Isaque I (em amárico: ይሥሓቅ , transc.: yisḥāḳ, também conhecido como Yeshaq) foi Imperador da Etiópia (nəgusä nägäst, 1414 - 1429) e membro da dinastia salomónica. Seu nome de trono era Gabra Masqal II. Foi o segundo filho de Davi I, sua mãe era a rainha Seyon Mangasha

Reinado O reinado de Isaque foi marcado por uma revolta dos Beta Israel. Em resposta, o imperador marchou para a antiga região de Wegera (Vagara, atual Amara), onde derrotou os rebeldes em Kossoge cerca de 30 quilômetros ao norte de Gondar, terminando assim a revolta. Construindo uma suntuosa igreja no local para comemorar sua vitória. James Bruce, Travels to Discover the Source of the Nile (1805 edition), vol. 3, p. 97 Isaque I também invadiu a região dos shanqellas e a dos agaus. Depois disso enviou suas tropas a sudeste, onde enfrentou os filhos de Sabredim II, que haviam retornado do exílio na Península Arábica.

Isaque, segundo o historiador islâmico Almacrizi, contratou um grupo de mamelucos liderados por al-Tabingha para treinar seu exército em artilharia e combate com espadas. Esta é a referência mais antiga a armas de fogo (naft em árabe) na Etiópia. Richard Pankhurst, "Linguistic and Cultural Data on the Penetration of Fire-Arms into Ethiopia", Journal of Ethiopian Studies, Vol. 9, No. 1 (1971), pp. 47–82. Na mesma época, outro visitante egípcio, um copta, "reorganizou o reino", de acordo com Almacrizi ", e coletou tanta riqueza para o Hati [o Imperador] que ele gozou da autoridade do rei". Este Copta sem nome também introduziu a prática do Imperador vestir roupas "esplêndidas" e carregar uma cruz, o que o destacou de seus súditos. Richard Pankhurst, The Ethiopians: A History (Oxford: Blackwell, 1998), pp. 75-ff

George Wynn Brereton Huntingford sugere que foi durante o reinado de Isaque que os governantes da Etiópia deixaram de ter capitais permanentes; em vez disso, suas Cortes eram mantidas em acampamentos enquanto avançavam em seu domínio.Huntingford, The Glorious Victories of 'Amda Seyon King of Ethiopia (Oxford: Clarendon Press, 1965), p. 16 n.

Isaque fez o primeiro contato conhecido da Etiópia pós-axumita com um governante europeu. Ele enviou uma carta de dois dignitários a Afonso V de Aragão, que chegou ao rei em 1428, propondo uma aliança contra os muçulmanos e esta aliança seria selada por um casamento duplo, que exigiria que o infante Pedro de Aragão (irmão de Afonso) levasse um grupo de artesãos para a Etiópia, onde ele se casaria com a filha de Isaque. Não está claro como ou se Alfonso respondeu a esta carta, embora em uma carta que chegou a um sucessor de Isaque, Zara-Jacó (Cosntantino I), em 1450, Alfonso tenha escrito que ele ficaria feliz em enviar artesãos para a Etiópia se a segurança deles fosse garantida, pois em uma ocasião prévia em que enviara um grupo de treze de seus súditos para a Etiópia eles haviam perecido. O. G. S. Crawford (editor), Ethiopian Itineraries, circa 1400–1524 (Cambridge: the Hakluyt Society, 1958), pp. 12f.

Um exemplo notável da literatura etíope que sobreviveu a esse período é um panegírico dirigido a Isaque, que Enrico Cerulli destacou como uma joia da poesia etíope. David Buxton, The Abyssinians (New York: Praeger, 1970), p. 131.

Tadesse Tamrat acredita que as fontes primárias mascararam a morte de Isaque em uma batalha contra os muçulmanos. Isaque foi enterrado em Tadbaba Maryam, um convento do distrito Sayint (região de Amara).

Ver também Lista de imperadores e governantes da Etiópia Dinastia salomónica História da Etiópia

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