O Campeonato Paraibano de Futebol, atualmente denominado Campeonato Paraibano Pixbet por razões de patrocínio, é uma competição de futebol no estado da Paraíba, que atualmente conta com a participação de dez clubes da elite do futebol estadual, os quais disputam anualmente um torneio misto em sistema de acesso e descenso, cuja organização e realização cabe à Federação Paraibana de Futebol (FPF). O torneio teve sua primeira edição amadora e não oficial em 1908, tendo se transformado oficialmente em campeonato estadual possivelmente a partir da temporada de 1919, embora existe fonte que afirme que a temporada de 1917 foi a primeira oficial, ao passo que somente da temporada de 1938 em diante é que passou a contar com a participação de equipes do interior do estado e em 1960 tenha se tornado profissional.

Desde a temporada de 1919, um total de 78 equipes já disputaram a Primeira Divisão do Campeonato Paraibano, sendo a a mais nova equipe a ingressar no grupo. Além de definir o campeão estadual, também qualifica para torneios regionais e nacionais, sob a tutela da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Na temporada de 2026, a FPF-PB, que ocupa a 16.ª posição no ranking das federações da CBF, tem direito a duas vagas na Copa do Nordeste, três vagas na Copa do Brasil e três vagas na Série D do Campeonato Brasileiro. Das três vagas para a Copa do Brasil, duas pertencem ao estadual e a outra é do campeão da Copa Paraíba. Contra o campeão desta, o campeão paraibano joga a Recopa Paraibana.

O Botafogo de João Pessoa é o atual campeão do torneio, além de maior campeão, com 31 no total. É seguido pelo , que possui 22 título, e o , com 17 títulos. Juntos, os três clubes recebem a alcunha de "Trio de Ferro" da Paraíba, devido às suas histórias de conquistas e rivalidades. As participações do Trio de Ferro, bem como as dos demais clubes ao longo dos mais de cem anos de história, ajudaram o Campeonato Paraibano a se firmar como um dos mais tradicionais do país, contribuindo com parte da cultura esportiva paraibana, sustentando valores e identidades locais.

História Em 10 de janeiro de 1908, o estudante paraibano José Eugênio Soares que conhecera o futebol no Rio de Janeiro onde estudava medicina, retornou de férias à cidade da Paraíba (como era conhecida na época a atual João Pessoa), junto com alguns amigos cariocas e trazendo consigo uma bola de futebol, os quais fundaram o Club de Foot Ball Parahyba e passaram a realizar partidas de futebol num campinho improvisado no Sítio do Coronel Manoel Deodato, atual Praça da Independência. É possível que anterior a 1908 já houvesse na Paraíba o conhecimento da prática do futebol, principalmente entre as famílias mais abastadas do local, uma vez que a presença de funcionários da ferrovia Great Western of Brazil Railway leva a crer que cidadãos ingleses e pessoas próximas já praticavam o esporte como forma de entretenimento, contudo, considera-se que a primeira partida de futebol no estado ocorreu no dia 15 de janeiro de 1908 entre integrantes do recém formado Club de Foot Ball Parahyba, os quais se dividiram entre "Equipe Norte" e "Equipe Sul", em referência ao local de nascimento dos jogadores.

O senhor Frederico Voldkes, funcionário da Great Western, ajudou os futebolistas locais a definirem as regras das partidas de futebol, na altura em que a primeira edição de um torneio envolvendo clubes da cidade concluiu com o Parahyba Foot Ball Club erguendo o troféu de campeão, sendo descrita como a primeira equipe a ser campeã estadual. Os clubes que participaram das primeiras edições de campeonatos de futebol na Paraíba eram todos ligados à elites, pois, o esporte apresentava-se como símbolo de modernidade, cuja prática era incentivada em colégios e internatos onde estudavam os filhos dos ricos ou nos clubes sociais e o futebol praticado também era bem diferente do atual, o qual envolvia mais técnica pessoal do que trabalho em conjunto, somado a isso, o campeonato consistia em uma série de jogos envolvendo os diversos clubes, sendo declarado campeão ao final da temporada o clube que tivesse conseguido mais triunfo sobre os demais, o qual era apontado por aclamação.

Em 5 de março de 1914, na fundação da Liga Parahybana de Foot Ball que passou a orientar e disciplinar os torneios envolvendo os clubes da localidade, mas sem organizar o campeonato. Em 1917, José Bezerra Cavalcanti, prefeito da Cidade da Paraíba (atual João Pessoa), interditou a prática do esporte no campo do Sítio do Coronel Manoel Deodato, forçando os adeptos da modalidade a procurarem outros locais para a prática desportiva, tais como o campo do Sítio Roger, o da Estrada dos Macacos (atualmente parte das avenidas Coremas e Pedro II) e um campo onde atualmente fica a Avenida João Machado, foi nesse contexto que estudantes do Colégio Pio X conquistaram o torneio entre clubes paraibanos daquele ano, considerado o primeiro torneio oficial em alguns registros, muito embora somente dois anos depois tenha sido criado a Liga Desportiva Paraibana.

O abandono em que se encontrava o torneio desagradava aos seus envolvidos que em busca de uma forma para modernizá-lo, reuniram-se em 3 de maio de 1919 na sede do jornal "O Norte", extinguindo a Liga Parahybana de Foot Ball e criando a "Liga Desportiva Parahybana" (LDP), filiada à Confederação Brasileira de Desportos (CBD) no ano de 1925, que visava organizar e promover de forma oficial a realização do campeonato, feito que passou a acontecer até a edição de 1940. O primeiro jogo sob supervisão da recém formada instituição, ocorreu em 25 de maio de 1919, entre o Sport Club Cabo Branco e o Royal, concluído com o placar de , naquele mesmo ano, o título da primeira edição oficial do Campeonato Paraibano ficaria com o Palmeiras Sport Club, ao passo que o Sport Club Cabo Branco conquistaria no ano seguinte o troféu de campeão estadual, que novamente viria a ser Palmeiras Sport Club na temporada de 1921, quando o clube conquistou o bicampeonato.

