Os incêndios florestais na Amazônia em 2019 foram uma série de incêndios florestais que afetaram a América do Sul, principalmente o Brasil. Foram contabilizados pelo menos focos de incêndios no país de janeiro a outubro de 2019, 45% a mais em relação ao mesmo período de 2018, percentagem essa que chegou a ser de 84% no mês de agosto. Isso representa um dos maiores números desde que o Brasil começou a coletar dados em 2013, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que utiliza satélites para monitorar incêndios. Em agosto de 2019, a floresta amazônica brasileira registrou cerca de focos de incêndios, o que representou 48,1% das ocorrências no território brasileiro, ou seja, quase metade, tendo sido apenas no mês de agosto detectados pelo menos deles (60,3%). Estima-se que mais de 906 mil hectares de território na Amazônia tenham sido perdidos para incêndios, no período de janeiro a agosto de 2019. Segundo a NASA, em 16 de agosto do mesmo ano, uma análise dos dados de satélite indicava que o total de incêndios através da Amazônia em 2019 estava perto da média em comparação com os últimos 15 anos. A NASA afirma, no entanto, que esses dados registram um viés de alta, puxado pelos anos de 2004 e 2010, que tiveram uma quantidade de queimadas elevadas, inflando a média.

A bacia do rio Amazonas é coberta por uma vegetação densa que inclui 400 bilhões de árvores. A floresta amazônica "alimenta sistemas em escala planetária", incluindo rios atmosféricos, pois 20% da água doce do mundo passa por ciclos nessa floresta tropical. Desde a década de 1970, o Brasil cortou e incinerou cerca de 20% da floresta. Os incêndios na Amazônia estão diretamente relacionados com o aumento do desmatamento, além da diminuição nas fiscalizações ambientais. Incêndios são mais frequentes durante a estação seca do ano, entre os meses de maio e setembro. Muitos incêndios são causados por agricultores, que realizam queimadas para desmatar legal ou ilegalmente a terra para implantação de pastos para a pecuária. Em agosto de 2019, fazendeiros no estado do Pará, na Amazônia, publicaram um anúncio em jornal local sobre uma queimada denominada "Dia do Fogo", quando desmatariam a terra para a criação de gado. Poucos dias depois, houve um aumento significativo no número de incêndios. O presidente Jair Bolsonaro determinou abertura das investigações pela Polícia Federal e, posteriormente, cerca de 50 pessoas envolvidas com queimadas no Pará foram identificadas durante uma operação realizada por equipes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), do Ibama, da Polícias Militar e Civil do Pará. Foram apreendidos tratores do tipo escavadeira, armas de fogo, motosserras e motocicletas na Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu.

Houve incêndios na floresta tropical em pelo menos nos nove estados amazônicos brasileiros (Amazônia Legal): Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins. Em 11 de agosto de 2019, um estado de emergência foi declarado no Amazonas e, doze dias depois, no Acre. Outros países da Amazônia foram afetados pelos incêndios em maior ou menor grau. Entre os outros países sul-americanos que mais registraram incêndios em 2019 estão Bolívia, Venezuela, Colômbia, Argentina, Paraguai, Peru e Chile. O número de hectares de floresta tropical boliviana afetada pelos incêndios florestais foi aproximadamente igual ao do Brasil, sendo a área da Bolívia apenas cerca de um oitavo da do Brasil. O aumento da taxa de incêndios no Brasil suscitou mais preocupações quando líderes internacionais, particularmente o presidente francês Emmanuel Macron, e organizações não governamentais ambientais (ENGOs) as atribuíram às políticas pró-negócios do presidente brasileiro Jair Bolsonaro que enfraqueceram a proteção ambiental e incentivaram desmatamento da Amazônia depois que ele assumiu o cargo em janeiro de 2019. Bolsonaro inicialmente permaneceu ambivalente e rejeitou as chamadas internacionais para agir, afirmando que as críticas eram sensacionalistas. Após o aumento da pressão da comunidade internacional na 45.ª reunião de cúpula do G7 e a ameaça de rejeitar o tratado de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, Bolsonaro despachou soldados brasileiros e alocou fundos para combater os incêndios.Bolsonaro autoriza Forças Armadas na Amazônia para combater incêndio. Consultado em 8 de maio de 2020 O presidente boliviano na época, Evo Morales, também foi responsabilizado pelas políticas anteriores que incentivavam o desmatamento. Morales também tomou medidas proativas para combater os incêndios e buscar ajuda de outros países.Com 500 mil hectares queimados na Bolívia, Evo Morales fala em 'exploração midiática' de incêndios. Consultado em 8 de maio de 2020 Durante o período de incêndios, diversos protestos foram convocados pelas redes sociais em diversas cidades do mundo,Incêndios na Amazônia geram protestos no mundo todo. Consultado em 8 de maio de 2020 e diversas imagens falsas foram divulgadas e compartilhadas nas redes sociais.Celebridades compartilham imagens falsas de incêndio na Amazônia. Consultado em 8 de maio de 2020

