A Operação Tocha (8–16 de novembro de 1942) teve início em 8 de novembro de 1942, quando os Aliados desembarcaram no Norte da África, abrindo uma nova frente de batalha para as tropas do Afrika Korps, que já vinha lutando com as forças da Itália no leste contra a Commonwealth Britânica na Campanha do Deserto Ocidental.Enciclopédia do Holocausto — "Operação Tocha (campanha na Argélia—Marrocos) Enciclopédia do Holocausto. United States Holocaust Memorial Museum, Whashington, D.C.
A intenção da operação era acelerar a derrota alemã no continente e aliviar a pressão que os soviéticos estavam sofrendo na Europa, dissipando as forças alemãs. O líder soviético Joseph Stalin desejava uma segunda frente na Europa, mas Franklin Roosevelt e Winston Churchill preferiram começar pelo Norte da África, onde as Forças do Eixo estavam mais vulneráveis nesta altura. Na verdade os comandantes americanos já precipitaram um desembarque na Fortaleza Europa o quanto antes, enquanto seus aliados britânicos acreditavam que isso seria um desastre e levaria inúmeras perdas militares devido a falta de experiência das forças envolvidas. A ofensiva na África foi escolhida porque expulsaria as tropas do Eixo do norte africano, precipitaria o controle aliado do Mar Mediterrâneo e prepararia o terreno para uma invasão no sul da Europa a partir da Itália, em julho de 1943.
Após a vitória que os britânicos e seus aliados, principalmente da Commonwealth (Australianos, Néo-Zelandeses, Indianos, Sul-Africanos e também franceses livres) obtiveram contra o Afrika korps, na Segunda Batalha de El Alamein, empurrando os ítalo-alemães para a Tunísia, os aliados ocidentais resolveram levar a cabo a Operação Tocha (desembarques anglo-americanos no noroeste da África), cercando as tropas do Eixo em sintonia com os anglo-aliados que avançavam no sentido leste desde El Alamein, cercando e levando à capitulação cerca de 250 mil soldados alemães e italianos em maio de 1943.
Antecedentes A expulsão dos nazi-fascistas do Norte da África deu aos aliados ocidentais (Reino Unido, Estados Unidos e Canadá) as condições necessárias para abrir o segundo front de batalhas na Europa, que o líder soviético Josef Stalin tanto insistia, para afastar as tropas alemãs da Rússia. Os aliados resolveram começar o início da libertação da Europa do jugo nazista pela Sicília, na Itália, em 10 de julho de 1943, tendo em vista sua localidade mais próxima, no Mediterrâneo, e o fato de os ingleses terem domínio da fortificada ilha de Malta, o calcanhar de Aquiles de Erwin Rommel no norte da África.
Com a entrada dos Estados Unidos na Guerra, americanos e britânicos decidiram que, por ser o adversário mais poderoso, a Alemanha deveria ser derrotada antes que o Japão. No início de 1942, o aliado anglo-americano do leste, a União Soviética, estava duramente ameaçada pelos alemães, enquanto que no norte da África, Rommel marchava em direção ao Canal de Suez.
Joseph Stalin, premier russo, fazia pressão para que seus aliados ocidentais abrissem uma outra frente, aliviando, assim, a pressão alemã sobre os russos que lutavam para deter o avanço alemão. Em fins de junho de 1942, Churchill e Roosevelt decidem abrir uma nova frente na África, antes de 1943. Começam, então, os preparativos para o que seria primeira operação anfíbia anglo-americana. A operação Tocha, que tinha as seguintes diretivas:
1. Estabelecer sólidas cabeças de praia entre Oran e a Tunísia, permitindo atividades das forças aéreas terrestres e navais aliadas;
2. Rápida e vigorosa exploração das cabeças de praia, Argélia e Tunísia, permitindo marchar em direção leste, encurralando pela retaguarda as forças de Rommel que lutavam contra os ingleses na África Oriental;
3. Aniquilamento das forças do Eixo que se opunham aos ingleses na África Oriental, e intensificação das operações aéreas e navais contra o continente europeu através da Itália, proporcionando uma futura invasão;
Em 14 de agosto de 1942, o general americano Dwight D. Eisenhower foi nomeado comandante em chefe de todas operações terrestres, aéreas e navais no continente africano e estabeleceu quartel-general em Gibraltar. O comandante naval da Força Expedicionária Aliada foi o Almirante Sir Andrew Browne Cunningham, Primeiro Visconde Cunningham de Hyndhope; o ajudante dele foi o vice-almirante Sir Bertram Ramsay, que tinha planos de invasão anfíbia.
