O Campeonato Alagoano de Futebol é a competição organizada pela Federação Alagoana de Futebol (FAF) para disputa do título estadual entre os clubes de Alagoas.
Geralmente oito equipes participam da disputa e o campeão, juntamente com o vice, garantem vaga para a edição do ano seguinte da Copa do Nordeste e Copa do Brasil, além de garantir duas vagas para a edição seguinte da Série D do Campeonato Brasileiro aos dois mais bem classificados que não estejam envolvidos na disputa de alguma outra divisão nacional. A grande rivalidade do estado fica por conta de CRB (Clube de Regatas Brasil) e CSA (Centro Sportivo Alagoano), que são os maiores vencedores da competição. Além disso, o ASA (Associação Sportiva Arapiraquense) de Arapiraca aparece como principal representante do interior do estado.
Desde 1918 até os dias de hoje, somente em quatro anos o Campeonato Alagoano não foi realizado: em 1931, 1932 e 1934, o torneio foi suspenso devido à coincidência de datas com o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Já em 1943, embora o campeonato tenha sido iniciado, ele não chegou a ser concluído.
História 1918–1927: Liga Alagoana de Desportos O Campeonato Alagoano de 1918 foi o primeiro organizado por uma entidade esportiva local, a Liga Sportiva Alagoana (LSA), que também esteve à frente da edição de 1919.
A Liga Alagoana de Desportos foi fundada em 3 de maio de 1920 na residência do coronel Alfredo Vucherer, em sessão presidida pelo Dr. Duarte Dias, de acordo com o Diario de Pernambuco na época. Esta liga organizou o campeonato de 1920 até 1926, pois no ano seguinte foi substituída pela recém-fundada Coligação Esportiva de Alagoas (CEA), quando os clubes sentiram a necessidade de reorganizar o futebol alagoano após o fracasso da liga.
Todas as edições desta liga foram vencidas pelo Clube de Regatas Brasil (CRB), no entanto, os torneios da Liga Alagoana foram reconhecidos somente em 2026 pela CBF, já que antes a FAF considerava apenas 1927 como a primeira edição do Campeonato Alagoano. Com o reconhecimento, o CRB alcançou a marca de 45 títulos estaduais, assumindo o posto de maior campeão alagoano. Além disso, o Galo de Campina entrou para a seleta lista de clubes brasileiros detentores de um decacampeonato, ao lado do ABC-RN e do América-MG.
1927–1944: Organização da CEA, criação da FAD, e seus campeões No primeiro campeonato alagoano organizado pela CEA, participaram os seguintes clubes: CRB, CSA, Barroso, Flamengo, Tiradentes, Uruguai e Vera Cruz. Em 1934 surgiu a Federação Alagoana de Desportos (FAD), que passou a ser a organizadora a partir daquele ano.
O CRB tornou-se o primeiro clube a ser campeão em Alagoas ao conquistar o Campeonato Alagoano de 1927. Já o CSA, seu arquirrival, foi o primeiro a conquistar um bicampeonato (1928–1929). A edição de 1930 foi vencida pelo CRB, que depois só voltaria a comemorar um título em 1937, enquanto seu rival CSA ficou com as taças nas edições de 1933, 1935 e 1936. Após isso, o CRB ascenderia novamente, tornando-se o primeiro clube a ser tricampeão e tetracampeão alagoano (1937–1940). CRB e CSA dominaram as primeiras 14 edições do campeonato com leve vantagem para os marujos, sendo oito conquistas do time azulino e seis para a equipe regatiana.
Em 1939, ocorreu o duelo entre CRB e CSA e a partida que ficou conhecida como o “Jogo da Sofia”. Essa foi a maior goleada do confronto até os dias de hoje, o qual o CRB goleou seu rival por 6–0.
1945–1954: Campeões distintos O primeiro clube diferente a ser campeão no estado foi o Santa Cruz, em 1945, conquista essa que deu início a um período no qual apenas outras equipes conquistaram o Estadual. O Barroso foi o campeão de 1946, com o CRB ficando com o vice. O Alexandria venceu em 1947, e o próprio Barroso ficou em segundo lugar. Em 1948, o Santa Cruz venceu seu segundo título, com o CRB sendo vice-campeão novamente.
