A Simplicidade de Um Rei foi o enredo apresentado pela Beija-Flor de Nilópolis no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro de 2011. Com a apresentação, a escola conquistou o seu 12.º título de campeã do carnaval carioca. O título anterior da escola foi conquistado três anos antes, em 2008. O desfile de 2011 homenageou o cantor e compositor Roberto Carlos, retratando a vida e a obra do artista. O homenageado acompanhou toda a preparação, visitou a quadra da escola no pré-carnaval e saiu na última alegoria do desfile, realizado na madrugada de 8 de março de 2011. O desfile foi assinado pela Comissão de Carnaval da Beija-Flor, formada por Laíla, Fran Sérgio, Alexandre Louzada, Ubiratan Silva e Victor Santos. Durante a preparação para o desfile, Louzada e Laíla tiveram um desentendimento que rendeu várias trocas de acusação entre as partes.

A Beija-Flor foi a última escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial, encerrando os desfiles de 2011. Um vazamento de óleo numa das alegorias da Unidos do Porto da Pedra, agremiação que desfilou antes, fez com que o desfile da Beija-Flor atrasasse e a escola desfilasse com o dia claro. Apesar da tentativa da LIESA de limpar a pista, jogando serragem, o óleo no chão prejudicou a apresentação do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, que perderam pontos dos jurados. O desfile teve a participação de diversos amigos famosos de Roberto Carlos, como: Erasmo Carlos, Wanderléa, Chitãozinho, Xororó, Agnaldo Timóteo, Agnaldo Rayol, Hebe Camargo, Alcione, Fafá de Belém, Roberta Miranda, Paula Fernandes, entre outros. A atriz Cláudia Raia participou da Comissão de Frente, coreografada por Carlinhos de Jesus.

Os carnavalescos optaram por fazer um desfile leve e alegre, com o intuito de empolgar o público, mudando o estilo "pesado" com que a Beija-Flor estava acostumada a desfilar. A aposta deu certo e a escola conseguiu animar o público presente no Sambódromo. A Beija-Flor foi campeã com 1,4 pontos de vantagem sobre a Unidos da Tijuca. A escola recebeu sete notas abaixo da máxima, sendo que cinco foram descartadas seguindo o regulamento do concurso. Com isso, a agremiação perdeu apenas dois décimos na avaliação oficial. A diferença de pontuação entre as duas primeiras colocadas foi criticada, uma vez que especialistas apontavam uma disputa mais acirrada entre Tijuca, Beija-Flor e Vila Isabel. A Beija-Flor recebeu os troféus Tamborim de Ouro, Gato de Prata e Rádio Manchete de melhor escola do ano, entre outros prêmios individuais para seus segmentos.

O samba-enredo do desfile, composto por Samir Trindade, Serginho Aguiar, JR Beija-Flor, Sidney de Pilares, Jorginho Moreira, Théo M. Netto, Kleber do Sindicato e Marcelo Mourão, foi escolhido numa disputa com outras 53 obras concorrentes. Erasmo Carlos participou do concurso para a escolha do samba-enredo, mas seu samba foi eliminado antes da semifinal. O desfile da Beija-Flor é abordado no livro "A Simplicidade de Um Rei – Trânsitos de Roberto Carlos em Meio à Cultura Popular de Massa" (2021) do sociólogo e pesquisador Marcos Henrique da Silva Amaral.

Antecedentes esquerda|miniaturadaimagem|Anísio Abraão David, presidente da Beija-Flor, e Carlinhos de Jesus, coreógrafo da comissão de frente da escola, durante o Desfile das Campeãs de 2011. Coreógrafo fez sua estreia na escola após 10 anos na Mangueira. Desde 1998, quando foi criada a Comissão de Carnaval da Beija-Flor, a escola conquistou seis títulos no carnaval carioca. Para o carnaval de 2007, a Comissão foi reformulada com a saída de Cid Carvalho e a chegada de Alexandre Louzada. Com Louzada, a escola foi campeã em 2007 e 2008, vice-campeã em 2009 e no carnaval de 2010 conquistou o terceiro lugar com um desfile sobre Brasília. Para o carnaval de 2011, a Beija-Flor manteve a Comissão de Carnaval formada por Louzada, Laíla, Fran Sérgio, Ubiratan Silva e Victor Santos; além do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso; e dos diretores de bateria Plínio de Morais e Rodney Ferreira. A única mudança realizada pela escola em seus segmentos foi no quesito Comissão de Frente. Após quinze anos na Beija-Flor, a coreógrafa Ghislaine Cavalcanti deixou a escola, sendo substituída por Carlinhos de Jesus, que ficou por dez anos na Estação Primeira de Mangueira e estava há dois anos sem coreografar uma comissão.

No dia 30 de junho de 2010 foi sorteada a ordem dos desfiles para o carnaval de 2011. A Beija-Flor foi sorteada para ser a sexta escola da segunda noite, ou seja, a última a desfilar, posição preferida de muitas agremiações por ser a que mais rendeu títulos a desfiles no Sambódromo.

O enredo

No dia 4 de maio de 2010, a Beija-Flor anunciou que seu enredo para o carnaval de 2011 seria em homenagem ao cantor e compositor Roberto Carlos, torcedor declarado da escola. Roberto e a diretoria da escola tiveram um encontro no dia anterior, 3 de maio, em São Paulo. Segundo o diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla, o aspecto mais marcante deste primeiro encontro com Roberto Carlos foi a simplicidade do cantor, por isso, o enredo recebeu o título de "A Simplicidade de Um Rei". Para o desfile, a Beija-Flor recebeu dois milhões de reais de patrocínio da Nestlé, empresa da qual Roberto Carlos era contratado para fazer publicidade (garoto-propaganda).

