Helena Tâmega Cidade Moura GOL (Bonfim, Porto, – ) foi uma deputada à Assembleia da República nas I, II e III legislaturas, pedagoga, investigadora, poetisa, activista e membro destacado da luta anti-fascista, tendo sido uma das principais dirigentes do Movimento Democrático Português / Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE), pelo qual foi eleita deputada.

Vida e obra Filha de Hernâni Cidade e Aida Feio de Oliveira Tâmega (Bonfim, Porto, c. 1890).

A 1 de julho de 1945, casou no Santuário de Fátima com Domingos Cruz Pereira de Moura (São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 14 de novembro de 1922 – Lisboa, 29 de outubro de 2005), então estudante de engenharia e mais tarde professor catedrático do Instituto Superior Técnico, filho de Diamantino Pereira de Moura, natural da Póvoa de Varzim, e de Maria Lúcia Feio Cruz Pereira de Moura, natural de Ribeira de Pena (freguesia de Santa Marinha), e irmão de Francisco Pereira de Moura. Celebrou o casamento o padre Abel Varzim. Do casamento nasceram seis filhos: Helena Maria, Domingos António, Miguel, Luís Manuel, Maria Margarida (casada com Amílcar Theias) e Maria da Graça.

Actividade política Antes do 25 de Abril esteve sempre ligada a instituições e iniciativas dos chamados católicos progressistas e afins. Subscreveu manifestos importantes, entre os quais, um longo texto de 101 católicos, em 1965, e todos os protestos contra o encerramento da cooperativa Pragma, em 1967.

Com José Manuel Tengarrinha, Luís Catarino e António Mota Redol, Helena Cidade Moura foi uma das principais dirigentes do MDP/CDE, organização política fundada em 1969 com o objectivo de concorrer às eleições legislativas.

Helena Cidade Moura foi deputada à Assembleia da República nas I, II e III legislaturas. Nos registos da Assembleia da República, o seu nome aparece nos debates parlamentares em 1580 páginas de 515 diários.

A deputada do CDS-PP Maria José Nogueira Pinto, sua opositora política, retrata as qualidades de Helena Cidade Moura, e também de Natália Correia, numa intervenção na Assembleia da República que ocorreu na VII legislatura a 17/07/1997 que se encontra transcrita nos Diários da Assembleia:

Como pedagoga Helena Cidade Moura dedicou a maior parte da sua vida à Educação em especial na luta contra o analfabetismo e na promoção da Educação para todos. Distinguiu-se não apenas pelo combate que travou no âmbito da Educação e da Formação permanentes, mas também pelo papel de direcção que teve na maior campanha de alfabetização realizada no País após a Revolução do 25 de Abril, acompanhando então mais de 400 cursos.

Como investigadora Helena Cidade Moura foi uma estudiosa da obra de Eça de Queiroz e por esse motivo foi convidada a representar o Ministério da Educação nas comemorações no ano do centenário da morte do escritor.

Como escritora e poetisa A primeira publicação de Helena Cidade Moura é de 1954 (Ed. da Autora, Lisboa, brochado, 47 pgs.), com o título "O Mundo sem Limites".

Em 1961 publicou "O Tempo e a Esperança", com desenhos de Nuno Siqueira e "Retrato" da Autora, por José Maria Amaro.

Em 1963 publicou Memória e Ritual e em 1979 publica o "Manual de Alfabetização".

Como activista e cidadã No Centro Nacional de Cultura, do qual viria a ser presidente, foi impulsionadora, em 1961, das conferências de quinta-feira com convidados ilustres.

Foi co-fundadora da CIVITAS - Associação de Defesa e Promoção dos Direitos dos Cidadãos em 1989 tendo discursado em nome da Comissão Instaladora conjuntamente com Vítor Alves. A CIVITAS realizou a sua 1ª Assembleia-Geral na Sociedade Nacional das Belas Artes, presidida por Magalhães Mota, secretariado por Vasco Lourenço e Sá Machado.

Fez parte do Conselho Geral da Fundação Mário Soares.

Foi agraciada com o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade em 15 de Janeiro de 1998.

Morreu a 20 de julho de 2012, aos 88 anos de idade.

Ver também Amílcar Theias Francisco Pereira de Moura Maria de Lourdes Belchior

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