Céu de Teresópolis é uma pintura de Eliseu Visconti (1866-1944). A pintura tem como tema central a paisagem de Teresópolis, Rio de Janeiro. A sua data de criação é 1935.
Descrição A obra foi produzida com tinta a óleo, tela em 1935. Suas medidas são: 36,5 centímetros de altura e 25,5 centímetros de largura.
Esta é uma rara pintura de Visconti que representa apenas o céu, as nuvens e a copa das árvores. Parece que a atmosfera de Teresópolis cativou a atenção do artista, como nenhuma outra havia cativado. Nesta pintura o céu e as nuvens servem de fundo para a esguia árvore, que se situa em meio a mata. A pintura faz parte da série de obras que representam a copa de árvores contra o céu de Teresópolis, na qual, esta seria a mais colorida por apresentar em poucas e leves pinceladas algumas flores na pequena árvore em primeiro plano.
A assinatura do autor se encontra no canto inferior esquerdo da obra. A pintura pertence aos descendentes do pintor, sendo fotografada no Rio de Janeiro em 19 maio 2006.
Sobre o Autor Eliseu d'Angelo Visconti conhecido também como Eliseu Visconti, nasceu em 30 de julho de 1866 em Giffoni Valle Piana, na Itália. Quando criança ele sonhava seguir a carreira de pintor. Durante os anos de 1873 e 1875, Eliseu veio para o Brasil junto de sua família. Em 1883, ele passou a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles (1832-1903) e Estêvão Silva (1844-1891). No ano seguinte, sem deixar o Liceu, ingressou na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), tendo como professores Zeferino da Costa (1840-1915), Rodolfo Amoedo (1857-1941), Henrique Bernardelli (1858-1936), Victor Meirelles e José Maria de Medeiros (1849-1925).
Com a caída do Império em 1889, o Brasil tornou-se uma República e a Academia passou a ser chamada de Escola Nacional de Belas Artes. Em 1892, Visconti ganhou um concurso promovido pela Escola e viajou para Paris, lá ele começou a estudar arte decorativa na École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts (Escola Nacional e Especial de Belas Artes). Na França, Eliseu descobriu outros tipos de gêneros como, por exemplo, o Impressionismo e a Art Noveau. Após alguns anos na capital parisiense, ele decidiu voltar ao Brasil.
Trabalhador incansável e artista de vanguarda, Visconti produzia obras de valor universal, utilizando como instrumento, ao longo de suas diversas fases, técnicas e influências naturalistas, renascentistas, realistas, pontilhistas, impressionistas e neorrealistas. Após três meses de um assalto em que Visconti foi golpeado na cabeça, ele veio a falecer. No dia 15 de outubro de 1944, aos 78 anos de idade, o pintor foi declarado como morto no Rio de Janeiro.
Atualmente Visconti é considerado um dos mais importantes artistas brasileiros do período e o mais expressivo representante da pintura impressionista no Brasil. Alguns pensadores avaliaram Eliseu Visconti como percussor do modernismo, outros um moderno antes da invenção do modernismo e da Semana de Arte Moderna de São Paulo em 1922.
Contexto histórico Em 1648 foi fundada por Luis XIV a primeira academia de Belas Artes em Paris, a Academia Real de Pintura e Escultura. Nessa época também foi criada a Academia de Letras e, a partir desse momento, os artistas passaram a se formar em academias e não mais em ateliês, como ocorria antigamente. Assim, passou-se a ter mais controle das imagens e escritas literárias.
No século XVII, a França se tornou referência em todas as nações ocidentais no mundo das artes. A Academia consolidou-se em diversos gêneros pictóricos, como por exemplo, os religiosos (narrativas bíblicas); mitológicos (mitologia clássica); históricos (fatos e eventos de uma nação, geralmente batalhas); retratos; paisagens (naturais, urbanas e campestres) e naturezas mortas (representações de animais, flores e outros objetos, que podem ser naturais ou artificiais, em um determinado espaço). Nessa época eram nomeados "pintores de gênero" aqueles que lidavam com apenas um gênero ou subgênero: pinturas de paisagem, flores, animais, roupas, etc. O termo tinha um certo tom pejorativo, pois parecia que o artista que lidava apenas com esses assuntos não era um pintor válido para os outros, e devido a isso, uma hierarquia de gênero foi estabelecida; estipulada academicamente, durando até o século XIX.
