Jaqueline Goes de Jesus (Salvador, 19 de outubro de 1989) é uma biomédica, doutora em patologia humana e pesquisadora brasileira. Distinguiu-se por ser a biomédica que coordenou a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do vírus SARS-CoV-2 apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso de COVID-19 no Brasil. Também fez parte da equipe liderada por pesquisadores ingleses que sequenciou o genoma do vírus Zika.

Vida Pessoal Jaqueline Goes de Jesus é natural de Salvador, no estado da Bahia, no nordeste brasileiro.

Ainda na adolescência, decidiu seguir a carreira de biomédica. Sua primeira experiência em pesquisa envolveu o estudo do vírus da imunodeficiência humana (VIH), tema que, segundo relatos posteriores, influenciou sua decisão de prosseguir na carreira científica.

Em 2022, participou como palestrante do V Encontro de Pós-graduação em Genética e Biologia Molecular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no qual discutiu a sub-representação de mulheres, pessoas negras, indígenas e pessoas trans na pós-graduação e na carreira científica brasileira. Na ocasião, relacionou diversidade e produção científica, citando exemplos de pesquisas cujos resultados foram impactados pela ausência de recortes raciais, como falhas técnicas em dispositivos médicos

Em entrevistas concedidas a veículos especializados e à imprensa a partir de 2023, Goes relatou experiências pessoais associadas à sua trajetória como mulher negra no meio científico. Nessas declarações, destacou dificuldades de ascensão de mulheres a cargos de liderança e apontou desigualdades de gênero e raça nas estruturas acadêmicas e institucionais, além de mencionar episódios de discriminação racial vivenciados ao longo da carreira.

A pesquisadora também afirmou que a projeção pública decorrente de sua atuação durante a pandemia de COVID-19 ampliou a visibilidade de debates sobre representatividade na ciência, aspecto que, segundo ela, pode contribuir para incentivar o ingresso de jovens de grupos historicamente sub-representados na carreira científica.

Carreira Científica Após a sua graduação em Biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, obteve o mestrado em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI) pelo Instituto de Pesquisas Gonçalo Moniz - Fundação Oswaldo Cruz (IGM-FIOCRUZ). Mais tarde, tornou-se doutora em Patologia Humana e Experimental pela Universidade Federal da Bahia em ampla associação com o IGM-FIOCRUZ. Atualmente, é pós-doutoranda no Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e professora-adjunta de Bioquímica da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Depois de ter estudado o VIH, no início da sua carreira, a cientista integrou o projecto Zibra, tendo percorrido o nordeste brasileiro para sequenciar o genoma do vírus de zika. No pós-doutorado, tem-se dedicado à investigação da dengue 2.

A pesquisadora integra, ainda, o Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Brazil-UK Centre for Arbovirus Discovery, Diagnosis, Genomics and Epidemiology), um projeto de monitoração de epidemias com o objetivo de dar respostas em tempo real.

Em 2020, fez parte uma equipa coordenada por Ester Cerdeira Sabino de que fazem parte dezenas de cientistas. Vários membros da equipe participaram na sequenciação do genoma do vírus SARS-CoV-2. Os resultados chegaram em apenas 48 horas - um tempo muito abaixo da média mundial de 15 dias, apenas igualado pelo Instituto Pasteur, na França. A equipe de investigação do Instituto Adolfo Lutz recebeu as amostras do primeiro paciente brasileiro infectado no dia 26 de fevereiro e, depois de escrito pelos parceiros internacionais, os resultados foram publicados dois dias depois, no dia 28, no site Virological.org, um fórum de discussão de especialistas em virologia e epidemiologia.

A sequenciação permitiu diferenciar o vírus que infectou o paciente brasileiro do genoma identificado em Wuhan, o epicentro da epidemia na China. As amostras revelaram que este caso estava mais próximo de versões do coronavírus observadas na Alemanha no final de Janeiro.

A equipe, igualmente, sequenciou o código genético do segundo caso diagnosticado no Brasil. Neste caso, o vírus aproximava-se de estirpes analisadas na Inglaterra.

Reconhecimentos O trabalho de Jaqueline Goes de Jesus recebeu destaque, em março de 2020, por meio de moção de aplausos, na Assembleia Legislativa da Bahia. No documento, o deputado Isidório Filho (Avante) evidenciou a importância do sequenciamento. “A alta performance de Jaqueline indica, sem medo de errar, que o que falta à ciência brasileira é investimento, pois talento e capacidade de fazer mais é um predicativo que nos sobra”, comentou o deputado.

Embora a equipe inclua dezenas de cientistas nacionais e internacionais, as cientistas Ester Sabino e Jaqueline Goes de Jesus são regularmente principalmente as homenageadas. Em 6 de março 2020, pelo estúdio Maurício de Sousa Produções como duas personagens da Turma da Mônica. Na imagem divulgada nas redes sociais do grupo, Ester aparece como Magali e Jaqueline como Milena, a primeira protagonista negra da marca. A imagem faz parte do projeto Donas da Rua, que tem apoio da ONU Mulheres e foi desenvolvido pela filha de Maurício de Sousa, Mônica. A ideia do projeto do estúdio é usar as versões animadas para celebrar e homenagear mulheres relevantes na ciência, nas artes, na política e em outros campos da sociedade.

Em 2020, Jaqueline Góes de Jesus foi vencedora do Prêmio CAPES de Tese na área de Medicina II, concedido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo trabalho Vigilância genômica em tempo real de arbovírus emergentes e reemergentes.

Em 2021, foi uma das mulheres homenageadas pela empresa Matel que produziu uma linha da boneca Barbie dedicada a mulheres que estiveram na linha da frente do combate à pandemia da Covid 19.

Em 2022, recebeu a Comenda Zilda Arns e o Prêmio Mulheres na Ciência Amélia Império Hamburger, em reconhecimento à sua atuação científica e ao impacto de seu trabalho durante a pandemia. No mesmo ano, foi incluída na lista das “20 Mulheres de Sucesso do Brasil”, publicada pela revista Forbes Brasil. O reconhecimento destacou sua trajetória científica e sua atuação durante a pandemia de COVID-19, em especial a coordenação da equipe responsável pelo sequenciamento genético do SARS-CoV-2 nos primeiros casos registrados na América Latina.

Em 2023, Jaqueline Góes de Jesus foi premiada na 18ª edição do programa Mulheres para a Ciência, iniciativa do Grupo L’Oréal no Brasil em parceria com a Academia Brasileira de Ciências e a UNESCO no Brasil. O reconhecimento foi concedido na categoria Ciências da Vida, em razão de uma pesquisa sobre o transporte internacional de patógenos por passageiros assintomáticos em meios de transporte, com foco na rota entre Angola e Brasil, abordando os impactos da globalização na vigilância epidemiológica no período pós-pandemia de COVID-19. O prêmio apoiou a execução do projeto ao longo de 12 meses em instituição nacional.

Prêmios

Ano Distinção Tipo Ref.2020Prêmio CAPES de TesePrêmio Científico 2022 Comenda Zilda Arns Condecoração 2022 Prêmio Mulheres na Ciência – Amélia Império Hamburger Prêmio científico 2023Mulheres para a CiênciaPrêmio científico

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