Wanderlei César da Silva (Curitiba, 3 de julho de 1976) é um ex-lutador brasileiro de artes marciais mistas (MMA) que competiu no extinto Pride Fighting Championships, no Japão, e no Ultimate Fighting Championship (UFC), nos Estados Unidos. Especialista em muay thai, é conhecido pelo seu estilo de luta altamente violento e agressivo, sendo considerado um dos maiores strikers (especialista em trocação) da história do MMA.

Wanderlei detém o recorde de mais vitórias, nocautes, defesas de título e maior sequência de vitórias na história do Pride. Foi campeão peso-médio do Pride e campeão do torneio Grand Prix dos pesos-médios em 2003.

Ao lado de nomes como Rodrigo Minotauro, Kazushi Sakuraba, Mark Hunt, Maurício "Shogun" Rua, Fiódor Emelianenko, Dan Henderson e Mirko "Cro Cop", é considerado um dos melhores lutadores do extinto Pride FC, além de ser lenda viva do MMA. Em 2024 foi introduzido ao Hall da Fama do UFC, na ala dos pioneiros do esporte.

Biografia Wanderlei Silva nasceu em 3 de julho de 1976 em Curitiba, Paraná. Entrou com 13 anos na equipe Chute Boxe, onde treinava muay thai e kickboxing com o Mestre Rudimar Fedrigo. Posteriormente, Wanderlei revelou que começou a treinar muay thai pois se achava baixinho e gordinho.

Ao atingir a maioridade, Wanderlei se alistou no serviço militar, ingressando no Exército Brasileiro e se formando como oficial R2 pelo NPOR, no ano de 1995. Durante o tempo em que serviu no exército, chegou a ser promovido até o posto de 1º tenente. Após ser reconhecido pelo seu talento, foi incentivado a se juntar a equipe de jiu-jitsu, para lutar no crescente esporte do vale-tudo. Logo nas primeiras lutas, Wanderlei já mostrava seu jeito frio e seu jogo de agressividade máxima para derrotar adversários, na maioria das vezes, por nocaute. Treinou na Chute Boxe e posteriormente abriu sua própria academia, a Wand Fight Team, nos Estados Unidos, onde passou a treinar ao lado de nomes como Sérgio Morais e Vítor Viana. Quando completou 20 anos, com o rosto todo inchado e vários pontos no supercílio, ouviu do seu pai Horlando Silva "isso não vai dar em nada, arrume um emprego". Ainda assim, Wanderlei continuou com o seu sonho, ganhando seu primeiro prêmio no Japão no valor de US$ 3 500, em 1999. Desde então, o curitibano venceu 34 lutas, perdeu 13 e empatou uma. Foi campeão representando o Brasil nos Prides, evento de MMA realizados no Japão e Estados Unidos; tornou-se ídolo em vários países, especialmente no Japão, onde foi personagem de vídeo game e garoto propaganda de diversos comerciais de TV. Wanderlei é considerado o maior lutador do Pride de todos os tempos e um dos maiores atletas da história do MMA além de ser o maior recordista de lutas, vitórias e nocautes do Pride. Encerrou sua carreira lutando no Bellator.

Wanderlei é casado e tem dois filhos.

Carreira esportiva Início de carreira no Vale Tudo O primeiro evento de Wanderlei Silva como lutador profissional foi na promoção Brazilian Vale Tudo Fighting, ganhando de Dilson Filho com um nocaute no BVT 6 em 1996, e em 1997 no BVT 10 contra Marcelo Barbosa com nocaute técnico devido a uma lesão no ombro de seu oponente.

Em 1997 Wanderlei começou a lutar no International Vale Tudo Championship (IVC), considerado o maior evento de vale-tudo do Brasil na época. Os eventos eram sem luvas, com golpes baixos permitidos (com exceção de dedos nos olhos, golpes nas genitálias e mordidas) e um limite de tempo de 30 minutos sem decisões do juízes. Participando do IVC 2, onde teve sua primeira derrota no cartel para Artur Mariano. Embora Silva tenha dominado Mariano com socos e joelhadas, Silva levou um cortei acima da pálpebra esquerda, que abriu várias vezes, em parte porque Silva continuou a usar o lado cortado da cabeça para infligir muitas cabeçadas em Mariano ao longo da partida. O médico da partida interveio e encerrou a luta.

