006 e 2014 e à prefeitura da capital em 2004, 2008 e 2016.

Em 2004 foi o segundo colocado na disputa pela prefeitura carioca, porém não conseguiu ir para o segundo turno contra Cesar Maia. Segundo Crivella, este sofreu uma perseguição por parte do jornal O Globo, que publicou diversas matérias acusando-o de fraudes. Em 2005, em meio à crise do Mensalão, junto com o vice-presidente da República, José Alencar, entre outros políticos, cria uma dissidência dentro do PL e funda o Partido Republicano Brasileiro (PRB), partido que se denomina como centro-esquerda e que reafirma o apoio ao governo Lula.

No ano de 2006 se candidata ao governo do estado do Rio de Janeiro, sendo apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (que também apoiou o candidato Vladimir Palmeira), e na maior parte do tempo apontado pelas pesquisas como o segundo mais votado. Na última semana antes das eleições, porém, é ultrapassado pela candidata do PPS, Denise Frossard, e acaba novamente fora do segundo turno. Durante a campanha, fez duras críticas ao candidato do PMDB Sérgio Cabral, com quem acabou firmando apoio no segundo turno, e Cabral foi eleito.thumb|Crivella na sala de comissões do Senado Federal durante Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT)Crivella foi candidato à prefeitura do Rio de Janeiro. Logo após ao lançamento da pré-candidatura de Fernando Gabeira, Crivella gerou polêmica em entrevista ao destacar que o deputado do PV apoia o "homem-com-homem" e a legalização da maconha.

Disputou a quarta eleição direta em 2008, pelo cargo de prefeito da capital fluminense, porém ficou em terceiro lugar no primeiro turno. Em 2010, Crivella foi eleito para o segundo mandato de senador pelo Rio de Janeiro, de 2011 a 2019.

Em 29 de fevereiro de 2012 foi escolhido para assumir o Ministério da Pesca e Aquicultura no governo de Dilma Rousseff. Tomou posse em 2 de fevereiro. Durante o período em que chefiou o Ministério, Crivella teria se envolvido em várias irregularidades na contratação de serviços de instalação e substituição de vidros, colocação de películas reflexivas e atividades afins, que seriam realizadas pela Rota Nacional Comércio e Serviços. As investigações apontaram que a contração desse serviço em 2013 foi realizada sem que houvesse real necessidade para tanto. Além disso, apurou-se que o valor pago extrapolava o praticado no mercado, com sobrepreço de às custas da União. Ademais, tais serviços se quer chegaram ser realizados.

Para o Ministério Público Federal (MPF), o esquema fraudulento teve sucesso a partir da atuação de dois núcleos. O primeiro, composto pelo alto escalão do ministério, liderado pelo então ministro Marcelo Crivella. E o segundo, formado por um baixo escalão, que contava com a participação de servidores comissionados nomeados por Crivella. A Justiça Federal em Brasília (TRF-1), nos autos do processo de nº 1012743-15.2018.4.01.3400, acolheu o pedido do Ministério Público Federal, em caráter liminar, e determinou a indisponibilidade dos bens de Crivella. Ele deixou a Ministério da Pesca e Aquicultura em 17 de março de 2014 em uma reforma ministerial promovida pela presidente.

Em 2014, Crivella concorreu novamente ao cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro, classificando-se em segundo lugar no primeiro turno, e obtendo mais de 44% dos votos no segundo turno.

Chegou a cogitar filiar-se ao PSB, visando as eleições para a prefeitura do Rio em 2016. Mais tarde desmentiu sua ida para o PSB, dizendo que havia recebido proposta do partido, porém optou por permanecer no PRB. Busca uma aliança com o também senador Romário (PSB) para ampliar sua votação para além dos setores evangélicos, o que teria limitado sua votação em 2004 e 2008. Mas Romário lançou sua pré-candidatura à prefeitura do Rio em 2016.

Foi o candidato mais votado para prefeito do Rio de Janeiro no primeiro turno da eleição em 2016. Disputou o segundo turno com o candidato Marcelo Freixo do PSOL, e saiu vencedor, sendo eleito o 53º prefeito do Rio. Tomou posse em 1º de janeiro de 2017.

Senado Federal alt=|miniaturadaimagem|187x187px|Foto oficial de Marcelo Crivella como Senador thumb|Crivella, com Lula e Michel Temer.