A imigração alemã no Paraná teve início com a chegada dos primeiros colonos à região em 1829. Os alemães formam um dos mais importantes grupos da imigração brasileira. Sua influência é muito notada no Sul do Brasil onde marcaram a paisagem com suas habitações típicas. No Paraná influenciaram as atividades agrícolas, a culinária, a religiosidade, a formação de cooperativas, instituições educacionais, grupos folclóricos e diversas festividades.
Ao Paraná, os primeiros imigrantes alemães que chegaram em 1829 eram provenientes da região de Trier, da Bucovina e da Baviera, se estabelecendo em Rio Negro. A partir de 1878, alemães do Volga (alemães-russos), estabeleceram-se nos Campos Gerais, próximos à Ponta Grossa e Lapa. Em 1951, alemães transferiram-se de Santa Catarina para o Paraná e fundaram a colônia Witmarsum, no município de Palmeira. Este núcleo centralizava várias aldeias numa cooperativa, onde seus habitantes industrializam o leite. Alemães "suábios do Danúbio" fundaram, no município de Guarapuava, a colônia Entre Rios, onde se dedicam à agricultura. No norte, os alemães se concentravam em Cambé Londrina e em Rolândia, e a oeste, em Marechal Cândido Rondon que realiza, todo ano, a mais famosa Oktoberfest do Paraná. Também eram bastante numerosos em Curitiba.
Regiões colonizadas
O Paraná pode ser dividido basicamente em cinco regiões de colonização alemã: Litoral; Curitiba e Campos Gerais; Centro-Sul; Norte; Oeste. Depois de formarem núcleos em diversas localidades, muitas famílias se dispersaram para outros municípios do estado. Além de Rio Negro, a primeira colônia alemã no Paraná, outros municípios também formaram colônias alemãs pelo estado.
No litoral do Paraná, formaram colônias em Guaraqueçaba, Morretes e Paranaguá. Curitiba formou uma grande colônia alemã com núcleos dispersos em vários bairros. Também na região está Almirante Tamandaré, Lapa, Contenda, Palmeira, Ponta Grossa, Ipiranga, Ivaí, Carambeí, Castro e Cerro Azul. Na região centro-sul do Paraná colônias foram estabelecidas em União da Vitória Porto Vitória, Porto União (que antes pertencia ao Paraná) e Cruz Machado, além de Irati, Imbituva, Prudentópolis e Guarapuava.
Na região norte, as principais colônias foram estabelecidas em Cambé, Londrina, Rolândia, Ortigueira e Joaquim Távora, no norte pioneiro. A partir de 1940 imigrantes alemães e seus descendentes migraram do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina para ocupar a região oeste do Paraná. O principal núcleo que se formou foi em Marechal Cândido Rondon, além de Toledo, Maripá, Nova Santa Rosa, Quatro Pontes, Palotina, Pato Bragado e Missal. No sudoeste o destaque são para os municípios de Capanema, Planalto e Francisco Beltrão.
História thumb|esquerda|200px|Edifício do antigo Seminário São Luís de Tolosa, fundado por padres alemães em Rio Negro. A imigração ou colonização dos alemães no estado do Paranáhttps://books.google.co.ve/books?id=TwGjw6Qdp4AC&printsec=frontcover Os Alemães no sul do Brasil: cultura, etnicidade, história foi estimulada por D. Pedro I, como uma alternativa para trazer trabalhadores de outras partes do mundo. O sentido dado à imigração foi um fator cultural, servindo para a independência nacional no setor econômico. Com a proclamação da República, o serviço de imigração voltou à responsabilidade da União, mediante auxílio à diferentes estados. Nesse sentido, os germânicos foram os primeiros europeus (depois dos portugueses) a emigrarem para o Brasil. Ocupar vazios demográficos, buscar mão de obra e suprir a crise de abastecimento de alimentos e bens primários eram os principais objetivos que levaram o Paraná a fomentar uma política migratória.
