Jean Ernest Reynaud (Lyon, 14 de fevereiro de 1806 – 28 de junho de 1863, Paris) foi um filósofo francês.

Biografia Ele estudou no colégio real de Lyon, a conselho de seu tutor Merlin de Thionville, depois ingressou na École Polytechnique e tornou-se engenheiro de minas. Ele se juntou ao movimento sansimoniano e fez parte de seu núcleo dirigente, chamado de "hierarquia de produtores", que incluía seus três líderes, Barthélemy Prosper Enfantin, Saint-Amand Bazard e Olinde Rodrigues, e outros membros importantes do grupo, como Henri Forunel, Abel Transon, Charles Chevalier, Philippe Buchez e Pierre Leroux. Mas, como os dois últimos, ele logo foi muito crítico à conversão progressiva do movimento em uma seita, embora, diferentemente de seu amigo Leroux, permanecesse fiel ao ensino do «mestre» Henri de Saint-Simon. Foi por um tempo adepto das ideias de Saint-Simon, mas não aderiu muito à doutrina posteriormente.

Em 1831, ele publicou Religion saint-simonienne. Prédication sur la constituticon de la propiété, trabalho em que ele adiantou em cinquenta anos a tese apoiada por Engels, seguindo a Lewis Morgan, em A origem da família, da propriedade privada e do Estado de que o nascimento e a extensão da propriedade estavam intimamente ligados à instituição familiar, anterior à formação do Estado.

Nessa obra, ele também denunciou que os privilégios provenientes do nascimento não haviam sido completamente abolidos pela Revolução Francesa e, seguindo o seu "mestre", vinculou religião e trabalho, considerando-o como o maior dom que Deus havia concedido aos homens e como fonte da riqueza, porque sem "os obreiros" não haveria "amos" nem "capitais", portanto deveria formar a base de uma nova organização da sociedade, na qual os "ociosos" não teriam lugar.miniaturadaimagem|Sepultura de Reynaud no Cemitério Père Lachaise, Paris, com escultura "O Gênio da Imortalidade" por Henri Chapu|alt=|esquerda Em 1833, ele fundou, com Pierre Leroux, a Encyclopédie nouvelle, na qual ele escreveu vários artigos. Ambos tinham por objetivo atualizar a Enciclopédie de Diderot, com novos conceitos destinados à promoção da reforma social e esclarecimento da população trabalhadora.

Durante a revolução de 1848, ele foi enviado pelos eleitores de Mosela à Assembleia Constituinte. Ele foi subsecretário de Estado da educação pública no ministério Hippolyte Carnot. Na segunda metade de 1848, ele ocupou a cadeira de direito político da efêmera École d'administration.https://www.revuedesdeuxmondes.fr/article-revue/lecole-dadministration-et-le-college-de-france-en-1848/, p. 118. Nomeado Conselheiro de Estado em 1849, ele não ficou muito tempo neste cargo. Ele também foi professor na Escola de minas de Paris e foi substituído após o golpe de Estado de 1851 por Hippolyte de Villeneuve-Flayosc. Fugindo inicialmente para Nice, retirou-se da vida política em exílio íntimo e passou a se dedicar a teorias religiosas.

Sua esposa instituiu um Prêmio Jean Reynaud que a Academia distribuiria.Cheysson, E. (1896). Biographie de Jean Reynaud. In Gauthier-Villars et fils (1897). Livre du Centenaire (Ecole Polytechnique), III.

Ele está enterrado no Cemitério do Père Lachaise (72ª divisão) , em uma tumba adornada com uma alegoria de Chapu e um medalhão de David d'Angers.

Neto de Alexis-Antoine Régny, ele era irmão do famoso engenheiro e arquiteto Léonce Reynaud e do almirante Aimé Reynaud.

Obras

Terre et ciel, 1854. Certamente o seu livro mais importante. Reynaud propõe o princípio da preexistência do homem e sua sobrevivência em outros astros. Tomando grande liberdade no contexto religioso da época, Reynaud reviveu uma certa imagem do druidismo, redefiniu a oposição entre anjos e demônios e rejeitou o dogma das penas eternas. Um concílio de bispos reunidos em Périgueux condenou seu livro, que permanece até hoje uma curiosidade filosófica e literária. Nessa obra, propôs também uma doutrina de reencarnação, e ela ingressou no Índex dos Livros Proibidos; Allan Kardec reconheceu-o como um precursor das ideias espíritas. Considérations sur l'esprit de la Gaule, 1847. O trabalho foi retirado do artigo druidismo na « Encyclopédie nouvelle ». Discours sur la condition physique de la terre, 1840. Outro trecho da « Encyclopédie nouvelle ». Choix de lettres, 1861. Cartas escritas por Merlin de Thionville, com a vida de Merlin como prefácio. Œuvres choisies, lectures variées, 1865. Histoire élémentaire des minéraux usuels, Paris, Hachette, coll. « La Bibliothèque des merveilles », 1867, 2e éd. Mémoire sur la constitution géologique de la Corse, [Paris], Société géologique de France, 1833 (online [arquivo])

Bibliografia

« Jean Reynaud », em Adolphe Robert et Gaston Cougny, Dictionnaire des parlementaires français, Edgar Bourloton, 1889-1891 [detalhe da edição] David Albert Griffiths, Jean Reynaud, encyclopédiste de l’époque romantique, d’après sa correspondance inédite, Paris : M. Rivière, 1965.

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