A Classe Victoria Louise foi uma classe de cruzadores protegidos operada pela Marinha Imperial Alemã, composta pelo , , , e . Suas construções começaram a partir de 1896 e foram lançados ao mar em 1897 e 1898, sendo comissionados na frota alemã entre 1898 e 1899. A classe foi encomendada como parte de um programa de construção naval que tinha o objetivo de modernizar a frota de cruzadores da Marinha Imperial, com seu projeto tendo passado por um longo processo de desenvolvimento influenciado pelos desejos de diferentes oficiais e do imperador Guilherme II, mais restrições orçamentárias da Dieta Imperial.
Os cruzadores da Classe Victoria Louise eram armados com uma bateria principal composta por dois canhões de 210 milímetros montados em torres de artilharia individuais. Tinham um comprimento de fora a fora de 110 metros, boca de dezessete metros, calado de seis a sete metros e deslocamento carregado de mais de seis mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por dez caldeiras a carvão que alimentavam três motores de tripla expansão, que por sua vez giravam três hélices até uma velocidade máxima de dezoito a dezenove nós (34 a 36 quilômetros por hora). Os navios também eram protegidos por um convés blindado cuja espessura ficava entre quarenta e cem milímetros.
Os membros da classe serviram em várias unidades da frota alemã, incluindo no Mar do Caribe, no Sudeste Asiático e na frota principal em casa. O Hertha e o Hansa participaram da subjugação do Levante dos Boxers na China em 1900, enquanto o Vineta se envolveu na Crise Venezuelana de 1902–1903. Todos os cinco foram modernizados entre 1905 e 1911, em seguida servindo como navios-escola para cadetes navais. Foram mobilizados como parte do V Grupo de Reconhecimento quando a Primeira Guerra Mundial começou em 1914, mas rapidamente tirados do serviço de frente e usados em funções secundárias até o fim do conflito em 1918. Eles foram desmontados entre 1920 e 1923.
Antecedentes A Marinha Imperial Alemã começou na década de 1880 um programa para modernizar sua frota de cruzadores, com os primeiros sendo os cruzadores protegidos da Classe Irene e os cruzadores desprotegidos da Classe Schwalbe em 1886, seguidos pelo cruzador protegido em 1890. Os vice-almirantes Alexander von Monts e Friedrich von Hollmann se tornaram no final de 1888, respectivamente, os chefes do Almirantado Imperial e do Escritório Naval Imperial. A construção naval alemã nessa época estava marcada por uma confusão estratégica; a Marinha Imperial estava ao mesmo tempo construindo quatro couraçados da Classe Brandenburg, de uma estratégia ofensiva, e os navios de defesa de costa da Classe Siegfried e Classe Odin, que eram de uma orientação inerentemente defensiva. Ao mesmo tempo, elementos do comando naval eram a favor da estratégia corsária defendida pela francesa Jeune École.
Hollmann enviou um memorando à Dieta Imperial pedindo dinheiro para um novo programa de construção. Ele pedia por sete novos cruzadores pelos três anos seguintes com o objetivo de substituir as antigas corvetas a vapor que ainda compunham a maior parte da força de cruzadores, argumentando que as corvetas não eram mais adequadas como navios de guerra dada a proliferação de modernos cruzadores desprotegidos e protegidos em várias marinhas ao redor do mundo. Além disso, avanço em motores a vapor aumentaram as velocidades máximas de navios mercantes a níveis em que as corvetas não podiam mais alcança-los. O conselho orçamentário da Dieta criticou o que considerava exigências sem limites da Marinha Imperial. Hollmann tinha pedido três embarcações para o ano fiscal de 1890–1891, mas apenas dois foram autorizados, recebendo os nomes provisórios de "J" e "K". O primeiro se tornou o cruzador desprotegido , mas um pequeno escândalo em 1891 sobre o "K" – a Marinha Imperial ainda não tinha finalizado o projeto do novo navio quando pediu por mais dinheiro para sua construção – enfureceu a Dieta a ponto desta cancelar o dinheiro para esse cruzador.
Tentativas de conseguir o financiamento para o "K" continuaram pelos três anos, incluindo esforços em 1892 pelo chanceler Leo von Caprivi. A Marinha Imperial tentou novamente no ano fiscal de 1893, mas o Exército Alemão teve seu orçamento aumentado significativamente nesse ano, não deixando fundos disponíveis. Não houve tentativas de conseguir financiamento para o "K" em 1894. Nesta altura a confusão estratégica da década de 1880 estava chegando ao auge; o contra-almirante Alfred von Tirpitz tinha recentemente se tornado o Chefe do Estado-Maior do Alto Comando Naval Imperial e estava finalizando um memorando em que estabeleceria seus planos de desenvolvimento para a Marinha Imperial. As projeções de Tirpitz eram o oposto daquelas da liderança do Escritório Imperial Naval; o primeiro era a favor de cruzadores cujo único propósito seria reforçar a frota em águas domésticas, já o escritório era a favor de uma mistura de cruzadores otimizados para atividades corsárias. Piorando a situação estava o fato de que o Escritório Naval Imperial era o responsável por elaborar os projetos dos navios de guerra, mas os objetivos estratégicos de planos bélicos eram desenvolvidos pelo alto comando.
Desenvolvimento O Escritório Imperial Naval começou a trabalhar em outra proposta para "K" no início de 1894, mas o imperador Guilherme II apresentou uma proposta própria em junho para um navio que era claramente inspirado em cruzadores franceses contemporâneos. O escritório decidiu que a embarcação deveria ter, no mínimo, o mesmo tamanho do Gefion e aproximadamente o mesmo preço. Guilherme continuou a apresentar suas ideias, incluindo para dois cruzadores diferentes. Um destes, proposto em outubro, incorporava lições da Primeira Guerra Sino-Japonesa. A Batalha do Rio Yalu aparentemente mostrou a superioridade de cruzadores protegidos armados com canhões de disparo rápido sobre ironclads armados com armas maiores, mas mais lentas. Consequentemente, o imperador incluiu dois canhões de disparo rápido de 210 milímetros na sua proposta.