Contexto A bacia do rio Amazonas tem aproximadamente o tamanho da Austrália, compreendendo a Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Peru, Suriname e Venezuela, sendo coberta por uma vegetação densa que inclui 400 bilhões de árvores. A densa floresta cheia de umidade "exala um quinto do oxigênio" do planeta, armazena carbono com séculos de idade e "desvia e consome uma quantidade desconhecida, porém significativa, de calor solar". A floresta amazônica "alimenta sistemas em escala planetária", incluindo rios atmosféricos, pois 20% da água doce do mundo passa por ciclos nessa floresta tropical.

Preservação ambiental

Brasil thumb|upright=1.4|Vídeo composto de imagens de satélite do desmatamento em Rondônia de 2000 a 2010.

Desde a década de 1970, o Brasil cortou e incinerou cerca de 20% da floresta, representando 776.996 km² - uma área maior do que o Texas. Dois terços da floresta amazônica estão dentro das fronteiras do Brasil. O Brasil vinha se recuperando de uma forte crise econômica e política, que afetava o país desde 2014. Muitas instituições, principalmente as governamentais, mergulharam em uma profunda desestabilização. A tensão gerou uma instabilidade financeira e desequilíbrio fiscal, fragilizando órgãos e empresas. Sobretudo, o setor de meio ambiente não vinha recebendo prioridade, sofrendo com cortes de verbas para estudos, investimentos, fiscalização e prevenção de desastres, tanto a nível federal como também a nível estadual. De 2013 a 2018, o orçamento do Ministério do Meio Ambiente caiu mais de 1,3 bilhão de reais, uma pasta que, historicamente, já tinha um orçamento bastante inferior se comparado a outros ministérios. Segundo o governo federal, em 2018, era preciso assegurar o cumprimento das metas fiscais diante do momento fiscal. Desta forma, o governo reduziu os gastos em todos os órgãos da União. Diante das crises, especialmente a fiscal, especialistas já expressavam maior preocupação com o meio ambiente.

O então recém empossado presidente, Jair Bolsonaro, declarou durante campanha presidencial em 2018 propostas de alterações nas leis ambientais e a flexibilização do setor, desburocratizando os processos de licenciamentos, além de uma reforma ministerial com uma possível extinção do Ministério do Meio Ambiente. "Quero fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. Não pode ter ambientalismo xiita no Brasil." O Ibama passou por uma troca de presidentes, uma vez que a presidente anterior do instituto, Suely Araújo, pediu demissão após o governo questionar o contrato de aluguel de caminhonetes. O governo demonstrou interesse em reduzir o perímetro de mais de 60 unidades de conservação do Brasil. A pretensão é reduzir para eliminar “interferências” com estruturas existentes para os empreendimentos como estradas federais, ferrovias, portos e aeroportos. O Ministério da Infraestrutura encaminhou um ofício ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com um levantamento detalhado de cada floresta administrada pelo órgão que, em sua avaliação, estaria em conflito com a malha de transporte do país. O Ministério do Meio Ambiente demonstrou ainda querer realizar uma revisão em 334 unidades de conservação federais que existem no País. O governo foi criticado por ambientalistas, principalmente pelas mudanças que implementou na estrutura de preservação do meio ambiente, alterações que consideraram negativas na política ambiental.

