Marie-Joseph Paul Yves Roch Gilbert du Motier, Marquês de La Fayette (Chavaniac, – Paris, ), conhecido nos Estados Unidos simplesmente como La Fayette ou pelo apelido ou epíteto "O Herói dos Dois Mundos", foi um aristocrata e militar francês que lutou pelo lado revolucionário na Guerra da Independência dos Estados Unidos e também foi uma figura importante na Revolução Francesa e na Revolução de Julho.

Durante a Revolução Americana, Lafayette serviu como major-general no Exército Continental, comandado por George Washington. Ferido na Batalha de Brandywine, ainda assim conseguiu organizar uma retirada com sucesso. Serviu com distinção na Batalha de Rhode Island. A meio da guerra, regressou à França para negociar um aumento do apoio francês. No seu regresso, bloqueou o avanço de tropas lideradas por Charles Cornwallis no cerco de Yorktown, enquanto os exércitos de Washington e aqueles enviados pelo rei Luís XVI, sob o comando do general de Rochambeau, almirante de Grasse, e almirante de Latouche Tréville, se prepararam para a batalha contra os britânicos.

Em França, no ano de 1788, Lafayette foi chamado para a Assembleia dos Notáveis para tentar ajudar a resolver o problema da crise fiscal. Lafayette propôs uma reunião da Assembleia dos Estados Gerais, onde os representantes dos três níveis da sociedade francesa — clero, nobreza e povo — se encontraram. Foi vice-presidente da comissão organizadora da reunião e apresentou um esboço da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Lafayette foi nomeado comandante-em-chefe da Garde nationale em resposta à violência.

Apesar de fazer parte do Clube dos Trinta, durante a Revolução francesa à qual tinha aderido, tentou manter a ordem ao ponto de dar instruções à Garde nationale para disparar sobre os manifestantes no Champ de Mars, onde terão morrido cerca de 50 pessoas, em julho de 1791; por esta sua acção, acabou por ser perseguido pelos jacobinos. Em agosto de 1792, à medida que as facções radicais da Revolução viam o seu poder aumentado, Lafayette tentou fugir para os Estados Unidos através da República Holandesa. Foi capturado pelos austríacos e passou mais de cinco anos na prisão.

Lafayette regressou à França depois de Napoleão o tirar da prisão em 1797. Recusou participar no governo de Napoleão, mas foi eleito para a Câmara dos Deputados do governo dos Cem Dias, durante a Carta de 1815. Com a Restauração francesa, Lafayette tornou-se um membro liberal da Câmara dos Deputados em 1815, um cargo que manteve até a sua morte. Em 1824, o Presidente James Monroe convidou Lafayette para os Estados Unidos como "convidado da nação"; durante a viagem, visitou os 24 estados da união na época. Em honra do seu contributo para a Revolução Americana, muitas cidades e monumentos dos Estados Unidos têm o seu nome. Durante a Revolução de Julho de 1830, Lafayette recusou uma oferta para se tornar ditador; em vez disso, apoiou Luís Filipe como monarca constitucional. Lafayette morreu a 20 de maio de 1834, e encontra-se sepultado no Cemitério de Picpus, em Paris, debaixo de terra trazida da sepultura de George Washington, de Mount Vernon.

Antepassados

Lafayette nasceu em 6 de setembro de 1757, filho de Michel Louis Christophe Roch Gilbert Paulette du Motier, marquês de La Fayette, coronel de granadeiros, e de Marie Louise Jolie de La Rivière, no Castelo de Chavaniac, em Chavaniac, perto de Le Puy-en-Velay, no actual departamento de Haute-Loire.Clary, pp. 7, 8 O seu nome completo é raramente utilizado; o habitual é ser referido como marquês de La Fayette ou Lafayette. O biógrafo Louis R. Gottschalk afirma que o marquês referia o seu nome como Lafayette e LaFayette.