A Operação Tocha dividia-se em três grupos:
Força Tarefa Ocidental, quase toda norte-americana constituída de 39 mil homens, escoltados por 3 encouraçados, 6 cruzadores e 5 porta-aviões, 40 contratorpedeiros e diversos outros navios. Desembarcou nas colônias francesas do Marrocos e da Argélia. O comando era do General Patton e do almirante Hewitt; Força Tarefa Central, com 39 mil homens de tropas americanas, embarcados na Inglaterra, de onde partiriam.
As forças navais compreenderiam um encouraçado, 3 porta-aviões, 1 cruzador, 6 corvetas e diversos navios auxiliares. O comando era do almirante Trobridge:
Força Tarefa Oriental, com 23 mil homens de tropas britânicas e 10 mil homens de tropas americanas, embarcados na Grã-Bretanha, Partiriam de Norfolk, Portland e Bermudas. Contava com três cruzadores, 2 porta-aviões, 3 navios antiaéreos, 1 monitor, 13 contratorpedeiros e 7 corvetas, além de outros navios auxiliares. O comando era do general Reyder e do almirante Burrough.
Contexto Os Aliados planejaram a invasão anglo-americana do norte da África — Marrocos, Argélia e Tunísia, territórios nominalmente nas mãos do governo colaboracionista francês ("França de Vichy") que tinha à frente o primeiro-ministro Philippe Pétain. Com grande parte do Norte da África sob controle dos Aliados, havia a possibilidade de um Movimento de pinça contra as forças do Eixo que combatiam naqueles territórios. A França de Vichy tinha por volta de 125 mil soldados espalhados pelos territórios bem como uma artilharia costeira, 210 tanques operacionais mas de tecnologia defasada e cerca de 500 aeronaves, metade das quais caças Dewoitine D.520 — equiparáveis aos caças britânicos e norte-americanos.Watson (2007), pg. 50 As tropas se dividiam em 60 mil combatentes no Marrocos, 15 mil na Tunísia, e 50 mil na Argélia."The Stamford Historical Society Presents: Operation Torch and the Invasion of North Africa" Estavam ainda em operação 10 navios de guerra e 11 submarinos no litoral de Casablanca.
Os aliados acreditavam que as forças da França de Vichy não iriam lutar, particularmente devido a informações do cônsul americano Robert Daniel Murphy que estivera em Argel. Os franceses tinham sido antigos aliados dos norte-americanos e as tropas foram instruídas a não atirarem exceto para responder ao fogo. Contudo, eles tinham suspeitas sobre a Marinha Francesa estar rancorosa contra os britânicos pela ação de 1940 em Mers-el-Kebir. Ganhar o apoio das forças francesas no Norte da África era essencial e planos foram feitos para garantir essa cooperação, apesar das resistências. O apoio alemão à França de Vichy veio através da força aérea. Muitos bombardeiros da Luftwaffe empreenderam ataques aéreos em portos aliados na Argélia e ao longo da costa norte-africana.
Planos dos Aliados
thumb|Um mapa dos comboios Aliados partindo das Ilhas Britânicas para o Norte da África Planejadores identificaram Orã e também Argel e Casablanca como alvos-chave. Idealmente haveria também o desembarque em Túnis para garantir a Tunísia e facilitar uma rápida interrupção do transporte de suprimentos que viajavam via Trípoli para os exércitos de Rommel na Líbia. Contudo, Túnis estava muito próxima de campos de pouso do Eixo na Sicília e na Sardenha e que impedia esperança de sucesso. Uma opção seria o desembarque em Bône (atual Annaba), cerca de 500 km de Túnis e Argel. Limitações nos recursos levaram a que os Aliados não pudessem fazer mais do que três desembarques e Eisenhower — que acreditava que qualquer plano devesse incluir desembarques em Orã e Argel — ficasse com duas opções principais: ir para o oeste, com desembarque em Casablanca, além de Orã e Argel e então fazer uma marcha tão rápida quanto possível até Tunis (cerca de 800 km a leste de Argel) após a oposição de Vichy ser anulada; ou ir para o leste, desembarcar em Orã, Argel e Bône e então avançar para Casablanca, a 800 km ao oeste de Orã. Ele preferia a ida para o leste pois havia a vantagem de capturar primeiro Túnis e também porque o Atlântico que banha Casablanca apresentava consideravelmente maiores riscos para o desembarque anfíbio do que os encontrados no Mediterrâneo.
