Pedro Alexandre (regionalmente conhecido como Serra Negra)LIMA, Ricardo Junio Feitosa. O Complexo Montanhoso Serra Negra. Athos – Revista de Estudos Integrados, Vol.5, N.1, 2020. ISSN 2674-8002. é um município brasileiro do estado da Bahia. Localiza-se a uma latitude 10º00'49" sul e a uma longitude 37º53'39" oeste. Sua formação remonta ao ano de 1847 e está associada à expansão rural do município sergipano de Porto da Folha. Posteriormente, foi reconhecido como parte do território do município baiano de Jeremoabo, do qual se desmembrou, sendo oficialmente emancipado em 1962.
História O povoamento do território atual de Pedro Alexandre teve início no século XVIII, quando colonos sergipanos se estabeleceram para a produção de grãos e criação de gado, como parte da expansão da agropecuária sergipana. Essa área era considerada um bairro rural do município de Porto da Folha. Durante um dos repetitivos período de seca, aconteceu a migração significativa de uma elite latifundiária, seguida da ocupação de novas áreas de mata próximas ao Complexo da Serra Negra, por conta da fertilidade do solo e da disponibilidade de água da bacia hidrográfica do Rio do Peixe.
Famílias que se estabeleceram junto a uma fonte de água na lagoa da nascente do Rio do Peixe formaram, por volta de 1847, um pequeno povoado chamado Lagoa da Caiçara, cujo nome "caiçara" remete a um tipo de cerca paliçada ainda existente nesta lagoa. A jovem comunidade consistia de um pequeno agrupamento de casas em uma área de litígio territorial Sergipe-Bahia que acabou incorporada à comarca baiana de Jeremoabo, deixando de fazer parte do município sergipano de Porto da Folha (este passou a englobar apenas o território que atualmente pertence ao município de Poço Redondo).
Em meados de 1872, há a chegada do garoto Pedro Alexandre de Carvalho, nascido em 25 de abril de 1865 no povoado alagoano de Entre Montes em Piranhas, ao vilarejo de Lagoa da Caiçara (atual Rua Velha) acompanhado de seu pai adotivo Alexandre Torquato de Carvalho.LIMA, Ricardo Junio Feitosa. Serra Negra: Pedro Alexandre (BA) - território dos cotonicultores. Revista Serrana. Edição Especial. 2025. Alexandre tinha a intenção de desmatar mais terras virgens para a atividade agrícola. Ambos se tornaram pioneiros no cultivo de algodão, um produto em alta e introduzido para transformar a economia da região. Com o avanço local, em 1927 a sede do distrito recebeu o nome de Serra Negra em alusão às montanhas da Serra Negra, uma designação que ainda é usada atualmente para se referir ao município.
Em 1943, com uma delimitação geográfica mais precisa dos estados de Sergipe e Bahia e o Decreto n° 5901 para corrigir repetições de nomes, o distrito de Serra Negra teve seu nome substituído pelo topônimo indígena Voturuna. Essa nova denominação é alusão a somente à porção do complexo de montanhas da Serra Negra que está situada dentro do território baiano, que é onde atualmente se encontra a comunidade de Serra Torre. Destarte, é justamente na porção da Voturuna onde se encontra o cruzeiro da cidade, conhecido pelas penitências religiosas que fazem parte da história e cultura local.
A Lei Estadual n° 1763, de 28 de julho de 1962, desmembrou o distrito de Voturuna de Jeremoabo e o elevou à categoria de município. Nessa mesma ocasião, o documento foi revisado e o nome foi rapidamente alterado para Pedro Alexandre, deixando vestígios do nome de Voturuna tanto nos próprios artigos da lei de emancipação municipal quanto no documento de emancipação de Santa Brígida. De acordo com essa lei, a instalação e o funcionamento efetivo do município ocorreram em 07 de abril de 1963. Portanto, o município tem data de criação e data de instalação efetiva.
