Pix (pronuncia-se ) é um modo de transferência monetária instantâneo e de pagamento eletrônico instantâneo em real brasileiro (R$). Oferecido pelo Banco Central do Brasil a pessoas físicas e jurídicas, funciona 24 horas ininterruptamente e é o mais recente meio de pagamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro, sendo registrado como marca de alto renome pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).
O projeto começou a ganhar forma em 2016, quando uma equipe de trabalho do Banco Central do Brasil liderado pelo engenheiro Carlos Eduardo Brandt chefiou a equipe técnica no desenvolvimento do PIX e publicou um relatório com detalhes do projeto, mostrando a eficiência dos sistemas de pagamentos instantâneos. Dois anos depois, em 2018, o Banco Central iniciou o processo de criação da plataforma. O sistema foi aberto a cadastramento de chaves e testes em outubro de 2020 e lançado oficialmente, de forma integral, em 16 de novembro do mesmo ano.
Suas chaves de transação (conhecidas como chaves Pix) podem ser cadastradas utilizando os números do telefone celular, CPF ou CNPJ, e endereço de e-mail do usuário. Também é possível usar uma chave aleatória (sequência alfanumérica gerada aleatoriamente) para aqueles usuários que não desejam vincular dados pessoais ao Pix. A chave permite que o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) identifique os dados da conta transacional (que é uma conta de depósito à vista, conta de poupança ou conta de pagamento pré-paga) que o usuário mantém na instituição de sua escolha e que foram associados à chave Pix, realizando a transação imediatamente.
O Sistema de Pagamentos Instantâneos é a infraestrutura centralizada onde são liquidadas as transferências de fundos comandadas pelos usuários do Pix e pelas próprias instituições participantes do ecossistema Pix quando resultam em transferências de fundos que afetem as Contas de Pagamentos Instantâneos (conta PI) mantidas pelas instituições junto ao Banco Central do Brasil. Este tipo de conta é mantida no BC por um participante direto do SPI. O nome escolhido pelo Banco Central não é sigla, mas é um termo que remete a conceitos de tecnologia, como pixel, em que a ideia é ser tão simples como um bate-papo em redes sociais, inclusive no nome. O "x" vem da variável matemática, representando as diversas possibilidades de uso do sistema.
História
Um relatório de 2015 do Banco Central do Brasil (BC) falava sobre uma "soluções que permitam, a baixo custo, pagamentos de varejo em tempo real e ininterruptos" em 2014, no Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro durante o governo de Dilma Rousseff.
O sistema começou a ser estruturado pelo Banco Central do Brasil, em 2016 pelo grupo de trabalho liderado pelo engenheiro Carlos Eduardo Brandt que chefiou a equipe técnica do Banco Central no desenvolvimento do PIX. Por conta dessa atuação, ele ficou amplamente conhecido como o "Pai do Pix" e reconhecido internacionalmente. Nessa época, o Banco Central brasileiro havia participado de um relatório do Banco de Compensações Internacionais que tratava sobre sistemas de pagamentos instatâneos. Os requisitos fundamentais que estabelecem as características básicas do sistema de pagamentos instantâneos foram estabelecidos em dezembro de 2018 pelo Banco Central. O objetivo do sistema é diminuir as transações com dinheiro em espécie e oferecer uma alternativa em relação aos meios de pagamento já oferecidos, como o boleto e as transações com máquinas de cartões, que seja mais rápida e barata se comparada aos já ultrapassados sistemas de TED e DOC. O presidente do órgão na época era o economista Ilan Goldfajn. Apesar de o grupo de trabalho para a implantação do sistema ter sido oficialmente estabelecido em 2018, a equipe responsável pelo projeto afirmou que o conceito da ferramenta já existia desde dezembro de 2016. Goldfajn já sinalizava na época que o Banco Central iria lançar uma ferramenta inspirada no ,'Pai' ou padrasto? Lançado sob Bolsonaro, Pix foi planejado na gestão Temer uma plataforma de pagamentos de "pessoa para pessoa", lançada em 2017 nos Estados Unidos pela fintech Early Warning Services.Transforming Payments with an Easy, Fast and Secure Way to Move Money Antes do Pix, empresas como a americana PayPal e a brasileira PicPay já utilizavam o pagamento via QR Code no país.
Goldfajn declarou que novas tecnologias estavam revolucionando o sistema financeiro, com formas de pagamento mais eficientes. Naquele ano, a equipe técnica do Banco Central publicou um relatório no âmbito do Banco de Compensações Internacionais sobre a eficiência dos sistemas de pagamentos instantâneos, com detalhes do projeto.
As discussões continuaram em 2017, com estudos em parceria com o mercado financeiro e outros bancos centrais. Depois dos estudos de viabilidade, os técnicos do Banco Central concluíram que implantar esse novo sistema de pagamentos instantâneos iria "aumentar a competição, eficiência, segurança e inclusão no sistema de pagamentos brasileiro". A proposta foi avaliada pela diretoria colegiada do BC e aprovada por Goldfajn. Em maio de 2018, o banco instituiu o grupo de trabalho "Pagamentos Instantâneos", que determinou as especificações básicas do sistema. Em dezembro, ainda durante a gestão de Goldfajn (que deixaria a presidência do Banco Central em fevereiro de 2019), o BC publicou um relatório definindo os requisitos fundamentais para uma eventual implementação do novo sistema de pagamentos. No relatório, o então diretor de política monetária do Comitê de Política Monetária, Reinaldo Le Grazie, descrevia o sistema como "um método de transação bancária eficiente, competitivo, seguro e inclusivo". O projeto foi levado adiante por Roberto Campos Neto durante a gestão de Jair Bolsonaro. Ao ser questionado por um apoiador sobre o lançamento do Pix em 2020, Bolsonaro demonstrou não ter conhecimento do sistema, apesar disso, fez uso político do sistema em 2022, mentindo que teria sido o criador.
