Mamarrosa é uma vila portuguesa que foi sede da extinta Freguesia de Mamarrosa do Município de Oliveira do Bairro, freguesia que tinha de área e habitantes (2011), tendo, assim, uma densidade populacional de .
A freguesia foi extinta, pela reorganização administrativa de 2013,Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013. tendo sido agregada às freguesias de Bustos e Troviscal para formar a nova freguesia designada por Bustos, Troviscal e Mamarrosa. Está atualmente (2022) em discussão a desagregação da referida união.
A povoação de Mamarrosa foi elevada à categoria de vila em 1 de Julho de 2003.
História João Gaspar no estudo sobre "O Farol de S. Romão de Vagos" afirma que a Mamarrosa é "terra bastante antiga, milenária, local habitado por pré-Celtas e Celtas há milhares de anos. A sua raiz toponímica está ligada a monumentos, geralmente de grandes dimensões com uma forma circular alongada, que serviam de cemitérios, no período megalítico, e que os historiadores visitavam entre o quarto e o quinto milenário antes de Cristo. Por vezes estes monumentos serviam também de marcas de delimitação territorial de determinados grupos ou tribos. O seu tamanho e monumentalidade estavam certamente relacionados com a sua importância.
Com a conquista da Península Ibérica pelos Romanos, estes batizaram esses monumentos de mammulas (lugares onde se depositavam cinzas dos mortos pela sua semelhança com uma arca) pela semelhança que tinha com o seio da mulher. Estes monumentos megalíticos abundavam na Caneira, lugar da Mamarrosa.
Surge no ano de 1020, documentação relativa à doação das vilas rústicas de Levira e Lázaro ao Mosteiro da Vacariça, incluindo terras cultivadas ou incultas com árvores, terras que faziam limite com Vilarinho do Bairro e com "aquele monte que chamam samia", isto é, as terras que faziam limite com Mamarrosa.
"… AD OCCIDENTALE PARTEM, PER UBI DICUNT MAMOARÁSA UBI…"
A região de Mamarrosa que incluía Bustos e Palhaça conjuntamente com Soza, foi doada por D. Sancho II em 15 de Outubro de 1193, a uma comunidade de frades da ordem de Santa Maria de Roca Amador, que vieram na armada de cruzados normandos para ajudar o rei na tomada de Silves (Portugal) aos Mouros, em 1189. Soza tinha exatamente o seu termo na Mamarrosa. Os frades dedicavam-se não apenas às tarefas de evangelização e socorro aos doentes e peregrinos, mas também ao povoamento e arroteamento das terras, fatores que já eram bem visíveis "nos recuados tempos do dobrar do século XI desde as vizinhanças de Coimbra por Cantanhede, Mamarrosa, Ouca e Sosa até às imediações de Ílhavo".
No "Portugal Sacro e Profano" a edição de 1768, página 9, vem apenas isto: "Mamarrosa, freguesia do Bispo de Coimbra, tem por orago o apóstolo S. Simão, pároco e cura da apresentação do Reitor de Soza, rende cento e vinte mil réis; dista de Lisboa quarenta léguas e de Coimbra seis, tem duzentos e quarenta e cinco fogos". Passado um século, Marques Gomes, no seu "Distrito de Aveiro" edição de 1877, página 281, escrevia: "Freguesia de 590 fogos de 1895 habitantes". Fica a 8 quilómetros para OSO de Oliveira do Bairro. Orago S. Simão, Reitor, o reverendo Joaquim Pedro Nolasco", "É povoação antiga. Já existe em 1242. D. Sancho II fez mercê d' ella a frei Hugo, prior do hospital de Santa Maria da villa de Sousa a cujo termo pertenceu até 1834. Foi do conselho de Mira por Decreto de 31 de Dezembro de 1853 passou para de Oliveira do Bairro".
A freguesia de Mamarrosa propriamente dita nasceu na década de cinco do século XX.