A linhagem de Lafayette aparenta ser uma das mais antigas em Auvergne. Os membros da sua família sempre estiveram ligados a situações de perigo.Officer, p. 171 Um familiar de Lafayette, o Marechal de França Gilbert de La Fayette III, era um companheiro-de-armas que liderou o exército de Joana d’Arc em Orléans. O seu bisavô era o conde de La Rivière, um antigo tenente-general dos Exércitos Reais. De acordo com a lenda, outro familiar terá adquirido a Coroa de espinhos durante a Sexta Cruzada.Gaines, p. 33 O tio de Lafayette, Jacques-Roch, morreu lutando contra os austríacos, e deixou o título de marquês ao pai de Lafayette.Clary, pp. 11–13

O pai de Lafayette, atingido por um projéctil de canhão na Batalha de Minden, na Westphalia, morreu no dia 1 de agosto de 1759.Gottschlk, pp. 3–5 Lafayette tornou-se Lorde de Chavaniac, mas a propriedade foi para a sua mãe.A mãe de Lafayette, e o seu avô materno, o marquês de La Rivière, morreram a 3 e 24 de abril de 1770, respectivamente, deixando a Lafayette um rendimento de livres. Depois da morte de um tio, o pequeno Lafayette, de 12 anos de idade, herdou um montante anual de livres. Lafayette cresceu com a sua avó materna, Mme de Chavaniac, que levou o seu castelo para a família no seu dote. Também parte dos membros da família, estavam as filhas de Mme de Chavaniac: Madeleine du Motier e Charlotte de Guérin, baronesa de Chavaniac.

Partida de França Lafayette junta-se à Guerra da Independência dos Estados Unidos

thumb|left|150px|Marquês de Lafayette, quando jovem, num uniforme de major-general do Exército Continental. Em 1775, Lafayette integrou os treinos anuais da sua unidade em Metz, onde conheceu Charles-François de Broglie, marquês de Ruffec, comandante do Exército do Leste. Quando soube da revolução, escreveu: "Meu coração se alistou e só pensei em juntar as cores".Adams, p. 12 Lafayette regressou a Paris, no Outono, e participou nas sociétés de pensée (sociedades de pensamento) que discutiam sobre o envolvimento francês na Revolução Americana. Nestas reuniões, um dos mais activos intervenientes, Abbé Guillaume Raynal, deu especial atenção aos "direitos do homem". Criticou a nobreza, o clero e a prática da escravatura. A monarquia proibiu Raynal de discursar, passando ele a expressar as suas ideias nas Lojas maçónicas das quais Lafayette era membro.Clary, p. 28

A 7 de dezembro de 1776, Lafayette conseguiu entrar ao serviço dos Americanos, como major-general, através de um agente em Paris.Holbrook, p. 15 Lafayette visitou o seu tio marquês de Noailles, embaixador na Grã-Bretanha. Durante um baile em casa de Lorde George Germain, conheceu Lorde Rawdon, Sir Henry Clinton na Ópera, e Lorde Shelburne num pequeno-almoço.Unger, p.24 Lafayette recusou encontrar-se com o rei George, e regressou após três semanas.Holbrook, pp. 15–16 Em 1777, o governo francês entregou um milhão de livres em abastecimentos aos militares americanos depois de o ministro Charles Gravier ter exercido pressão no sentido do envolvimento francês. De Broglie ficou intrigado com o seu antigo subordinado, o alemão Johann de Kalb, (que tinha efectuado um reconhecimento da América), por este ter enviado oficiais franceses para lutar ao lado dos americanos.Gottschalk, p.66-82 De Broglie foi ter com Gravier, sugerindo apoio aos revolucionários americanos. De Broglie apresentou Lafayette, que tinha sido colocado em lista de reserva, de de Kalb.Clary, p. 75

