Fernando José Torres Sanz (Fuenlabrada, 20 de março de 1984) é um treinador e ex-futebolista espanhol que atuava como centroavante. Comanda o Atlético de Madrid B.
Conhecido como El Niño, é amplamente considerado um dos principais atacantes da história da Seleção Espanhola, tendo papel decisivo nas conquistas mais importantes da equipe nacional. Destacava-se pela velocidade, explosão e vigor físico, além da precisão nos dribles e finalizações. Também era reconhecido pela eficiência nas jogadas aéreas e pelo bom posicionamento dentro da grande área.
Pela Espanha, Torres conquistou a Eurocopa de 2008, a Copa do Mundo FIFA de 2010 e a Eurocopa de 2012. Ao lado de Xavi e Iker Casillas, foi um dos destaques na campanha da Euro 2008, marcando o gol do título na final contra a Alemanha, encerrando um jejum de 44 anos sem conquistas continentais. Na Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, sofreu com uma lesão no joelho às vésperas do torneio e teve participação limitada, atuando como reserva. Já na Euro 2012, alternou entre boas e discretas atuações, mas terminou como artilheiro da Fúria e da competição, com três gols e uma assistência, recebendo a Chuteira de Ouro.
Torres e Juan Mata são os únicos jogadores a conquistarem, simultaneamente, os títulos da Copa do Mundo FIFA (2010), Eurocopa (2012), Liga dos Campeões da UEFA (2011–12) e Liga Europa da UEFA (2012–13).
Infância e juventude Fernando Torres nasceu em Fuenlabrada, uma cidade que fica em Madrid, e começou a se interessar por futebol como uma criança normal, e juntou a sua primeira equipe, Parque 84, com cinco anos de idade. Seu avô não era apaixonado por futebol, mas orgulhou-se de que seu neto fosse torcedor do Atlético de Madrid e, desde então, desenvolveu seu amor pelo clube madrileno.
Inicialmente Torres queria ser um goleiro, assim como seu irmão, e chegou a afirmar que poderia ter sido um grande nome da posição. No entanto, quando tinha sete anos e estava atuando com os amigos, feriu-se e chegou a quebrar alguns dentes. Como resultado, sua mãe lhe disse para mudar de posição ou não jogar mais futebol. Assim, Torres passou a atuar como atacante no Mario’s Holland, clube da liga do interior do seu bairro. Três anos mais tarde impressionou alguns olheiros, e com apenas onze anos, em 1995, foi para as categorias de base do Atlético de Madrid.
Um fato interessante e curioso é que o jogador disse também ter se inspirado e começado a jogar por conta da animação japonesa Captain Tsubasa. O jogador, inclusive, deixou claro que quando começou a jogar sonhava em ser o craque do desenho japonês.
Carreira como jogador Início Depois de se formar nas categorias de base do Atlético de Madrid, Fernando Torres ganhou seu primeiro título importante na juventude em 1998. O Atlético enviou uma equipe Sub-15 para competir na Copa Nike, tanto a nível nacional e europeu, para jogar com as jovens equipes do continente. A equipe espanhola sagrou-se campeã do torneio. Logo após a competição, foi eleito o melhor jogador na Europa para essa faixa etária.
Atlético de Madrid Em 1999, com apenas 15 anos de idade, Torres assinou seu primeiro contrato profissional com o Atlético de Madrid. Após passar seu primeiro ano treinando na equipe reserva, o atacante foi chamado para a equipe principal — onde seria um dos destaques — quando completou 16 anos.
A temporada 2000–01 começou mal, com Torres sofrendo uma lesão que o manteve fora dos gramados até dezembro. Já recuperado e sem lesões, o jogador foi para a pré-temporada e finalmente estreou no dia 27 de maio de 2001, no Vicente Calderón, contra o Leganés. Uma semana depois, contra o Albacete, o atacante marcou seu primeiro gol pelo clube. Não foi uma temporada boa para os Colchoneros, que após terem caído para a Segunda Divisão no ano anterior, não conseguiram o acesso para a liga principal da Espanha.
miniatura|esquerda|130px|Torres pelo Atlético de Madrid em 2006
No final da temporada 2001–02, o Atlético finalmente conquistou a Segunda Divisão e, consequentemente, o retorno à La Liga. Fernando Torres marcou seis gols em 36 jogos. Já na temporada 2002–03, chamou a atenção na La Liga por marcar 12 gols em 29 jogos, mesmo com o Atlético terminando em 11º.
