Olga Mariano, também conhecida por Olga Natália (Évora, 1950) é uma mediadora sócio-cultural, escritora, ativista pelos direitos da comunidade cigana e cofundadora da AMUCIP – Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas e da Associação de Investigação e Dinamização das Comunidades Ciganas e da Letras Nómadas – Associação de Investigação e Dinamização das Comunidades Ciganas. Foi a primeira mulher cigana a tirar a carta de condução em Portugal.

Percurso Mariano nasceu em Évora, em 1950 no seio de uma família cigana. Aos 4 anos, mudou-se com a família para o Fogueteiro, na freguesia da Amora, concelho do Seixal. Na década de 1960, frequentou a escola na Amora, a cerca de cinco quilómetros do Fogueteiro. Durante a infância e juventude passava temporadas em Évora, com as tias paternas.

Aos 17 anos, foi emancipada pelo pai e tornou-se a primeira mulher cigana a tirar a carta de condução em Portugal, por ser a única da família que tinha concluído a 4ª classe, um critério obrigatório para fazer o exame de condução. A partir desse momento, passou a levar os pais às feiras de Sesimbra e de Cascais e a transportar a família a festas no Alentejo.

Durante 25 anos, trabalhou na feira de Almada, onde tinha uma banca juntamente com o marido, onde vendia têxteis e vestuário. Em 1999, após ficar viúva, Mariano foi selecionada, juntamente com outras cinco mulheres ciganas e onze africanas, para frequentar um curso de mediadora sociocultural. Em 2000, na sequência deste curso, em conjunto com mais quatro mulheres ciganas - Alzinda, Anabela, Sónia e Noel -, formou a AMUCIP – Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas, a primeira associação de mulheres ciganas em Portugal. Ao assumir a presidência, tornou-se a primeira mulher cigana a liderar uma associação deste género em Portugal, cargo que manteve até 2013.

Entre 2000 e 2005 trabalhou como mediadora socio-cultural numa escola do Bairro Padre Cruz, em Lisboa. Entre 2007 e 2009, integrou o Gabinete de Ação Social da Câmara Municipal do Seixal, onde, em conjunto com as técnicas da Autarquia, apoiou a resolução das necessidades dos bairros. Durante este tempo, Mariano foi voluntária numa escola do concelho, com o objectivo de aumentar a representatividade das pessoas ciganas no contexto escolar, em função da ausência de menção à cultura cigana nos manuais escolares.

Em 2009 passou a ser mediadora municipal na Câmara Municipal do Seixal, e deu formação a técnicos municipais e de assistência social em história e cultura cigana, a nível nacional.

Em 2013, no âmbito do Romed - Programa Europeu de Formação para Mediadores Ciganos, lançado pelo Conselho da Europa em 2011, pelo qual é formadora, cocriou a Letras Nómadas, uma Associação cujo objectivo é a investigação-acção sobre as comunidades ciganas em Portugal, em conjunto com Bruno Gonçalves, primeiro presidente da Associação de Ciganos de Coimbra e antigo vice-presidente do Centro de Estudos Ciganos. Mariano assume a presidência da direção.

Em março de 2019 representou a associação Letras Nómadas na audição que teve lugar no Auditório António de Almeida Santos da Assembleia da República, no âmbito da elaboração de um relatório sobre racismo, xenofobia e discriminação étnico-racial, juntamente com outros representantes das comunidades ciganas e de organizações que trabalham com estas pessoas.

Em 2025, foi testemunha numa acção especial de tutela de personalidade, interposta por seis pessoas ciganas, com o intuito de obrigar André Ventura a retirar cartazes publicitários onde se pode ler “os ciganos devem cumprir a lei”.

Obra Mariano tem três obras publicadas sob o nome Olga Natália.

Olga Natália (2000), Poemas desta vida cigana. Editora RealImo, Setúbal. Olga Natália (2002), Festejando a Vida. Editora RealImo, Setúbal. Olga Natália (2003), Inquietudes. Editora RealImo, Setúbal.

Reconhecimentos e Prémios

Em dezembro de 2017, esteve presente numa audiência no Palácio de Belém, no âmbito da parceria da Letras Nómadas com o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) e com a Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens, que visou a criação do Programa Operacional para a Promoção da Educação (OPRE), enquanto pioneira do programa. O objectivo deste programa é a atribuição de bolsas de estudo universitárias, formação, tutoria e acompanhamento de jovens bolseiros/as das comunidades ciganas e suas respetivas famílias.

Em 2018 recebeu, em nome da Letras Nómadas, uma medalha de ouro comemorativa do 70.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e discursou na Assembleia da República.

Referências

Ligações externas

Clipping de imprensa portuguesa 2010-2011 pela AMUCIP

Discurso de Olga Mariano na cerimónia comemorativa do 50º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos na Assembleia da República Portuguesa Participação de Olga Mariano no programa da RTP Os Nossos Ciganos – Parte I e Parte II

Categoria:Ciganos de Portugal Categoria:Ativistas antirracismo Categoria:Pioneiros