Ferroviário Atlético Clube é um clube poliesportivo da cidade de Fortaleza, Ceará. Fundado por operários ferroviários em 1933, o clube sempre foi ligado às camadas mais populares do estado, sendo por décadas considerado um "time do povo". Foi, durante décadas, um dos grandes clubes do clássico futebol cearense, além de um símbolo da democratização social do futebol nacional e precursor do futebol profissional no estado.
O Ferrão, ou Ferrim como é conhecido, já disputou competições de Futsal, Basquetebol, Handebol, Futebol de Mesa, Hóquei sobre patins, Atletismo, Ciclismo e Tênis de Mesa. No futebol, principal esporte em que atua, foi o primeiro time da capital cearense a ter sido campeão brasileiro em uma divisão quando ganhou a Série D de 2018, se tornando bicampeão da Série D em 2023,, sendo então o maior vencedor da Quarta Divisão nacional. Também possui 9 Estaduais, dentre outras conquistas.
O Ferroviário é um dos três grandes clubes do estado do Ceará. Tradicionalmente, faz dois clássicos contra seus históricos rivais: contra o Ceará Sporting Club, é chamado de Clássico da Paz (antigo Clássico das Multidões); contra o Fortaleza Esporte Clube, é denominado Clássico das Cores. Sua torcida é conhecida pela simpatia e pela lealdade ao Tubarão da Barra. Entre suas torcidas organizadas destacam-se a Falange Coral e a Ultras Resistência Coral. Seu uniforme principal é composto por camisa branca com duas faixas diagonais (vermelha e preta) na altura do peito, calção branco e meias brancas. Seu mascote é o tubarão. Seu estádio, a Vila Olímpica Elzir Cabral, tem capacidade para 4.500 pessoas.
História Fundação thumb|300px|direita|Ferroviário - 1947 O futebol cearense nos seus primórdios foram praticados por rapazes da sociedade alencarina. A partir da década de 1930, surgem os times com representantes das camadas mais baixas. Em 1933, a Rede de Viação Cearense começou a fazer serviços extraordinários no turno da noite, para consertar locomotivas, carros e vagões na oficina do Urubu. Os operários mais jovens que moravam longe dali, escolheram o futebol como passatempo entre os dois turnos da alienante jornada de trabalho. Formaram então dois times com os nomes das plantas que foram retiradas na preparação do campo de futebol: "mata-pasto" e "jurubeba". Da junção dos dois times formou-se o time "Ferroviário" que disputou várias partidas amistosas pela periferia operária até que, em 9 de maio, com a ajuda do funcionário da RVC, Valdemar Caracas, foi fundado oficialmente o Ferroviário Atlético Clube, além de técnico do time em 1945, quando conquistou o primeiro dos nove títulos estaduais do time no campeonato cearense de futebol.
Década de 1930: Do Matapasto e do Jurubeba surgiu o Ferroviário Da união de duas equipes de operários da estrada de Ferro, surgiu o Ferroviário Atlético Clube. No ano de 1937 disputa a Série B do cearense e com sua conquista, assegura a vaga do estadual seguinte. Em seu primeiro estadual com os grandes do futebol local o Ferrão fica na nona colocação no total de dezesseis equipes na competição com um time formado em sua maioria pelos operários da Rede de Viação Cearense, Valdemar Caracas queria ir longe promoveu o início da profissionalização do futebol cearense em 1939 trazendo o zagueiro Popó do Great Western de Pernambuco, um jogador negro. Era só o começo das primeiras contratações de fora na vida do clube, também do futebol pernambucano o craque Zuza e o extrema-esquerda Chinês. Do interior do Piauí, veio o endiabrado Pepê. Mas foi de São Paulo a chegada mais festejada, o centro-médio Miro, titular do Corinthians em 1938 a equipe tinha até em Maracanaú, um sítio que era o local da concentração coral antes dos jogos a equipe fica na quinta colocação de sete equipes que disputaram o certame.