Em 1922 o Campeonato Paraibano deu espaço ao Torneio Centenário da Independência do Brasil, vencido pelo Pytaguares Foot Ball Club, o qual por vezes é considerado título estadual, embora não haja consenso uma vez que a LDP encontrava-se inativa naquele período e não realizou torneio naquele ano. Já em 1923, o torneio retorna e tem o América Foot Club como vencedor, clube que junto com o Palmeiras SC e o SC Cabo Branco (surgido a partir de antigos sócios do extinto Club de Foot Ball Parahyba) passam a dominar as edições posteriores do Campeonato, dividindo entre si os títulos das edições realizadas até 1929, quando, após o assassinato do presidente de estado, João Pessoa e as dificuldades de se organizar um campeonato em meio à Revolução de 1930 levaram o torneio a ser cancelado por um ano.

O campeonato voltou a ser disputado na temporada seguinte, em 1931, e as edições posteriores viram somente o SC Cabo Branco e o Palmeiras SC como únicos clubes a levantar a taça, revezando-a até a edição de 1935. O Botafogo de João Pessoa estreou no campeonato na temporada de 1934; o clube, que no decorrer das temporadas posteriores firmou-se como o maior vencedor do torneio, alcançou o vice-campeonato na temporada de 1935, seguindo-se de uma sequência de três títulos: 1936, 1937 (conquistado de maneira invicta) e 1938 sendo que a temporada de 1938 foi a última a permitir a participação apenas de clubes filiados à Liga Pessoense de Futebol.

O futebol se espalhou rapidamente pelo estado nos anos seguintes à sua chegada, estreando em Campina Grande em 1910 e no Sertão do estado na década de 1920, inclusive com o registro da formação dos primeiros clubes no interior, a exemplo do Umbuzeiro Foot Ball Club, de Umbuzeiro, fundando em maio de 1922; do Sabugy Foot Ball Club, de Santa Luzia, fundado em abril de 1923; do Vila Branca Sport Club, de Solânea, fundado em 1924; e do Treze Futebol Clube, fundado no ano seguinte, que viria a ser o primeiro clube fora da Grande João Pessoa a participar da disputa do Campeonato. As duas temporadas seguintes viram os primeiros títulos de dois clubes de relevante história no estado: o , em 1939; e o Treze de Campina Grande, em 1940, cuja conquista figurou como a primeira de um time do interior do estado, numa edição que viria a ser a última organizada pela LDP, na medida em que o Decreto-Lei de 1941 extinguiu as ligas estaduais, entre elas, a Liga Desportiva Parahybana, instituindo a partir de então as federações que ficaram subordinadas ao Conselho Nacional de Desportos, visando a modernização do futebol nacional.

O Decreto-Lei de 1941 de Getúlio Vargas criou a Federação Desportiva Paraibana, que passaria a organizar o Campeonato Paraibano entre os anos de 1941 até 1946, e logo no primeiro ano da Federação Desportiva o Treze conquistou o seu bicampeonato ao vencer a temporada de 1941. A gestão esportiva do estado continuou sem conseguiu atender aos interesses dos clubes e levou a divergências com alguns clubes como o Botafogo, que ainda em 1941 resolveu se afastar da liga e do Campeonato Paraibano por um período que durou dois anos.

Os atletas do Botafogo em 1942 e 1943 disputaram o campeonato pelo Astréa e acabaram por conseguir o bicampeonato para o clube, mas em 1944 e 1945 voltaram a disputar o torneio pelo Belo, conquistando também o bicampeonato, havendo ainda, no período, espaço para o título do Felipeia na temporada de 1946, o único até hoje em sua história. A realização do campeonato permanecia prejudicada, implicando na edição de 1946 com a presença de apenas cinco clubes, tais problemas de gestão da Federação Desportiva Paraibana resultaram em sua desfiliação junto à Confederação Brasileira de Desportos no ano de 1946.

Com a desfiliação e extinção da Federação Desportiva Paraibana foi criada a Federação Paraibana de Futebol no dia 24 de abril de 1947, instituição que passaria a organizar o campeonato a partir de então e logo nos seus primeiros anos, entre 1947 e 1949 assistiu ao segundo tricampenato do Botafogo, com o Treze levando a melhor no torneio de 1950. Os problemas observados durante a época da Federação Desportiva continuaram na Federação Paraibana e a organização de torneios fico comprometida, a exemplo dos problemas que levaram ao cancelamento da temporada do Paraibano de 1951, vindo o campeonato a ser restabelecido no ano de 1952, quando o Botafogo seguiu tendo destaque na disputa estadual, rivalizando com o Auto Esporte quase todas as finais entre 1952 a 1959, período em que o Botafogo conquistou um tricampeonato nas temporadas 1953–1955 e um outro título em 1957, seguido das conquistas do Auto em 1956 e em 1958, cujos dois títulos foram conquistados em um único ano: 1958; pois, após disputas judiciais, as finais de 1956 foram marcadas para março de 1958, com o Auto derrotando o Belo em ambas partidas por , já a temporada de 1959 foi encerrada com o triunfo do Estrela do Mar, ao levantar a taça estadual pela única vez.