Hollmann elaborou uma lista de exigências em novembro, incluindo torres de artilharia fechadas e blindadas para as armas de 210 milímetros e uma bateria secundária de canhões de 149 milímetros, mas outros elementos importantes não foram decididos. Ainda permanecia aberta a questão sobre manter um sistema de propulsão tradicional de duas hélices ou repetir o arranjo de três hélices do Kaiserin Augusta. Guilherme no mesmo mês aprovou os parâmetros, com Alfred Dietrich, o Construtor Chefe, preparando uma proposta mais detalhada que foi aprovada pelo imperador em 31 de dezembro. Discussões entre fevereiro e março de 1895 examinaram as questões não resolvidas, mas apenas algumas foram decididas, incluindo uma preferência por caldeiras de tubos d'água (apesar do fabricante ainda continuar em aberto) e inclusão de um armamento contra barcos torpedeiros. Este último estava entre duas opções: uma bateria uniforme de canhões de 50 milímetros ou uma bateria mista de armas de 88 e 37 milímetros; foi considerado que o poder de fogo maior do canhão de 88 milímetros pesava muito mais do que as vantagens de uma bateria uniforme, assim a segunda opção acabou sendo a escolhida.
A Dieta finalmente autorizou a construção de três navios para o ano fiscal de 1895–1896. A proposta do Escritório Imperial Naval foi escolhida e as obras de três cruzadores de seis mil toneladas começaram em 1896, com mais dois navios sendo autorizados para 1896–1897. A Dieta acreditou que essas encomendas indicavam que as preferências da Marinha Imperial por couraçados grandes e mais caros tinham mudado para cruzadores mais baratos, assim as votações foram unânimes. A equipe de projeto nesta altura tinha escolhido o arranjo com três hélices e decidido que as caldeiras viriam de três fabricantes com cinco configurações diferentes para que pudessem ser testadas.
A Classe Victoria Louise, quando comparada ao predecessor Kaiserin Augusta, tinha um deslocamento seis por cento menor, porém tinha um armamento mais poderoso. Também tinha uma razão de comprimento por boca menor, o que reduzia a eficiência hidrodinâmica e desta forma a velocidade máxima. O projeto resultante era uma versão em menor escala dos couraçados da Classe Kaiser Friedrich III, tendo o mesmo mastro do traquete no estilo militar, o mastro principal de poste e a combinação de torres de artilharia e casamatas para a bateria secundária. Dietrich modelou o perfil das embarcações, especialmente o formato da proa, no contemporâneo cruzador protegido estadunidense . O projeto estabeleceu um precedente para os posteriores cruzadores blindados, com laterais grandes e volumosas mais proas clipper com rostro.
Os navios mostraram-se insatisfatórios para atuarem com a frota, pois eram muito lentos e careciam de blindagem suficiente. Mesmo assim proporcionaram bom serviço no exterior e como navios-escola. Por essas deficiências, especialmente quando comparados a embarcações posteriores, historiadores frequentemente já criticaram a Classe Victoria Louise. Por outro lado, o historiador Dirk Nottelmann destacou que alguns navios contemporâneos tinham ainda menos blindagem, também comentando o desempenho de cruzadores protegidos na Primeira Guerra Sino-Japonesa, Guerra Hispano-Americana e Guerra Russo-Japonesa. Independentemente, a Classe Victoria Louise, junto com o contemporâneo cruzador blindado , marcaram o início de uma tendência nos cruzadores alemães que durou até a Classe Scharnhorst uma década depois.
Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Victoria Louise Os primeiros três navios tinham 109,1 metros de comprimento da linha de flutuação e 110,6 metros de comprimento de fora a fora. Tinham uma boca de 17,4 metros e um calado de 6,58 metros à vante e 6,93 metros à ré. O deslocamento normal era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. As duas últimas embarcações tinham dimensões ligeiramente diferentes; tinham 109,8 metros de comprimento da linha de flutuação e 110,5 metros de comprimento de fora a fora. A boca era de 17,6 metros e o calado de 7,08 metros à vante e 7,34 metros à ré. O deslocamento normal era de toneladas e o carregado de toneladas.
Os cascos foram construídos com armações de aço longitudinais e transversais. Havia uma camada de tábuas de madeira no casco dos dois últimos membros da classe, bem como um revestimento de metal Muntz até um metro acima da linha de flutuação para combater bioincrustações. Os outros navios não receberam o revestimento como uma medida de redução de peso. Os cascos eram subdivididos em doze compartimentos estanques, posteriormente reduzidos para onze, exceto no Freya. Havia um fundo duplo que cobria sessenta por cento do comprimento.
A tripulação era de 31 oficiais e 446 marinheiros, aumentando em nove oficiais e 41 marinheiros quando serviam de capitânia. A tripulação aumentou quando foram transformados em navios-escola, passando a ser de 26 oficiais e 658 marinheiros, 75 dos quais eram cadetes e outros trezentos grumetes. Os cruzadores levavam várias embarcações menores, incluindo três barcos de piquete, um escaler, uma pinaça, dois cúteres, dois yawls e três botes. Estas foram revisadas depois das modernizações, com os botes sendo removidos, o número de barcos de piquete reduzidos para um, uma barca sendo adicionada e o número de escaler e cúteres aumentando em um e cinco, respectivamente.