Década de 1940: O primeiro estadual e a denominação de "Clube das Temporadas" A década de 1940, começa com o tubarão da barra, alcançando o vice-campeonato, perdendo para o Tramways Sport Club que tinha o apoio da empresa de energia do estado. No ano seguinte fica na quarta colocação, participando da estreia do Estádio Presidente Vargas, em 1942 mais um vice-campeonato, em 1943 ocupa a terceira colocação geral do estadual, no ano seguinte repete a colocação do estadual. No ano de 1945 o Ferrão entra disposto pela briga do campeonato daquele ano, disputando ponto a ponto com a equipe dos príncipes, que tentavam um inédito tricampeonato para equipe cintanegrina, final da história: Ferrão campeão cearense pela primeira vez.
thumb|300px|esquerda|Primeiro Gol do PV - Chinês Em 1946 perde o bicampeonato para o Fortaleza, no ano seguinte, ambas equipes disputaram mais uma vez a final, no primeiro jogo: vitória do Fortaleza por 4x1, n segundo empate de 3x3 só que com contestação dos corais, pois um atleta ser expulso por reclamação. Em 1948 fica na quarta colocação, em 1949 mais um vice-campeonato.
Nessa década ganha a alcunha de Clube das Temporadas porque quase sempre derrotava as equipes expressivas do futebol nacional pelo país, desses jogos, um dos mais importantes deu-se contra o , que tinha sagrado-se Super Campeão Carioca de 1946. Na temporada de amistosos pelo Norte-Nordeste, o clube das Laranjeiras massacrou equipes em Pernambuco, Bahia, Paraíba, Maranhão e Pará. Em terras cearenses, o Fluminense aplicou goleadas de 5–0 no e 5–1 no . No dia 1º de janeiro de 1949, um grande público compareceu ao Estádio Presidente Vargas esperando mais uma goleada do time carioca, dessa vez sobre a equipe coral. Mas todos foram surpreendidos por uma exibição de gala do Ferroviário. Com um gol de Manuel de Ferro aos 28 minutos do primeiro tempo e outro gol de Zuzinha aos 22 do segundo, o time dos operários da estrada de ferro derrotara o todo poderoso Fluminense por 2–0.
Década de 1950: Surge a denominação "Time do Povo" e "Time Proletário" e mais dois estaduais com a força proletária Em 1950 o Ferrão conquista mais um estadual com três pontos na frente do Fortaleza. Em 1951 mais um vice-campeonato. Em 1952 ganhou as alcunhas de Time do Povo e de Time Proletário, por ser o único ligado ao povo, diferente dos times elitizados (Ceará, Fortaleza, ) e do time dos acadêmicos (Gentilândia). Em 1952, retorna ao trilhos da conquista com mais um campeonato após uma emocionante sequência de 4 jogos improvável contra o Ceará.
No dia 11 de janeiro de 1953, já aos 41 minutos do segundo tempo, o Ceará comemorava o título cearense em cima do Ferroviário. Foi quando Macaúba marcou um gol e deu a vitória coral pelo placar de 2–1, forçando a realização de uma melhor de três. Nos dois jogos seguintes, nos dias 18 e 25 de janeiro, uma vitória coral por 1×0, gol de Augusto, e um empate em 1–1, gol de Nirtô. Nirtô e Augusto foram os marcadores do quarto jogo decisivo, vitória coral na semana seguinte, de virada, 2–1 com um grande carnaval no PV, uma conquista quase que improvável para um time proletário e tecnicamente inferior ao adversário, formado por em sua grande maioria por operários da antiga Rede de Viação Cearense, desde eletricistas a bombeiros.
Em 1953 mais um vice-campeonato e no ano seguinte um quarta colocação. Em 1955 mais um vice-campeonato pros corais e no ano seguinte uma péssima sétima colocação no certame com oito equipes. Em 1957 uma quarta colocação, tendo Pacoti como artilheiro do estadual com 24 gols. Em 1958 ocupa a terceira colocação tendo Zé de Melo como artilheiro com 21 gols e quarto colocado em 1959.
Década de 1960: A quebra do jejum de títulos com o último título invicto no Estado Em 1960 o Ferrão fica na segunda colocação perdendo o estadual para o Fortaleza, em 1961 e 1962 fica na quinta colocação, 1963 fica com o vice-campeonato, em 1964, 1965 e 1966 repete a quinta colocação. Em 1967 conquista um vice-campeonato.
