As enchentes e deslizamentos no Sudeste do Brasil em 2020 começaram em 17 de janeiro de 2020 como resultado de fortes chuvas, causando grandes danos em municípios do estado do Espírito Santo. Nos dias seguintes, desastres da mesma natureza ocorreram nos estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
Segundo a Defesa Civil do Espírito Santo, até 30 de janeiro, havia dez mortos, dez feridos, 2.030 desabrigados e 12.735 desalojados por conta das chuvas. O governo estadual decretou e o governo federal reconheceu estado de calamidade pública nos municípios de Alfredo Chaves, Iconha, Rio Novo do Sul e Vargem Alta. Posteriormente, o governo estadual decretou estado de calamidade pública para Iúna e Conceição do Castelo, bem como situação de emergência em outros dezesseis municípios.
A Defesa Civil de Minas Gerais confirmou que até o dia 3 de fevereiro, o estado tinha 58 pessoas mortas, 65 feridas, 8.259 desabrigadas e 44.929 desalojadas. O governo estadual decretou situação de emergência para 196 municípios.
No Rio de Janeiro, até 3 de fevereiro, havia 13 mil desalojados ou desabrigados. Três pessoas foram mortas pelas enchentes.
Em fevereiro chuvas intensas foram registradas nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, incluindo as capitais. Entre os dias 9 e 11 de fevereiro cinco pessoas morreram no estado de São Paulo. Na mesma semana as chuvas atingiram quase todo o estado de Minas Gerais, sendo o sul e a Zona da Mata as áreas mais afetadas por estragos.
As chuvas voltaram a castigar a região no fim de fevereiro e início de março. Entre 27 de 28 de fevereiro, Belo Horizonte teve prejuízos materiais resultantes de chuvas. No estado do Rio de Janeiro, o Corpo de Bombeiros havia atendido mais de 800 chamados relacionados a chuvas entre 29 de fevereiro e 2 de março. Até 2 de março, havia quatro mortos e cerca de cinco mil pessoas desabrigadas ou desalojadas. No Espírito Santo, a chuva voltou com força em 1º de março, deixando dois feridos, 145 desalojados e 322 desabrigados. Entre 2 e 3 de março, a chuva no estado de São Paulo deixou dez mortos (sete em Guarujá, duas em São Vicente e uma em Santos), dois desaparecidos e dois feridos.
Consequências Espírito Santo Segundo a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Espírito Santo, até 30 de janeiro mais de vinte municípios tinham pessoas fora de suas casas. Os mais afetados eram Iconha, com quatro mortos, cinco desabrigados e 2.075 desalojados; Alfredo Chaves, com três mortos, dois feridos e 1.984 desalojados; Iúna, com um morto, oito feridos, 45 desabrigados e 173 desalojados; Conceição do Castelo, com um morto, 30 desabrigados e 180 desalojados; Vargem Alta, com 74 desabrigados e 1.051 desalojados; Cachoeiro de Itapemirim, com um desaparecido, 247 desabrigados e 927 desalojados; e Castelo, com 216 desabrigados e 3.610 desalojados. O município de Alegre chegou a ter 250 desabrigados e 2.300 desalojados. Dezenas de rodovias tiveram interdição total ou parcial.
O governo federal reconheceu em 21 de janeiro estado de calamidade pública decretado pelo governo estadual para os municípios de Alfredo Chaves, Iconha, Rio Novo do Sul e Vargem Alta. No dia 27, o governo estadual decretou estado de calamidade pública para Iúna e Conceição do Castelo e situação de emergência em dezesseis municípios: Alegre, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Guaçuí, Ibitirama, Irupi, Jerônimo Monteiro, Mimoso do Sul, Muniz Freire, São José do Calçado, Domingos Martins e Marechal Floriano.
As chuvas que atingiram o Espírito Santo causou um prejuízo estimado em mais de 88 milhões de reais na agropecuária. Entre as principais atividades afetadas estão a cafeicultura, a fruticultura e a horticultura.
A chuva voltou com força em 1º de março, deixando dois feridos, 145 desalojados e 322 desabrigados, sendo dois feridos e dois desalojados em Iconha, 77 desabrigados em Viana, 48 desabrigados e 24 desalojados em Pancas, 20 desabrigados em Marechal Floriano, 250 desalojados em Alfredo Chaves, oito desalojados em São Domingos do Norte e quatro desalojados em Apiacá, Fundão e Guarapari. Um homem morreu arrastado pela água da chuva em Cariacica naquela data.
