O Kniaz Potemkin Tavricheski (Князь Потёмкин Таврический) foi um couraçado pré-dreadnought operado pela Marinha Imperial Russa. Sua construção começou em outubro de 1898 no Estaleiro do Almirantado Nikolaev e foi lançado ao mar em outubro de 1900, entrando em serviço na frota russa no início de 1905. Era armado com uma bateria principal composta por quatro canhões de 305 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento de mais de treze mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de dezesseis nós.
A tripulação do Kniaz Potemkin Tavricheski se amotinou em junho de 1905 durante a revolução daquele ano, matando oito de seus oficiais, tomando controle do navio e buscando refúgio na Romênia, onde receberam asilo. A Marinha Imperial conseguiu retomar o couraçado depois disso e o renomeou rapidamente para Panteleimon (Пантелеймон). Pelos anos seguintes a embarcação ocupou-se de exercícios de rotina e teve uma carreira relativamente tranquila, marcada apenas por um incidente em que acabou encalhando no litoral da Romênia em outubro de 1911.
A embarcação foi usada em diversas ações contra o Império Otomano após o início da Primeira Guerra Mundial, incluindo batalhas contra o cruzador de batalha Yavuz Sultan Selim. Foi relegado para deveres secundários em 1915 e, após a Revolução Russa, renomeado para Potemkin-Tavricheski (Потёмкин-Таврический) e depois Borets za Svobodu (Борец за Свободу). Foi tirado de serviço em março 1918 e capturado pelos alemães, sendo depois incapacitado pelos britânicos em 1919, abandonado pelo Movimento Branco em 1920 e desmontado pelos soviéticos em 1923.
Desenvolvimento Planejamentos começaram em 1895 para um novo couraçado que utilizaria a rampa de lançamento que ficaria disponível no Estaleiro do Almirantado Nikolaev no ano seguinte. O Estado-Maior Naval e o comandante da Frota do Mar Negro concordaram em um projeto cópia da Classe Peresvet, porém isto foi derrubado pelo general almirante grão-duque Aleixo Alexandrovich. Este decidiu que os menos poderosos canhões de 254 milímetros da Classe Peresvet não eram apropriados para os confins do Mar Negro, ordenando em vez disso um projeto de uma versão aprimorada do couraçado . Os melhoramentos incluíram um castelo de proa mais alto para melhorar as qualidades de navegabilidade, uso de blindagem cimentada Krupp e caldeiras Belleville. O processo de projeto foi complicado por várias alterações exigidas por diversos departamentos do Comitê Técnico Naval. O projeto foi finalmente aprovado em 12 de junho de 1897, porém alterações continuaram a ser feitas, o que atrasou o progresso da construção.
Projeto Características thumb|esquerda|240px|Ilustração do Kniaz Potemkin Tavricheski por William Mitchell em 1905 O Kniaz Potemkin Tavricheski tinha 113,2 metros de comprimento da linha de flutuação e 115,4 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca de 22,3 metros e um calado máximo de 8,2 metros. Seu deslocamento era de toneladas, 420 toneladas a mais do que seu deslocamento projetado de toneladas. Sua tripulação era composta por 26 oficiais e 705 marinheiros.
O sistema de propulsão consistia em dois motores verticais de tripla-expansão com três cilindros, cada um girando uma hélice. A potência total indicada era de cavalos-vapor (7,9 mil quilowatts). O vapor necessário para os motores provinha de 22 caldeiras Belleville que funcionavam a uma pressão de quinze atmosferas ( quilopascais). As oito caldeiras na sala das caldeiras de vante originalmente queimavam óleo combustível, enquanto as catorze restantes queimavam carvão. A embarcação alcançou uma velocidade máxima de 16,5 nós (30,6 quilômetros por hora) em 31 de outubro de 1903 durante seus testes marítimos. Um vazamento de óleo causou um incêndio sério em 2 de janeiro de 1904, fazendo com que a Marinha Imperial Russa convertesse todas as caldeiras que queimavam óleo para queimarem carvão também ao custo de vinte mil rublos. O couraçado podia carregar até 1,1 mil toneladas de carvão, o que proporcionava uma autonomia de 3,2 mil milhas náuticas (5,9 mil quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora).
Armamento A bateria principal consistia em quatro canhões calibre 40 de 305 milímetros em duas torres de artilharia duplas, uma à vante e outra à ré da superestrutura. As torres eram operadas eletricamente e seu projeto era uma modificação daquelas usadas na Classe Petropavlovsk. As armas tinham uma elevação máxima de quinze graus e sua cadência de tiro era lenta, sendo de um disparo a cada quatro minutos durante seus testes de artilharia. Disparavam um projétil de 337,7 quilogramas a uma velocidade de saída de 851 metros por segundo. A uma elevação de dez graus, tinham uma alcance de doze quilômetros. Cada canhão tinha um carregamento de sessenta projéteis.
A bateria secundária era composta por dezesseis canhões Canet Padrão 1891 de 152 milímetros montados em casamatas. Doze destes ficavam posicionadas nas laterais do casco, seis de cada lado, enquanto as quatro restantes ficavam localizadas nos cantos da superestrutura. Disparavam projéteis de 41,46 quilogramas a uma velocidade de saída de 792 metros por segundo. A uma elevação de vinte graus, tinham um alcance de 11,5 quilômetros. O navio armazenava 160 projéteis por canhão.