A Tomada da Bastilha, marco da Revolução Francesa, aconteceu em 1789. Nessa época a burguesia passou a cuidar dos ofícios da nobreza, mudando o nome da Academia, para "Academia Nacional de Belas Artes". Durante esse período, Napoleão Bonaparte começou a ganhar destaque no âmbito da Primeira República Francesa, liderando com sucesso as campanhas contra a Primeira Coligação e a Segunda Coligação. Em 1799, ele liderou um golpe de Estado e instalou-se como primeiro cônsul. Cinco anos depois, o senado francês o proclamou Imperador. Na primeira década do século XIX, o Império Francês sob comando de Napoleão, se envolveu em uma série de conflitos com todas as grandes potências europeias. Visando possuir um Império grandioso como o dos romanos, Napoleão buscava expandir seus territórios, e em meio a esse contexto, iniciaram-se as Guerras Napoleônicas.
Durante esses acontecimentos, Dom João VI foi obrigado a fugir de Portugal quando as tropas napoleônicas invadiram seu país. Em 1808, ele decidiu instalar-se no Brasil em conjunto com sua família. Em 1816 ocorreu a Missão Artística Francesa, na qual um grupo de artistas franceses, liderados por Joachim Lebreton, deslocaram-se para o Brasil querendo introduzir o sistema de ensino superior acadêmico no país. Esse ato revolucionou o panorama das artes e fortaleceu o Neoclassicismo que estava se iniciando em terras brasileiras. Essa ideia de criar uma academia de arte foi amparada pelo governo de Dom João VI, mas seu trabalho tardou a frutificar, encontrando a resistência da tradição barroca firmemente enraizada e tendo de enfrentar a escassez de recursos financeiros. A Missão teve um papel importante na atualização do Brasil em relação ao que ocorria na Europa na época, e foi a vanguarda em seu tempo e local. A Academia, mesmo encontrando na origem sérios empecilhos e demorando para frutificar, tornou-se, no reinado de D. Pedro II, a mais importante instituição oficial de arte no Brasil.
Após revoltas liberais, Dom João VI foi compelido a retornar à Europa. Seu quarto filho, Dom Pedro I, ficou nas terras brasileiras como seu regente, declarando em 7 de setembro de 1822, a Independência do Brasil. A Academia Imperial de Belas Artes (AIBA) foi uma escola superior de arte fundada no Rio de Janeiro, Brasil, por Dom João VI. Apesar de enfrentar muitas dificuldades inciais, a Academia conseguiu se estabilizar assumindo um papel central na determinação dos rumos da arte nacional durante a segunda metade do século XIX, sendo um centro de difusão de novos ideais estéticos e educativos, e um dos principais braços executivos do programa cultural nacionalista patrocinado pelo imperador Dom Pedro II. O modelo da Academia tradicional inspirou a estruturação de escolas de arte similares em vários pontos do Brasil, como foi o caso do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (1856), do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (1873) e do Liceu Nóbrega de Artes e Ofícios em Pernambuco (1880), e das Escolas de Belas Artes mantidas por universidades regionais, como o Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1908).
Ao mesmo tempo em que a Academia Imperial consolidava sua ascendência sobre o sistema artístico brasileiro, ela passou a ser fortemente criticada com base na evolução do gosto no final do século XIX, que absorvia novas influências estéticas e temáticas, preferidas por um público burguês que crescia, se educava e passava a esvaziar o discurso oficial, ora tido por muitos como retrógrado e elitista.