Mais tarde, na década de 1950, o Ferroviário marcou um período como um dos times mais fortes do futebol de Alagoas. O clube alcançou a final em seis anos consecutivos, sendo campeão alagoano em 1953 (juntamente com o ASA) e em 1954, superando o 29 de Setembro na decisão. Além disso, o clube ficou com o segundo lugar do Campeonato Alagoano em quatro oportunidades: em 1951, sendo vice para o CRB, e em 1952, 1955 e 1956, sendo vice para o CSA.
Neste mesmo período, o ASA de Arapiraca ganhou seu primeiro título em 1953, tornando-se também o primeiro time do interior a conquistar o campeonato. O ASA voltou a brigar pelo título estadual em 1957, porém foi superado pelo CSA e terminou na segunda colocação, em um campeonato disputado no sistema de pontos corridos.
Apesar dos anos vitoriosos, Santa Cruz, Barroso e Alexandria encerraram as atividades cedo. O Santa Cruz foi extinto em em 1949, enquanto o Barroso em 1951 e o Alexandria em 1954. A maior goleada já registrada no Campeonato Alagoano aconteceu na edição de 1945. Num duelo entre CSA e Esporte Clube Maceió, o Azulão aplicou incríveis 22–0.
1955–1968: Profissionalização do futebol alagoano Até 1954, todos os clubes em Alagoas eram exclusivamente amadores. A partir de 1955, teve inicio a profissionalização do futebol no estado, o campeonato da capital adotou um sistema misto de disputa, utilizando atletas profissionais e amadores. Em 1966, o campeonato passou a ser disputado inteiramente por jogadores profissionais, dando inicio a era moderna no futebol alagoano.
Neste período, o CSA obteve seus primeiros tetracampeonatos, conquistados entre 1955 e 1958 e 1965 e 1968. Durante esses anos, o CSA aumentou a vantagem de títulos que tinha sobre os rivais, ganhando 10 títulos em 14 disputados. Em 1968, alcançou seu 20.º título alagoano. O CRB conquistou o campeonato em 1961 e 1964 chegando em seu 10.º campeonato estadual.
O Capelense, time do interior de Alagoas, se consagrou campeão alagoano nas edições de 1959 e 1962, tornando-se o primeiro time do interior a ser bicampeão estadual.
1968–1987: Duelos acirrados entre CRB e CSA O CRB obteve um recorde histórico, que até os dias de hoje não foi superado, de 20 anos consecutivos terminando o campeonato como campeão ou vice-campeão alagoano. Durante esse período, o Regatas conquistou novamente o tetracampeonato, algo que não ocorria desde 1940, vencendo de forma consecutiva entre 1976 e 1979. No total, somou 11 títulos estaduais e acumulou nove vice-campeonatos. Apesar da marca do CRB, ele não conseguiu diminuir significativamente a vantagem que o CSA obtivera em conquistas de Campeonatos Alagoanos, visto que das nove vezes que o CRB foi vice o CSA se consagrou o grande campeão e somou nove títulos.
A edição do Campeonato Alagoano de 1970 foi marcada pela inauguração do Estádio Rei Pelé (Trapichão). O CRB foi o campeão desta edição, se tornando o primeiro clube a comemorar um titulo no estádio. Os maiores ídolos do CRB, CSA e ASA jogaram por seus clubes nas décadas de 1970 e 1980. Pelo lado alvirrubro, o atacante Joãozinho Paulista, o ponta-esquerda Silva Cão, e o volante Roberto Menezes se destacaram; pela equipe azulina, o atacante Jacozinho foi o maior destaque; no lado do Fantasma, o atacante Freitas.
Roberto Menezes foi duas vezes bicampeão alagoano pelo CRB em 1969–70 e 1972–73; Silva jogou tanto pelo CSA quanto pelo CRB sendo o maior artilheiro dos clássicos com 38 gols marcados, foi campeão pelo CSA em 1971, depois pelo CRB foi bicampeão em 1972–73 e tetracampeão em 1976–79, sendo artilheiro em três edições (68, 72, 77); Joãozinho Paulista é o maior artilheiro da história do futebol alagoano com a marca de 153 gols com a camisa do CRB, foi campeão em 1976 e 1979, foi artilheiro por três vezes (1976, 1982 e 1984). Jacozinho, atacante do CSA, que ficou nacionalmente conhecido após roubar as atenções num jogo comemorativo no Maracanã, que marcava o retorno de Zico ao Campeonato Brasileiro. Na ocasião, Jacozinho marcou um gol e teve a oportunidade de jogar ao lado de Diego Maradona. Pelo CSA, foi bicampeão alagoano em 1981–82 e novamente em 1984–85. Freitas Nascimento foi artilheiro do campeonato alagoano nas edições de 1980 e 1983, tornando-se o maior artilheiro da história do ASA, com 158 gols.
