Lindomar Rocha Mota (Arataca, 20 de novembro de 1971) é um bispo católico brasileiro. É o quarto bispo diocesano de São Luís de Montes Belos.

Formação direita|thumb|Dom Lindomar Rocha Mota em Roma Rocha Mota nasceu em 20 de novembro de 1971, em Arataca. Estudou Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte, e Teologia no Ateneu Regina Apostolorum, em Roma. Em seguida, obteve o Mestrado em Espiritualidade pelo Pontifício Instituto Teresianum e o Mestrado e Doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Possui também um Pós-Doutorado em Democracia e Direitos Humanos pela Universidade de Coimbra, em Portugal.

Sacerdócio Em 26 de julho de 1998 foi ordenado sacerdote pela Arquidiocese de Diamantina, onde exerceu os seguintes cargos: Reitor do Seminário Menor (2000-2003); Chanceler da Cúria Metropolitana (2001); Vigário Paroquial da Catedral (2002-2003); Reitor do Seminário Maior (2003-2008); Diretor do Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese (2006-2010); Diretor Espiritual do Seminário Maior (2008-2010); Pároco de São José em São José da Lagoa (2008-2013); Vigário Forâneo da Forania de Curvelo (2015-2018); Vigário Paroquial de São Judas Tadeu em Curvelo (2015-2017). Além disso, foi Assessor da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e entre 2004-2020 foi Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Até sua nomeação, era Pároco de Santo Antônio em Curvelo (desde 2018), Diretor da Faculdade Arquidiocesana de Curvelo (desde 2012) e Professor do Seminário Maior de Diamantina e da Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte.

Episcopado

Foi nomeado bispo para a Diocese de São Luís de Montes Belos, em 22 de janeiro de 2020. Recebeu a ordenação episcopal na Basílica de São Geraldo em Curvelo, no dia 14 de março de 2020, sendo o ordenante principal Dom Darci José Nicioli, C.Ss.R., Arcebispo de Diamantina; os principais co-consagradores eram Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte, e Dom José Francisco Rezende Dias, Arcebispo de Niterói.

Tomou posse daquela diocese dia 16 de maio daquele mesmo ano.

No Regional Centro Oeste, Dom Lindomar foi o bispo referencial para os seminários e Diáconos permanentes. Atualmente é o Referencial para a comunicação. Na CNBB, é um dos bispos responsáveis por acompanhar o Colégio Pio Brasileiro em Roma.

Teologia

Na produção teológica de Lindomar Rocha Mota, destacam-se a relação entre fé e razão, os limites da linguagem sobre Deus, a teologia apofática, a graça, a liberdade e o discipulado cristão.

Teologia apofática

Em Deus sem ser: a mística como possibilidade teológica, publicado em 2012 na revista Horizonte, Mota desenvolve uma reflexão sobre a teologia negativa a partir da possibilidade de falar de Deus sem reduzi-lo às categorias do ser. O artigo apresenta a distinção entre teologia positiva e negativa como via para pensar a transcendência divina, atribuindo à busca, ao amor, à mística e à contemplação um lugar próprio no discurso teológico.

Nesse estudo, Mota situa sua reflexão no horizonte da tradição apofática associada principalmente a Pseudo-Dionísio, retomando também Mestre Eckhart e Nicolau de Cusa. Ao tratar da impossibilidade de um conhecimento positivo capaz de esgotar o mistério divino, o artigo relaciona Pseudo-Dionísio e Eckhart à renúncia às determinações conceituais e recorre a Nicolau de Cusa, especialmente à noção de non aliud, para discutir uma forma de conhecimento de Deus que ultrapassa as representações próprias da teologia catafática.

A centralidade de Pseudo-Dionísio foi retomada em A niilidade e o anonimato de Deus: o apofatismo do místico Pseudo-Dionísio, o Areopagita, escrito com Werbert Cirilo Gonçalves. Os autores distinguem o apofatismo referente à impossibilidade racional de conhecer a essência divina de uma forma de apofatismo existencial e místico, segundo a qual Deus não pode ser esgotado em formulações noéticas. O estudo interpreta a teologia dionisiana como renúncia à objetivação conceitual de Deus e utiliza, nesse contexto, as expressões "Nada de tudo o que é" e "Nome sem nome".