Depois no IVC 6, IVC 9 e IVC 10, neste último foi consagrado campeão dos pesos pesados do IVC vencendo Eugene Jackson.

Ultimate Fighting Championship A primeira participação do lutador em um evento internacional foi pelo Ultimate Fighting Championship no UFC Brasil, o primeiro evento da organização no Brasil. Na ocasião Wanderlei lutou contra a futura lenda do MMA Vitor Belfort, sendo nocauteado por Belfort em impressionantes 44 segundos.

Voltou a organização em Maio de 1999, em seu primeiro evento internacional no UFC 20 onde derrotou Tony Petarra.

Em 2000 no meio de sua carreira no Pride, o lutador participou do UFC 25: Ultimate Japan 3 pelo título dos meio-pesados da organização contra Tito Ortiz, perdendo após a decisão dos juízes.

Ascensão no Pride Em setembro de 1999, participou pelo primeira vez no Pride Fighting Championships no Pride 7 contra Carl Malenko. A partir daí o lutador começou uma sequência impressionante de vitórias na organização.

Nesta época Wanderlei se destacou em uma luta que fez no PRIDE 12 com Dan Henderson, lutador extremamente perigoso, que durante esta luta, deixou seu rosto desfigurado; por muita convicção e certa tolerância dos médicos responsáveis, Wanderlei prosseguiu a luta. Enxergando praticamente de um só olho, Wanderlei impôs seu ritmo explosivo, e com muito vigor conseguiu reverter a situação e saiu vencedor.

Em pouco tempo, Wanderlei desafiava Kazushi Sakuraba, o então carrasco de brasileiros. Impondo seu ritmo agressivo e devastador, Wanderlei venceu Sakuraba rapidamente e de forma convincente: surgia um novo ícone brasileiro. Posteriormente, em 2006, em resposta a Rickson Gracie, que na ocasião tinha 50 anos e disse que o MMA esta nivelado por baixo, Wanderlei desafiou a lenda, que não respondeu ao desafio.

Em 2005, aos 29 anos, Wanderlei Silva foi considerado o maior lutador de Vale Tudo de todos os tempos. Representando o Brasil nos Prides internacionais e ídolo em vários países, é personagem de vídeo game e garoto propaganda de diversos comerciais de TV. Seu rosto foi imortalizado em bonecos de diversos tamanhos e teve uma participação num filme japonês sobre lutas marciais.

Wanderlei virou uma marca e passou a vender produtos com seu rosto. Também lançou uma marca própria de roupas, a Wand, que oferece confecções e acessórios esportivos fight wear e sport wear. A moda ganhou destaque principalmente em academias por ser apropriada para luta e treinos, mas a linha passeio também tem excelente aceitação. Quase toda a produção é destinada à exportação, mas no Brasil é encontrada em vários pontos de venda.

The Axe Murderer Devido as suas incríveis exibições no Pride, Wanderlei Silva ganhou um apelido em suas lutas: The Axe Murderer, que significa O Assassino do Machado por causa de suas joelhadas que e como se fosse machados cortando. Também tem um apelido brasileiro: Cachorro Louco, por avançar sem medo sobre seus adversários. Só no Pride, Wanderlei escreveu uma história à parte: foi vitorioso diversas vezes batendo nomes como Dan Henderson, Quinton Jackson e Guy Mezger.

Para os japoneses, o estrago foi ainda maior: Kazushi Sakuraba, Daijiru Matsui, Yuki Kondo, Ikuhisa Minowa, Shungo Oyama e Hidehiko Yoshida foram alguns dos nomes derrotados por Wanderlei. É isso que o torna um dos lutadores mais populares de todos os tempos, no Japão. Segundo os japoneses, Wanderlei Silva é adorado por mostrar um jogo de striker com algumas técnicas de chão. Seus chutes e socos são vistos como herança do caratê e de suas ramificações. Porém, são os nocautes e a agressividade que mais impressionam o público. O curitibano poucas vezes foi visto defendendo-se no decorrer das lutas, já que ataca incessantemente, sem dar um passo para trás, até que o adversário caia aos seus pés. Esse tipo de postura, no ringue, tornou-se sua marca registrada e passou a ser imitado por diferentes lutadores dos mais variados países.

