Como Ler um Livro, ou Como Ler Livros (título da edição lançada no Brasil em 2010) foi escrito em 1940 pelo filósofo Mortimer J. Adler. Em 1972 o livro recebeu uma grande revisão em co-autoria com o editor Charles Van Doren, que fornece diretrizes para a leitura crítica de bons e ótimos livros de qualquer tradição. A revisão de 1972, além da primeira edição, trata de gêneros (poesia, história, ciência, ficção, etc.), leitura inspecional e sintópica.
Visão geral da edição de 1972 Como Ler um Livro é dividido em quatro partes, cada uma composta por vários capítulos.
Parte I: As dimensões da leitura Adler explica a quem o livro se destina, define diferentes classes de leitura e informa quais classes serão abordadas. Ele também faz um breve argumento a favor dos Grandes Livros e explica suas razões para escrever Como Ler um Livro .
Existem três tipos de conhecimento: prático, informativo e abrangente. Ele discute os métodos de aquisição de conhecimento, concluindo que o conhecimento prático, apesar de ensinável, não pode ser verdadeiramente dominado sem experiência; que apenas o conhecimento informacional pode ser adquirido por alguém cujo entendimento seja igual ao do autor; essa compreensão (insight) é melhor aprendida com quem alcançou o referido entendimento - uma "comunicação original".
O argumento de Adler para a leitura dos Grandes Livros é a ideia de que a comunicação direta daqueles que descobriram uma ideia pela primeira vez é a melhor maneira de obter entendimento; que qualquer livro que não represente comunicação original é inferior, como fonte, ao original, e que qualquer professor, exceto aqueles que descobriram o assunto que ensina, é inferior aos Grandes Livros como fonte de compreensão.
Adler passa boa parte desta primeira seção explicando por que foi obrigado a escrever este livro. Ele afirma que poucas pessoas conseguem ler um livro para entendê-lo, mas acredita que a maioria é capaz disso, dadas as instruções corretas e a vontade de fazê-lo. É sua intenção fornecer essa instrução. Ele leva um tempo para contar ao leitor como ele acredita que o sistema educacional falhou em ensinar aos alunos a arte de ler bem, até e incluindo instituições de graduação e nível universitário. Ele conclui que, devido a essas deficiências na educação formal, cabe aos indivíduos cultivar essas habilidades em si mesmos. Ao longo desta seção, ele relata anedotas e resumos de sua experiência na educação como suporte para essas afirmações.
Parte II: O Terceiro Nível de Leitura: Leitura Analítica Aqui, Adler estabelece seu método para ler um livro de não ficção, a fim de obter entendimento. Ele afirma que três abordagens distintas, ou leituras, devem ser todas feitas para tirar o máximo proveito possível de um livro, mas executar esses três níveis de leitura não significa necessariamente ler o livro três vezes, como o leitor experiente será capaz de fazê-los no decorrer da leitura do livro apenas uma vez. Adler nomeia as leituras de "estrutural", "interpretativa" e "crítica", nessa ordem.
Estágio Estrutural: O primeiro estágio da leitura analítica se preocupa em entender a estrutura e o objetivo do livro. Começa com a determinação do tópico básico e do tipo do livro que está sendo lido, para melhor antecipar o conteúdo e compreender o livro desde o início. Adler diz que o leitor deve distinguir entre livros práticos e teóricos, além de determinar o campo de estudo que o livro aborda. Além disso, Adler diz que o leitor deve observar quaisquer divisões no livro e que elas não estão restritas às divisões dispostas no índice. Por fim, o leitor deve descobrir quais problemas o autor está tentando resolver.
Etapa Interpretativa: A segunda etapa da leitura analítica envolve a construção dos argumentos do autor. Isso requer que o leitor observe e compreenda frases e termos especiais que o autor usa. Feito isso, Adler diz que o leitor deve encontrar e trabalhar para entender cada proposição que o autor lança, bem como o apoio do autor a essas proposições.