Torres deu passos mais largos na temporada 2003–04, marcando 19 gols em 35 jogos na La Liga, terminando em terceiro lugar na artilharia da competição. O espanhol formou uma parceria com o atacante grego Demis Nikolaidis, com quem se destacou. Torres atuava mais recuado, criando espaços e oportunidades no ataque, e os dois juntos conseguiram marcar 26 gols. Com apenas 19 anos, foi também nomeado o capitão da equipe.
O Atlético perdeu a classificação para a Copa da UEFA, mas por ter terminado a competição em 7º lugar na temporada 2003–04, classificou-se para a Copa Intertoto de 2004, dando a Torres a primeira chance de disputar uma competição europeia. O atacante marcou dois gols nos dois primeiros jogos, contra o Belgrado, e o Atlético chegou à final, mas perdeu para o Villarreal.
No ano de 2005, o Chelsea, que estava adquirindo grandes nomes graças ao bilionário russo Roman Abramovich, acreditava que poderia contratar Fernando Torres, mas Enrique Cerezo, presidente do Atlético, declarou que "eles não tinham nenhuma chance de contratá-lo." Um ano depois, em janeiro de 2006, o clube estava disposto a ouvir ofertas pelo atacante, e Torres alegou que o Newcastle havia feito uma proposta.
Após a Copa do Mundo FIFA de 2006, El Niño, que havia sido convocado pela Seleção Espanhola, admitiu que tinha rejeitado a possibilidade de jogar no Chelsea no final da temporada 2005–06. Na sequência da temporada 2006–07, na qual marcou 14 gols na La Liga, seu futuro no Atlético foi novamente alvo de especulações após a equipe não conseguir a classificação para a Copa da UEFA, com relatos na imprensa inglesa afirmando que Torres era o principal desejo do Liverpool. Depois de muitos rumores, o Atlético de Madrid emitiu uma nota oficial afirmando: "Nós não recebemos nenhuma proposta do Liverpool ou de qualquer outro clube ou por algum jogador".
Liverpool miniatura|120px|Torres em sua primeira temporada pelo Liverpool
No dia 2 de julho de 2007, foi divulgado na imprensa que Torres estaria voltando de jatinho para Madrid após ter uma negociação bem encaminhada com o Liverpool. No dia seguinte, o atacante passou nos exames médicos do clube inglês e foi anunciado que teria uma despedida em Madrid, no dia 4 de julho, para que pudesse dar adeus aos torcedores. Torres foi contratado por cerca de 36 milhões de euros; o valor da transferência era, até então, o mais alto pago na história do Liverpool, mas foi superado posteriormente pela contratação de Andy Carroll.
Sua primeira temporada no Liverpool foi a de 2007–08. Fez sua estreia contra o Aston Villa, na vitória por 2–1, em 11 de agosto de 2007. Estreou na Liga dos Campeões quatro dias depois, numa vitória por 1–0 sobre o Toulouse, saindo do banco e entrando aos 79 minutos. Seu primeiro gol na Premier League veio em sua estreia no Anfield Road, em 19 de agosto, aos 16 minutos do empate por 1–1 contra o Chelsea. Seu primeiro hat-trick veio em uma vitória por 4–2 sobre o Reading, pela Copa da Liga Inglesa, em setembro, com todos os seus gols marcados no segundo tempo. Seu primeiro gol na Liga dos Campeões veio em sua terceira partida na competição, quando o Liverpool derrotou o Porto por 4–1, com Torres marcando duas vezes.
Já em sua primeira temporada no clube, Torres fez história na Premier League; foi o artilheiro do Liverpool, marcando 24 gols, e quebrou o recorde do jogador estrangeiro a marcar mais gols em sua temporada de estreia na liga, que pertencia a Ruud van Nistelrooy.
Antes do início da temporada 2009–10, Torres aceitou uma renovação de contrato com o Liverpool, assinando um novo contrato em 14 de agosto. Entretanto, ainda durante esta temporada, o espanhol mostrou-se insatisfeito no clube, chegando a pedir a diretoria que aceitasse propostas para sua transferência. Finalizou assim sua passagem pelo Liverpool, onde jogou um total de 142 jogos e marcou 81 gols, sendo 65 deles pela Premier League.
