thumb|Buda de Esmeralda em vestes da estação das chuvas O Buda de Esmeralda (em tailandês: พระแก้วมรกต, Phra Kaeo Morakot), oficialmente denominado พระพุทธมหามณีรัตนปฏิมากร (Phra Phuttha Maha Mani Rattana Patimakon), é uma das mais veneradas imagens budistas da Tailândia e constitui um dos principais símbolos religiosos da monarquia e do Estado tailandeses. Considerado tradicionalmente o paládio sagrado do reino, encontra-se no Wat Phra Kaew (Templo do Buda de Esmeralda), situado no complexo do Grande Palácio de Banguecoque. (Royal Grand Palace). A imagem representa Sidarta Gautama, o Buda, sentado em postura de meditação, e mede aproximadamente 66 cm de altura e 48 cm de largura na altura dos joelhos, Apesar do nome pelo qual se tornou conhecida, não é esculpida em esmeralda, mas em uma única peça de pedra verde semipreciosa, geralmente identificada como jade ou jaspe; a denominação “de Esmeralda” refere-se, portanto, sobretudo à sua coloração. A composição mineralógica exata da peça não foi determinada de maneira conclusiva. É o emblema religioso e simbólico da Dinastia Chacri, a atual casa real tailandesa.
Sua autoria e origem exatas são desconhecidas. Com base em características estilísticas, a imagem é geralmente associada à arte do norte da Tailândia, provavelmente do século XV, embora diferentes tradições e lendas atribuam a ela uma antiguidade muito maior. Segundo a tradição histórica tailandesa, a imagem tornou-se conhecida em Chiang Rai em 1434, após a descoberta de uma estátua coberta de estuque dentro de uma estupa atingida por um raio. Com o desprendimento do revestimento, revelou-se a pedra verde que se encontrava em seu interior. Posteriormente, o Buda de Esmeralda passou por Lampang, Chiang Mai, Luang Prabang e Vientiane, tornando-se objeto de grande prestígio religioso e político.
Em 1778, durante uma campanha contra Vientiane, a imagem foi levada para o território siamês por forças comandadas por Chao Phraya Chakri, que posteriormente se tornaria o rei Rama I, fundador da Dinastia Chakri. Depois da fundação de Banguecoque como nova capital do reino, Rama I ordenou sua instalação no recém-construído Wat Phra Kaew, onde foi entronizada em 1784 e permanece até hoje. O templo funciona como capela real e, diferentemente da maioria dos templos budistas tailandeses, não possui uma comunidade residente de monges.
Uma das tradições mais importantes associadas à imagem é a troca cerimonial de suas vestes, realizada três vezes ao ano de acordo com as estações tradicionais tailandesas: quente, chuvosa e fresca. As vestimentas são confeccionadas em ouro e ornamentadas com pedras preciosas. A cerimônia possui caráter real e religioso e simboliza, entre outros aspectos, a proteção e a prosperidade do reino ao longo de cada estação. As primeiras vestes para as estações quente e chuvosa foram instituídas no reinado de Rama I, enquanto a vestimenta para a estação fresca foi introduzida por Rama III; os conjuntos atualmente utilizados foram confeccionados no reinado de Rama IX, por ocasião do 50.º aniversário de sua ascensão ao trono, em 1996.
Além de sua importância no budismo tailandês, o Buda de Esmeralda está intimamente ligado à legitimidade e à continuidade histórica da monarquia Chakri. Ao longo dos séculos, a posse da imagem esteve associada simbolicamente à autoridade política sobre diferentes reinos do Sudeste Asiático continental, razão pela qual seu significado ultrapassa o de uma obra de arte religiosa: ela funciona simultaneamente como objeto de devoção, símbolo de soberania e emblema da identidade histórica tailandesa.
História A primeira aparição historicamente rastreável do Buda de Esmeralda situa-se no Reino de Lanna, no norte da atual Tailândia, no século XV. Segundo as crônicas associadas à imagem, em 1434 um raio atingiu o chedi do Wat Pa Yia, em Chiang Rai, danificando a estrutura e revelando uma imagem de Buda revestida de estuque.