Incêndios

Causas e investigações

Brasil thumb|upright=1.2|Imagens criadas pela sonda infravermelha atmosférica que representa o monóxido de carbono causado por incêndios na região amazônica do Brasil entre os dias 8 e 22 de agosto de 2019. thumb|upright=1.2|Imagem de satélite da NOAA/NASA sobre a cor natural dos estados brasileiros de Amazonas, Mato Grosso e Rondônia, mostrando a fumaça dos incêndios florestais da bacia amazônica, ocorrida em 20 de agosto de 2019. thumb|upright=1.2|Imagem do GOESEast da região sul da floresta amazônica, onde plumas de fumaça de incêndios agrícolas queimam na Bolívia e no Brasil em 4 de agosto de 2019 thumb|upright=1.2|Imagens de satélite do INPE de uma área de 70 por 70 milhas ao longo do rio Purus, entre is municípios de Canutama e Lábrea, no estado do Amazonas, tiradas em 16 de agosto de 2019, mostrando várias nuvens de fumaça de incêndios florestais, incluindo áreas que foram desmatadas.Os incêndios no Brasil estão diretamente relacionados com o aumento do desmatamento, além da diminuição nas fiscalizações ambientais. Incêndios são mais frequentes durante a estação seca do ano, entre os meses de maio e setembro. Segundo a Euronews, os incêndios florestais aumentaram à medida que o setor agrícola "entrava na bacia amazônica e estimulava o desmatamento". Muitos incêndios são causados por agricultores, que realizam queimadas para desmatar legal ou ilegalmente a terra para implantação de pastos para a pecuária.

O Ministério Público Federal constatou que "tem um aumento expressivo de desmatamento em áreas federais, sobretudo em unidades de conservação". A princípio foi noticiado que, pelo menos, 32 Unidades de conservação e 36 Terras indígenas foram atingidas por incêndios no Brasil em 2019. Já a CBN divulgou que somente no Pará, segundo os dados da Secretaria de Meio Ambiente, haviam no mês de agosto 301 focos de incêndios em unidades de conservação estadual, 245 em unidades de conservação federal e 53 em terras indígenas.

Entre as áreas protegidas atingidas estão: o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos e o Parque Nacional do Jamanxim, no Pará; a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre; o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e a Terra Indígena de Areões, em Mato Grosso; a Terra Indígena Kadiwéus, em Mato Grosso do Sul; o Parque Nacional de Pacaás Novos e a Floresta Nacional de Jacundá, em Rondônia.

Nos últimos anos, grileiros foram encontrados ilegalmente na floresta em Terras Indígenas do Brasil e outras florestas protegidas em toda a Amazônia. Os conflitos com indígenas tem aumentado substancialmente nos últimos meses. Desde a eleição de outubro de 2018, eles estão cortando, por exemplo, a terra dos anteriormente isolado apurinã, onde as "maiores extensões de floresta tropical intacta do mundo" são encontradas. Diversos grupos indígenas têm relatado invasões, desmatamento e queimadas em suas terras, como os muras e os barés, no Amazonas.

O Ministério Público Federal comunicou à Polícia Federal riscos de ataques a indígenas xikrin, na Terra Indígena Trincheira-Bacajá, no sudeste do Pará. A Fundação Nacional do Índio (Funai) também foi notificada. Cerca de 300 invasores, fortemente armados, realizaram queimadas na reserva e ameaçaram de morte as lideranças.

Dia do Fogo