Sul e Região Serrana miniaturadaimagem|Enchente de 2020 em Iconha. Imagem: TV BrasilGov Em Iconha, quatro pessoas morreram, das quais uma morreu em Campinho num desabamento, uma em Ilha do Coco e uma no contorno da rodovia BR-101. Duas edificações desabaram próximo ao rio no Centro e outras duas foram interditadas pela Defesa Civil Estadual. Veículos e árvores foram arrastados, construções desabaram e o Centro da cidade foi inundado pelas águas. A cidade ficou desprovida de unidades de saúde, farmácias e comércio. Na Ponte Monte Belo, apenas veículo com até doze toneladas tinham passagem permitida. Objetos foram arrastados pelo rio Novo desde Iconha, chegando no dia 18, sábado, até perto da foz no Centro de Piúma e, ainda no fim de semana, à praia. As comunidades de Pedra Lisa Alta e Beira-Rio ficaram sem acesso. Os desabrigados receberam abrigo na Igreja Católica Matriz e na Igreja Católica de Bom Destino.
Em Alfredo Chaves, três pessoas morreram, sendo uma num movimento de massa que atingiu uma residência em Recreio. Uma residência foi soterrada em Cachoeirinha, onde uma via ficou interditada. 40 pontes foram danificadas ou destruídas, sendo que a ponte de Canela (que liga a cidade à rodovia BR-101) foi interditada para veículos pesados. Ficaram isoladas as localidades de Boa Vista, Recreio, São João, São Vicente, São Joaquim, Piemonte, Ipê-Açu, Santa Luzia do Ipê, Vila Nova de Maravilha, São Brás, Alto Maravilha, Três Cruzes, Quarto Território, Santa Luzia e São Gabriel. Barreiras caíram e houve pontos de alagamento. Um asilo de idosos ficou isolado; de lá, doze idosos e duas cuidadoras foram resgatados por uma aeronave.
Vargem Alta teve alagamentos e deslizamentos de terra. Localidades ficaram sem água potável, energia elétrica ou comunicação e quinze pontes foram danificadas ou destruídas. As localidades de Córrego Alto, Morro do Sal, Córrego do Ouro, São Carlos, Alto Boa Vista e Ipê ficaram isoladas e as localidades de Jacutinga, Ardisson, Capivara e Pedra Branca ficaram com acesso dificultado. A energia elétrica ficou com fornecimento parcial nas comunidades de Guiomar, Morro do Sal, Jaciguá e Córrego do Ouro. Em Morro do Sal, mais de vinte casas desabaram. Os desabrigados ficaram na Escola Estadual Presidente Luebke e na Escola Municipal Pedra Branca.
Em Anchieta, houve uma casa destelhada e o rompimento do dique de Limeira, entre os distritos de Limeira e Jabaquara que deixou 92 pessoas desalojadas. Os desabrigados foram alocados no Centro de Convenções de Limeira. Em Rio Novo do Sul, houve alagamentos no interior do município e danos em lavouras. Ficaram afetados a escola e o posto de saúde de Cachoeirinha. Foram danificadas pontes em Princesa, Virgínia Nova, Frade, Pau d'Alho e Capim Angola e estradas em Princesa, Cachoeirinha e Virgínia Velha. Os desabrigados foram encaminhados para o aluguel social. Houve movimentos de massa em Venda Nova do Imigrante. No município de Marechal Floriano, até o dia 20, ma estrada ficou interditada e, no dia 25, o abastecimento de água ficou prejudicado.
Em Castelo, com as chuvas de 17 de janeiro, estradas ficaram interditadas, afetando o acesso às localidades de Córrego da Prata (onde uma ponte caiu), Pedregulho, São Cristóvão, Apeninos, Monte Pio, Fazenda da Prata e Ipê, e, na localidade de Ubá, três casas sem moradores foram condenadas pela Defesa Civil, um veículo foi arrastado pela lama, faltou energia elétrica e acessos ficaram interditados, deixando quinze famílias isoladas. Entre 24 e 25 de janeiro, o rio que corta a cidade subiu oito metros, alagando casas e o comércio do Centro da cidade, deixando ilhadas cerca de 150 famílias e obstruindo todos os acessos terrestres à cidade. O abastecimento de água a partir do rio Caxixe foi interrompido e ponte que liga Castelo à cidade de Guaçuí desabou. Uma igreja e uma escola na comunidade de Morro Vênus foram alagadas.