Mota coloca essa tradição em diálogo com Martin Heidegger, especialmente por meio da crítica à constituição onto-teológica da metafísica. Em Deus sem ser, aproxima a crítica heideggeriana à submissão de Deus e do ser aos esquemas racionais da preocupação apofática com a transcendência divina. O próprio artigo, porém, ressalva que Heidegger não é apresentado como místico; a aproximação é proposta no plano filosófico, como possibilidade de contato entre a crítica da onto-teologia e a tradição apofática.

Fé, razão e antropologia

Em Teologia, Ciência e Hermenêutica, publicado em 2011 na revista Atualidade Teológica, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Mota investiga a relação entre ciência e teologia por meio da hermenêutica contemporânea, defendendo a ampliação do horizonte do discurso teológico mediante a consideração da experiência e de elementos existenciais.

A relação entre religião, conhecimento, liberdade e esperança aparece também em seus estudos sobre Immanuel Kant. Em Crer e saber no criticismo de Kant, escrito com José Ivan Lopes e publicado em 2019, os autores examinam a relação entre crença e conhecimento no criticismo kantiano, considerando especialmente religião, moralidade, liberdade e esperança e a possibilidade de abertura ao transcendente dentro dos limites da filosofia crítica.

Nos textos pastorais publicados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Mota desenvolve com maior frequência temas cristológicos e antropológicos. Em A religião da humanidade, de 2021, utiliza a expressão latina capax Dei ao refletir sobre a Encarnação e sobre a capacidade humana de acolher a presença de Deus. Em Graça e discipulado, de 2023, relaciona a graça à transformação da existência cristã e ao compromisso do discípulo, recorrendo à crítica de Dietrich Bonhoeffer à chamada "graça barata".

A dimensão pastoral dessa reflexão está presente também em A simplicidade do Evangelho, publicado pelas Edições CNBB em 2024. A obra reúne reflexões sobre passagens e parábolas do Novo Testamento, com ênfase no seguimento de Jesus, na liberdade cristã e na centralidade do amor na vida evangélica.

Teologia da graça

Em 2026, Mota publicou em formato digital Teologia da Graça: o caminho humano entre o natural e o sobrenatural, obra na qual sistematiza a relação entre natureza e graça, liberdade humana e ação divina e o destino sobrenatural da humanidade. O estudo dialoga com a tradição escolástica e com teólogos contemporâneos, entre eles Henri de Lubac, Karl Rahner e Luis Ladaria Ferrer. Na obra, a graça é apresentada como dom gratuito de Deus e, simultaneamente, como vocação dirigida a uma criatura que permanece livre.

Na segunda parte de Teologia da Graça, Mota relaciona o problema do sobrenatural à cristologia e à eclesiologia. Cristo é apresentado como Mediador pleno entre Deus e a humanidade; a Igreja, como comunidade que participa dessa mediação por meio da comunhão, da intercessão e da esperança. A mariologia é inserida no mesmo quadro: Maria é apresentada como figura da Igreja e como exemplo da relação entre graça e liberdade, em dependência da mediação única de Cristo. A esperança cristã é compreendida como dimensão escatológica que orienta a existência presente e o destino sobrenatural da humanidade.

As publicações de Mota reúnem, assim, temas como os limites da linguagem sobre Deus, a tradição apofática, a relação entre fé e razão, liberdade e graça, Encarnação, discipulado, mediação e esperança. Em sua produção apofática, Pseudo-Dionísio ocupa posição central, com referências também a Eckhart e Nicolau de Cusa e interlocução filosófica com a crítica heideggeriana da onto-teologia; em Teologia da Graça, parte desses problemas é retomada em uma reflexão sistemática sobre a vocação sobrenatural da humanidade e sua realização em Cristo.

