miniaturadaimagem|230px|Meghan Markle e Príncipe Harry no dia de Natal de 2017. Em 8 de janeiro de 2020, Príncipe Harry, Duque de Sussex e Meghan, Duquesa de Sussex anunciaram no Instagram sua decisão de "recuar como membros 'sênior'" da família real britânica, dividir seu tempo entre o Reino Unido e a América do Norte e tornar-se financeiramente independentes. Isso foi apelidado de Megxit, uma mala de viagem das palavras "Meghan" e "exit" e uma brincadeira com o termo Brexit, e adotado globalmente nas principais mídias sociais e gerando vários memes na internet e merchandising. O The New York Times registrou: "O 'Megxit' é o novo Brexit em uma Grã-Bretanha dividida por idade e política".

O Megxit levou a uma reunião da família real britânica em 13 de janeiro de 2020 na mansão de Sandringham House, apelidada de "Sandringham Summit" (em português: Cúpula de Sandringham) e descrita como "sem precedentes", e uma rara declaração em primeira pessoa da rainha Isabel II do Reino Unido sobre a sua família. Em 18 de janeiro de 2020, foi anunciado um acordo pelo qual o casal deixaria de usar o tratamento de "Sua Alteza Real" e representar a rainha em eventos oficiais. O resultado foi descrito como "difícil".

O Megxit passou a significar a separação do casal da família real britânica e do protocolo formal da realeza, e os seus planos de independência sob a sua nova marca, a Sussex Royal, marca que no entanto foram depois proibidos de usar, como o termo "royal". O termo também reflete uma suposição amplamente divulgada de que Meghan foi a responsável pelo anúncio e é considerado por alguns como machista e pejorativo. A expressão foi usada anteriormente por trolls da internet contra a Duquesa. O próprio príncipe Harry do Reino Unido afirmaria mais tarde: "A decisão que tomei para que minha esposa e eu recuássemos não foi uma que tomei facilmente… realmente, não havia outra opção".

Antecedentes Anúncio 230px|miniaturadaimagem|direita|Príncipe Harry e Meghan Markle em Março de 2018 Na quarta-feira, 8 de janeiro de 2020, o príncipe Harry do Reino Unido e sua esposa a Meghan, Duquesa de Sussex, anunciaram em sua conta do Instagram a intenção de "afastar-se do papel de membros 'seniores' da família real britânica". A publicação continha um link para um novo site oficial o sussexroyal.com, que fornecia mais declarações sobre a decisão. Foi amplamente divulgado que poucos membros (ou nenhum) da família real britânica haviam aprovado ou tinham conhecimento prévio do anúncio iminente, e o Palácio de Buckingham emitiu uma declaração imediata dizendo: "As discussões com o duque e a duquesa de Sussex estão em um estágio inicial".

Embora parecesse haver meses de conversas sobre o futuro do casal na monarquia britânica, o The Washington Post informou que o anúncio surpresa do casal foi feito como resultado de um vazamento para o jornal The Sun do provável resultado dessas discussões.

Motivações Imediatamente após o anúncio, o repórter do ITV News at Ten Tom Bradby, que havia entrevistado o casal várias vezes durante a sua turnê de outubro de 2019 na África, foi citado em várias fontes dizendo que os Sussex foram informados durante as férias de Natal de seis semanas em Ilha de Vancouver, no Canadá, que eles não fariam parte de uma "monarquia reduzida" e estavam de fato sendo "expulsos". Segundo o The Washington Post, o biógrafo real Robert Lacey afirmou que o príncipe Charles, Príncipe de Gales defendia uma monarquia ativa menor.

Além das declarações de Bradby, outras razões levantadas incluem tratamento hostil contínuo do casal por parte da imprensa britânica de tabloides, e questões de racismo percebido em relação a Meghan.

Em 19 de janeiro de 2020, após o acordo final, o príncipe Harry disse em um discurso:

Segundo o correspondente real da BBC News, Jonny Dymond, o discurso procurou dissipar o que Dymond chamou de "mito de Meghan", sendo "a ideia de que a Duquesa de Sussex está na raiz do desejo do casal de levar uma vida diferente". O The Guardian informou que, no discurso, o príncipe Harry parecia "colocar a culpa nos pés da imprensa", chamando a mídia de "uma força poderosa".