O navio também era armado com várias armas menores para combater barcos torpedeiros. Haviam catorze canhões Canet calibre 50 de 75 milímetros, quatro montados em embrasuras no casco e os restantes montados na superestrutura. Cada arma tinha um carregamento de trezentos projéteis. Elas disparavam projéteis de 4,9 quilogramas a uma velocidade de saída de 820 metros por segundo, tendo um alcance máximo de 6,5 quilômetros. Também tinha seis canhões Hotchkiss de 47 milímetros, quatro na gávea e dois na superestrutura. Disparavam projéteis de um quilograma a uma velocidade de saída de 430 metros por segundo. Dois canhões antiaéreos de 57 milímetros foram instalados na superestrutura em junho de 1915, sendo complementados no ano seguinte por dois canhões antiaéreos de 75 milímetros no alto das torres de artilharia.
O Kniaz Potemkin Tavricheski era equipado com cinco tubos de torpedo de 381 milímetros submersos, um na proa e dois em cada lateral. Cada tubo tinha um carregamento de três torpedos. O modelo de torpedo usado mudou com o passar do tempo, com o primeiro tipo utilizado tendo sido um M1904. Este tinha uma ogiva de setenta quilogramas e uma velocidade de 33 nós (61 quilômetros por hora), tendo um alcance máximo de oitocentos metros. Todos os tubos de torpedo foram removidos até fevereiro de 1916.
Miras telescópicas foram instaladas em 1907 para os canhões de 305 e 152 milímetros. Telêmetros de 2,5 metros foram instalados no ano seguinte. Os maquinários das torres de artilharia foram aprimorados em 1912 e os canhões modificados com o objetivo de aumentar a cadência de tiro para um disparo a cada quarenta segundos.
Blindagem O cinturão principal de blindagem era feito de aço cimentado Krupp e tinha uma espessura máxima de 229 milímetros, reduzindo-se para 203 milímetros na área dos depósitos de munição e 51 milímetros nas extremidades. Cobria 72,2 metros do comprimento do navio. O cinturão tinha 2,3 metros de altura, dos quais dois metros ficavam abaixo da linha de flutuação, com sua espessura reduzindo para 127 milímetros na extremidade inferior. A porção principal terminava em anteparas transversais de 178 milímetros.
Acima do cinturão havia uma camada de 152 milímetros de blindagem com 47,5 metros de comprimento, fechada à vante e ré por anteparas transversais de mesma espessura. A casamata superior da bateria secundária tinha laterais de 127 milímetros. As laterais das torres de artilharia tinham 254 milímetros, enquanto seus tetos tinham 51 milímetros. As laterais da torre de comando tinham 229 milímetros. O convés blindado era feito de aço-níquel e tinha 51 milímetros à meia-nau, aumentando para 64 milímetros na inclinação que o conectava ao cinturão principal. A espessura aumentava para 76 milímetros além da cidadela blindada em direção à proa e popa. Placas de 25 milímetros foram adicionadas entre 1910 e 1911, não se sabe exatamente onde, mas provavelmente foram usadas para ampliar a altura da camada de 51 milímetros nas extremidades.
História A construção do Kniaz Potemkin Tavricheski começou em 27 de dezembro de 1897 e seu batimento de quilha ocorreu em 10 de outubro de 1898 no Estaleiro do Almirantado Nikolaev em Nikolaev, na Gubernia de Kherson. Foi nomeado em homenagem ao príncipe Gregório Potemkin, um militar e político russo do século XVIII. O navio foi lançado ao mar em 9 de outubro de 1900 e transferido para Sebastopol em 4 de julho de 1902 a fim de passar pelo seu processo de equipagem. Ele iniciou seus testes marítimos em setembro de 1903 e estes continuaram intermitentemente até o início de 1905, quando suas torres de artilharia foram finalmente finalizadas.
Motim Muitos dos oficiais e marinheiros mais experientes da Frota do Mar Negro foram transferidos entre 1904 e 1905 para tripular navios no Oceano Pacífico durante a Guerra Russo-Japonesa com o objetivo de substituir as perdas. Isto deixou as unidades no Mar Negro manejadas principalmente com recrutas e oficiais menos capazes. Notícias da desastrosa derrota russa na Batalha de Tsushima em maio de 1905 derrubaram a moral da frota para o mais baixo que já esteve, com qualquer incidente por menor que fosse sendo suficiente para iniciar uma catástrofe. O Comitê Central da Organização Social Democrática da Frota do Mar Negro, se aproveitando da situação e da agitação causada pela Revolução Russa de 1905, iniciou preparativos para um motim simultâneo em todos os navios da frota, porém a data ainda não tinha sido decidida.
thumb|240px|O Kniaz Potemkin Tavricheski junto com o Ismail em 1905 O couraçado estava realizando exercícios de artilharia em 27 de junho de 1905 próximo de Tendra Spit quando muitos marinheiros se recusaram a comer o borsch feito de carne podre infestada de larvas. A comida tinha sido trazida no dia anterior de fornecedores em terra, tendo sido considerada adequada pelo doutor Sergei Smirnov, o médico do navio, depois de exames superficiais.
Uma revolta começou quando o capitão de 2ª patente Ippolit Giliarovski, o segundo em comando do Kniaz Potemkin Tavricheski, supostamente ameaçou atirar em tripulantes que se recusassem a comer. Ele convocou o contingente de fuzileiros e também mandou que uma lona alcatroada fosse trazida para proteger o convés de qualquer sangue em uma tentativa de intimidar os marinheiros. Giliarovski foi morto depois que feriu mortalmente Grigori Vakulenchuk, um dos líderes do motim. Os amotinados mataram sete dos dezoito oficiais, incluindo Smirnov e o capitão de 1ª patente Evgeni Golikov, o oficial comandante da embarcação, também capturando o barco torpedeiro Ismail. Eles organizaram um comitê de 25 marinheiros para manejar o couraçado, liderado pelo quartel-mestre Afanasi Matushenko.
thumb|esquerda|150px|Afanasi Matushenko, o líder do motim