miniaturadaimagem|Cartão postal dos partidários de Nilo Peçanha, Borges de Medeiros e J. J. Seabra, com os brasões dos estados participantes da aliança

A Reação Republicana foi um movimento político-eleitoral criado em junho de 1921 para disputar as eleições presidenciais no Brasil em 1922. Liderado por Nilo Peçanha, o movimento lançou uma candidatura de oposição à chapa oficial apoiada pelo presidente Epitácio Pessoa, composta por Artur Bernardes e Urbano Santos.

A Reação Republicana reuniu oligarquias dissidentes de estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco, em oposição à predominância política de Minas Gerais e São Paulo, característica da chamada política do café com leite.

Contexto

A sucessão presidencial de 1922 revelou tensões entre os grandes estados da federação e estados intermediários, em meio à crise do sistema oligárquico da Primeira República. A Reação Republicana surgiu como uma contestação à política dos governadores e ao domínio político exercido pelas oligarquias mineira e paulista. O movimento também refletia transformações sociais e políticas da década de 1920, marcada pelo crescimento das demandas urbanas, pela insatisfação militar e pela emergência de novos movimentos culturais e políticos no país.

Formação

A Reação Republicana foi oficialmente lançada em 24 de junho de 1921, durante reunião realizada no Centro Rio-Grandense, no Rio de Janeiro. Na ocasião, foi divulgada a chapa composta por Nilo Peçanha para presidente e J. J. Seabra para vice-presidente.

O manifesto do movimento criticava o processo de escolha do candidato governista pelos grandes estados e defendia maior autonomia do Poder Legislativo, valorização das Forças Armadas e equilíbrio financeiro do governo federal.

Campanha eleitoral

A campanha da Reação Republicana destacou-se pelo alcance nacional e pela intensa mobilização política. Nilo Peçanha percorreu, a bordo do navio Íris, os estados do Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo e Distrito Federal, realizando comícios e articulando alianças políticas. O movimento buscou ampliar sua base de apoio entre setores urbanos, militares, maçons e grupos feministas.

A campanha utilizava um discurso de regeneração política e crítica à concentração de poder nas mãos das oligarquias dominantes. Nilo Peçanha defendia maior participação popular e a ampliação da instrução pública.

Eleição de 1922

As eleições ocorreram em 1.º de março de 1922, em meio a denúncias de fraude eleitoral e forte tensão política. A vitória foi atribuída à chapa governista de Artur Bernardes e Urbano Santos.

A Reação Republicana recusou-se inicialmente a reconhecer o resultado, defendendo a criação de um Tribunal de Honra para revisar o processo eleitoral. Como a posse de Bernardes só se daria em 15 de novembro, membros da Reação continuaram engajados nos meses que se seguiram, tentando mobilizar a opinião pública e reverter a situação. Nesse período, no dia 5 de julho de 1922, jovens militares se rebelaram no Forte de Copacabana, em um levante que, embora reprimido, seria o marco inicial do movimento tenentista.

Apesar da derrota eleitoral, a Reação Republicana marcou uma importante crise do sistema político da Primeira República e antecipou conflitos que culminariam na Revolução de 1930.

Ver também

Primeira República Brasileira Eleição presidencial no Brasil em 1922 Tenentismo Revolução de 1930

Ligações externas

Em campanha com a Reação Republicana — Google Arts & Culture / Museu da República

Referências

Categoria:Primeira República Brasileira Categoria:História política do Brasil Categoria:Eleições no Brasil Categoria:1921 na política do Brasil Categoria:1922 na política do Brasil

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