thumb|Fragmento da Estela dos Abutres Estela dos Abutres é um monumento do início do Período Dinástico Arcaico na Mesopotâmia celebrando uma vitória da cidade-Estado de Lagaxe sobre sua vizinha Uma. Ele mostra várias cenas de batalha e religiosas e é nomeada por conta dos abutres que podem ser vistos em uma dessas cenas. A estela foi originalmente esculpida em uma única laje de calcário, mas apenas sete fragmentos são conhecidos hoje. Os fragmentos foram encontrados em Telo (antiga Guirsu) no sul do Iraque no final do e agora estão em exibição no Museu do Louvre. A estela foi erguida como um monumento à vitória do rei Eanatum de Lagaxe sobre Enacale de Uma.

Narrativa da Estela A Estela dos Abutres é uma obra escultural de importância histórica que narra os eventos da batalha entre as cidades-Estado de Uma e Lagaxe. A disputa entre essas duas cidades era motivada pelo controle de uma região fértil, abundante em plantações e pastagens, e o conflito caracterizava-se por uma alternância de sucesso entre elas.

Na narrativa esculpida na estela, Uma é retratada como uma cidade agressiva, frequentemente rompendo com suas promessas, enquanto Lagaxe é descrita como uma cidade justa e constantemente vítima de agressões. A estela, portanto, representa uma celebração da conquista e da supremacia de Lagaxe sobre Uma.

A representação visual gravada na estela é altamente simbólica e tem como objetivo glorificar o governante de Lagaxe e sua cidade-Estado. A estela é dividida em dois lados, sendo o primeiro dedicado à representação da batalha entre Lagaxe e Uma, dividido em cinco registros distintos.

No primeiro registro, observa-se um grupo de abutres alimentando-se dos restos mortais dos soldados de Uma, simbolizando a derrota e o fim dos adversários. No segundo registro, as tropas de Lagaxe avançam triunfantes sobre os corpos dos soldados derrotados de Uma, lideradas por seu rei. O terceiro registro retrata o exército de Lagaxe avançando com destemor, sendo Eannatum, o líder, representado lançando uma lança em direção aos soldados de Uma. No quarto registro, são retratados os rituais realizados após a batalha, incluindo a construção de um túmulo e libações conduzidas por um sacerdote.

Por fim, o último registro apresenta uma cena intrigante, onde uma lança atinge a cabeça de um personagem, possivelmente representando Eannatum executando o rei de Uma. Além disso, destaca-se a figura do deus Ninguirsu, que segura uma águia Anzû, um demônio mesopotâmico associada ao roubo das tábuas do destino.

Em outra representação, Ninguirsu desfere um golpe em um inimigo com um porrete, enquanto sua mãe, Ninhursag, está posicionada à sua direita. No segundo registro, Ninguirsu é representado em uma carruagem, voltado para sua mãe.

Escritos na Estela O texto tem correspondência com a iconografia, que mostra o deus Ninguirsu carregando uma rede (šušgal), à qual se referem os juramentos, cheia de homens que dentro dela se contorcem. Ao lado, uma personagem, certamente o ensi, comanda tropas marchando em falange por cima de cadáveres de inimigos. A narrativa visual associa-se estreitamente à palavra escrita, mostrando a submissão de Uma, lembrando o juramento que fizera e as consequências de uma eventual traição:

Eannatum, o poderoso, chamado pelo nome de Ninguirsu, Eannatum que proclamou “Agora, ó inimigos”, proclamou para sempre: “O senhor de Uma - onde recruta seus homens? Com (outros) homens [..] ele é capaz de explorar o Gu'edena, o amado território de Ninguirsu. Que ele (Ninguirsu) o drubel" [..]

Ele o seguiu. A ele que jazia no sono, ele se aproximou. A Eannatum que jazia no sono do seu amado senhor Ninguirsu se aproximou [...]”A própria Kish deve abandonar Uma e, irada, não a ajudará mais. O (Deus) só resplandecerá à sua direita e um [...] será colocado em tua frente. Oh Eannatum, tu a matarás, miríades de seus cadáveres, se amontoarão até a base do céu. Em Uma [..] os habitantes da sua mesma cidade se rebelaram contra ele e ele será morto na própria Uma”, e lutou com ele. Uma flecha foi atirada contra Eannatum e ele foi atingido pela flecha e mal podia mover-se. Ele gritou por isso, Eannatum provocou uma tempestade em Uma, desencadeou lá um dilúvio. Eanatum, cuja palavra é justa, estabeleceu a fronteira com o senhor da Uma, deixou (algumas terras) sob o controle de Uma e ergueu uma estela naquele lugar, Ele derrotou Uma e erigiu vinte túmulos sepulcrais. Eannatum sobre o qual Shultitul versa doces lágrimas, Eannatum [..] destruiu as terras estrangeiras; Eannatum devolveu o controle de Ninguirsu ao seu amado território, o Gu'edena.

Eannatum lançou a grande rede (šušgal) da batalha de Enlil sobre o homem de Uma e sobre ela o fez jurar, O homem de Uma fez um juramento a Eannatum: “Pela vida de Enlil, senhor do céu e da terra! Eu posso trabalhar no campo de Ninguirsu como empréstimo! Eu não [...] canal de irrigação! Jamais eu violarei o território de Ninguirsu. Eu não mudarei o lugar de sua estela. Se eu porventurar transgredir (esse juramento) guro de seus riachos e dos canais de irigação. Eu não mudarei de lugar a sua estela. Docéu  e da terra, sobre a qual eu jurei, caia sobre Uma”

Eannatum era verdadeiramente muito sábio” Ele adornou os olhos de duas pombas com dois Kohl e ungiu suas cabeças com (resina) de cedro; as soltou para Enlil, o rei do céu  e da terra, na direção do Ekur de Nippur.

Notas

Ligações externas

The Stele of the Vultures in the Louvre

Categoria:Estelas Categoria:Arte e arquitetura do Antigo Oriente Próximo Categoria:Mesopotâmia Categoria:Museu do Louvre Categoria:Estelas da vitória