A primeira onda de imigração de alemães que chegou ao Brasil, fez com que esses se dirigissem, a partir de 1824, para Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
No dia 30 de junho de 1828 imigrantes alemães deixaram o porto da região de Bremen, na Alemanha, a bordo do navio Charlotte Louise, com destino para o Brasil. Atravessando o oceano atlântico, chegaram em Santos em outubro do mesmo ano. Em janeiro de 1829 chegaram no porto de Antonina. Em 19 de fevereiro de 1829, com o apoio e incentivo do Barão de Antonina, os grupos de imigrantes chegaram no sul de Curitiba e juntos formaram próximo as margens do rio Negro a colônia do Rio Negro, considerada a mais antiga colônia alemã no Paraná. Inicialmente, eram cerca de 200 alemães. Posteriormente, no ano de 1833, uma nova leva de cem imigrantes alemães juntou-se aos primeiros colonos da colônia, que já abrigava luxemburgueses, austríacos, suíços e brasileiros. thumb|200px|Mapa da Província do Paraná em 1866. Ainda na década de 1830, alemães agricultores fundaram uma colônia na Serra Negra, município de Guaraqueçaba. Em 1852 foi fundada a Colônia Agrícola de Superagüi, na Ilha de Superagui, com colonos alemães, suíços e franceses.
A partir de 1850 diversos colonos alemães começaram a se estabelecer entre Ivaí e Ipiranga. Os primeiros alemães chegaram juntamente com imigrantes poloneses e holandeses, onde fundaram colônias agrícolas. Entre as colônias, estão Tayó (Ipiranga) e Bom Jardim (Bitumirim).
Em 1860 foi fundada a Colônia Assungui, município de Cerro Azul. Em 1876 a colônia contava com 259 alemães, além de brasileiros, ingleses, franceses, suíços e italianos.
O segundo fluxo imigratório ocorreu entre as décadas de 1870 e 1880. Em Almirante Tamandaré foram fundadas as colônias São Venâncio em 1871 por 133 imigrantes alemães e 27 suecos, e a colônia Lamenha fundada por silesianos e alemães. Entre 1877 e 1878 chegaram em Ponta Grossa 2381 russos-alemães que se estabeleceram na Colônia Octávio, subdividida em 17 núcleos na área rural. Na mesma época a Colônia Sinimbú de Palmeira recebeu 240 famílias de alemães do Volga, sendo 471 católicos e 291 protestantes. As famílias foram divididas em núcleos como: Pugas, Lago, Santa Quitéria, Alegrete, Papagaios Novos e Quero-Quero. Os alemães da região do Volga, eram pessoas predestinadas à colonização. Vieram como imigrantes pobres, acreditando que poderiam cultivar o trigo no solo duro dos campos da região das savanas. De modo geral, as colônias não prosperaram, onde consideravam a experiência um insucesso. Com dificuldades de fixação nas áreas que lhes foram ofertadas, muitos migraram para cidades e outras regiões. thumb|esquerda|200px|Mapa mostrando a dispersão das colônias alemãs no Sul do Brasil em 1905. O mapa é incompleto. Em 1878 foi fundada em Morretes a Colônia Nova Itália, sendo a grande maioria imigrantes italianos. O núcleo América, desta colônia, contou com imigrantes alemães, suíços, franceses e italianos. Em 1879 foi fundada a Colônia Maria Luiza, entre as colônias Alexandra e Pereira, em Paranaguá. A colônia contou com imigrantes alemães, italianos e russos. Ainda na década de 1870 alemães fixaram residência na Colônia Cupim, em Imbituva. Em 1885 colonos alemães e poloneses fundaram a Colônia Contenda, as margens do rio Contenda, próximo a Lapa.
A Colônia Federal de Ivay foi fundada em 1907 e compreendia colonos alemães, austríacos, russos e poloneses. De acordo com dados do censo de 1915, Ivay contava com aproximadamente 2560 austríacos, 590 russos, 471 brasileiros, 84 alemães, 18 holandeses e 5 suíços. No censo de 1918 as informações apontavam que na Colônia Federal Ivay viviam 3854 pessoas, entre elas, imigrantes alemães, russos, poloneses e ucranianos, vindos da região da Galícia.
