A Eletropaulo foi uma empresa estatal de distribuição de energia elétrica localizada em São Paulo, Brasil, cindida em outras empresas de tamanho menor.

Antecedentes Desde 1899, a Light São Paulo - São Paulo Tramway, Light and Power Company, uma empresa privada de capital canadense, era a responsável pelos serviços de energia elétrica em São Paulo capital e arredores.

Posteriormente, a Light também passou a operar serviços de energia elétrica no Rio de Janeiro.

No final da década de 1970, o contrato de concessão da Light com o governo federal, assinado no início do século e com validade de 70 anos seria encerrado, com a entrega dos ativos investidos tanto no Rio de Janeiro, como em São Paulo ao governo brasileiro. Porém em circunstâncias obscuras, principalmente no momento político vigente (ditadura militar brasileira), o então ministro das minas e energia Shigeaki Ueki, através da Eletrobrás, adquiriu o controle acionário da Light – Serviços de Eletricidade S/A, estatizando-a.

A criação da Eletropaulo Em 20 de março de 1981, o Governo do Estado de São Paulo, durante a gestão de Paulo Maluf, constituiu a Eletropaulo, com a finalidade básica de assumir a operação dos sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, nos municípios de concessão da Light no estado de São Paulo.

Em 24 de março de 1981, mediante o Decreto Federal nº 85.839, a Eletropaulo foi autorizada a funcionar como concessionária de serviços públicos de energia elétrica. Em 26 de março de 1981, foi autorizada pelo DNAEE (Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica), através a assumir a operação dos sistemas na área de concessão da Light no Estado de São Paulo.

Em 26 de março de 1981, foi assinado convênio destinado a estabelecer as condições de operação de compra e venda dos bens, firmado entre a Light e Eletropaulo, com a interveniência do Ministério das Minas e Energia, do DNAEE e da Eletrobrás, tendo sido ratificado em 31 de março os termos do Convênio, do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda entre as duas empresas.

No dia 31 de março de 1981, a Eletropaulo assumiu efetivamente a operação dos serviços concernentes ao Subsistema Light - São Paulo.

No acordo estabelecido, a Light se tornou acionista preferencialista da Eletropaulo. A Light detinha 47,6% do capital da concessionária paulista.

Estima-se que o controle da Light pelo governo paulista tenha custado cerca de US$ 1 bilhão, embora boa parte do pagamento tenha sido feito em debêntures e ações preferenciais da própria Eletropaulo, além de absorção e dívidas e uma parcela em moeda corrente.

O governo estadual justificou a compra da empresa alegando que, somente tendo o governo como controlador, a empresa conseguiria os empréstimos externos necessários aos investimentos para expansão dos seus sistemas, o que poria em risco o desenvolvimento industrial das cidades do eixo Rio-São Paulo. A compra foi bastante contestada pela imprensa e pela oposição, tendo sido publicados uma série de textos em jornais defendendo que a empresa estava inchada, com muitos funcionários, e prestando serviços de má qualidade à população.

Durante toda a década de 1980 e início da década de 1990, a Eletropaulo foi uma das maiores empresas estatais do estado de São Paulo, chegando a ter cerca de 27 mil empregados. Era considerada uma das maiores distribuidoras de energia elétrica do mundo.

A cisão da empresa para privatização A partir de 1995, o então governador Mário Covas criou o PED - Programa Estatual de Desestatização, para iniciar um processo de privatização de inúmeras empresas estatais paulistas, além de trechos de rodovias e ferrovias.

Considerada pelos técnicos do governo estadual como uma empresa grande demais para ser privatizada num único bloco, a Eletropaulo foi dividida em quatro empresas menores:

Eletropaulo Metropolitana, a mais rentável de todas, que foi privatizada em 1999, inicialmente chamada de AES Eletropaulo e atualmente conhecida como Enel Distribuição São Paulo, responsável pela operação de serviços de energia elétrica na cidade de São Paulo e parte da Região Metropolitana de São Paulo;

Empresa Bandeirante de Energia, privatizada em 1999, também foi chamada de EDP Bandeirante e atualmente conhecida como EDP São Paulo, responsável pela operação de serviços de energia elétrica em parte da Região Metropolitana de São Paulo e parte da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte;

Empresa Paulista de Transmissão de Energia, conhecida atualmente apenas como Transmissão Paulista, foi incorporada pela CTEEP (criada a partir da cisão com a CESP) em 2001 que mais tarde foi privatizada em 2006;

Empresa Metropolitana de Águas e Energia ou EMAE, encarregada de controlar o volume de água do Rio Pinheiros, da Represa de Guarapiranga, da Estação Elevatória da Traição e Usina Henry Borden, privatizada em abril de 2024. +EmpresaSetorDestinoValorConsórcio vencedorEletropaulo MetropolitanaDistribuiçãoLeiloada em 15 de abril de 19982,026 bilhões (pelo valor mínimo)Lightgásː AES Corporation (11,46%), Houston Industries Energy (11,46%), Électricité de France (EDF) (11,46%) e Companhia Siderúrgica Nacional (7,32%). Empresa Bandeirante de EnergiaDistribuiçãoLeiloada em 17 de setembro de 1998R$ 1,014 bilhão (pelo valor mínimo)CPFL e EDPEmpresa Paulista de Transmissão de EnergiaTransmissãoIncorporada pela CTEEP em 2001Incorporada pela CTEEP em 2001A CTEEP foi vendida em 28 de junho de 2006 para a Interconexión Eléctrica (ISA) por R$ 1,960 bilhão.Empresa Metropolitana de Águas e EnergiaGeraçãoLeiloada em 19 de abril de 2024R$ 1,04 bilhão (ágio de 33,68%)Fundo Phoenix de Participações Multiestratégia

Extinção da empresa e sobrevivência da marca Oficialmente, a marca e razão social Eletropaulo não existe mais desde 1999, com a cisão da empresa em empresas menores, mas clientes e usuários em geral ainda não estão habituados as novas denominações das empresas cindidas: o caso da AES Eletropaulo foi mais gritante, até pela certa similaridade de nome.

Muitos clientes mais antigos, com mais de 50 anos, chamavam a AES Eletropaulo da extinta Light (veja Antecedentes), ao reclamarem das contas altas junto a familiares e amigos.

Muitas instalações e placas das novas empresas sucessoras da Eletropaulo também não foram modificados no decorrer do tempo, contribuindo para a confusão.

A Fundação Energia e Saneamento, criada em 1998 para preservar e divulgar o patrimônio histórico-cultural do setor energético, herdou boa parte de documentos e objetos antigos da Eletropaulo e de outras antigas empresas de energia e saneamento já extintas.

Ver também Furnas CPFL Enel Diistribuição São Paulo Transmissão Paulista CESP

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