Nome Na mídia O tabloide britânico The Sun é creditado com o primeiro uso do termo "Megxit" em 9 de janeiro de 2020, para descrever o anúncio surpresa do casal de sua decisão. O termo é uma palavra-valise de "Meghan" e "exit", seguindo o padrão do Brexit, a Saída do Reino Unido da União Europeia. Dias depois, alguns dos meios de comunicação britânicos aprofundaram a relevância de "Megxit" e por que eles acreditavam que Meghan, Duquesa de Sussex era a responsável do anúncio. A BBC News comentou que o termo alternativo "Sussexit" era uma tendência nas mídias sociais; no entanto, não atingiu o nível de uso como "Megxit" na mídia convencional.

230px|miniaturadaimagem|esquerda|Príncipe Harry e Meghan Markle em Setembro de 2019 Em 9 de janeiro, o The Hindu observou que, apesar da Câmara dos Comuns ter aprovado naquele dia a histórica lei do Brexit de Boris Johnson, "em vez disso, tornou-se uma nota de rodapé para a decisão do príncipe Harry e sua esposa Meghan de sair da linha de frente das funções reais, batizado 'Megxit' e moldando-se para ser igualmente complicado e divisivo".

Termos alternativos apareceram na mídia, mas não alcançaram o grau de "Megxit". O anúncio não foi uma "abdicação", pois Harry não era um monarca e não estava renunciando a seus títulos (ao contrário do caso da abdicação de Eduardo VIII, ou mesmo de Diana, Princesa de Gales). As declarações seguintes do casal em seu novo site, sussexroyal.com, implicavam que o Duque e a Duquesa de Sussex não estavam de fato "renunciando" por si só, e queriam permanecer patronos de suas instituições de caridade "reais" e queriam participar de atividades reais, enquanto os seus Subsídios Soberanos representavam apenas 5% de sua renda. O termo "recuar" também foi utilizado, inclusive pelo próprio casal.

Em 15 de janeiro, o termo tornou-se tão difundido que o The Times noticiou: "Megxit se transforma em uma mina de ouro", para comerciantes que fizeram roupas e lembranças usando o termo. O The New York Times escreveu que os paralelos entre "Megxit" e "Brexit" eram maiores do que apenas "jogo de palavras inteligente", e que os dois termos envolviam as mesmas divisões na opinião pública britânica de "jovens liberais" (que apoiavam o casal, e que apoiaram a permanência na União Europeia) e "conservadores mais velhos" (que apoiaram a rainha e que apoiaram a saída da UE).

Em 19 de janeiro, ao revisar o acordo final, o The Guardian argumentou que “recuar” não era mais apropriado; no entanto, o casal ainda não havia “renunciado” nem “abdicado” da família real. Ao revisar a reação da mídia ao acordo final, a BBC News disse que “não há vencedores como resultado do que muitas das primeiras páginas estão chamando de ‘Megxit’ — a saída do Duque e da Duquesa de Sussex da linha de frente da realeza”.

Em 28 de janeiro, o termo se tornou suficientemente difundido, para que o Financial Times, em seu suplemento FT Advisor, publicasse um artigo para profissionais de tributação intitulado "E se o seu cliente quiser fazer um 'Megxit'?", enquanto Vanity Fair comentou a piada com “Megxit” feita pelo ator Brad Pitt, no 73.º British Academy Film Awards.

Assédio virtual "Megxit" foi usado anteriormente por haters em assédio virtual contra a Duquesa de Sussex. Desde seu uso na mídia em 9 de janeiro, algumas fontes questionaram a aparente natureza pejorativa do termo e o consideraram mais uma evidência da antipatia que a duquesa havia enfrentado. Em 17 de janeiro, a Vanity Fair publicou: “Embora ‘Megxit’ agora esteja sendo amplamente usado como um truque inteligente para o próximo passo dos Sussexes, foi, de fato, eclodido por trolls on-line que há muito tempo usam o #Megxit como um grito de guerra por uma campanha de ódio contra os duquesa”.

