O Berbigão do Boca é uma festa e um blocoA organização não considera o berbigão um bloco, e sim uma festa. Entretanto, o arrastão no final da festa tem todas as características de um, sendo de facto um bloco de carnaval. da cidade brasileira de Florianópolis que tradicionalmente abre os festejos de carnaval da cidade. Criado em 1992 e tendo saído pela primeira vez em 1993, surgiu com o objetivo de estender por mais tempo e animar o carnaval de Florianópolis e se tornou um dos eventos mais tradicionais da cidade, sendo provavelmente o evento de carnaval local mais conhecido nacionalmente.
Nomeado em homenagem a um de seus fundadores, Paulo Bastos Abraham, conhecido como Boca, e ao berbigão, fruto do mar típico da cidade, a festa tem entre suas tradições o concurso culinário com receitas do molusco e o desfile pelas ruas do Centro ao som da tradicional marchinha do Berbigão com os bonecos gigantes, que representam pessoas que tiveram relevância na vida da cidade e do carnaval local.
História miniaturadaimagem|287x287px|Berbigão do Boca próximo a Alfândega em 2008. No início do anos 1990, o Carnaval de Florianópolis tinha passado recentemente por uma transformação física e estrutural. Alguns anos antes, o aterro da Baía Sul e as pontes mudaram o cenário do Centro da cidade. As festas de carnaval, que tradicionalmente aconteciam no entorno da Praça XV de Novembro, se dividiram, com os desfiles das escolas de samba deixando a praça e indo para a Avenida Paulo Fontes, e depois para a Passarela Nego Quirido. Muitos foliões não gostaram da mudança e diziam que o carnaval florianopolitano estava perdendo sua força de outrora.miniaturadaimagem|288x288px|O pavilhão usado nos anos recentes durante o Berbigão do Boca de 2015.Na quarta-feira de cinzas de 1992, no bar do Clube Doze, em Coqueiros, um grupo de sete foliões estava reunido. O grupo era formado por Ricardo Bastos Ferreira, o Caco, Euclides Bianchini, o Tico, Paulo Roberto da Rosa, o Paulão, Sérgio Rebelo, o Serginho, Adil Rebelo, o Rebelinho, Leonardo Garofallis, o Nado, e Paulo Bastos Abraham, o Boca. Em entrevista, Nado comenta que Boca estava chateado com o fato de que, naquela mesma hora, em Pernambuco, o Bacalhau do Batata ainda arrastava uma multidão com os bonecos de Olinda, enquanto em Florianópolis o carnaval estava acabado e cada vez mais desanimado, sugerindo a criação de um bloco pra estender a folia como faziam os pernambucanos. Os outros gostam da ideia e sugeriram criar um bloco pra animar as pessoas, mas ao invés de fechar o carnaval como o Bacalhau, abrir a folia, aproveitando que, naquele ano, o tradicional Enterro da Tristeza, que sai na quinta antes do carnaval abrindo a semana, não tinha desfilado.
Os amigos então fixaram uma data - na sexta anterior a sexta de carnaval - e um local - na região do Mercado Público e no Largo da Alfândega, dois dos locais mais tradicionais do Centro. O nome foi sugerido por Nado, em homenagem ao berbigão, molusco popular da culinária de Florianópolis, e ao Boca, porque, além de ser ele que estava reclamando inicialmente, também era considerado pelos outros o maior folião daquele grupo - ele tinha fundado o bloco de sujos Sou + Eu alguns anos antes. Boca é o diretor do Berbigão até hoje. Nado também ainda faz parte da diretoria.miniaturadaimagem|289x289px|O arrastão do Berbigão do Boca, quando a festa toma as ruas do Centro de Florianópolis.Em 1993, o bloco sai as ruas pela primeira vez, e logo cai no gosto popular. Em 1995, surgem os primeiros bonecos, ligados a uma tradição local, a das maricotas do Boi de Mamão. Até 2000, o vão central do Mercado Público foi usado, mas o sucesso de público leva a festa a ocupar também o Largo da Alfândega, e na atualidade, se usa também um pavilhão montado na Avenida Paulo Fontes, ao lado do Mercado e junto ao largo. Em 2003, um decreto declara o Berbigão a abertura oficial do Carnaval de Florianópolis. Em 2012, a festa foi declarada oficialmente Patrimônio Imaterial de Florianópolis. Em 2017, um livro de receitas de Berbigão foi lançado em comemoração aos 25 anos da festa.
Desde 1993, a festa acontece quase que anualmente - as exceções foram nos anos de 2007, 2017 e, devido a pandemia de COVID-19, entre 2021 e 2022 - atraindo, em seus últimos anos, cerca de cem mil pessoas durante todo o período da festa e entre 50 e 60 mil no arrastão pelas ruas, o auge do evento.
Bonecos gigantes Em 1995 estreiam os bonecões do Berbigão, que remetem as maricotas do Boi de Mamão, uma tradição da colonização açoriana similar aos gigantones. É provável também que os bonecos do carnaval de Olinda, já famosos, também tenham influenciado, mas diferente destes, existe uma regra para sua criação: essas esculturas representam pessoas falecidas que se destacaram em vida na cultura popular florianopolitana e, em especial, mas não obrigatoriamente, no carnaval da cidade. Muitas vezes se brinca dizendo que a pessoa "virou boneco" e não que morreu.
O artista plástico Allan Cardoso é o criador dos bonecões, e novos são adicionados com o passar dos anos, com seu custo de produção estimado em oito mil reais. No carnaval de 2026 desfilaram 44 bonecões, entretanto, um incêndio destruiu dois deles poucos dias depois.