Entre 1910 e 1916, colonos alemães se estabeleceram entre União da Vitória, Porto Vitória e Cruz Machado, formaram colônias na região a exemplo da colônia Amazonas. A terceira leva de imigrantes ocorreu em meados da Primeira Guerra Mundial, a partir de 1914, pelo empobrecimento da Alemanha. Já a última grande onda ocorreu na década de 1940 ao longo da Segunda Guerra Mundial (1944). O cultivo de erva mate e a pecuária estimulavam e favoreciam a imigração. Em 1919, entre 70.000 e 80.000 emigrantes da porção austríaca do Império Austro-Hungaro viviam no estado do Paraná e eram frequentemente subsumidos nas categorias de “alemães”, “italianos”, "rutenos", "ucranianos" ou “poloneses” conforme a língua que falavam; apagando-se assim as categorias culturais e nacionais.https://www.bmeia.gv.at/fileadmin/user_upload/Vertretungen/Brasilia/Dokumente/A_emigracao_de_austriacos_para_o_Brasil.pdf
No norte do Paraná, perto de Londrina, estabeleceram-se em meados de 1930, alemães originários de Danzig (hoje parte da Polônia), judeu-alemãeshttp://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1485-6.pdf e teutobrasileiros filhos de imigrantes alemães que tinham se radicados em Santa Catarina e Rio Grande do Sul que remigraram para o norte do estado Paraná e ocuparam a região de Cambéhttps://cidades.ibge.gov.br/brasil/pr/cambe/historico e Rolândia. Em 1933 o pastor Wilhelm Fugmann fundou a Colônia Augusta Vitória, no município de Ortigueira. Também em 1933 foi fundada a Colônia Terra Nova com 116 famílias no município de Castro. Após esse período, o estado registrou outros fluxos menores.
Em 1951, um grupo de alemães que haviam se estabelecido no município de Witmarsum, em Santa Catarina, transferiu-se para o o município de Palmeira, no Paraná, e fundaram a Colônia Witmarsum na fazenda Cancela. Esse grupo étnico-religioso, teve sua origem na Frísia, entre Holanda e Alemanha, imigrando para a Rússia no século XVIII e no século XX ocuparam diversas colônias no Brasil, Estados Unidos, México, entre outros países. Essas famílias trouxeram a religião menonita, o cooperativismo, e outros elementos da cultura alemã, como língua, educação e culinária, sendo considerada uma comunidade trilíngue: plautdietsch, hochdeutsch e português).https://www.ufrgs.br/biblioestudosetnicos/parana/alemaes/
Também em 1951 foram fundadas cinco colônias agrícolas que deram origem ao distrito de Entre Rios, em Guarapuava. As colônias foram ocupadas por aproximadamente 500 famílias alemãs suábias do Danúbio. Os suábios eram alemães que ocupavam o vale do rio Danúbio e foram expulsos de suas terras. Como imigrações coletivas de alemães, tem também o empreendimento da Sociedade Maripá (Companhia Madeireira Rio Paraná), perto de Toledo, no oeste do Paraná.
Chegada dos alemães a Curitiba
Os primeiros alemães se instalaram no Centro Histórico, São Francisco e proximidades até a altura da Praça Tiradenteshttps://cbncuritiba.com/os-alemaes-foram-a-primeira-etnia-de-imigrantes-a-chegar-a-curitiba/. A instalação dos alemães em Curitiba não constava dos planos do governo imperial, grande incentivador da imigração, como forma de ocupação dos espaços vazios existentes no pais no inicio do século XIX.
Após a chegada em 6 de fevereiro de 1829, data consagrada a fundação de Rio Negro, as famílias alemãs passaram a enfrentar muitas dificuldades de adaptação, devido a sua vocação predominantemente urbana. Então, foram à Curitiba inúmeras famílias entre 1830 e 1840. O mesmo problema ocorria nas colônias de Santa Catarina, entre elas, a Colônia Dona Francisca, hoje Joinvillehttps://passaportealemao.com.br/190-anos-da-imigracao-alema-no-parana/, e muitos imigrantes alemães acabaram reimigrando e convergindohttp://www.abphe.org.br/arquivos/ricardo-costa-de-oliveira.pdf para a capital paranaense Curitiba, após 1850, via São Bento do Sul, estabeleceram-se principalmente ao norte do Rocio, formando diversas chácaras na região. A vinda foi promovida pelo clima mais ameno do planalto e pela situação econômica favorável da recém-instalada capital da mais nova província, em Curitiba o salário foi quase o dobro comparado com o de Colônia Dona Francisca. Consequentemente, pode-se dizer que os alemães que reimigraram da região de Joinville e Blumenau para Curitiba no século XIX, encontraram um cenário melhor preparado no Paraná do que nas duras condições pioneiras naquelas localidades.https://core.ac.uk/download/pdf/30383024.pdf