Esta é uma lista de pesquisas eleitorais para a eleição presidencial de 2022 no Brasil. Desde as eleições de 2018, as empresas de pesquisa publicaram informações que rastreiam a intenção de voto para as eleições gerais brasileiras em 2022. Os resultados estão listados abaixo em ordem cronológica reversa. Todas os cenários se referem a pesquisas estimuladas, quando uma lista de candidatos é apresentada ao entrevistado, e a nível nacional.

Contexto As pesquisas de opinião sobre a eleição presidencial de 2022 apresentaram volume elevado de levantamentos e ampla diversidade de institutos, metodologias e formas de financiamento. A partir de 1.º de janeiro de 2022, as empresas e entidades que realizassem pesquisas eleitorais destinadas à divulgação pública passaram a ser obrigadas a registrá-las no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) da Justiça Eleitoral, com antecedência mínima de cinco dias em relação à divulgação.

Em junho de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral já contabilizava 660 pesquisas relativas às eleições gerais, das quais mais de 170 tinham como objeto os cargos de presidente e vice-presidente da República.

O número de levantamentos cresceu rapidamente durante o segundo semestre. Segundo levantamento realizado pelo Correio Sabiá com base nos registros do TSE, entre 1.º de janeiro e 26 de setembro de 2022 foram registradas 975 pesquisas para presidente da República. O número representava aumento de 75,67% em relação às 555 pesquisas presidenciais registradas durante as eleições gerais de 2018.

No mesmo período, foram registrados 2.522 levantamentos eleitorais relativos às eleições gerais de 2022. A quantidade por cargo não corresponde à soma de pesquisas distintas, pois um mesmo levantamento podia consultar simultaneamente os eleitores sobre presidente, governador e senador, entre outros cargos.

O aumento da quantidade de pesquisas foi acompanhado pela entrada ou expansão de diferentes institutos no mercado nacional. Entre os levantamentos registrados estavam pesquisas de Datafolha, Ipec, Genial/Quaest, Paraná Pesquisas, PoderData, BTG/FSB, XP/Ipespe, CNT/MDA, AtlasIntel, Futura, Ideia e outros institutos.

Os levantamentos apresentavam diferenças significativas quanto ao método de coleta, tamanho da amostra e período de realização. Havia pesquisas presenciais, telefônicas e realizadas por meios eletrônicos, com amostras que variavam de aproximadamente mil entrevistados a vários milhares de pessoas.

A diferença metodológica também se refletia nos custos. Em agosto, levantamento comparativo dos principais institutos mostrou valores que iam de R$ 20 mil a R$ 473.780 para pesquisas presidenciais. O menor custo entre os levantamentos analisados era de uma pesquisa da Real Time Big Data, enquanto o maior correspondia a um levantamento do Datafolha.

Entre os levantamentos analisados, as pesquisas presenciais apresentavam, em geral, custos mais elevados. Datafolha, Ipec e Quaest estavam entre os institutos cujos levantamentos presenciais apresentavam os maiores valores, enquanto FSB, PoderData, MDA, Futura, Ipespe e Real Time Big Data utilizavam pesquisas telefônicas em levantamentos comparados pela reportagem.

O custo de uma pesquisa também dependia do tamanho da amostra, do número de municípios pesquisados, do método de entrevista e da estrutura utilizada para a coleta. Por isso, não havia um valor único ou padrão para uma pesquisa nacional, com diferenças substanciais entre os institutos.

A documentação disponibilizada pelo TSE permitia consultar informações como o período de realização, a margem de erro, o nível de confiança, a quantidade de entrevistas, a entidade responsável pelo levantamento e, quando existente, o contratante.

O Portal de Dados Abertos do TSE também disponibilizou conjuntos de dados referentes às pesquisas eleitorais de 2022, incluindo registros de pesquisas, contratantes, pagantes, notas fiscais, questionários e detalhamento de bairros e municípios.

A origem dos recursos utilizados para financiar os levantamentos também se tornou objeto de discussão durante a eleição. Parte das pesquisas era contratada por veículos de comunicação, instituições financeiras ou outras empresas, enquanto alguns institutos registravam levantamentos financiados com recursos próprios.

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) criticou o chamado autofinanciamento de pesquisas, argumentando que a prática poderia dificultar a identificação do verdadeiro contratante. Segundo levantamento da entidade encaminhado ao TSE e ao Ministério Público Federal, 37% das pesquisas registradas entre janeiro e junho de 2022 teriam sido financiadas com recursos dos próprios institutos.

Segundo a mesma apuração, a quantidade de pesquisas financiadas pelos próprios institutos teria aumentado de cinco em janeiro para 54 em junho, enquanto as pesquisas contratadas por terceiros teriam passado de 18 para 96 no mesmo período.

O Paraná Pesquisas tornou-se um dos casos mais discutidos nesse contexto. Até o início de setembro, o instituto havia declarado ao TSE o autofinanciamento de 17 pesquisas presidenciais, correspondentes a 46% de seus levantamentos para o cargo naquele período.

A discussão sobre o financiamento ganhou repercussão adicional porque o Paraná Pesquisas havia firmado, em março, contrato de R$ 1,6 milhão com o governo federal para realização de pesquisas sobre políticas públicas. O contrato tinha vigência prevista de um ano e não correspondia exclusivamente a pesquisas eleitorais.

O instituto afirmou que o financiamento de pesquisas próprias não era uma prática exclusiva da empresa e que a metodologia dos levantamentos era disponibilizada no momento do registro perante a Justiça Eleitoral.