Partida para a América De regresso a Paris, Lafayette soube que o Congresso Continental não tinha dinheiro para a sua viagem; deste modo, resolveu comprar o navio La Victoire.Holbrook, pp. 19–20 O rei proibiu-o oficialmente de deixar a Grã-Bretanha depois de espiões britânicos terem descoberto o seu plano, e emitiram uma ordem para que Lafayette se juntasse ao seu regimento do seu sogro em Marselha;Holbrook, p. 17 caso desobedecesse a esta ordem, seria preso. O embaixador britânico deu ordem de arresto ao navio de Lafayette, que se encontrava ao largo de Bordéus, e Lafayette foi ameaçado de prisão.Gaines, p. 56Clary, p. 83 Viajou para Espanha para apoiara a causa americana. A 20 de abril de 1777, partiu para a América disfarçado de mulher, deixando a sua mulher grávida em França.Holbrook, pp. 13, 71 O capitão do navio pretendia efectuar uma paragem nas Índias Ocidentais para bender mercadorias; no entanto, Lafayette, com receio de ser preso, comprou a carga para evitar que o navio atracasse nas ilhas. Desembarcou na ilha Norte perto de Georgetown, no dia 13 de junho de 1777.Glathaar, p. 3

Revolução Americana

thumb|Washington e Lafayette em Valley Forge|264x264px Quando chegou, Lafayette encontrou-se com o major Benjamin Huger, com quem ficou durante duas semanas antes de partir para Filadélfia. O Congresso Continental atrasou a comissão de Lafayette, pois estavam fartos de "franceses em busca da glória ". No entanto, depois de Lafayette se ter oferecido sem qualquer tipo de pagamento, o Congresso atribuiu-lhe uma comissão como major-general a 31 de julho de 1777.Cloquet, p. 37 Como não lhe foi dada qualquer unidade, por pouco não regressou a casa.Grizzard, p. 174Martin, p. 195

Benjamin Franklin escreveu a George Washington recomendando a aceitação de Lafayette como seu aide-de-camp, esperando que França, assim, enviasse mais apoios.Holbrook, p. 20 Washington aceitou, e Lafayette encontrou-se com ele em Moland House, Condado de Bucks, no dia 10 de agosto de 1777. Quando lhe Washington transmitiu o seu embaraço relativamente ao estado do terreno e das suas tropas, Lafayette respondeu, "estou aqui para aprender, não para ensinar".Gaines, p. 70 Passou a integrar o estado-maior de Washington, embora houvesse alguma confusão em relação à sua posição. O Congresso via a sua comissão como honorária, enquanto ele se considerava um comandante em plenas funções, a quem seria atribuído o controlo de uma divisão quando Washington o achasse preparado. Para lhe passar esta informação, Washington disse a Lafayette que uma divisão não seria possível pois ele era um estrangeiro; no entanto, Washington disse-lhe que ficaria contente por o ter como "amigo e pai ".Clary, p. 100

Brandywine, Albany e Conway Cabal

thumb|Lafayette ferido na batalha de Brandywine|264x264px A primeira batalha em que Lafayette participou foi em Brandywine, a 11 de setembro de 1777.Holbrook, p. 23 Depois de os britânicos terem cercado os americanos, Washington enviou Lafayette para se juntar ao general John Sullivan. À chegada, Lafayette juntou-se à Terceira Brigada da Pensilvânia, comandada pelo brigadeiro Thomas Conway. No frente-a-frente com os britânicos e com os Hessianos, Lafayette foi atingido numa perna. Durante a retirada americana, Lafayette juntou as tropas, permitindo, assim, uma retirada mais organizada, antes de receber tratamento pelo seu ferimento.Gaines, p. 75 Depois da batalha, Washington registou o seu acto como "bravura e fervor militar " e recomendou-o para o comando de uma divisão numa carta enviada ao Congresso.

Lafayette regressou ao terreno em novembro depois de dois meses em recuperação na Igreja dos Irmãos Morávios, em Bethlehem, e recebeu o comando da divisão do major-general Adam Stephen.Grizzard, p. 175 Apoiou o general Nathanael Greene no reconhecimento das posições britânicas em New Jersey; com 300 soldados, derrotou uma força numericamente superior de hessian em Gloucester, a 24 de novembro de 1777.Cloquet, p. 203