De acordo com o relato tradicional da descoberta, a imagem foi levada à residência do superior do mosteiro. Posteriormente, parte do revestimento de estuque teria se desprendido na região do nariz, deixando à mostra a pedra verde em seu interior. Ao retirar o restante do revestimento, revelou-se uma imagem de Buda esculpida em pedra semipreciosa, que passou a ser conhecida como Phra Kaeo Morakot, o “Buda de Esmeralda”.
Apesar do nome, a imagem não é considerada uma escultura de esmeralda propriamente dita. A denominação está relacionada à aparência verde da pedra da qual foi esculpida. Sua composição mineralógica exata não é consensual, sendo frequentemente descrita como jade, jaspe ou outra pedra verde semipreciosa.
A origem e a data de fabricação da escultura permanecem incertas. Com base em suas características estilísticas, historiadores da arte têm relacionado a imagem às tradições escultóricas do norte da Tailândia, particularmente ao ambiente artístico de Lanna e Chiang Saen, sendo uma produção em torno do século XV considerada compatível com essas características. Essa atribuição estilística, contudo, não permite determinar com certeza o local ou a data exata em que a imagem foi produzida.
Após sua descoberta em Chiang Rai, o rei Sam Fang Kaen, de Lanna, teria ordenado que a imagem fosse levada para Chiang Mai, então capital do reino. Segundo a tradição, o elefante encarregado de transportá-la desviou-se repetidamente em direção a Lampang. O comportamento do animal foi interpretado como um sinal de que a imagem deveria permanecer naquela cidade.
O Buda de Esmeralda foi então instalado no atual Wat Phra Kaeo Don Tao, em Lampang, onde permaneceu durante aproximadamente 32 anos. Em 1468, durante o reinado de Tilokaraj, foi finalmente levado para Chiang Mai e instalado no Wat Chedi Luang, um dos principais centros religiosos da capital de Lanna.
A imagem permaneceu em Chiang Mai até 1552, quando sua trajetória passou a se relacionar diretamente com as relações dinásticas entre Lanna e o reino de Lan Xang. O príncipe Setthathirath, filho do rei Photisarath de Lan Xang e de uma princesa da casa real de Lanna, havia assumido anteriormente o trono de Chiang Mai. Depois da morte de seu pai, retornou a Lan Xang para assumir o governo do reino e levou consigo o Buda de Esmeralda para Luang Prabang.
A posse da imagem tinha significado não apenas religioso, mas também político. Ao longo de sua história, o Buda de Esmeralda passou a ser associado à proteção do reino, ao mérito do soberano e à legitimidade régia, adquirindo características de um paládio real. A transferência da imagem entre diferentes capitais deve, portanto, ser compreendida também no contexto das relações entre religião e poder nos reinos budistas do Sudeste Asiático.
Em 1564, Setthathirath transferiu sua capital para Vientiane, num período de crescente pressão militar birmanesa, e levou consigo o Buda de Esmeralda. A imagem foi instalada no Haw Phra Kaew, templo destinado a abrigá-la, e permaneceu em Vientiane por mais de dois séculos.
A permanência da imagem em Vientiane terminou durante a campanha militar siamesa de 1778–1779 contra o reino de Vientiane, ocorrida durante o reinado de Taksin, de Thonburi. As forças siamesas eram comandadas pelo general Chao Phraya Chakri, que posteriormente ascenderia ao trono como Rama I. Após a conquista de Vientiane, o Buda de Esmeralda foi levado para o Sião e instalado em Thonburi, nas proximidades do Wat Arun.
Em 1782, Chao Phraya Chakri tornou-se rei com o nome de Rama I, fundando a Dinastia Chakri. O novo monarca transferiu a capital para a margem oriental do rio Chao Phraya e iniciou a construção de Banguecoque como centro do novo Reino de Rattanakosin. No recinto do Grande Palácio, foi construído o Wat Phra Si Rattana Satsadaram, mais conhecido como Wat Phra Kaew, destinado a servir de templo real e a abrigar o Buda de Esmeralda.