Os bonecos HomenageadoMotivoFalecido em Estréia do bonecoHilton da Silva (Lagartixa)Folião famoso desde os anos 1940, foi Rei Momo da cidade por muitos anos.19971995Luiz Henrique RosaCantor e compositor de bossa nova e MPB.19851996Beto StodieckJornalista e cronista social.19901997Antônio Carlos Costa (Nego Tuca)Músico, DJ e batuqueiro, atuou em escolas e blocos como o Enterro da Tristeza.19961998Cláudio Alvim Barbosa (Zininho)Cantor e compositor. Compôs o Rancho de Amor à Ilha, o hino de Florianópolis.19981999Hélio do Amaral Lange (Paru)Folião famoso.19982000Neide Maria RosaCantora. Foi a interprete original do Rancho de Amor à Ilha.19942000Djalma do PistonMúsico.2001João da Costa (Negão Tenente)Ritmista.2002Ernesto Meyer FilhoArtista plástico.2002Beatriz Rosa (Bia Rosa)Promoter social.20002003Carlinhos da TubaMúsico.20052004Pedrinho do PandeiroCantor e compositor. Compôs a música do Berbigão do Boca.2004Aldírio Simões da SilvaJornalista, escritor e cronista social, criador do Troféu Manézinho da Ilha.20042005Cláudio Hahn da Silva (Miro)Colunista social.2005Yoldory BittencourtFolião famoso.20052006Danilo de Souza Luiz (Serratini)Músico.20052006Antônio Henrique Bulcão VianaPolítico.20072008Ricardinho Bavasso Colunista.20052008Ademar de Oliveira (Ademar Ben Johnson)Garçom.2008Tullo CavalazziMaestro.20082009Abelardo Henrique Blumenberg (Avez-Vous)Folião famoso. Fundou a Copa Lord e atuou em várias escolas e blocos.20082009Ariel Bottaro FilhoJornalista e cronista social.2009Hélio Norberto da Silva (Cabrinha)Folião famoso. Foi presidente da Protegidos por muitos anos.2009Nivaldo Machado Filho (Dedão)Folião famoso.2010Erotides Helena da Silva (Nega Tide)Foliã famosa, Eterna Cidadã Samba.20102011Adir Manoel da Cunha (Mestre Dica)Carnavalesco.2011Airton Oliveira (Peteleco)Carnavalesco, compositor e apoiador do carnaval.2012Franklin Joaquim CascaesPesquisador da cultura açoriana.19832012Adilson CoelhoFolião famoso, Cidadão Samba.2012Carlos MagnoCarnavalesco, dá nome ao prêmio dos destaques do carnaval.2013Paulo DutraFotógrafo.2013Valmir José Mendes (Maestro Mendes)Músico.20132014Orlando Pessi (Torrado)Folião famoso.20132014Wilmar Pacheco (Pitanga)Manezinho famoso.20142015Jorge Luiz ArsênioCarnavalesco.2016Hiedy de Assis Corrêa (Hassis)Pintor e muralista.20012016Maurício AmorimCoordenador do concurso gastrônomico do Berbigão do Boca.20162018Túlio CarpesFolião famoso, criador da banda Mexe-Mexe.20172019Hernani Luís Barbosa (Hulk)Rei Momo da cidade por muitos anos.20192020Osvaldo Gonçalves (Dico)Carnavalesco famoso por suas fantasias.20212023Nilton Elizeu da Silva (Mestre Rato)Mestre da bateria do Berbigão e de várias escolas de samba.20222024Lídio Augusto Costa (Seu Lidinho)Passista da Copa Lord e folião famoso.20242025Albertino João de Farias Filho (Tinga do Repinique)Um dos fundadores da bateria do Berbigão do Boca.20252026
Eventos miniaturadaimagem|430x430px|O arrastão do Berbigão do Boca na Rua Tenente Silveira, próximo ao Palácio Cruz e Sousa. esquerda|miniaturadaimagem|216x216px|O Rei Momo Hulk recebendo a chave da cidade do prefeito no Berbigão do Boca de 2014. A festa do Berbigão dura entre dez e doze horas, começando ao meio-dia da sexta anterior a sexta-feira de carnaval e terminando no fim da noite. Diversos eventos acontecem nesse tempo. No início, o festival gastronômico, onde os competidores disputam com pratos que tenham o berbigão como o destaque da receita. O festival foi idealizado por Maurício Amorim, que o coordenou por muitos anos. Também são apresentados os novos bonecos, são dados os troféus Amigo do Berbigão do Boca e bandas, artistas e entidades culturais em geral se apresentam. Já a rainha do Berbigão é eleita alguns dias antes da festa.
Tradicionalmente, no Berbigão o prefeito entrega a chave da cidade ao Rei Momo, momento que simbolicamente dá início ao carnaval.
Finalmente, no início da noite, começa o arrastão, quando a festa vira um bloco que toma as ruas da cidade com a corte do carnaval e os bonecos. O desfile é o auge da festa, e cerca de sessenta mil pessoas participam do desfile, que sai do local da festa no Largo da Alfândega e atravessa o Centro indo até a Praça XV e retornando a Alfândega em cerca de duas ou três horas de bloco.
O Berbigão também oferece, alguns dias depois da festa, o Tamborim de Ouro para a escola melhor avaliada pelos jurados próprios do Berbigão nesse quesito, que não é contemplado nas notas do desfile das escolas de samba.
Música Uma das tradições do Berbigão do Boca é que o arrastão toca uma única marchinha, o hino-enredo do Berbigão do Boca. Foi composta por Pedro Paulo Fazzini, o Pedrinho do Pandeiro. Dudu França, amigo de Pedrinho, fez a gravação oficial.
Referências Categoria:Carnaval de Florianópolis Categoria:1992 em Santa Catarina
Ligações externas Site oficial do Berbigão do Boca Vídeo da edição de 2011