A Copa América de 2021, oficialmente CONMEBOL Copa América 2021, foi a 47.ª edição da Copa América, o principal torneio de futebol masculino entre seleções nacionais da América do Sul, organizado pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL). A competição contou com a participação das dez seleções afiliadas à entidade, e foi a primeira edição do torneio desde 1991 sem equipes convidadas de outras confederações.
Originalmente programada para ocorrer entre junho e julho de 2020, a competição foi adiada para 2021 devido à pandemia de COVID-19. Inicialmente prevista para ser sediada conjuntamente por Colômbia e Argentina, a Colômbia deixou de sediar o torneio em maio de 2021, em meio a protestos no país contra o presidente Iván Duque Márquez. Poucos dias depois, a Argentina também desistiu da organização devido às restrições sanitárias vigentes. Em 31 de maio de 2021, a CONMEBOL anunciou o Brasil como nova sede da competição, por já ter sediado a edição anterior e por possuir uma melhor infraestrutura para abrigar o torneio.
A partida final foi disputada entre Argentina e Brasil no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, com vitória argentina por 1–0. O título representou a 15.ª conquista da Argentina na competição e seu primeiro troféu continental desde 1993. Também foi a primeira vez na história do evento em que a Seleção Brasileira foi derrotada em casa numa decisão. Colômbia e Peru terminaram em terceiro e quarto lugares, respectivamente.
A partir desta edição, a Copa América passou a ser realizada em anos pares, concomitantemente com o Campeonato Europeu de Futebol, como forma de auxiliar os clubes na liberação dos jogadores e remodelando o calendário de competições anuais da FIFA e UEFA.
Contexto Em março de 2017, a CONMEBOL propôs que a Copa América ocorresse em 2020 como parte de uma mudança no calendário. Após a edição de 2019 no Brasil, o torneio quadrienal passaria dos anos ímpares para os pares a partir de 2020, com a seguinte edição ocorrendo no Equador em 2024. Isso colocaria as datas do torneio de acordo com a Eurocopa, que também ocorre em anos pares. Especulações sugeriram que os Estados Unidos poderiam sediar o torneio, tendo anteriormente sediado a Copa América Centenário em 2016, que comemorou o centenário da CONMEBOL e da Copa América. Em 18 de setembro de 2018, os planos de mudança de calendário foram confirmados pelo presidente da CONMEBOL Alejandro Domínguez, depois de apresentar um pedido oficial à FIFA.
No dia 26 de outubro de 2018, durante reunião do Conselho da FIFA em Kigali, Ruanda, o pedido foi aprovado para que a Copa América fosse realizada em anos pares, começando com a edição de 2020. O torneio decorreria entre 12 de junho e 12 de julho de 2020, as mesmas datas do Campeonato Europeu de Futebol de 2020.
Em 13 de março de 2019, a CONMEBOL anunciou a Argentina e a Colômbia como anfitriões da edição de 2020, depois que a proposta dos Estados Unidos foi rejeitada, juntamente com as propostas da Austrália, China, Rússia e Catar. Foi oficialmente anunciado em 9 de abril de 2019 no congresso da CONMEBOL no Rio de Janeiro, assim como a forma de disputa.
Em 4 de junho foi revelado que a Austrália seria a outra seleção convidada a participar dessa edição do torneio, junto com o Catar, que estava confirmado desde abril. Em 15 de março de 2021 a Conmebol divulgou uma nova tabela da competição, reformulada após a desistência da Austrália e Catar por causa da Covid-19.
Adiamento Em março de 2020, a pandemia de COVID-19 na América começou a impactar o futebol. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) anunciou que as duas primeiras rodadas das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2022, que deveriam ocorrer em março, foram adiadas, enquanto a CONMEBOL suspendeu temporariamente a Copa Libertadores. Em 17 de março de 2020, a CONMEBOL anunciou que a Copa América seria adiada para o ano seguinte, passando a ocorrer de 12 de junho a 12 de julho de 2021, com o objetivo de proteger a saúde e segurança das equipes, mídia, visitantes e cidades-sede. No dia seguinte, o Conselho da FIFA aprovou a mudança de data no Calendário de Jogos Internacionais da entidade. Com isso, o novo formato da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, que deveria ocorrer em junho e julho de 2021, será adiada.
Desistência da Colômbia e Argentina
Em 22 de abril de 2021, durante a exibição do programa Blog Desportivo da BluRadio de Bogotá na Colômbia, a Argentina estava cogitando desistir de sediar a Copa América de 2021 por conta da segunda onda da Pandemia de COVID-19, gerando preocupações do Governo Argentino. Se caso houvesse a desistência da Argentina, a Colômbia passaria a ser sede única, com a inclusão das cidades de Ibagué, Palmira, Manizales e Armênia.
No dia 28 de abril de 2021, a Colômbia viveu o início de uma onda de manifestações contra a reforma tributária, com números maiores na capital Bogotá e em Cali, ambas cidades sedes da Copa América e a última sendo sede da primeira edição dos Jogos Pan-Americanos Juniores que acontecerão em novembro. A tensão cresceu com o uso da força policial no segundo dia de protestos no dia 29, com várias greves sendo realizadas de diversos setores como caminhoneiros e taxistas. No dia 3 de maio, o presidente Ivan Duque anunciou a revogação do processo de reforma tributária após o crescimento do movimento de oposição, já que a medida afetaria as classes médias e baixas. Além disso, passaram a circular nas redes sociais, vídeos de repressão policial, trazendo preocupação para as entidades como a União Europeia e a ONU, que emitiram notas oficiais no dia 4 de maio. O governo colombiano nega que tenha usado o exército para reprimir os manifestantes.