A marca Pix foi lançada em 19 de fevereiro de 2020 pelo BACEN, junto a material informativo para a população. O novo meio de pagamento passou a permitir transações como transferências e pagamentos, incluindo de contas, em até dez segundos. Tal qual determinado no comunicado nº 34.836 do BCB, originalmente, o sistema estava previsto de ser disponibilizado para a população a partir de novembro de 2020 através de bancos, fintechs e serviços de comércio eletrônico, porém, no dia 5 de outubro de 2020, o sistema foi lançado oficialmente e disponibilizado pelos primeiros bancos para fins de testes. O sistema de pagamento começou a funcionar plenamente em 16 de novembro de 2020. Até mesmo o PayPal e o PicPay adotariam o Pix.
alt=Barraca de vendedor ambulante de morango com placa escrito "Morango - 3 por 12 reais - Aceito pix"|miniaturadaimagem|Pix também costuma ser aceito por vendedores ambulantes Segundo levantamento realizado pela FGVcemif & Toluna em fevereiro de 2021, em cem dias após a sua adoção, o Pix era conhecido por grande parte dos brasileiros e mais de 70% dos que conheciam o novo sistema de pagamento cadastraram ao menos uma chave de acesso. Ainda de acordo com a pesquisa, o custo (inicialmente gratuito) do Pix ainda não era o maior motivador para o uso, mas que o principal interesse estava relacionado à facilidade e rapidez do sistema de pagamento.
Em 2021, foram adicionadas diversas funcionalidades ao Pix. Em 16 de novembro, aniversário de um ano do sistema, passou a valer o Mecanismo Especial de Devolução. A finalidade da ferramenta é ajudar no combate a fraudes. Já em 29 de novembro, também foram adicionadas as modalidades de Pix Saque e Pix Troco para trazer mais praticidade para pessoas físicas e comércio.
Em 2021, Carlos Eduardo Brandt foi o único brasileiro a figurar na lista da Bloomberg das 50 pessoas mais influentes que definiram os rumos dos negócios globais, em destaque por sua contribuição para a inovação no sistema financeiro brasileiro por meio da criação do Pix.
Ataques dos Estados Unidos liderados por Donald Trump
Em meados de julho de 2025, o governo dos Estados Unidos iniciou uma investigação formal sobre o Pix, alegando supostas práticas comerciais digitais discriminatórias e favorecimento a sistemas nacionais, possivelmente prejudicando empresas americanas de cartão de créditos como Visa e Mastercard e bigtechs como PayPal e WhatsApp Pay. PayPal chegou a suspender o Pix entre 2023 e 2026.
Esse caso faz parte de um movimento mais amplo dos Estados Unidos para reforçar seu sistema de pagamentos instantâneos, o FedNow, e avaliar lições aprendidas com o Pix, que detém mais de 150 milhões de usuários e é reconhecido por sua adoção massiva na economia brasileira.
Em julho de 2025, o economista Paul Krugman, ganhador do prêmio Nobel, elogiou o Pix e sugeriu que, com ele, o Brasil pode ter inventado o "futuro do dinheiro", pois o sistema de pagamentos brasileiro está "realmente alcançando o que os defensores das criptomoedas alegavam, falsamente, ser capazes de entregar". Essa declaração veio na semana seguinte ao início da investigação pelo governo dos Estados Unidos sobre o Pix, sob alegação de concorrência desleal; segundo Krugman, o setor financeiro norte-americano concentra grande poder e jamais permitiria que um sistema público superior competisse com seus produtos.
O professor de finanças da Fundação Getulio Vargas, Fabio Gallo, sobre essa investigação afirmou que o Pix está inspirando outros países a desenvolverem suas próprias soluções, enfraquecendo assim o dólar. Segundo ele, Donald Trump não teme o Pix em si, mas o que ele representa: o "fim do monopólio financeiro ocidental", no qual os Estados Unidos não são mais capazes de rastrear, tributar ou bloquear transações. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse que Trump está "incomodado com o Pix" porque ele "vai acabar com os cartões de crédito"; segundo a Folha de S.Paulo, membros do governo brasileiro vinculam a pressão estadunidense ao lobby das big techs e das empresas de cartão de crédito, como Visa e Mastercard. Em 25 de julho de 2025, a administração de Lula também planejava lançar uma campanha "massiva" em defesa do Pix, com transmissão em rádio e TV, reforçando o slogan "O Pix é do Brasil" e associando o sistema à soberania nacional.
Em 26 maio de 2026, Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência do Brasil, reuniu-se com Donald Trump em um encontro na Casa Branca, no qual também estava Eduardo Bolsonaro. Na semana seguinte à reunião, em 2 de junho, Trump postou foto do encontro e ameaçou impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, acusando o Pix de ser um sistema público que favorece o Brasil em detrimento de empresas americanas como Visa e Mastercard. Em meio à crise, Flávio Bolsonaro, que ficou conhecido nas redes sociais como "Tariflávio", disse que havia pedido a Trump que recuasse das taxas, enquanto seu irmão Eduardo Bolsonaro sugeriu a adoção do sistema privado americano Zelle como alternativa, gerando forte controvérsia e acusações de "vassalagem" e subordinação a interesses estrangeiros:"Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir pra uma mesa de negociação com os americanos".
Após a repercussão, o ex-deputado negou ter sugerido substituição do Pix.
O presidente Lula reagiu com críticas à atuação da família Bolsonaro em busca de sanções para o Brasil, defendendo a soberania do Pix como uma das políticas públicas mais bem-sucedidas do país, e declarou-os "traidores da Pátria".