Após a Proclamação da República, a Academia Imperial de Belas Artes foi palco de intensos debates entre grupos de professores e jovens alunos que sugeriam caminhos alternativos para a reforma a ser empreendida na Academia. O grupo dos modernos, dentre os quais se alinhavam José Fiúza Guimarães, Rafael Frederico e Eliseu Visconti, pressionavam por uma ampla reforma dessas antigas normas, bastante defasadas das ideias mais inovadoras trazidas da Europa pelos professores Rodolfo Bernardelli e Rodolfo Amoedo. Enquanto isso, os positivistas, mais radicais, pregavam mesmo a extinção da Academia, instituição que consideravam anacrônica. Dentre os positivistas estavam Montenegro Cordeiro, Décio Villares e Aurélio de Figueiredo. Em 8 de novembro de 1890, o governo da República terminou por aprovar a reforma proposta pela comissão encabeçada por Rodolfo Bernardelli e Rodolfo Amoedo. A Academia Imperial foi convertida na Escola Nacional de Belas Artes, assumindo sua direção Rodolfo Bernardelli, que já era seu professor de escultura e artista laureado, respeitadíssimo por muitos membros influentes da intelectualidade.
Contexto da Obra Em seu começo de carreira, as paisagens de Visconti eram direcionadas mais para a terra, sempre com a linha do horizonte alta, por vezes limitando seu foco abaixo dela. A "Paisagem de Saint Hubert" foi uma de suas primeiras pinturas e pode ser considerada como uma boa representação desse período artístico do autor.thumb|right|250px|"Paisagem de Saint Hubert" - 1915
Na década de 1920, ele começou a se interessar mais pelo céu durante os seus estudos do alto do Morro de Santo Antonio e outros recantos cariocas. Durante essa fase, o céu de Teresópolis acabou lhe capturando a atenção como nenhum outro, pois, a partir desse momento ele faria diversos estudos do rendilho das árvore contra o azul celeste polvilhado de nuvens, provavelmente como um estudo para algumas de suas paisagens serranas.
Em uma entrevista para Angyone Costa, Visconti, expressou pela primeira vez com palavras, o seu fascínio por Teresópolis. Perguntado por que estivera ausente do Rio na semana anterior, Visconti respondeu:
“Fui para Teresópolis, com meus filhos, aquela terra admirável que o carioca desconhece. Teresópolis, meu amigo, é uma maravilha. Maravilha do mundo. O carioca só conhece a Avenida Central. Antigamente eu afirmava que Copacabana era o começo do paraíso de Dante. Hoje alargo a comparação e estendo-a a Teresópolis, que é um encanto, uma grande fascinação. Não há nada que se lhe compare…Teresópolis tem alguma coisa que é seu, cor local, pitoresco, luminosidade própria. É uma terra que ainda tem viço, conserva a virgindade.”
Duas décadas antes, Visconti já havia manifestado sua grande admiração pela cidade e por seu símbolo maior, o Dedo de Deus, pico da Serra dos Órgãos, ao incluí-lo na pintura do friso original do proscênio do Teatro Municipal. Ali, acima do palco, de onde pode ser vista de qualquer ponto da sala de espetáculos, Visconti representou a serra observada de Teresópolis. Provavelmente ele conheceu a cidade ainda menino, em suas andanças entre o Rio de Janeiro e São José de Além Paraíba.
Análise da Obra Na fase dita de Teresópolis, "fase de maturidade", Visconti utilizou-se do aprendizado impressionista. Quando Eliseu deu início as pinturas inspiradas nas paisagens de Teresópolis, ele buscou captar o vapor atmosférico da serra, com grande preocupação com a cor e luz. Para a estudiosa Maria José Sanches, Visconti apresentava a manifestação da luminosidade brasileira, sem deixar de vincular-se à técnica impressionista.
Quando iniciou a fase de pinturas sobre Teresópolis, o pintor decidiu registrar a sua casa de campo, recém-construída. Visconti utilizou a tela como um fragmento de paisagem imortalizada, que lhe permitiu definir o seu impressionismo, com o qual marcou presença na história da arte brasileira. Eliseu caracterizou-se como um artista eclético, pois dedicou-se com liberdade à sua produção artística, na qual dialogou com tendências contemporâneas como o art nouveau, o simbolismo, o pontilhismo e o impressionismo, buscando a atualização da arte no país.