O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Inep) é um órgão público da Guiné-Bissau, vinculado ao Ministério da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica, sediado no Complexo Escolar 14 de Novembro, na cidade de Bissau. Criado pelo Decreto nº 31, de 10 de novembro de 1984, o INEP tem como missão o desenvolvimento, fomento e divulgação de pesquisas nas áreas de ciências sociais e naturais, contribuindo para o desenvolvimento do país e a valorização de seus recursos humanos. Histórico O INEP foi fundado em 1984 por iniciativa de Carlos Lopes, que mobilizou um grupo de intelectuais guineenses comprometidos com o desenvolvimento do país, entre os quais se destacam Carlos Cardoso, Diana Lima Handem e Abdulai Silla. A criação do instituto surgiu como resposta às deficiências na área de investigação científica na Guiné-Bissau pós-colonial, com o objetivo de promover estudos teóricos e aplicados que contribuíssem para o desenvolvimento nacional.
Um dos maiores desafios enfrentados pelo INEP desde sua fundação foi a organização de uma biblioteca funcional e de arquivos históricos. Após a independência da Guiné-Bissau em 1973, o antigo Centro de Estudos da Guiné Portuguesa, que incluía a Biblioteca Nacional, os Arquivos e o Museu Etnográfico, foi esvaziado para dar lugar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. Durante o processo de remoção e armazenamento em locais inadequados, uma parte significativa da rica coleção de livros, documentos valiosos e peças de arte foi perdida ou danificada.
Com o apoio financeiro e técnico da SAREC (Suécia) e do CRDI (Canadá), o INEP conseguiu estabelecer a Biblioteca Pública, a única do país, com mais de 80.000 referências, e os Arquivos Históricos Nacionais (AHN), que reúnem uma vasta coleção de documentos coloniais oficiais recuperados não apenas dos antigos arquivos centrais em Bissau, mas também de vários centros administrativos regionais.
Impacto da Guerra Civil O INEP foi um dos órgãos públicos mais afetados pela Guerra Civil na Guiné-Bissau, ocorrida entre 1998 e 1999. Durante o conflito, sua sede foi praticamente destruída, resultando na perda de mais de 60% do acervo e na destruição total dos equipamentos. Após o fim da guerra, o INEP iniciou um longo processo de reconstrução de sua infraestrutura e de reorganização dos documentos remanescentes. Estrutura e Atividades miniaturadaimagem|Fotografia do prédio da sede do Inep, em Bissau. O INEP é constituído por três principais centros de pesquisa, dedicados a estudos antropológicos, históricos/políticos e assuntos contemporâneos de desenvolvimento socioeconômico e ambiental. Além disso, o instituto coordena e mantém em suas instalações a Biblioteca Pública Nacional, com cerca de 70.000 volumes, e os Arquivos Históricos Nacionais da República da Guiné-Bissau, depositários de toda a documentação colonial e pós-colonial.
Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações do governo para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento. Os trabalhos do INEP são disponibilizados para a sociedade por meio de publicações, conferências, colóquios, seminários e jornadas de reflexão, que visam a difusão dos resultados das investigações científicas e o desenvolvimento do próprio instituto. Publicações O INEP mantém a "Soronda - Revista de Estudos Guineenses", uma das principais publicações científicas do país, dedicada à divulgação de pesquisas nas áreas de ciências sociais e humanas.Soronda - Revista de Estudos Guineenses. Memórias d'África e d'Oriente - Universidade do Aveiro. [s/d]. Além disso, o instituto publicou dezenas de livros na série monográfica Kacu Martel e centenas de artigos em outras revistas científicas. Recentemente, a série literária Kebur adicionou oito novos títulos à já extensa lista de publicações do INEP, totalizando mais de 250 publicações desde sua fundação.
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