Carreira em declínio e a perda do cinturão As sucessivas vitórias de Wanderlei no Pride foi quebrada por Mark Hunt, um campeão de K-1, em 31 de dezembro de 2004, no Shockwave 2004. Hunt ganhou um combate que não contava para o título por decisão. A mesma foi controversa, já que muitos pensavam que os quase 25 quilos de diferença entre os lutadores e o fato de que Silva dominou todo o terceiro round não foram consideradas suficientemente pelos juízes. Randy Couture e Bas Rutten, ambos comentaristas do evento, expressaram seu desacordo com a decisão, Silva perdeu por decisão dividida.

A posição de Silva nos pesos médios de Pride foi tema de crítica e debate devido a sua derrota em frente a Ricardo Arona, em 28 de agosto de 2005, no combate das semifinais do Pride Grand Prix 2005: Final Conflict. A derrota, por decisão unânime, foi a sua primeira derrota em um combate dos pesos médios no Pride.

Em 31 de dezembro do 2005, no torneio Pride-Shockwave, Wanderlei recuperou o campeonato dos pesos médios do Pride derrotando Ricardo Arona por decisão dividida.

No dia 1 de julho do 2006, Wanderlei entrou ao Grand Prix como o substituto de Fiódor Emelianenko (estava recuperando-se de uma cirurgia) e venceu Kazuyuki Fujita por knock-out técnico depois do dominar toda a luta tanto parado como no andar. Como preparação para este Open Weight, Silva nesta ocasião subiu de peso até chegar a 105 quilos, no entanto, na semifinal deste Grand Prix, Silva foi nocauteado por Mirko Filipović por um chute alto na cabeça.

miniatura|200px|Wanderlei Silva em 2007

Em 24 de fevereiro de 2007, Wanderlei perdeu o título dos pesos médios de Pride, o qual foi campeão durante seis anos, depois de ser derrotado por Dan Henderson no terceiro round do combate principal do Pride 33 "Second Coming".

Retorno ao UFC Em 17 de agosto de 2007, o UFC anunciou que tinha assinado com Wanderlei Silva para concorrer na organização, e que o brasileiro retornaria ao octógono em 29 de dezembro de 2007, no UFC 79. Depois de meses de especulação sobre o adversário Silva, o presidente Dana White anunciou que Chuck Liddell seria seu adversário para a luta que marcaria seu retorno ao UFC.

A luta tão esperada aconteceu em 29 de dezembro, porém Wanderlei Silva perdeu para Chuck Liddell por decisão unânime. Após a luta, Silva disse: "Ganhar ou perder: eu gosto é de apanhar pelos meus fãs". O brasileiro também acrescentou que deu o seu melhor e prometeu que da próxima vez daria uma vitória aos seus fãs.

Mantendo a sua promessa, em 24 de maio de 2008 no UFC 84 em Las Vegas, Wanderlei ganhou um nocaute uma decisiva vitória contra Keith Jardine com 36 segundos de luta no primeiro round por interrupção técnica, o que lhe valeu como "O Melhor Nocaute da Noite".

No UFC 92, Wanderlei lutou contra seu maior rival no MMA Quinton "Rampage" Jackson, que havia vencido por duas vezes anteriormente no Pride. Jackson vingou sua derrota anterior batendo Silva com um gancho de esquerda no primeiro Round. Após a luta, Silva afirmou que gostaria de enfrentar Jackson novamente, para o 4º e, possivelmente, uma 5ª luta, sabendo que já teria dois nocautes certos contra Jackson.

Após a derrota Wanderlei conheceu Rich Franklin no UFC 99, na Alemanha. Após uma luta muito disputada em ambos os lados, Silva perdeu por decisão unânime para Franklin. Durante a segundo Round, Silva balançou Franklin com fortes socos que quase terminou a luta naquele momento. Porém Rich Franklin usou melhor seu jogo derrubando Silva três vezes no octógono, impressionando os jurados da evento. Depois do resultado anunciado o público Alemão vaiou constantemente a decisão dos árbitros.

Após sua segunda derrota consecutiva, Silva anunciou que não lutaria mais em 2009. O brasileiro declarou que passaria por uma cirurgia facial para consertar seu nariz (que foi quebrado durante a sua segunda luta contra Mirko "Cro Cop") e sua sobrancelha, para evitar sangramentos em suas futuras lutas.

O próximo desafio de Silva seria o inglês Michael Bisping no UFC 110, na Austrália.

Superação