1988–1999: CSA no topo Na década de 1990, o CSA manteve uma sequência de dez anos consecutivos entre as primeiras colocações do estadual (1993–2002), conquistando cinco títulos e ficando com cinco vice-campeonatos. Em 1999, o CSA alcançou seu 36.º título estadual, ao ser mais uma vez tetracampeão (1996–1999). Foram oito títulos neste período de 12 anos, enquanto o CRB somou apenas três títulos no mesmo período (1992, 1993 e 1995) ganhando seu 24° título em 1995. A hegemonia da capital foi quebrada, novamente, por conta do Capelense que foi campeão em 1989.
Após 57 anos, em 1991, foi implantada a Federação Alagoana de Futebol (FAF), que teve Waldemar Correia como primeiro presidente. Nesse mesmo ano, o Capelense, tricampeão alagoano, após desistir de participar do Campeonato Alagoano, passou 14 anos sem participar de competições oficiais. Somente em 2005 voltou a disputar a segunda divisão do Campeonato Alagoano, e em 2008 foi campeão da segundona. Voltou a participar a elite da competição em 2009, mas no mesmo ano foi rebaixado e não retornou a disputar o Alagoano desde então.
2000–2011: Futebol do interior em alta Os anos 2000 ficaram marcados pelo crescimento do futebol do interior, com amplo domínio do ASA e uma ascensão meteórica do Coruripe. Esse período foi difícil para ambos os times da capital: CRB e CSA conquistaram apenas um título cada. Para o Azulão, o cenário foi ainda mais dramático, marcado por dois rebaixamentos para a segunda divisão do Campeonato Alagoano. A primeira queda ocorreu em 2003. O time entrou em campo num domingo, no Rei Pelé, precisando vencer o CRB e torcendo para que o Murici não derrotasse o CSE. Nenhum resultado colaborou, o CRB venceu o clássico, e o CSA só retornou à elite em 2006. O segundo rebaixamento veio em 2009, novamente diante do CRB: o Azulão precisava da vitória para não cair, mas não conteve seu maior rival, perdeu a partida e amargou o rebaixamento pela segunda vez em sua história.
O ASA foi bicampeão alagoano (2000 e 2001) em cima do CSA. Em 2002, o CRB voltou a ser campeão, também sobre o rival azulino, encerrando um jejum de sete anos. O Coruripe, fundado em 2003, foi campeão da Segunda Divisão no mesmo ano e logo no ano seguinte, em 2004, como estreante na Primeira Divisão, surpreendeu a todos e alcançou a final, mas foi derrotado pelo Corinthians Alagoano. Em 2005, o Hulk, como é apelidado, voltou a disputar final e foi novamente derrotado. Esta foi a primeira final de campeonato disputada entre dois times do interior, com o ASA se consagrando campeão em cima do Coruripe. Após dois vice-campeonatos consecutivos, o clube enfim chegou ao título no ano de 2006, superando o CSA na decisão por pênaltis. Em 2007, o Coruripe superou o Corinthians na final e levou o título estadual pelo segundo ano seguido. Depois de quatro anos seguidos na final, o time só retornaria à decisão em 2011.
Em 2008 não deu para o ASA, que foi superado pelo CSA e foi vice pela primeira vez. Este foi o 37.º título alagoano do Azulão. A experiência não duraria muito, já que no ano seguinte, em 2009, o ASA voltou a levantar a taça, dessa vez conseguindo uma vitória sobre Corinthians Alagoano. No ano de 2010 houve outro duelo na final com clubes do interior, dessa vez entre ASA e Murici, e o Verdão foi campeão alagoano pela primeira vez. Em 2011, o ASA voltou a vencer o Alagoano e chegou ao seu 7º título, conseguindo seis troféus em 12 anos.
2012–presente: CRB no topo