Os Chefes do Estado-Maior combinado, contudo, preocupavam-se com o fato de que a Operação Tocha precipitasse o abandono da neutralidade da Espanha e sua adesão ao Eixo, e com isso o Estreito de Gibraltar fosse fechado e as linhas de comunicação Aliada, cortadas. Eles escolheram Casablanca por apresentar menor risco e que possibilitaria a que as forças na Argélia e Tunísia fossem abastecidas a partir daquela cidade (apesar de enorme dificuldade) no caso do fechamento do Estreito.Eisenhower, pgs. 88–89 Eisenhower, ao aceitar a opção avisou que a decisão tornaria remota a captura de Túnis pois com o maior tempo de desembarque, as forças do Eixo se moveriam para a Tunísia.Eisenhower, p. 90
Ação da Inteligência O Major Mieczysław Rygor Słowikowski é condecorado pelos serviços em prol da invasão Aliada no Norte da Áfica|200px|thumb|direita Em julho de 1941, Mieczysław Słowikowski (usando o codinome "Rygor" — "Rigor" em polonês) criou a "Agência África", uma das mais bem-sucedidas organizações de espionagem da Segunda Guerra Mundial.Tessa Stirling et al., Cooperação das Inteligências Polonesas e Britânicas na Segunda Guerra Mundial, vol. I: The Report of the Anglo-Polish Historical Committee, Londres, Vallentine Mitchell, 2005 Os aliados poloneses da organização incluíam ainda o Tenente-Coronel Gwido Langer e o Major Maksymilian Ciężki. As informações coletadas pela agência foram usadas pelos norte-americanos e britânicos no planejamento do desembarque anfíbio da Operação Tocha no Norte da África em novembro de 1942.. O major comandante Rygor Slowikowski, "In the secret service – The lightning of the Torch", The Windrush Press, Londres 1988, s. 285
Contatos preliminares com a França de Vichy Para avaliar os sentimentos das forças da França de Vichy, Murphy foi nomeado para o consulado norte-americano na Argélia. Sua missão sigilosa era determinar o estado de espírito das forças francesas e fazer contato com elementos que pudessem apoiar a invasão aliada. Ele foi bem-sucedido em contatar muitos oficiais franceses, incluindo o General Charles Mast, o comandante-em-chefe francês na Argélia.
Esses oficiais estavam dispostos a apoiar os Aliados, mas pediram por uma conferência clandestina com um general senior na Argélia. O Major General Mark W. Clark—um dos comandantes seniors de Eisenhower—foi despachado para Cherchell na Argélia a bordo do submarino britânico HMS Seraph P219 e se encontrou com aqueles oficiais em 21 de outubro de 1942.
Com a ajuda da Resistência, os Aliados foram bem-sucedidos em tirar o general francês Henri Giraud do país e levá-lo a bordo do HMS Seraph— e depois enviá-lo para um submarino norte-americano—com a intenção de oferecer-lhe o posto de comandante-em-chefe das forças francesas na África após a invasão. Contudo, Giraud ficaria subordinado ao chefe de todas as forças aliadas, Eisenhower. Quando ele recusou, decidiu permanecer como "espectador".
Batalha center|650px|Um mapa mostrando o desembarque na Operação Tocha
Os Aliados organizaram três forças-tarefas anfíbias para tomarem portos e campos de pouso no Marrocos e Argélia, simultaneamente, e escolheram como alvos Casablanca, Orã e Argel. Havendo sucesso nessas operações, seriam sucedidas por um avanço pelo leste até a Tunísia.