Francisco (morto em ) foi a última pessoa executada por pena de morte no Brasil. Escravo negro, ele foi enforcado pelo assassinato de seus senhores. A execução de Francisco foi realizada em Pilar em 28 de abril de 1876. Foi a última execução realizada pelo Brasil.

O crime Em 1874, Francisco e dois outros escravos, Prudêncio e Vicente, foram presos por espancar até a morte seus senhores, João Evangelista de Lima e sua esposa Josepha Marta de Lima. O crime foi cometido em Pilar, Alagoas. Francisco e Prudêncio fugiram para Pesqueira ; em um confronto com a polícia, Prudêncio foi morto e Francisco foi capturado. Vicente havia fugido para Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul (local onde hoje está o município de Marechal Deodoro), onde foi capturado.

No julgamento de Francisco e Vicente, ambos foram considerados culpados pelos assassinatos. Francisco foi condenado à morte por enforcamento e Vicente foi condenado à prisão perpétua. Ambos apelaram ao imperador D. Pedro II por clemência; O apelo de Francisco foi negado e o imperador não respondeu ao de Vicente. Vicente morreu mais tarde na prisão.

A execução A condenação de Francisco foi embasada pela lei n.º 4, de 10 de junho de 1835, a qual era destinada aos crimes cometidos por pessoas escravizadas.

A execução de sua sentença ocorreu em 28 de abril de 1876. Durante o deslocamento de Francisco até o local onde ocorreria o enforcamento, o oficial lia sua sentença em voz alta, para que todos tomassem conhecimento. Francisco estava vestido com a roupa da prisão (calça e camisa simples), algemado e com o laço de enforcamento no pescoço. O carrasco, outro escravo igualmente algemado, o seguia de perto. Ao longo do deslocamento, Francisco pediu para parar na Igreja do Rosário, onde se ajoelhou e rezou em silêncio.

Por volta das 13h30, eles chegaram ao lugar onde tudo aconteceu: o mesmo terreno em que o capitão João Evangelista de Lima e a esposa foram assassinados. Bem em frente à estribaria onde ocorreu o crime, foi montada uma forca.

Antes de subir, ele falou calmamente: disse que ia morrer, mas que ninguém deveria se orgulhar disso. Admitiu ser um dos assassinos do capitão João de Lima, mas afirmou que a história não era bem como contavam. Pediu perdão a todos e disse que perdoava todo mundo também.

Ele subiu a escada seguido por um guarda, e logo depois veio o carrasco. Ao notar que o carrasco parecia hesitante, ele se virou e o incentivou com uma frieza impressionante: "Não tenha medo, toma coragem". Começou a rezar o Credo junto com um dos padres presentes. Nesse momento, o carrasco vendou seus olhos e o empurrou para o alçapão, num gesto simples.

Para acabar logo com seu sofrimento, o carrasco desceu pela corda, pisou nos ombros dele e forçou duas vezes. O corpo, embrulhado para o enterro, foi levado para o cemitério público da cidade.

Legado Desde 2001, uma reconstituição anual das últimas horas de Francisco ocorre em Pilar, sempre no dia 28 de abril. Em parte, a reconstituição visa a celebrar a abolição da pena de morte no Brasil.

Bibliografia Félix Lima Júnior, Última Execução Judicial no Brasil (Maceió: Edufal, 1979). Aliny Gama, "Encenação em Alagoas lembra os 135 anos da última execução por pena de morte no Brasil" , uol.com.br, 28 de abril de 2011. "Pilar e a última execução judicial do Brasil" , historiadealagoas.com.br, 2 de junho de 2015.

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