José Sebastião Witter (Fernando Prestes, 20 de janeiro de 1933 — Mogi das Cruzes, 7 de julho de 2014) foi professor e historiador, além de diretor geral do Museu Paulista na segunda metade dos anos 1990. Foi responsável por grandes contribuições para a pesquisa e ensino em História do Brasil e pioneiro nos estudos da cultura do futebol como objeto acadêmico no Brasil. Faleceu em 2014 em casa, aos 81 anos, por conta de um infarto agudo.
Carreira
José Sebastião Witter começou sua carreira como professor de história na rede pública de São Paulo, em meados dos anos 1950. Formou-se em História na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e a partir de 1964 tornou-se professor de graduação na mesma instituição, ministrando no começo da carreira docente disciplinas de Brasil Colônia e Brasil Império. Foi orientando de Sérgio Buarque de Hollanda no mestrado e no doutorado. Obteve o título de doutor em 1971 com tese sobre o Partido Republicano Federal, primeira tentativa de organização de partido político durante o período da República Velha. Na Universidade de São Paulo, ainda pelo curso de História, obteve os títulos de livre docente em 1982 e de professor emérito em 2003.
Ao longo de sua carreira, assumiu posições de destaque em órgãos variados, sendo que suas contribuições nelas foram reconhecidas pela visão inovadora para a a época quanto à proteção e disponibilização de acervos documentais, abrindo caminhos para a melhoria de condições de pesquisa em história, em especial no Estado de São Paulo.
Foi supervisor do Arquivo Público do Estado de São Paulo, vinculado à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, entre 1977 e 1988, além de membro do membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).
Witter também foi responsável pela direção entre 1990 e 1994 do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), órgão fundado por Sérgio Buarque de Hollanda. No mesmo período, foi também coordenador geral da Coordenadoria de Comunicação Social (CODAC) USP, logo antes de assumir a diretoria do Museu Paulista. No museu, permaneceu no cargo até 1999, sendo precedido por Ulpiano Bezerra de Meneses.
A assunção de Witter como diretor ocorreu em um contexto institucional sensível, pois estava a menos de um ano da celebração do Centenário de funcionamento do Museu (1895–1995), o que exigiu um planejamento urgente de celebrações e da infraestrutura do edifício históricohttps://fflch.usp.br/sites/fflch.usp.br/files/2018-01/jose_witter_emerito.pdf. Witter focou sua visão na revitalização e a reconceituação do Museu, priorizando a transformação da instituição em um polo difusor de conhecimentos e pesquisa sobre a cultura material brasileira. O projeto mais audacioso de sua gestão foi a reforma do prédio da sede. Embora Witter tenha assumido em junho de 1994, a execução formal do projeto estrutural foi iniciada em janeiro de 1995 https://www.rodolfomartino.com.br/downloads/parte6.pdf.
O encerramento das funções, em 13 de dezembro de 1999, foi uma decisão estratégica e antecipada. Os motivos documentados para a antecipação foram duplos: a necessidade de finalizar questões burocráticas relacionadas à sua aposentadoria (após 47 anos de dedicação à USP) e o desejo de "agilizar os trabalhos no ano das comemorações dos 500 Anos do Descobrimento" (referente ao ano 2000)https://www.rodolfomartino.com.br/downloads/parte6.pdf. Witter foi sucedido pela historiadora Professora Raquel Glezer.
Destaca-se também sua pesquisa pioneira no tema do futebol e cultura no Brasil a partir dos anos 1970. Na época, os estudos sobre futebol não eram considerados sérios pela academia, de forma que Witter enfrentou certa adversidade de seus colegas. Participou do projeto de memória oral intitulado "Memorias do Futebol" entre 1976 e 1987 no Museu da Imagem e do Som (MIS), junto a Boris Kossoy e José Carlos Sebe Bom Meihy. Nele, foram gravadas mais de 90 horas de depoimentos de personagens do futebol brasileiro, como jogadores, técnicos e cronistas esportivos.
Publicou e organizou 15 livros em vida, entre eles os títulos Túnel do Tempo (2007), Breve História do Futebol Brasileiro (1996), A Revolta dos Parceiros e Partido Republicano Federal, além de um extenso rol de publicações de artigos e colaborações acadêmicas. Também escrevia para o Jornal O Diário de Mogi, inclusive na editoria de esportes.
Ver também Lista de diretores do Museu Paulista
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