300px|thumb|Crescimento da população parisiense após o primeiro recenseamento em 1801
Segundo o INSEE, a população da cidade de Paris é de habitantes em 1 de janeiro de 2007 por uma superfície de hectares, ou seja, uma densidade de habitantes por km, uma das maiores da Europa. Em 2007, a aglomeração definida pelo INSEE compreende 396 comunas e totaliza habitantes. Ainda em 2007, a sua área urbana, incluindo comunas sob forte influência de Paris, atinge habitantes o que a põe entre as maiores metrópoles do mundo.
A demografia de Paris não pode ser vista por si só; ela é totalmente ligada àquela da sua aglomeração. Esse fenômeno deriva da pequena cunha administrativa de Paris, a qual implica que o uso do espaço não se faz mais tanto à escala do conselho quanto à regional.Alfred Dittgen, « Logements et taille des ménages dans la dynamique des populations locales. L'exemple de Paris » , Population, édition française, 60e année, numéro 3, mai-juin 2005, p. 307-347
Após os anos 1950-1960, a população de Paris sofreu um declínio considerável, apesar do aumento do número de moradias; mas desde 1999, cessou esse declínio. O último recenseamento mostra um acréscimo de + 2.5 % entre 1999 e 2006, elevando a população intra-muros desde então a pessoas. A primeira explicação reside na evolução sociocultural comum às sociedades ocidentais, implicando num recuo do número de matrimônios e de nascimentos. Todavia, no caso de Paris, a evolução demográfica se explica melhor com as migrações que com o crescimento vegetativo. Assim, em 1999, a capital registra imigrantes contra nascimentos, e emigrados contra mortos.Insee, recensements de la population et mouvements de la population Abundam outras explicações. Primeiramente, a capital teve uma baixa do número de residentes verdadeiros: em 1999, 10,3 % das moradias estavam vagas, e 5,7 % são residências secundárias ou ocasionais, contra respectivamente 1,6 % e 1,9 % em 1962.
A proporção média de famílias parisienses também caiu muito: a redução do número de casais e do número de crianças por casal tem há muito sido as principais explicações. Porém, havendo a taxa de fecundidade se mantido constante, a diminuição da proporção de famílias parisienses se explica hoje em dia essencialmente pela atração à cidade de jovens adultos que, sem ter filhos, podem se aproveitar dos lazeres e dos empregos da capital e fazer frente aos altos custos habitacionais ao se contentar com moradias menores. Em perspectiva oposta, os casais com novos filhos tendem a migrar aos subúrbios onde há residências de maior espaço e de melhor preço. Essa dinâmica Paris-subúrbio explica as especializações respectivas da capital (da qual 58% das moradias não tem mais que um ou dois cômodos e do resto da região.
Desigualdade social
esquerda|thumb|250px|As famílias abastadas vivem essencialmente a oeste da cidade, enquanto que, no nordeste, há a concentração das populações mais pobres e de origem imigrante
A alta contínua dos preços imobiliários explica a substituição progressiva das populações modestas ou intermediárias por uma nova classe mais abastada. Constata-se tal processo de gentrificação em numerosas outras metrópoles como Londres ou Nova Iorque. Em Paris, essa evolução vulgarizou o termo bobos (a partir de burguês-boêmio, termo ambíguo porém muito usado ao qual os sociólogos raramente fazem referência) antes de provocar uma mutação social de bairros ainda recentemente considerados como populares, tais como o 10º arrondissement ou certas comunas suburbanas próximas (e.g., Montreuil em Seine-Saint-Denis). Paris é a 12ª cidade francesa de mais de habitantes em proporção de pessoas submetidas ao imposto solidário sobre a fortuna (ISF, um imposto sobre fortunas superiores a €790 000), isto é, há 34,5 famílias contribuintes fiscais para cada . contribuintes declaravam um patrimônio médio de euros em 2006. O 16º arrondissement encabeça a lista em número de contribuintes, somando contribuintes. Com euros de receita média por contribuinte em 2001, as famílias parisienses são as mais abastadas da França. Os quatro outros departamentos do topo da lista são todos da mesma região de Paris, a Île-de-France: Hauts-de-Seine, Yvelines, Essonne e Val-de-Marne, o que reflete a concentração de profissões mais qualificadas e de alto salário nessa região.
Mas se Paris tem uma imagem de "cidades dos ricos", com uma proporção de classes sociais elevadas do que alhures, a sociologia do intra-muros permanece uma realidade de contrastes. Deve-se primeiro ressaltar que, segundo o índice de paridade de poder de compra (PPC), as receitas reais dos parisienses são muito inferiores às suas receitas nominais: de facto, o custo de vida no intra-muros (a começar pelo de moradia) é particularmente elevado, e os mesmos produtos custam geralmente mais caro em Paris que no interior. Além disso, as estatísticas de receitas médias frequentemente iludem o observador (como o ressaltou Joseph Stiglitz) pois qualquer receita muito alta (em jargão estatístico, outlier) pode aumentar exponencialmente a receita média da maioria da população. No caso parisiense, o limiar dos 10% de receitas mais altas (o 9º decil) explica em grande parte o alto nível de "receitas médias" da capital: a receita média desse limiar é de euros anuais. É por essa mesma razão que a receita mensal mediana dos parisienses é muito inferior à receita média. As diferenças sociais são tradicionalmente marcadas entre os habitantes do oeste de Paris (essencialmente abastados) e os do leste. Assim, a receita média declarada no 7º arrondissement, a mais elevada, era de euros por contribuinte em 2001, isto é, mais do dobro da do 19º arrondissement que não passa de euros, valor próximo da mediana das receitas de Seine-Saint-Denis de euros. Os 6º, 7º, 8º e 16º arrondissements são classificados ao nível das dez comunas de Île-de-France em receita média mais elevada, enquanto que os 10º, 18º, 19º e 20º arrondissements estão ao nível das comunas mais pobres de Île-de-France. Nota-se enfim fortíssimas disparidades de receita no seio mesmo de todos arrondissements: a razão inter-decil (os 10% das receitas mais elevadas sobre os 10% das receitas mais baixas) menos significante é de 6,7 no 12º arrondissement, contra 13,0 no 2º arrondissement (que apresenta a mais forte dispersão de receitas). Numa perspectiva ampliada, Paris se classifica entre os departamentos da França metropolitana onde as famílias mais pobres têm as menores receitas (81º lugar), e apresenta uma razão interdecil de 10,5 o que a torna o departamento francês com as maiores disparidades sociais.
