Arriete Vilela (Marechal Deodoro, 10 de março de 1949) é uma escritora e professora brasileira. Integra a Academia Alagoana de Letras desde 1996. Foi professora de Literatura Brasileira da Universidade Federal de Alagoas, instituição na qual também coordenou o Núcleo de Estudos de Literatura Popular. Recebeu numerosos prêmios, como o Prêmio Cecília Meireles da União Brasileira de Escritores e o prêmio Graciliano Ramos da Bienal Internacional do Livro de Alagoas.
Biografia Arriete Vilela nasceu em 10 de março de 1949, no município de Marechal Deodoro, em Alagoas. Aos nove anos de idade, mudou-se para Maceió, onde realizou sua formação acadêmica. Graduou-se em Letras pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e concluiu o mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Foi professora de Literatura Brasileira da UFAL, instituição na qual também coordenou o Núcleo de Estudos de Literatura Popular e desenvolveu pesquisas voltadas para a presença feminina na literatura popular alagoana. Em 1996, foi eleita para a cadeira nº 6 da Academia Alagoana de Letras.
Além de sua atuação acadêmica, Arriete Vilela consolidou-se como uma das principais vozes da literatura contemporânea alagoana, desenvolvendo uma produção literária que transita entre poesia, conto e romance. Sua obra alcançou reconhecimento dentro e fora do estado de Alagoas, sendo objeto de estudos acadêmicos, dissertações, artigos científicos e análises críticas em diversas instituições de ensino superior.
Em 2011, cinco de seus poemas foram traduzidos para o espanhol e publicados na coletânea bilíngue Antologia de poetas brasileños actuales, editada em Barcelona, na Espanha. Mesmo após sua aposentadoria da carreira docente, a escritora continuou participando de eventos literários, palestras, oficinas de leitura e escrita criativa.
Obra Arriete Vilela abre seu livro Lãs ao vento com citação de João Cabral de Melo Neto: "Escrever é estar no extremo de si mesmo", anunciando o que se vai experimentar até alcançar o ponto final indicado na epígrafe: à luta com e pela Palavra, para dar corpo a realidades, que em última instância são mesmo lãs ao vento: "Palavra: um modo metonímico de me fazer legar uma escritura de esfacelamentos de recortes da realidade, de bordejo e de desesperanças.".
Em 2021, a Eduneal publicou uma coletânea com mais de 50 contos de Arriete Vilela. Sua obra é reconhecida e estudada nos meios acadêmicos e estudantil.
Lista
Eu, em versos e prosa (1971); 15 poemas de Arriete (1974); Para além do avesso da corda (1980); Fantasia e avesso (1986); Farpa (1988); A rede do anjo (1992); O ócio dos anjos ignorados (1995); Vadios ajetos (1999); Artesanias da palavra (2001); Maria Flor (2002); Grande baú, a infância (2003); Frémitos (2004); A palavra sem âncora (2005); Lãs ao vento (2005); Ávidas paixões, áridos amores (2007); Palavras em travessia (2009); Contos reunidos (2011); Obra poética reunida (2012);
Características da obra A obra de Arriete Vilela destaca-se pela forte dimensão lírica e pela valorização da linguagem como elemento central da criação literária. Transitando entre a poesia, o conto e o romance, a autora desenvolve uma escrita marcada pela subjetividade, pela sensibilidade estética e pela reflexão sobre a condição humana.
Entre os temas recorrentes em sua produção estão a memória, a infância, os afetos, a passagem do tempo, o amor, a solidão e as experiências femininas. A lembrança e o esquecimento aparecem frequentemente como mecanismos de construção da identidade, permitindo que personagens e narradores revisitem experiências pessoais e coletivas.
Outro aspecto relevante de sua escrita é o caráter metalinguístico, perceptível na constante reflexão sobre o próprio ato de escrever e sobre o papel da palavra literária. Em diversas obras, a linguagem deixa de ser apenas um instrumento de comunicação e torna-se também objeto de investigação estética e existencial.
A crítica literária destaca ainda a presença de elementos da cultura nordestina e alagoana, especialmente por meio das memórias da infância, dos espaços urbanos e das relações familiares. Entretanto, suas obras ultrapassam os limites regionais ao abordar temas universais relacionados às emoções, à memória e à experiência humana.
Sua produção é reconhecida pelo diálogo entre poesia e prosa, pela elaboração cuidadosa da linguagem e pela construção de imagens poéticas que conferem singularidade à sua escrita.
Prêmios A autora já recebeu dezenas de prêmios, entre eles:
Prêmio Cecília Meireles, União Brasileira de Escritores; Prêmio Organização Arnon de Melo, Academia Alagoana de Letras; Prêmio Jorge de Lima, Academia Carioca de Letras e União Brasileira de Escritores; Comenda Dra. Nise da Silveira, Governo do Estado de Alagoas; Prêmio Graciliano Ramos, Bienal Internacional do Livro de Alagoas.
Legado Considerada uma das mais importantes escritoras de Alagoas, Arriete Vilela contribuiu para o fortalecimento da literatura produzida no estado, tanto por meio de sua atuação como escritora quanto por sua trajetória como professora universitária e formadora de leitores.
Sua obra permanece presente em pesquisas acadêmicas, eventos literários e atividades educacionais, consolidando sua relevância para a cultura alagoana e para a literatura brasileira contemporânea.
Categoria:Nascidos em 1949 Categoria:Escritores de Alagoas Categoria:Membros da Academia Alagoana de Letras Categoria:Naturais de Marechal Deodoro (Alagoas) Categoria:Professores da Universidade Federal de Alagoas