Toponímia
Tendo em vista o que já foi explanado supra, a respeito da documentação do século XI, a origem do nome «Mamarrosa» advém, portanto, da aglutinação dos termos «Mamoa rasa», isto é uma mamula ou mamoa de feitio raso ou achatado.
Movimentos Demográficos Segundo o "Censo da População Estremadura" de 1527, a aldeia de Mamarrosa, que já pertencia a vila de Sosa tinha então 14 vizinhos (fogos), enquanto Bustos, que por sua vez pertencia a vila de Sorães (Sorães e Bustos eram da comenda da ordem de S.João) tinha menos de metade- 6;no entanto mais quatro do que Sorães. Em 1867, segundo registo da Administração do concelho de Oliveira do Bairro, 27 de Julho, a Freguesia de Mamarrosa tinha 619 fogos Comparando a população do concelho por freguesia, Oiã era a mais populosa com 753 fogos, seguindo-se Oliveira do Bairro com 601, Troviscal com 322, e Palhaça com 254. Neste mesmo ano, o Padre Joaquim Duarte Rosa, presidente da junta da paróquia de Oiã sugeria-se em resposta a uma consulta do ministério do Reino, que fossem formadas apenas quatro freguesias civis: Oliveira do Bairro; Oiã, a que se juntaria a Fermentelos com 289 fogos; Palhaça, a que se anexava a de Nariz, com 196 fogos, e a de Mamarrosa que era suficientemente grande. Curiosamente, sugeria que a freguesia de Sangalhos constituísse a 5.ª freguesia do concelho, justificando esta posição pela necessidade " de aumento do pessoal para os cargos do Município e da receita para satisfazer os encargos do mesmo "Para esta pequena revolução administrativa" levava o padre Joaquim Duarte Rosa em atenção às distâncias de uma e das outras paróquias calculadas a partir das igrejas paroquiais "por serem pontos centrais", número de fogos de cada uma e ainda a facilidade de comunicações e a comunidade dos povos". Assim pelo Decreto de 6 de Novembro de 1836 a Freguesia de Mamarrosa foi parar ao concelho de Mira, enquanto a Palhaça ficou integrado no de Soza, e a do Troviscal no de S. Lourenço do Bairro. Foi com este decreto que foi criado o concelho de Oliveira do Bairro, formado pelas duas grandes freguesias de Oliveira do Bairro e Oiã. Por causa dessa nova anexação, tiveram de ser adiadas as eleições para a Câmara Municipal de Mira até que os povos de Mamarrosa tivessem conhecimento desta nova divisão territorial, tendo sido, no dia 7 desse mês, editais para serem afixados nos locais públicos da freguesia para que as pessoas tomassem conhecimento. Uns dos primeiros melhoramentos que essa freguesia desfrutou foi o "conserto das calsadas", onde foram investidos 100 mil reais seguindo-se a reparação das pontes na Ribeira do Busto - uma no sítio do Portinho, Porto do Vouga, onde foram gastos 6 mil reais. Mamarrosa pertenceu, assim, ao concelho e julgado de Mira, que era composto somente por esta e pela freguesia de São Tomé de Mira. O concelho de Mamarrosa foi criada em 3 de Março de 1792. Chegou a ser habitada de dois a três mil anos antes de Cristo.
População da freguesia de Mamarrosa (1864 – 2011) [Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes ] 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 1.986 2.061 1.981 2.103 2.630 1.130 1.265 1.488 1.632 1.532 1.343 1.483 1.546 1.452 1.406 Nota: Pela lei nº 842, de 18/02/1920, foi criada a freguesia de Bustos com lugares desta freguesia, justificando assim a queda aparente da população entre o Censo de 1911 e 1920.