Nela, se constata, igualmente, a guetoização étnica e social de certos bairros, como o de Barbès-Rochechouart. De facto, a sociologia de certos arrondissements do leste de Paris (como o 19º) se parecem com o de quaisquer bairros sensíveis do subúrbio, não constituindo nada mais que uma extensão extramuros da cartografia social da cidade: o 16º arrondissement se prolonga pelas comunas suburbanas abastadas, enquanto que o nordeste da cidade tem, como apêndice, as comunas de Seine-Saint-Denis, reputadamente pobres. Os 18º, 19º e 20º arrondissements concentram 40 por cento dos pobres em Paris. Certos bairros, como o de Goutte d'Or, contêm todos os males sociais: alta repetência escolar, alto desemprego ou mesmo deficiências de saúde. Assim, 32,6 por cento das famílias parisienses de origem estrangeira de fora da União Europeia vivem abaixo da linha de pobreza; não é esse o caso de mais do que apenas 9,7 % dos franceses de longas raízes.
thumb|Imagem de satélite da aglomeração parisiense vista por satélite. Distingue-se claramente a expansão da urbanização ao longo dos vales e das grandes vias de comunicação Certos bairros se caracterizam por agrupamentos comunitários: o bairro do Marais tem a particularidade de atrair uma importante comunidade homossexual próxima à comunidade judaica asquenaze cuja implantação no entorno da Rue des Rosiers remonta ao s. O 13º arrondissement concentra a maior comunidade asiática da Europa no bairro das Olimpíadas.
Pode-se ademais notar que a sociologia dum bairro pode variar segundo as horas. Na praça da Bastilha, por exemplo, com seus numerosos bares e pontos de vida noturna, é animada à noite por muitos jovens em busca de diversão, enquanto que, durante o dia, é relativamente tranquila.
Entre 1870 e 1940, a capital da França ganhou, pouco a pouco, um novo rosto: Paris deu lugar à "Grande Paris". A organização administrativa de Paris conheceu, sob Napoleão III, uma adaptação à evolução demográfica. Mas a cidade permaneceu restrita somente ao espaço delimitado pelo Muro de Thiers, a saber, os limites de 1860, sem que a administração evoluísse adiante. Efetivamente, Paris, sobrepovoada, foi incapaz de abrigar a significativa imigração provicial. As comunas periféricas absorveram, então, o excesso da expansão demográfica ligada ao êxodo rural e ao crescimento económico da cidade. A noção contemporânea de "subúrbio" fez a sua aparição. Doravante, falou-se menos de Paris que da região parisiense. Devido a serem os subúrbios até então largamente negligenciados, novos problemas, como o de transportes, neles apareceram. Em 1961, à demanda do General de Gaulle, Paul Delouvrier planifica enfim a evolução urbana e elabora a construção de cinco novas cidades-satélite e da rede de RER (Rede Expressa Regional). Mas essa mudança importante não é acompanhada pela criação duma autoridade unitária — pelo contrário, os três departamentos que englobavam a Grande Paris foram divididos em 1968 em oito (Seine-et-Marne intocado; Seine em Paris, Hauts-de-Seine, Seine-Saint-Denis e Val-de-Marne; e Seine-et-Oise em Essonne, Val-d'Oise e Yvelines). Essa divisão pode ter aproximado a administração dos cidadãos, mas dispersa recursos fiscais e competência política. Enquanto que a população da comuna de Paris esteve estagnada por um longo tempo antes de retomar o crescimento nos últimos anos, a população suburbana cresce sem parar desde o fim do e totalizando na virada do XXI mais de 80 % da população da Grande Paris.
Bairros belos e "bairros sensíveis"
A geografia social da aglomeração parisiense é decalcada sobre as grandes tendências da cidade dentro dos seus limites intra-muros desenhados durante o : as classes abastadas se acham no oeste e no sudoeste, nos arrondissements onde mais se ouve falar de crimes do que nos bairros ditos "sensíveis", das classes populares, no norte e no leste. Os outros setores são habitados pelas classes médias, havendo porém exceções ligadas ao sítio e à história de cada comuna: pode-se citar Saint-Maur ao leste e Enghien-les-Bains ao norte, que acolhe uma população ditosa.
Os conjuntos habitacionais foram edificados nos anos 1960 e nos anos 1970 a fim de abrigar rapidamente e por um baixo custo uma população em rápida expansão. Uma certa mistura social lá existia originalmente, mas a concessão de propriedade (aberta às classes médias a partir dos anos 1970), a sua tosca qualidade de construção e a sua má inserção no tecido urbano contribuíram para que deles desertassem todos quantos podiam e para ali fosse atraída uma população sem muita escolha: a proporção de imigrantes pobres lá é enorme.