Pandemia de COVID-19, também conhecida como pandemia de coronavírus, é uma pandemia da doença por coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). O vírus foi identificado pela primeira vez a partir de um surto em Wuhan, China, em dezembro de 2019. As tentativas de contê-lo falharam, permitindo que o vírus se espalhasse para outras áreas da China e, posteriormente, para todo o mundo. Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (PHEIC) e, em 11 de março de 2020, como pandemia. A OMS declarou o fim da PHEIC no dia 5 de maio de 2023, apesar de ainda continuar a se referir a ela como uma pandemia. Até , conforme a OMS, casos foram confirmados em 233 países e territórios, com mortes atribuídas à doença, tornando-se a quinta mais mortal da história.

Os sintomas de COVID-19 são altamente variáveis, variando de nenhum a doenças com risco de morte, mas mais comumente incluem febre, tosse seca e fadiga. A doença num estado mais grave e severo é mais provável em pacientes idosos e naqueles com certas condições médicas subjacentes. A COVID-19 é transmitida quando as pessoas respiram ar contaminado por gotículas e pequenas partículas transportadas pelo ar que contêm o vírus. O risco de inalar isso é maior quando as pessoas estão próximas, mas podem ser inaladas a distâncias maiores, principalmente em ambientes fechados. A transmissão também pode ocorrer se os fluidos contaminados atingirem os olhos, nariz ou boca e, raramente, através de superfícies contaminadas. As pessoas infectadas normalmente permanecem contagiosas por 10 a 14 dias e podem espalhar o vírus mesmo que não desenvolvam sintomas. Mutações produziram muitas cepas (variantes) com graus variados de infectividade e virulência.

Várias vacinas contra a COVID-19 foram desenvolvidas e distribuídas ao redor do mundo desde dezembro de 2020. De acordo com um estudo de junho de 2022, as vacinas contra a COVID-19 evitaram 14,4 a 19,8 milhões de mortes adicionais em 185 países e territórios de 8 de dezembro de 2020 a 8 de dezembro de 2021. Outras medidas preventivas recomendadas incluem distanciamento social, uso de máscaras faciais em público, ventilação e filtragem de ar, lavagem das mãos, cobertura da boca ao espirrar ou tossir, desinfecção de superfícies e monitoramento e autoisolamento para pessoas expostas ou sintomáticas. Os tratamentos incluem drogas terapêuticas que inibem o vírus e o controle dos sintomas. Autoridades em todo o mundo responderam implementando restrições a viagens, confinamentos, controles dos locais de trabalho, quarentenas e fechamentos de instalações. Muitos lugares também trabalharam para aumentar a capacidade de testar e rastrear os contatos dos infectados.

A pandemia resultou em instabilidade social e econômica global significativa, incluindo a maior recessão global desde a Grande Depressão. Isso levou a uma escassez generalizada de suprimentos, que foi exacerbada pela corrida às compras, interrupção da agricultura e escassez de alimentos, além de diminuição das emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Muitas instituições educacionais e áreas públicas foram parcial ou totalmente fechadas, e muitos eventos foram cancelados ou adiados. A desinformação circulou nas redes sociais e nos meios de comunicação de massa. A pandemia levantou questões de discriminação racial e geográfica, igualdade na saúde e o equilíbrio entre os imperativos da saúde pública e os direitos individuais.

Etimologia Em epidemiologia, uma pandemia é definida como "uma epidemia que ocorre em uma área muito ampla, cruzando fronteiras internacionais e geralmente afetando um grande número de pessoas". Durante a pandemia de COVID-19, assim como em outras pandemias, o significado deste termo foi desafiado.

A pandemia de COVID-19 é conhecida por vários nomes. Às vezes, é referida na mídia como a "pandemia de coronavírus"Múltiplas fontes:

apesar da existência de outros coronavírus humanos que causaram epidemias e surtos (por exemplo, SARS).