Chelsea Após diversas tentativas de contratação de Fernando Torres pelo Chelsea, os Blues finalmente conseguiram no dia 31 de janeiro de 2011, último dia da janela de transferências do inverno europeu, quando pagaram uma quantia recorde de 58 milhões de euros por um contrato de cinco temporadas. O valor da transferência ultrapassou o recorde britânico, que era de Robinho, e transformou Fernando Torres na maior contratação da história do Reino Unido e a sexta maior da história do futebol. Tornou-se assim, o jogador espanhol mais caro, e ao mesmo tempo o Chelsea tornou-se o clube inglês que pagou mais dinheiro por um jogador de futebol até o momento.
miniatura|250x250px|esquerda|Fernando Torres em jogo contra o Utrecht
Estreou pelo Chelsea exatamente contra seu ex-clube, o Liverpool, em 6 de fevereiro. Torres não marcou gol em sua primeira partida, mas foi o principal personagem dela, sendo vaiado várias vezes pela torcida adversária, que levou até faixas ao estádio criticando sua saída do clube. O Chelsea acabou derrotado por 1–0, com gol do português Raul Meireles. Após passar as 13 primeiras partidas pelo Chelsea sem marcar nenhum gol, seu primeiro tento finalmente veio no dia 23 de abril, o segundo da vitória por 3–0 sobre o West Ham. Mesmo vivendo uma fase difícil devido à falta de gols, Torres permaneceu entre os titulares na grande maioria das partidas, atuando numa posição um pouco mais recuada em relação ao Liverpool, quase como um segundo atacante. O espanhol teve uma de suas melhores atuações pelos Blues no dia 13 de setembro, numa partida contra o Bayer Leverkusen, válida pela Liga dos Campeões da UEFA. Torres foi o autor de duas assistências para os gols de Juan Mata e David Luiz.
No dia 24 de abril de 2012, teve seu dia de glória no Chelsea. O atacante marcou nos acréscimos contra o Barcelona, em pleno Camp Nou, um gol que garantiu o empate em 2–2 e a classificação para a final da Liga dos Campeões. Já no dia 29 de abril, fez seu primeiro hat-trick pelos Blues.
Torres começou a mostrar porque o presidente do Chelsea o contratou por 58 milhões de euros, um dinheiro que estava sendo questionado pelo fato do atacante não conseguir marcar gols com o treinador André Villas-Boas. No entanto, o jogador terminou a temporada 2011–12 com 48 jogos oficias pelo Chelsea, tendo marcado 11 gols e distribuído 11 assistências. Dos 11 gols marcados, metade foram com o técnico Roberto Di Matteo.
O ano de Fernando El Niño Torres foi salvo pela conquista da Copa da Inglaterra, em que o Chelsea venceu o Liverpool por 2–1, além da conquista da Liga dos Campeões sobre o Bayern de Munique por 4–3, nos pênaltis. Nenhum clube de Londres havia concretizado esse feito até então.
miniatura|300x300px|Fernando Torres na final do Mundial de Clubes da FIFA, contra o Corinthians
Após a saída do ídolo marfinense Didier Drogba na temporada 2012–13, Torres ganhou definitivamente a posição de titular e teve um ótimo começo de temporada, tendo balançado as redes na Supercopa da UEFA e nos dois primeiros jogos do Chelsea na Premier League. Fez também gols importantes durante a fase de grupos da Liga dos Campeões, mas não conseguiu evitar a eliminação do Chelsea ainda na fase de grupos. Já na semifinal do Mundial de Clubes da FIFA, conseguiu marcar um gol e ajudou na vitória por 3–1 sobre o Monterrey, do México.
Em compensação, foi apontado pela imprensa e por torcedores como o principal responsável pela derrota do Chelsea para o Corinthians na final do Mundial de Clubes da FIFA, em dezembro de 2012. Torres teve inúmeras oportunidades de marcar gols durante a partida, mas mostrou incapacidade nos momentos de definição; isso fez com que o seu prestígio caísse de forma vertiginosa no clube e entre os torcedores.