Além das discussões sobre financiamento, diferentes pesquisas eleitorais foram alvo de representações e decisões judiciais durante as eleições de 2022. Em alguns casos estaduais, a Justiça Eleitoral suspendeu a divulgação de levantamentos por falta de informações consideradas obrigatórias no registro ou por outras irregularidades formais.

Em Pernambuco, por exemplo, o TRE suspendeu em agosto a divulgação de uma pesquisa da Simplex Consultoria após representação apresentada por uma coligação. A decisão era liminar e previa multa diária em caso de descumprimento.

No âmbito nacional, a controvérsia sobre pesquisas aumentou significativamente após o primeiro turno, quando a diferença entre diversos levantamentos divulgados na véspera da votação e o resultado das urnas passou a ser amplamente discutida. O debate concentrou-se principalmente nas metodologias utilizadas pelos institutos e na capacidade das pesquisas de captar alterações ocorridas nos últimos dias da campanha.

O episódio produziu uma controvérsia institucional inédita em escala nacional. Em 13 de outubro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu procedimento para apurar possíveis irregularidades nas pesquisas eleitorais, enquanto a Polícia Federal iniciou investigação sobre os institutos após requisição do Ministério da Justiça baseada em representação da campanha de Jair Bolsonaro.

A investigação do Cade mencionava especificamente Datafolha, Ipec e Ipespe e levantava a hipótese de que as diferenças entre as pesquisas e os resultados eleitorais poderiam decorrer de atuação coordenada dos institutos. A iniciativa ocorreu após críticas públicas aos levantamentos divulgados antes do primeiro turno.

No mesmo dia, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, determinou a suspensão das investigações do Cade e da Polícia Federal. Segundo a decisão, os órgãos não teriam competência para instaurar aquelas apurações e os procedimentos apresentariam ausência de justa causa, cabendo à Justiça Eleitoral a fiscalização de eventuais irregularidades relacionadas às pesquisas eleitorais.

Moraes também determinou que a Corregedoria-Geral Eleitoral e a Procuradoria-Geral Eleitoral analisassem a atuação dos órgãos que haviam instaurado as investigações, diante da possibilidade de desvio de finalidade e abuso de poder político.

A controvérsia sobre as pesquisas não se limitou às diferenças entre estimativas e resultados eleitorais. Também foram discutidos aspectos como metodologia, composição das amostras, financiamento, questionários e transparência das informações disponibilizadas no registro eleitoral.

A existência de diferenças entre pesquisas também esteve relacionada aos períodos distintos de coleta. Os levantamentos divulgados nos últimos dias antes do primeiro turno foram realizados em datas diferentes e, em alguns casos, terminaram vários dias antes da votação. Assim, alterações na intenção de voto ocorridas no final da campanha poderiam não ter sido captadas por pesquisas concluídas anteriormente.

Os diferentes métodos de coleta também foram objeto de análise. Pesquisas presenciais, telefônicas e realizadas por meios eletrônicos possuíam diferentes procedimentos de seleção e ponderação dos entrevistados, o que poderia produzir diferenças entre levantamentos realizados em períodos próximos.

O grande número de pesquisas permitiu a formação de séries sucessivas por instituto. Empresas como Datafolha, Ipec, Quaest, Paraná Pesquisas, PoderData, FSB e outras realizaram diversos levantamentos durante a campanha, com intervalos que, em alguns períodos, chegaram a poucas semanas ou mesmo dias.

O crescimento do número de pesquisas foi particularmente intenso nos meses imediatamente anteriores ao primeiro turno. O interesse dos meios de comunicação e do público pela disputa presidencial contribuiu para a realização de novos levantamentos e para a ampliação do número de institutos atuantes no mercado.

Os registros do TSE também possibilitaram distinguir pesquisas nacionais de levantamentos estaduais que incluíam perguntas sobre a eleição presidencial. Como uma mesma pesquisa podia abranger vários cargos, o número de pesquisas presidenciais não corresponde necessariamente ao número de levantamentos exclusivamente destinados à eleição para presidente.

As pesquisas também passaram a ser acompanhadas por agregadores e compilações de diferentes institutos. Essas ferramentas procuravam organizar os levantamentos segundo a data de realização, metodologia e tamanho das amostras, permitindo observar a evolução das estimativas sem depender de um único instituto.

A diversidade de pesquisas produziu diferenças entre os resultados divulgados por empresas distintas. Essas diferenças não significavam necessariamente erro metodológico, uma vez que os levantamentos eram realizados em períodos diferentes e empregavam métodos, questionários, amostras e modelos de ponderação distintos.

A legislação eleitoral estabelecia que o registro da pesquisa deveria conter informações suficientes para permitir sua fiscalização. O TSE, contudo, esclarecia que o registro não significava aprovação prévia do resultado ou certificação de sua qualidade metodológica.

Segundo a Justiça Eleitoral, não havia controle prévio sobre o resultado das pesquisas. Eventuais irregularidades deveriam ser submetidas à apreciação judicial por meio de representação, cabendo à Justiça Eleitoral analisar concretamente cada caso.

A regulamentação também previa que as informações registradas ficassem disponíveis para consulta pública, permitindo que partidos, candidatos, imprensa e eleitores verificassem os elementos metodológicos declarados pelos institutos.

A transparência dos registros tornou-se especialmente relevante em 2022 diante das críticas ao financiamento próprio e das discussões sobre a metodologia de diferentes institutos. A disponibilização de questionários, notas fiscais e informações sobre contratantes e pagantes permitiu ampliar a fiscalização pública sobre os levantamentos.