Durante o surto inicial em Wuhan, o vírus e a doença eram comumente chamados de "coronavírus", "coronavírus de Wuhan",Múltiplas fontes:

"surto de coronavírus" e "surto de coronavírus de Wuhan", com a doença sendo às vezes chamada de "pneumonia de Wuhan". Em janeiro de 2020, a OMS recomendou "2019-nCoV" e "doença respiratória aguda 2019-nCoV" como nomes provisórios para o vírus e a doença, respectivamente, de acordo com as diretrizes internacionais de 2015 contra o uso de localizações geográficas (por exemplo, Wuhan, China), espécies de animais ou grupos de pessoas com nomes de doenças e vírus, em parte para evitar o estigma social.Múltiplas fontes:

A OMS oficializou os nomes "SARS-CoV-2" (vírus) e "COVID-19" (doença) em 11 de fevereiro de 2020. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, explicou: CO para corona, VI para vírus, D para doença e 19 para quando o surto foi identificado pela primeira vez (31 de dezembro de 2019). A OMS também usa "o vírus da COVID-19" e "o vírus responsável pela COVID-19" em comunicações públicas.

A OMS nomeia as variantes do vírus usando letras gregas. A prática inicial de nomeá-las de acordo com onde as variantes foram identificadas (por exemplo, Delta começou como a "variante indiana") não é mais comum. Um esquema de nomenclatura mais sistemático reflete a linhagem pangolin da variante (por exemplo, a linhagem da Ómicron é B.1.1.529) e é usado para outras variantes.

Epidemiologia

Antecedentes O SARS-CoV-2 é um vírus recentemente descoberto que está intimamente relacionado aos vírus transmitidos por morcegos, pangolins, e pelo SARS-CoV. O primeiro surto conhecido começou em Wuhan, Hubei, China, em novembro de 2019. Muitos dos primeiros casos estavam ligados a pessoas que haviam visitado o Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, mas é possível que a transmissão entre humanos tenha começado mais cedo.

O consenso científico é que o vírus é muito provavelmente de origem zoonótica, de morcegos ou de outro mamífero intimamente relacionado.Múltiplas fontes:

Apesar disso, o assunto gerou extensa especulação sobre origens alternativas. A controvérsia da origem aumentou as divisões geopolíticas, notadamente entre os Estados Unidos e a China.Múltiplas fontes:

A primeira pessoa infectada conhecida adoeceu em 1 de dezembro de 2019. Esse indivíduo não tinha conexão com o posterior aglomerado de pessoas do mercado de frutos do mar que foram infetadas. No entanto, um caso anterior pode ter ocorrido em 17 de novembro. Dois terços do aglomerado inicial de casos estavam vinculados ao mercado. A análise do relógio molecular sugere que o paciente zero provavelmente foi infectado entre meados de outubro e meados de novembro de 2019.

Surto inicial

Os primeiros casos suspeitos foram notificados em 31 de dezembro de 2019, com os primeiros sintomas aparecendo algumas semanas antes, em 17 de novembro e 1 de dezembro de 2019. O mercado foi fechado em 1 de janeiro de 2020 e as pessoas com os sintomas foram isoladas. Mais de 700 pessoas, incluindo mais de 400 profissionais de saúde, que entraram em contato próximo com casos suspeitos, foram posteriormente monitoradas. Com o desenvolvimento de um teste de PCR de diagnóstico específico para detectar a infecção, a presença de COVID-19 foi então confirmada em 41 pessoas em Wuhan, das quais duas foram posteriormente relatadas como sendo um casal, um dos quais não tinha estado no mercado e outros três membros da mesma família que trabalhavam nas bancas de produtos do mar do mesmo mercado.

A primeira morte decorrente da epidemia ocorreu em 9 de janeiro de 2020. O primeiro caso confirmado fora da China foi na Tailândia, em 13 de janeiro de 2020. A Comissão Nacional de Saúde da China confirmou, em 20 de janeiro de 2020, que o novo coronavírus poderia ser transmitido entre seres humanos. Na altura, vários profissionais de saúde também foram infectados. A OMS alertou que era possível um surto mais amplo. Houve também preocupações de se espalhar mais durante a alta temporada de viagens da China devido ao Ano-Novo Chinês.