Património Igreja matriz da paróquia de São Simão da Mamarrosa Capela de São Romão Capela de São Geraldo da Caneira Capela de Santo António da Quinta do Gordo Capela de Nossa Senhora de Fátima da Quinta da Gala Chafariz setecentista Lavadouro do Rio Novo Fontes de 1969 Reservatório de água de 1969 Cruzeiros Busto do Dr. Manuel Augusto dos Santos Pato Memorial a Prof.ª Rosinda de Oliveira Homenagem ao Dr. Arsélio Pato Casa de Saúde Busto do fundador da Banda Filarmónica da Mamarrosa Quinta de 1894 Escultura representativa de uma "mamoa" Parque do Rio Novo Parque da piscina Polo escolar da Mamarrosa Sede do rancho folclórico As Vindimadeiras (antiga escola masculina da Mamarrosa) IEC - Intituto de Educação e Cidadania Sede da ADASMA - Associação de Dadores de Sangue da Mamarrosa Sede do Rancho São Simão de Mamarrosa (Antiga creche da Mamarrosa)
A Igreja Antiga A antiga Igreja: Da antiga igreja que tinha a porta voltada para o sul, tal qual a atual, não se sabe a data da construção ,se era a segunda ou não, no entanto podemos adiantar alguns pormenores. Segundo o documento da mesma época, 1658-"Crómica da Ordem das Carmelitas Descalças de Aveiro", Livro III, cap.IX, página 427 - o templo ficava afastado da povoação, ou seja, "num campo muito fresco e retirado do lugar"; possuía arcos transepto (a capela das almas foi construída exatamente nesse local) e no corpo havia pelo menos dois altares, que aparecem referenciados com frequência nos livros dos Óbitos a propósito do local de enterramento dos antepassados, sob cujas mesas se situavam de um lado "o caixão do senhor" e do outro, " caixão da senhora". Da igreja antiga que se sabe é efetivamente pelos livros da Irmandade das Almas da época, ou visitação exarada no primeiro livro de registo de óbitos, nascimentos e casamentos da freguesia.
A Igreja da Mamarrosa era anexa de São Miguel de Sosa. O pároco era um cura anual representado pelo Reitor da Vila de Sosa. Tinha esta Igreja em 1758, uma Irmandade das Almas e três confrarias, a do Espírito Santo, a do Santíssimo Sacramento e a da Senhora do Rosário.
A Igreja atual De estilo barroco a Igreja Matriz da Mamarrosa é um monumento sem igual na região, sendo um exemplar de um dos períodos arquitetónicos mais deslumbrantes pela grande utilização de elementos de elevado valor como talha dourada e esculturas de pedra. O ano de início da edificação da atual Igreja Matriz de S. Simão da Mamarrosa é provavelmente 1747, uma vez que esta data se encontra gravada numa das portas interiores do monumento. O povo era pobre. E além disso, os Duques de Lafões que tinham a comenda e recebiam os dízimos (quando recebiam, porque o povo pagava-se na mesma moeda…) não ajudavam em nada embora lhes competisse. Não se sabe quem mandou pintar os quadros da via sacra no forro da capela-mor nem tão pouco os quadros da vida de Cristo no forro do corpo da igreja e muito menos ano e o autor. A sua existência já se dilui na memória coletiva. Pode concluir-se, isso sim, que a Igreja de Mamarrosa é interiormente muito bonita e rica sendo única na região. Foi efetivamente com bastante sacrifício financeiro que a vila construiu um monumento de tão grande valor arquitetónico.
Entre a arte sacra presente no templo são de destacar as imagens de S. Sebastião no retábulo esquerdo (século XVII), S. Simão e Santa Marina no altar-mor (século XVIII), Nossa Sra. da Conceição e Ecce Hominem em retábulos laterais (século XIX) e Santa Luzia (século XV), esta última bastante mais antiga que a própria igreja. Outras imagens mais recentes fazem também parte do acervo desta paróquia, tais como Nossa Senhora do Ó, Nossa Senhora de Fátima, Sagrada Família, Sagrado Coração de Jesus e réplicas procissionais de imagens já referidas.
A prática do Enterramento