Os protestos também afetaram em cheio os jogos da Copa Libertadores da América, sobretudo a partida entre Atlético Nacional (Colômbia) e Nacional (Uruguai) em Pereira, que aconteceu com atraso no dia 12 de maio, após os manifestantes bloquearem o hotel onde estavam hospedados a equipe técnica e os jogadores do time uruguaio, além do bloqueio das pistas da cidade pedindo o cancelamento de todos os jogos da Libertadores e da Copa América na Colômbia. A partida aconteceu por volta da meia noite do dia 13, terminando em empate de zero a zero. No mesmo dia, uma partida entre Atlético Mineiro e América de Cali precisou ser interrompida por cinco vezes devido ao fato dos jogadores sentirem o gás lacrimogêneo de uma manifestação que ocorria em frente ao Estádio Romelio Martínez em Barranquilla. O jogo terminou com a vitória do time brasileiro.
Em 13 de maio, apesar do pior momento da Pandemia de COVID-19 na Argentina e pela Crise Social na Colômbia, a CONMEBOL anunciou que iria bancar a realização da Copa América nos dois países. No dia 18, através de comentários internos na confederação, passou a ser discutido uma possibilidade dos jogos acontecerem apenas na Argentina por conta das tensões sociais e instabilidade na Colômbia. O presidente argentino Alberto Fernández, em entrevista, anunciou que colocaria o país à disposição da CONMEBOL para assumir os jogos que aconteceriam na Colômbia (Lado Norte).
No dia 20 de maio, por meio de uma publicação do Jornal Marca, foi anunciado que a Colômbia teria desistido de sediar a Copa América em razão da onda de protestos no país e pela altos números de casos confirmados e de óbitos da COVID-19, fazendo com que a Argentina se tornasse sede única das competições. Tal fato se confirmou horas depois pela Conmebol, que anunciou que a Argentina, até o momento, iria receber todas as partidas da competição. Houve até mesmo uma tentativa de migrar as competições do Lado Norte para o Chile, reutilizando os estádios da edição de 2015, porém, foi descartada por questões comerciais. Após a confirmação, a entidade passou a discutir uma possibilidade de escolher um novo país para substituir a Colômbia, com o objetivo de realizar algumas partidas com uma parte do público.
Com a saída da Colômbia, a Argentina também apresentou projetos de estádios para receber a competição junto com os outros quatro aprovados desde o início, sendo eles: o Estádio Jorge Luis Hirschi e Estádio Único, ambos localizados em La Plata, além do La Bombonera, Nuevo Gasometro, El Cilindro e Libertadores da America, todos em Buenos Aires, evitando assim o deslocamento de atletas a outras cidades. Países como Chile, Equador e Venezuela também mostraram interesse em receber os jogos do Lado Sul, sendo o Chile o favorito devido ao avanço da vacinação no país, facilitando assim o plano da Conmebol de realizar as competições com público, mesmo sendo limitado. Entre os estádios chilenos confirmados, caso a proposta chilena fosse escolhida, estavam o Estádio Nacional e o Estádio Monumental em Santiago, Estádio Sausalito em Viña del Mar e Estádio El Teniente em Rancagua.
Em 30 de maio, a Conmebol anunciou que a Copa América não iria mais acontecer na Argentina, sem maiores explicações. Além disso, os países interessados em receber o evento teriam as propostas analisadas e, em seguida, a confederação anunciaria a decisão final. Antes do anúncio da suspensão da competição no país, a Ministra da Saúde argentina, Carla Vizzoti, teria dito que a realização do evento não está "100% definida". Uma pesquisa de opinião pública, divulgada no dia 28, mostrou que 70% dos argentinos rejeitavam a Copa América no país.
Brasil como nova sede Em 31 de maio de 2021, a Conmebol anunciou que os jogos iriam acontecer no Brasil, sob os argumentos de que o país possuía a melhor estrutura para abrigar as competições. Tal anúncio pegou a imprensa e o mercado esportivo de surpresa, levando a várias matérias criticando a escolha do país, sob argumentos da alta no número de óbitos pela COVID-19 e pelo ritmo lento de vacinação. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), destacou que a realização da Copa América no Brasil representava menos risco do que na Argentina. Contudo, a posição do governo brasileiro frente à realização da Copa América contrastava com a sua posição diante da possibilidade de sediar a Copa do Mundo Feminina de 2023, quando o Brasil havia desististido de sediar o torneio alegando falta de apoio do Governo Federal, o qual citou dificuldades resultantes da pandemia de Covid-19.
Logo após o anúncio, o governo de Pernambuco anunciou que não iria receber as competições, vetando qualquer proposta. Além de Pernambuco, os estados do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Minas Gerais também recusaram a proposta de receber o torneio se fossem sondados. Os governos da Bahia, São Paulo, Mato Grosso e Amazonas anunciaram que não iriam se opor ao evento, desde que acontecessem sem a presença de público e seguindo protocolos locais. No dia 1° de junho, foi anunciada a confirmação do Brasil como nova sede, com jogos nas cidades de Brasília, Goiânia, Cuiabá e Rio de Janeiro, podendo ter mais sedes quando saísse a confirmação oficial.
Ameaças de boicote e saída de patrocinadores Logo após o anúncio da escolha do Brasil como sede, jogadores da Seleção Argentina teriam se irritado com a decisão, manifestando um desejo de um possível boicote. Em 4 de junho, o técnico da seleção Lionel Scaloni, demonstrou preocupação do evento no país, mas garantiu que a seleção estaria presente, descartando um boicote visto inicialmente.