Cronologia
Cronologia dos principais eventos 1690: Colonização da região de Serra Negra como bairro rural de Porto da Folha.LIMA, Ricardo Junio Feitosa (2023, July 7). Síntese cronológica de Pedro Alexandre, Bahia, Nordeste do Brasil. Even3 Publicações. DOI 10.29327/7281028. 1704: Formação de uma rede de quilombos no topo das montanhas da Serra Negra. 1847: Formação do povoamento ao longo do corpo hídrico da Lagoa da Caiçara. 1872: Momento da chegada de Pedro Alexandre Carvalho em Lagoa da Caiçara. 1902: Aquisição do motor portátil Lincoln 1890 para beneficiamento de algodão. 1927: Fundação do distrito de Serra Negra e sua vila sede com este mesmo nome. 1938: Zé Sereno e 20 cangaceiros se entregam na Fazenda Nova, em Serra Negra.ARAÚJO. Antônio Amaury Corrêa de. Gente de Lampião, Sila e Zé Sereno. Editora Traço. São Paulo. 1987. Pag. 92. 1943: Por Lei de nomenclatura, Serra Negra recebe o topônimo indígena Voturuna. 1962: Linhas de evidências indicam que a cidade foi emancipada como Voturuna. 1962: Emancipação oficial pela lei n° 1763, como Pedro Alexandre, em 28 de julho. 1963: Instalação por lei e funcionamento efetivo do município em 07 de abril do ano. 1981: Acidente aéreo mata 4 tripulantes que faziam vistorias do Baneb no município. 2019: A Barragem do Quati transborda, rompe e inunda a cidade de Coronel João Sá. 2020: Primeiro artigo científico pelo município sobre o Complexo da Serra Negra.
Cronologia administrativa A Primeira eleição para prefeito e vereadores ocorreu em 7 de outubro de 1962 e um dos herdeiros de João Maria, Heraldo de Carvalho, foi eleito primeiro prefeito do município. A primeira gestão iniciou apenas em 7 de abril de 1963 com a instalação do município e efetivo funcionamento da prefeitura. Heraldo e seu primo Evaldo Carvalho tornaram-se políticos e se mantiveram na administração do município na condição de prefeitos por várias gestões. +Quadro administrativoGestorInícioTérmino Fontes e informações adicionaisHeraldo de Carvalhoabr de 1963dez de 1966Eleito com 341 votos (386 eleitores votaram).Evaldo Carvalhojan de 1967dez de 1970Eleito com 296 votos (366 eleitores votaram).João de Oiôjan de 1971dez de 1972Eleito com 447 votos (524 eleitores votaram).Evaldo Carvalhojan de 1973dez de 1976Eleito com 987 votos (1.250 eleitores votaram).Heraldo de Carvalhojan de 1977dez de 1982Eleito com 1.280 votos (1.341 eleitores votaram).Evaldo Carvalhojan de 1983dez de 1988Eleito com 1.483 votos.Heraldo de Carvalhojan de 1989dez de 1992Eleito com 1.179 votos.Evaldo Carvalhojan de 1993dez de 1996Última gestão de integrantes da família CarvalhoPetrônio Gomesjan de 1997dez de 2000Eleito com 2.619 votos (58,1% dos votos válidos).Petrônio Gomesjan de 2001dez de 2004Eleito com 3.649 votos (70,1% dos votos válidos).Salorylton (Salon)jan de 2005dez de 2008Eleito com 3.708 votos (61,8% dos votos válidos).Pedro Gomes Filhojan de 2009dez de 2012Eleito com 3.295 votos (50,5% dos votos válidos).Salorylton (Salon)jan de 2013dez de 2016Eleito com 3.245 votos (47,5% dos votos válidos).Pedro Gomes Filhojan de 2017dez de 2020Eleito com 2.553 votos (36,3% dos votos válidos).Yuri Andrade jan de 2021dez de 2024Eleito com 4.659 votos (59,15% dos votos válidos).Yuri Andradejan de 2025dez de 2028Eleito com 4.558 votos (51,68% dos votos válidos).