Filosofia Lindomar Rocha Mota parte da convicção de que o conhecimento humano é sempre mediado: não acessamos o real “em bruto”, mas por meio de estruturas do pensamento. Nesse ponto, ele ecoa Kant, com a ideia de categorias que moldam a experiência, também Aristóteles, para quem conhecer implica ordenar, distinguir, classificar, isto é, dar forma inteligível ao que se apresenta. Assim, a razão não é um espelho neutro, mas uma atividade que configura a compreensão do mundo. Lindomar Rocha Mota é, intelectualmente, um filósofo de formação kantiana que progressivamente se deslocou da epistemologia para a religião, da religião para a ética e a filosofia política e, finalmente, dessas áreas para uma síntese pastoral marcada pelo Evangelho. O fio condutor do pensamento de Lindomar Rocha Mota parece ser o problema do limite. Em Kant, é o limite do conhecimento. Na teologia apofática, é o limite da linguagem diante de Deus. Na democracia, é o limite que a liberdade encontra na liberdade e nos direitos do outro. No direito, é o limite imposto ao poder. Na comunicação digital, é o limite entre possibilidade de expressão e responsabilidade.

Primeira fase — aproximadamente 2000–2010: formação filosófica e aprofundamento de Kant, metafísica, teoria do conhecimento, religião e história.

Segunda fase — aproximadamente 2010–2020: ampliação para mística, teologia negativa, direito, justiça, democracia, idealismo alemão e filosofia política.

Terceira fase — desde 2020: síntese pastoral. O instrumental filosófico permanece, mas está sendo convertido em ensaio, interpretação bíblica e intervenção no debate público. Essa terceira fase parece estar se intensificando entre 2024 e 2026. Os numerosos artigos publicados já permitem falar de um corpus ensaístico próprio, e não apenas de homilias ocasionais (CNBB).

No Evangelho, finalmente, surge algo diferente: Cristo atravessa limites criados pelos próprios homens quando esses limites impedem misericórdia, liberdade, perdão e acesso a Deus. A sua produção não é fragmentária quanto uma bibliografia que passa por Kant, Hegel, Pseudo-Dionísio, Rawls, democracia, direito e Evangelho poderia, sugerir. Há uma pergunta contínua nos escritos que pode ser formulada assim: o que acontece quando uma estrutura — intelectual, religiosa, jurídica ou política — deixa de servir à verdade e passa a aprisioná-la?' E, é aí que o filósofo e o pastor coincidem novamente.

Pensamento Político No campo político, ele se situa no horizonte do liberalismo das liberdades, em continuidade com Locke, Rousseau, Kant e Rawls. A liberdade aparece como bem maior, não como slogan, mas como princípio estruturante da vida pública. A justiça, nesse quadro, é pensada como equidade: não basta declarar direitos; é preciso corrigir desigualdades de base para que as liberdades sejam realmente exercíveis por todos. O foco é uma ordem social que proteja a pessoa e, ao mesmo tempo, torne viável a participação justa.

Em A tolerância como a primeira virtude da democracia (2018; segunda edição corrigida em 2026) e Justiça e equidade: princípios de um Estado bem-ordenado (2023), Lindomar Rocha Mota desenvolve uma reflexão sobre a convivência em sociedades plurais, a liberdade política e a distribuição equitativa das oportunidades. O autor situa sua argumentação na tradição do liberalismo político e dialoga especialmente com John Locke, Immanuel Kant e John Rawls.

Liberdade e tolerância

No livro sobre a tolerância, Mota parte do problema de como cidadãos com convicções religiosas, filosóficas e políticas divergentes podem manter uma sociedade livre e cooperativa. Defende a liberdade de consciência e o direito à discordância razoável, delimitando o poder de coerção do Estado sobre as escolhas individuais. Em sua formulação, a tolerância é uma virtude necessária à convivência democrática: ela permite a persistência das diferenças sem exigir concordância sobre todas as concepções de vida.