Em 22 de março de 1784, a imagem foi conduzida solenemente de Thonburi para o novo templo e instalada no ubosot, a principal sala ritual do Wat Phra Kaew. Desde então, permanece nesse local e ocupa uma posição central na vida religiosa e cerimonial da monarquia tailandesa.
Sua associação com a Dinastia Chakri e com a soberania tailandesa transformou o Buda de Esmeralda em um dos principais símbolos religiosos do reino. Mais do que uma obra de arte budista, a imagem passou a representar a continuidade entre religião, realeza e proteção simbólica do Estado tailandês.
Lenda A origem lendária do Buda de Esmeralda é relatada em diferentes tradições literárias budistas, entre elas o Jinakālamālī, o Amarakaṭabuddharūpanidāna e, principalmente, o Ratanabimbavaṃsa (“Crônica do Buda de Esmeralda”), obra escrita em páli e atribuída a Brahmarājapañña, no século XV. As diferentes versões combinam elementos religiosos, acontecimentos históricos, tradições régias e episódios sobrenaturais, apresentando variações quanto às personagens, datas e etapas da trajetória da imagem. Por essa razão, a narrativa deve ser entendida como uma tradição mítico-religiosa sobre a origem e as peregrinações do Buda de Esmeralda, e não como uma cronologia histórica da escultura.
Segundo a lenda, o Buda de Esmeralda teria sido criado em 43 a.C., na cidade de Pāṭaliputra, antiga capital indiana situada na região da atual Patna, aproximadamente quinhentos anos após o parinirvana do Buda. Sua criação é atribuída ao sábio budista Nāgasena, que teria recebido auxílio divino para confeccionar a imagem. Em algumas versões da tradição, participam desse episódio divindades como Indra e Vishnu, responsáveis por auxiliar Nāgasena na obtenção da pedra e na realização da escultura.
Após a conclusão da imagem, Nāgasena teria profetizado que ela contribuiria para o florescimento do budismo em cinco terras: Lankādīpa, identificada com o atual Sri Lanka; Rāmalakka; Dvāravatī, na região da atual Tailândia; Chiang Mai; e Lan Xang, correspondente a parte do atual Laos. Dentro da narrativa, a profecia antecipa as futuras peregrinações da imagem e explica seu vínculo com diferentes reinos budistas do sul e do Sudeste Asiático.
O Buda de Esmeralda teria permanecido durante cerca de trezentos anos em Pāṭaliputra. Em seguida, diante de uma guerra civil, a imagem teria sido levada para Sri Lanka, onde permaneceu sob proteção. A passagem pela ilha ocupa lugar importante na tradição, relacionando a imagem a um dos principais centros históricos de preservação e difusão do budismo theravāda.
Uma das versões da lenda conta que, no ano 457, um rei da Birmânia, chamado Anuruth, enviou uma missão ao Ceilão para solicitar textos sagrados budistas e o Buda de Esmeralda, com a intenção de promover o budismo em seu reino. O pedido teria sido atendido, mas, durante a viagem de regresso, o navio que transportava a imagem foi atingido por uma tempestade e perdeu sua rota, chegando ao Camboja em vez de retornar à Birmânia.
A imagem teria então permanecido por longo período no mundo khmer. Algumas versões da tradição a associam especificamente a Angkor Wat. Segundo essa narrativa, após a tomada de Angkor por forças tai de Ayutthaya, tradicionalmente situada em 1432, o Buda de Esmeralda teria sido retirado da região e levado para Ayutthaya.
A partir daí, a lenda descreve uma nova sequência de deslocamentos. A imagem teria passado por Kamphaeng Phet, por territórios associados a Lan Xang e, finalmente, chegado a Chiang Rai, no Reino de Lanna. A sucessão exata dessas etapas varia entre as diferentes versões da tradição.
Em Chiang Rai, o governante local teria decidido ocultar a imagem para protegê-la. Segundo a narrativa, o Buda de Esmeralda foi encoberto por uma camada de estuque, adquirindo externamente a aparência de uma estátua comum de Buda, e permaneceu escondido até sua redescoberta no século XV.