Paleontologia e arqueologia
Fóssil de bivalve (100.5 — 66 Ma) Em 2016, um punhado de rochas contendo uma variedade de ágatas doado por uma aluna a um professor e pesquisador local, para fins de ornamentação, revelou a possível presença de um bivalve fossilizado.LIMA, Ricardo Junio Feitosa. Outcrop containing a “possible” member of the Pleuromyidae Family (Bivalvia class) fossil, in the municipality of Pedro Alexandre, Bahia, Northeastern Brazil. Even3 Publicações. 2020. DOI 10.29327/725188. O material foi preservado até que sua origem fosse descoberta e, em junho de 2020, devido à necessidade de uma modelagem para identificação das dentições do bivalve, o material foi enviado a Renato Pirani Ghilardi, presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia, para estudos mais aprofundados. Ghilardi observou que, à primeira vista, os restos da dentição presentes no material indicavam ser o molde de um representante do gênero Pleuromya, um gênero relativamente comum no Cretáceo Superior, encontrado na Bacia Sergipe-Alagoas. No entanto, Ghilardi destacou que afloramentos desse tipo são um achado inédito na área de Pedro Alexandre. Tal afloramento pode ser parte de um sítio paleontológico indicando a ocupação local pelo Oceano Atlântico. Como ocorreu com o Geoparque Araripe.
Evidências da Megafauna (50 — 11 Ka) O município possui terras que evidentemente foram habitadas por espécies da megafauna. Até o momento, dezoito datações foram realizadas em fragmentos de ossos e dentes encontrados nas extensões sergipanas da Serra Negra indicam a presença de uma fauna com idade estimada entre 11 e 50 mil anos. A descoberta de afloramentos contendo fósseis é mais frequente durante a época da seca, quando a população sergipana que reside próximo aos tanques, também conhecidos como cacimbas ou pias-de-pedra, e antigas lagoas, escava para retirar o sedimento a fim de armazenar água para o período de chuvas.Fósseis encontrados no sertão. Correio Sergipe D'el Rey. 3º Edição. Page 77. SkyscraperCity. 2013. Visitado em 10 de Janeiro de 2016. Também há evidências regionais da presença fossilizada de animais em Coronel João Sá, especificamente da espécie Eremotherium laurillardi que se assemelha às preguiças modernas; da espécie Toxodon platensis que se assemelha aos hipopótamos atuais; e de espécies semelhantes aos elefantes atuais, incluindo as espécies Cuvieronius humboldtii, Stegomastodon platensis e Stegomastodon waringi.DANTAS, Mário André Trindade; ZUCON, Maria Helena. A Ocorrência de Fósseis da Megafauna do Pleistoceno Final em Coronel João Sá, Bahia, Brasil. v. 6, n.1. UnG - Universidade Guarulhos / Geociências. Guarulhos. 2007. Destaca-se, portanto, que o território como potencial portador de evidências fósseis da megafauna, por ser uma área intermediária entre ambas citadas.
Pinturas rupestres (12 — 09 Ka)
Conjuntos de painéis gráficos identificados no Complexo Rupestre Rio do Peixe, na zona localizada no município de Coronel João Sá, na Bahia, são compreendidos como elementos arqueológicos que, em conformidade com outros elementos etno-históricos regionais que sugerem ocupações há mais de nove milênios. Isso sugere uma presença humana indígena significativa na região por um período prolongado de tempo.LIMA FILHO, Sebastião Lacerda de. Sítios gráficos e apropriação de espaços: um estudo de caso do complexo rupestre Rio do Peixe, região de Coronel João Sá, nordeste da Bahia. 2017. 447 f. Tese (Doutorado em Arqueologia) — Universidade Federal de Sergipe. Laranjeiras. 2017. Nessa lógica, painéis rupestres encontrados na extensão do complexo que adentra o território de Pedro Alexandre, no Sítio Arqueológico Toca da Onça,LIMA FILHO, Sebastião Lacerda de; MORAES FILHO, Manoel Odorico de; FROTA, Marcos Tadeu Ellery; LIMA, Ricardo Junio Feitosa; NASCIMENTO, José Marques Souza do; SOUZA, Maria Aparecida de. Informações sobre a Documentação Preliminar do Sítio Arqueológico da Toca da Onça (Povoado Boa Sorte, Região de Pedro Alexandre, Nordeste da Bahia, Brasil). Centro de Arqueologia de Almada, Portugal. Revista Al-Madan Online, 2.ª Série, N.º 28, Tomo 1, pp. 77-87, 2025. ISSN: 2182-7265. que são parcialmente compatíveis, podem oferecer dados semelhantes. Isso fortaleceria a ideia de uma ocupação humana antiga e contínua na área. Essas descobertas são fundamentais para entender a história e a evolução dos povos que habitaram o território ao longo dos milênios.