Reestruturação real

Cúpula de Sandringham Em 11 de janeiro de 2020, relatos afirmaram que a rainha reinante Elizabeth II do Reino Unido, avó do príncipe Harry, não foi consultada sobre a decisão, enquanto seu pai, o príncipe Carlos, Príncipe de Gales estava "furioso". Mais tarde, a emissora ITV informou que a rainha havia convocado "reuniões urgentes" com a realeza sênior na mansão de Sandringham House na segunda-feira 13 de janeiro de 2020, que foram apelidadas de "Cúpula de Sandringham" (ou em inglês: Sandringham Summit). O The Times especulou se a reunião resultaria em "Hard Megxit" (Saída Difícil) ou "Soft Megxit" (Saída Suave), e que tal reunião da família real britânica era "sem precedentes".

Após a reunião, a rainha divulgou uma rara declaração em primeira pessoa sobre assuntos familiares, dizendo que eles tiveram "discussões muito construtivas sobre o futuro do meu neto e da família dele" e que "minha família e eu apoiamos totalmente o desejo de Harry e Meghan criar uma nova vida como uma família comum". A rainha Isabel II do Reino Unido foi elogiada por sua ação rápida perante a crise.

Acordo final Em 18 de janeiro de 2020, foi anunciado um acordo segundo o qual o casal não usaria o seu tratamento de "Sua Alteza Real", não receberia mais fundos dos contribuintes e se basearia na América do Norte. A rainha Isabel II do Reino Unido divulgou uma segunda declaração em primeira pessoa dizendo: "Reconheço os desafios que eles enfrentaram como resultado de intenso escrutínio nos últimos dois anos e apoio seu desejo por uma vida mais independente" e concluiu: "É a esperança de toda a minha família que o acordo de hoje lhes permita começar a construir uma nova vida feliz e pacífica".

Embora a declaração previsse como prazo a “Primavera de 2020” (Spring Transition) para a conclusão do contrato, os detalhes conhecidos específicos foram:

Detalhes principais 230px|miniaturadaimagem|direita|Príncipe Harry e Meghan Markle em Setembro de 2019. O casal não representará mais a rainha. Isso contrastava com a declaração anterior do casal em seu site sussexroyal.com de que eles desempenhariam deveres futuros pela rainha. Eles manterão o tratamento de Sua Alteza Real, mas não o usarão, e serão chamados Harry, Duque de Sussex e Meghan, Duquesa de Sussex. Eles serão financeiramente independentes dos contribuintes e do tesouro britânico; e reembolsarão os £ 2,4 milhões de libras gastos na reforma do Frogmore Cottage; O Príncipe Harry do Reino Unido renunciou formalmente a todas as nomeações militares britânicas (incluindo o Capitão General Royal Marines) e não representaria mais oficialmente a família real britânica em cerimônias militares. Harry manteria, durante a Spring Transition, os títulos militares de Major e os postos honorários de Tenente Comandante e Líder de Esquadrão. O casal não poderia mais usar a marca Sussex Royal, o que incluiu o "fechamento" da conta no Instagram, bem com não usaria o termo "royal".

Outros detalhes O casal passará a maior parte do tempo na América do Norte. O Frogmore Cottage continuaria funcionando como sua residência oficial britânica, mas pagariam um "aluguel comercial" por isso. O casal manteria os seus patrocínios e associações particulares (por exemplo, Invictus Games), mas não os da realeza (por exemplo, Embaixador da Comunidade Commonwealth). O príncipe Charles, Príncipe de Gales continuaria a fornecer apoio financeiro.

Cláusulas não incluídas Os arranjos de segurança do casal não eram claros, com a declaração da rainha comentando apenas que "Existem processos independentes bem estabelecidos para determinar a necessidade de segurança com financiamento público". Não ficou claro se a marca "Sussex Royal" poderia ser usada.

Desdobramentos posteriores Em 19 de janeiro de 2020, foi comunicado que o príncipe Charles, Príncipe de Gales forneceria ao casal "apoio financeiro privado" (mas não fundos do Ducado da Cornualha), por um ano inteiro, a fim de dar tempo ao casal para se estabelecer e abordar receios do aumento dos custos de seu novo estilo de vida proposto.