Na noite de 23 de janeiro, houve transbordamento de rios em São José do Calçado e Bom Jesus do Norte, com queda de barranco na estrada que liga as duas cidades e alagamento de ruas e casas, quarenta apenas em Bom Jesus do Norte. Neste município, pessoas ficaram ilhadas, o rio Itabapoana subiu 4,2 metros, deixando famílias desabrigadas e desalojadas. A prefeitura decretou estado de emergência no dia 24.
No dia 24, o rio Norte no município de Ibitirama subiu 6,8 metros, inundando casas, pastos e plantações; uma família foi abrigada numa escola. No município de Jerônimo Monteiro, ficou interditada a ponte sobre o rio Norte que leva às comunidades de Oriente e Santa Joana e o nível do rio Itapemirim subiu, causando alagamentos. Em Irupi, uma represa particular se rompeu no distrito de Santa Cruz de Irupi, provocando um alagamento que atingiu casas e deixou oito desalojados, e houve queda de barreiras e alagamentos que deixaram casas em risco de desabar. Uma pessoa ficou soterrada em um dos deslizamentos. Houve alagamentos também em Mimoso do Sul, Guaçuí e Apiacá. Em Apiacá, no distrito de José Carlos, uma inundação obrigou 30 famílias a deixarem suas casas. Os desabrigados foram alocados numa escola municipal e no salão paroquial de uma igreja.
thumb|right|Municípios afetados pelas chuvas no Espírito Santo até 30 de janeiro de 2020. No município de Iúna, no dia 25, uma criança morreu soterrada no Córrego Santa Clara e duas casas desabaram, deixando um homem com fratura num braço. A cidade foi alagada pelo rio Pardo e estradas no interior do município ficaram interditadas. Os lugares mais afetados foram o Centro, o bairro de Niterói e as localidades de Santa Clara do Urbano e Nossa Senhora das Graças. Um carro ficou soterrado com vítimas dentro,que foram resgatadas. Os desabrigados foram alocados numa igreja em Perdição e na Escola Hagen Abikair.
Uma criança morreu por conta de deslizamento sobre uma residência no município de Conceição do Castelo. Duas pessoas soterradas foram resgatadas com vida, uma no município de Muniz Freire e outra em Ibatiba. Em Muniz Freire, cerca de 300 precisaram deixar suas casas pelo risco de alagamentos e deslizamentos. As localidades mais atingidas foram São Pedro e Cachoeirinha, onde um barranco deslizou e derrubou a casa de mulher, que sofreu uma fratura e não pode ser socorrida pela dificuldade de acesso por terra e ar.
No dia 25, no município de Alegre, laboratórios e salas de aula do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) foram alagados. No interior do município, no rio Itapemirim, a barragem da Central Hidrelétrica São Simão, em São João do Norte, transbordou e a barragem da Usina Hidrelétrica de Francisco Gross teve as comportas abertas, obrigando os ribeirinhos a deixarem suas casas para serem abrigados na quadra de um colégio. Famílias ficaram ilhadas no distrito de Rive, onde também houve falta de energia elétrica.
Em Cachoeiro de Itapemirim, uma jovem com transtornos mentais foi arrastada pela água após ser resgatada de área de risco por três vezes e sempre voltar para o mesmo ponto de ônibus. A Defesa Civil municipal e o Corpo de Bombeiros chegaram a anunciar a morte da jovem, mas, segundo o próprio Corpo de Bombeiros, até o dia 28 ela era considerada desaparecida. Por conta das chuvas em outros municípios, o rio Itapemirim transbordou ao subir seis metros, interditando várias pontes. Houve alagamentos no Centro e nos bairros Independência, Coronel Borges e Arariguaba, nos distritos de Conduru e Pacotuba e na localidade de Monte Líbano, e houve deslizamentos na localidade de Poço Dantas. Moradores precisaram ser resgatados em Contudu, Pacotuba e Coutinho. O abastecimento de água ficou comprometido.