Estágio Crítico: No terceiro estágio da leitura analítica, Adler orienta o leitor a criticar o livro. Ele afirma que, ao entender as proposições e argumentos do autor, o leitor foi elevado ao nível de entendimento do autor e agora é capaz (e obrigado) de julgar o mérito e a precisão do livro. Adler defende o julgamento de livros com base na solidez de seus argumentos. Adler diz que não se pode discordar de um argumento, a menos que se possa encontrar uma falha em seu raciocínio, fatos ou premissas, embora se sinta livre para não gostar dele em qualquer caso.
O método apresentado às vezes é chamado de método de avaliação de proposição de estrutura (SPE), embora esse termo não seja usado no livro.
Parte III: Abordagens para diferentes tipos de leitura Na Parte III, Adler discute brevemente as diferenças na abordagem de vários tipos de literatura e sugere a leitura de vários outros livros. Ele explica um método de abordagem dos Grandes Livros - leia os livros que influenciaram um determinado autor antes de ler as obras desse autor - e fornece vários exemplos desse método.
Parte IV: Os objetivos finais da leitura A última parte do livro cobre o quarto nível de leitura: leitura sintópica. Nesse estágio, o leitor amplia e aprofunda seu conhecimento sobre um determinado assunto - por exemplo, amor, guerra, física de partículas etc. - lendo vários livros sobre esse assunto. Nas páginas finais desta parte, o autor expõe os benefícios filosóficos da leitura: "crescimento da mente", experiência mais completa como um ser consciente.
Lista de leitura (edição 1972) O apêndice A, da edição de 1972, forneceu a seguinte lista de leitura recomendada:
Homer – Iliad, Odyssey The Old Testament Aeschylus – Tragedies Sophocles – Tragedies Herodotus – Histories Euripides – Tragedies Thucydides – History of the Peloponnesian War Hippocrates – Medical Writings Aristophanes – Comedies Plato – Dialogues Aristotle – Works Epicurus – Letter to Herodotus; Letter to Menoecus Euclid – Elements Archimedes – Works Apollonius of Perga – Conic Sections Cicero – Works Lucretius – On the Nature of Things Virgil – Works Horace – Works Livy – History of Rome Ovid – Works Plutarch – Parallel Lives; Moralia Tacitus – Histories; Annals; Agricola; Germania Nicomachus of Gerasa – Introduction to Arithmetic Epictetus – Discourses; Encheiridion Ptolemy – Almagest Lucian – Works Marcus Aurelius – Meditations Galen – On the Natural Faculties The New Testament Plotinus – The Enneads St. Augustine – On the Teacher; Confessions; City of God; On Christian Doctrine The Song of Roland The Nibelungenlied The Saga of Burnt Njál St. Thomas Aquinas – Summa Theologica Dante Alighieri – The Divine Comedy;The New Life; On Monarchy Geoffrey Chaucer – Troilus and Criseyde; The Canterbury Tales Leonardo da Vinci – Notebooks Niccolò Machiavelli – The Prince; Discourses on the First Ten Books of Livy Desiderius Erasmus – The Praise of Folly Nicolaus Copernicus – On the Revolutions of the Heavenly Spheres Thomas More – Utopia Martin Luther – Table Talk; Three Treatises François Rabelais – Gargantua and Pantagruel John Calvin – Institutes of the Christian Religion Michel de Montaigne – Essays William Gilbert – On the Loadstone and Magnetic Bodies Miguel de Cervantes – Don Quixote Edmund Spenser – Prothalamion; The Faerie Queene Francis Bacon – Essays; Advancement of Learning; Novum Organum, New Atlantis William Shakespeare – Poetry and Plays Galileo Galilei – Starry Messenger; Dialogues Concerning Two New Sciences Johannes Kepler – Epitome of Copernican Astronomy; Concerning the Harmonies of the World William Harvey – On the Motion of the Heart and Blood in Animals; On the Circulation of the Blood; On the Generation of Animals Thomas Hobbes – Leviathan René Descartes – Rules for the Direction of the Mind; Discourse on the Method; Geometry; Meditations on First Philosophy John Milton – Works Molière – Comedies Blaise