Em 20 de janeiro, a China registrou um aumento acentuado nos casos com quase 140 novos pacientes, incluindo duas pessoas em Pequim e uma em Shenzhen. Em 23 de janeiro de 2020, Wuhan foi colocada em quarentena, no qual todo o transporte público dentro e fora de Wuhan foi suspenso. As cidades de Huanggang e Ezhou, adjacentes a Wuhan, também foram colocadas em quarentena semelhante em 24 de janeiro de 2020. Nesse mesmo dia, o primeiro caso do novo coronavírus foi confirmado na Europa, mais precisamente em França.

Em 13 de fevereiro de 2020, após dois casos confirmados em um condomínio, as autoridades investigaram a transmissão entre pacientes sem qualquer tipo de relação. A suspeita era de que o vírus tinha se espalhado pela canalização de um edifício. Um prédio de 35 andares foi evacuado e mais de cem pessoas não puderam voltar para casa após a confirmação de que dois moradores estavam com o vírus: uma mulher de 62 anos, que morava no 3.º andar, e um vizinho não identificado do 13.º andar.

No mesmo dia, Robert Redfield, diretor do Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), disse à CNN que a transmissão assintomática do novo coronavírus era possível. Redfield disse que uma pessoa infectada que não apresentasse sintomas ainda assim poderia transmitir o vírus a outra pessoa.

Expansão global

A partir de meados de janeiro de 2020, ocorreram os primeiros casos confirmados fora da China continental. O primeiro caso confirmado fora da China foi na Tailândia, em 13 de janeiro. Após isso, casos da doença foram confirmados no Japão (16 de janeiro); Coreia do Sul (20 de janeiro); Taiwan e Estados Unidos (21 de janeiro); Hong Kong e Macau (22 de janeiro); Singapura (23 de janeiro); França, Nepal e Vietnã (24 de janeiro); Malásia e Austrália (25 de janeiro); Canadá (26 de janeiro); Camboja (27 de janeiro); Alemanha (28 de janeiro); Finlândia, Emirados Árabes Unidos e Sri Lanka (29 de janeiro); Itália, Índia e Filipinas (30 de janeiro); Reino Unido (31 de janeiro).

Em 15 de fevereiro de 2020, foi confirmado o primeiro caso do novo coronavírus de uma norte-americana de 83 anos envolvendo o navio de cruzeiro Westerdam, que tinha um total de passageiros e 802 tripulantes a bordo e não estava em quarentena. Vários países asiáticos recusaram-se a deixar o Westerdam atracar em seus portos antes de serem autorizados a desembarcar no Camboja no dia 14 de fevereiro. No dia 26 de fevereiro, uma mulher japonesa tinha sido infectada com o vírus pela segunda vez. A mulher, que na época tinha por volta de 40 anos, tinha feito o teste pela segunda vez após ter dor de garganta e no peito. Na primeira vez havia sido infectada no fim de janeiro, ficou internada e recebeu alta do hospital em 1 de fevereiro. Embora esse tenha sido o primeiro caso conhecido no Japão de dupla infecção, infecções reincidentes foram anteriormente relatadas na China.

Em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou oficialmente o surto como uma pandemia. No dia 18 de março de 2020, dado a situação alarmante que a pandemia tinha chegado, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump em entrevista, anunciou que iria invocar a lei de guerra e comparou esforços à Segunda Guerra Mundial, fazendo uma analogia ao cenário da Segunda Guerra.

No dia 10 de abril, a pandemia atingiu mais de cem mil mortes no mundo, com o número total de casos ultrapassando 1,6 milhão, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. No dia 15 de abril, o número de infectados pela doença ultrapassou os dois milhões; no entanto, esse número apenas revelava uma parte do total de contágios, uma vez que as políticas de detecção variavam entre os países, sendo que alguns contavam apenas os pacientes hospitalizados. Em 28 de setembro, o mundo ultrapassou a marca de 1 milhão de mortos por COVID-19.