O ano de 1968 a diretoria coral passa por uma renovação com a chegada de jovens engenheiros da RFFSA e capitaneados pelo presidente Elzir Cabral, começavam a escrever uma nova história para o clube ao vencer mais um estadual o último campeão invicto,. como assim é conhecido até hoje o elenco do coral daquele ano, quebrando um longo jejum de títulos desde 195], com ampla supremacia e entrou para história eterna do futebol alencarino. No dia 28 de julho, o jogo decisivo foi contra o Fortaleza, que também brigava pelo título naquele domingo, João Carlos marcou para o Ferrão e Croinha anotou o seu para o Fortaleza. O empate de 1x1 garantiu a conquista coral. O treinador Ivonísio Mosca de Carvalho mandou à campo: Cavalheiro, Wellington, Flodoaldo (Luiz Paes), Gomes e Barbosa; Edmar e Coca Cola; Mano, João Carlos, Paraíba e Raimundinho (Lucinho) com a presença do locutor que trouxe bons fluidos para a equipe coral, Oliveira Ramos, criador do slogan "Aí é Ferrim, meu filho", dita espontaneamente para realçar glórias e momentos de alegria do time coral nos gramados locais voltando para a narração da final do Cearense de 1968 para a TV Ceará trouxe bons fluidos Fortaleza. Em 1969 fica na terceira colocação.
Década de 1970: O começo da década com título e mais outro jejum O começo da década vem com mais uma conquista coral com o título de 1970, perde a hegemonia em 1971 ficando na terceira colocação, em 1972 fica na quinta colocação, no triênio: 1973, 1974 e 1975, o Ferrão fica na terceira colocação do cearense, em 1976 a equipe coral ocupou a quinto lugar, em 1977 e 1978 a terceira colocação, colocando fim ao jejum de títulos somente em 1979 com a chegada do treinador Urubatão Calvo Nunes muda a postura do time após irregular campanha no 1º turno, goleia Ceará por 4x2 e o Fortaleza por 5–0. Venceu o turno e colocou o time coral na final, faltando 40 dias muda o comando e César Moraes assume depois sagrou-se campeão cearense, evitando o penta do Ceará ainda tendo Paulo César como artilheiro com 29 gols.
Década de 1980: O fim do jejum em 1988 Em 1980 chega a final numa melhor de três, no dia 20 de novembro de 1980 o Ferroviário vence o Ceará no Castelão no primeiro jogo da melhor de três. Bibi (filho de Didi) encheu o pé e fez um gol de placa e o da vitória por 1–0 logo depois aconteceu um terremoto em Fortaleza ficando marcado para sempre na memória dos corais essa partida, mas depois perde o campeonato de 1980 e 1981 para o Ceará e 1982 e 1983 para o Fortaleza. Em 1984 tem um queda ficando em oitavo lugar de dez que disputaram. Em 1985, 1986 e 1987 ocupa a terceira colocação do estadual, sendo que em 1985 tem o artilheiro do estadual Luís Alberto Duarte dos Santos com 24 gols. Em 1988 quebra o jejum de 9 anos com o gol de Marcelo Veiga de pênalti contra o Fortaleza, no ano seguinte perde o estadual para o Ceará.
Década de 1990: O ciclo gordo do Tubarão com o bicampeonato A década começa com o Ferrão ocupando a parte debaixo da tabela ficando na sétima colocação em 1990, em 1991 soube para quarta colocação e em 1992 cai para sexto geral. Em 1993 fica com a quarta colocação, fazendo a base para o time bicampeão que viria em 1994 fazendo 55 pontos em 37 jogos, 21 vitórias, 13 empates e 3 derrotas, marcando 81 gols e sofrendo 24 gols tendo saldo de 57.
Em 1995 em 47 jogos, faz 103 pontos oriundo de 30 vitórias, 13 empates e 4 derrotas, marcando 95 gols e sofrendo 35 gols tendo saldo 60 gols e Batistinha artilheiro no primeiro estadual com 20 gols e Robério no outro com 26 gols, perde o tricampeonato em 1996 para o Ceará, em 1997 fica na terceira colocação, no ano seguinte ganha um turno mais perde de novo mais uma final para o Ceará. Em 1999 cai pro sétimo lugar geral.
Década de 2000: A década em branco Em 2000 o Ferrão tem uma péssima campanha no estadual com a oitava colocação, em 2001 sobe para sexto geral, quinto em 2002 e vai para final com o Fortaleza em 2003 perdendo o título, em 2004 fica mais uma vez na parte debaixo da tabela na sétima colocação, no ano seguinte sobe para terceira colocação, quarta em 2006, repete a quinta colocação em 2007 e em 2008, sobe para a terceira em 2009.