Pascal – The Provincial Letters; Pensees; Scientific Treatises Christiaan Huygens – Treatise on Light Benedict de Spinoza – Ethics John Locke – Letter Concerning Toleration; Of Civil Government; Essay Concerning Human Understanding; Thoughts Concerning Education Jean Baptiste Racine – Tragedies Isaac Newton – Mathematical Principles of Natural Philosophy; Optics Gottfried Wilhelm Leibniz – Discourse on Metaphysics; New Essays Concerning Human Understanding; Monadology Daniel Defoe – Robinson Crusoe Jonathan Swift – A Tale of a Tub; Journal to Stella; Gulliver's Travels; A Modest Proposal William Congreve – The Way of the World George Berkeley – Principles of Human Knowledge Alexander Pope – Essay on Criticism; Rape of the Lock; Essay on Man Charles de Secondat, baron de Montesquieu – Persian Letters; Spirit of Laws Voltaire – Letters on the English; Candide; Philosophical Dictionary Henry Fielding – Joseph Andrews; Tom Jones Samuel Johnson – The Vanity of Human Wishes; Dictionary; Rasselas; The Lives of the Poets David Hume – Treatise on Human Nature; Essays Moral and Political; An Enquiry Concerning Human Understanding Jean-Jacques Rousseau – On the Origin of Inequality; On the Political Economy; Emile – or, On Education, The Social Contract Laurence Sterne – Tristram Shandy; A Sentimental Journey through France and Italy Adam Smith – The Theory of Moral Sentiments; The Wealth of Nations Immanuel Kant – Critique of Pure Reason; Fundamental Principles of the Metaphysics of Morals; Critique of Practical Reason; The Science of Right; Critique of Judgment; Perpetual Peace Edward Gibbon – The Decline and Fall of the Roman Empire; Autobiography James Boswell – Journal; Life of Samuel Johnson, Ll.D. Antoine Laurent Lavoisier – Traité Élémentaire de Chimie (Elements of Chemistry) Alexander Hamilton, John Jay, and James Madison – Federalist Papers Jeremy Bentham – Introduction to the Principles of Morals and Legislation; Theory of Fictions Johann Wolfgang von Goethe – Faust; Poetry and Truth Jean Baptiste Joseph Fourier – Analytical Theory of Heat Georg Wilhelm Friedrich Hegel – Phenomenology of Spirit; Philosophy of Right; Lectures on the Philosophy of History William Wordsworth – Poems Samuel Taylor Coleridge – Poems; Biographia Literaria Jane Austen – Pride and Prejudice; Emma Carl von Clausewitz – On War Stendhal – The Red and the Black; The Charterhouse of Parma; On Love Lord Byron – Don Juan Arthur Schopenhauer – Studies in Pessimism Michael Faraday – Chemical History of a Candle; Experimental Researches in Electricity Charles Lyell – Principles of Geology Auguste Comte – The Positive Philosophy Honoré de Balzac – Père Goriot; Eugenie Grandet Ralph Waldo Emerson – Representative Men; Essays; Journal Nathaniel Hawthorne – The Scarlet Letter Alexis de Tocqueville – Democracy in America John Stuart Mill – A System of Logic; On Liberty; Representative Government; Utilitarianism; The Subjection of Women; Autobiography Charles Darwin – The Origin of Species; The Descent of Man; Autobiography Charles Dickens – Pickwick Papers; David Copperfield; Hard Times Claude Bernard – Introduction to the Study of Experimental Medicine Henry David Thoreau – Civil Disobedience; Walden Karl Marx – Capital; Communist Manifesto George Eliot – Adam Bede; Middlemarch Herman Melville – Moby-Dick; Billy Budd Fyodor Dostoevsky – Crime and Punishment; The Idiot; The Brothers Karamazov Gustave Flaubert – Madame Bovary; Three Stories Henrik Ibsen – Plays Leo Tolstoy – War and Peace; Anna Karenina; What is Art?; Twenty-Three Tales Mark Twain – The Adventures of Huckleberry Finn; The Mysterious Stranger William James – The Principles of Psychology; The Varieties of Religious Experience; Pragmatism; Essays in Radical Empiricism Henry James – The American; The Ambassadors Friedrich Wilhelm Nietzsche – Thus Spoke Zarathustra; Beyond Good and Evil; The Genealogy of Morals; The Will to Power