A ideia de homenagear Roberto Carlos surgiu em 2009, quando a bateria da Beija-Flor foi convidada para tocar no projeto Emoções em Alto Mar, show do cantor realizado num navio. O enredo foi cogitado para o carnaval de 2010, ano do cinquentenário de carreira do cantor, mas a escola optou por homenagear Brasília mediante o recebimento de um patrocínio do Governo do Distrito Federal. Para o carnaval de 2011, a Beija-Flor chegou a cogitar um enredo sobre São Jorge, padroeiro da escola, e também recebeu a proposta de um patrocínio para homenagear a cidade de Florianópolis, enredo que acabou indo para a Grande Rio.

A sinopse do enredo, assinada pelo carnavalesco Alexandre Louzada, foi divulgada em junho de 2010. Antes, Roberto Carlos leu e aprovou o texto. A única restrição feita pelo cantor foi que a sinopse não tivesse palavras como "inferno" e "diabo". Por volta de setembro de 2010, durante a confecção do desfile, Alexandre Louzada pediu demissão da Beija-Flor por causa de divergências com Laíla, mas a presidência da escola pediu que o carnavalesco permanecesse na comissão de carnaval. Apesar permanecer na comissão, Louzada alega que teve suas ideias refutadas durante toda a produção do desfile. Laíla alega que as discordâncias começaram durante a produção dos protótipos de fantasias. Os figurinos apresentados por Louzada seriam grandes, diferente do estilo mais simples que a comissão gostaria de adotar para o desfile.

Desenvolvimento O enredo foi desenvolvido através das letras das canções compostas e interpretadas por Roberto Carlos.

Primeiros setores: A infância

O enredo começa com as lembranças de Roberto Carlos quando criança. O interesse pela música, os brinquedos infantis e a sua cidade natal, Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, são lembrados nos dois primeiros setores do desfile. No segundo setor são homenageados o pai de Roberto, o relojoeiro Robertino Braga, e a mãe do cantor, a costureira Laura Moreira Braga, ambos foram homenageados por Roberto com músicas: "Lady Laura" (1978) para a mãe e "Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo" (1979) para o pai. Outra lembrança marcante abordada no segundo setor é a casa onde Roberto Carlos morou quando criança, na rua João de Deus Madureira, em Cachoeiro do Itapemirim, entre as serras do Espírito Santo. Detalhes da casa como o laranjal e o flamboyant no quintal são descritos na música "Meu Pequeno Cachoeiro", composta por Raul Sampaio e regravada por Roberto Carlos em 1970. Em 1966, a canção foi declarada como hino do município de Cachoeiro de Itapemirim.

Terceiro setor: O rock e a Jovem Guarda

A seguir, o enredo lembra a mudança de Roberto para o Rio de Janeiro. Segundo o roteiro do enredo, "consoante a tendência juvenil da época, (Roberto) entrou em contato com o rock, um novo ritmo musical, passando a ouvir famosos artistas estrangeiros [...] conheceu Tim Maia, Erasmo Carlos (seu maior parceiro musical) e a chamada Turma da Tijuca". Em 1957, o cantor formou o seu primeiro conjunto musical, The Sputniks, do qual também participavam Arlênio Lívio (seu colega de escola), Tim Maia, Edson Trindade e Wellington Oliveira. Convidado por Carlos Imperial, Roberto Carlos passou a se apresentar no programa musical "Clube do Rock", na TV Tupi, onde era anunciado como "o Elvis Presley brasileiro". O setor também aborda o surgimento da Jovem Guarda, movimento cultural brasileiro surgido em meados da década de 1960, que mesclava música, comportamento e moda, tendo como principal influência o rock and roll do final da década de 1950 e início dos 1960 e o soul da Motown. O movimento foi consolidado com este nome devido ao programa televisivo Jovem Guarda, exibido pela TV Record e apresentado pelos cantores e compositores Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. No desfile, as alas do setor lembram sucessos de Roberto na década de 60 como "O Lobo Mau" (1961), "Splish Splash" (1963), "Quero que Vá Tudo pro Inferno" (1965) e "Negro Gato" (1966).

Quarto setor: As mulheres e o cantor das músicas românticas

No final de 1968, Roberto Carlos deixou o programa de auditório Jovem Guarda. Sem o seu principal ídolo, a TV Record retirou o programa do ar e o movimento foi perdendo a força até desaparecer no final da década de 1960. Com o fim da Jovem Guarda, alguns de seus artistas mantiveram-se identificados com o rock (caso de Os Incríveis, Eduardo Araújo e Erasmo Carlos), enquanto outros migraram para a música sertaneja (como Sérgio Reis), mas a maioria enveredou para a música romântica, de forte apelo popular, como foram os casos de Roberto Carlos, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Ronnie Von e Reginaldo Rossi. Segundo o roteiro do enredo, "profundo conhecedor do universo feminino, Roberto Carlos cantou o amor e encantou corações. Dezenas de suas canções foram dedicadas ao amor, às paixões, ao romance, aos amores, às amadas e amantes". No desfile, as alas do setor lembram sucessos românticos do cantor como "Cavalgada" (1965), "Como É Grande o Meu Amor Por Você" (1967), "Amada Amante" (1971) e "O Côncavo e o Convexo" (1983).

Quinto setor: A vida nas estradas

No quinto setor, o enredo lembra as canções de Roberto Carlos sobre a vida na estrada e o gosto do cantor por automóveis, inspiração para diversas canções. As alas do setor no desfile fazem referência às músicas "O Calhambeque" (1964), "As Curvas da Estrada de Santos" (1969), "Amigo" (1977), "Caminhoneiro" (1984), "O Taxista" (1994) e "Coração Sertanejo" (2005).

Sexto setor: Preservação ambiental