Triângulo das Bermudas, também conhecido como Triângulo do Diabo, é uma região vagamente definida no Oceano Atlântico Norte, delimitada aproximadamente pela Flórida, Bermudas e Porto Rico. Desde meados do século XX, tornou-se o foco de uma lenda urbana que sugere que muitas aeronaves, navios e pessoas desapareceram lá sob circunstâncias misteriosas. No entanto, investigações extensas feitas por fontes confiáveis, incluindo o governo dos Estados Unidos e organizações científicas, não encontraram evidências de atividade incomum, atribuindo os incidentes relatados a fenômenos naturais, erro humano e interpretações equivocadas.
Origens A primeira sugestão de desaparecimentos incomuns na área das Bermudas surgiu em um artigo escrito por Edward Van Winkle Jones, do Miami Herald, que foi distribuído pela Associated Press e apareceu em vários jornais americanos em 17 de setembro de 1950.
Dois anos depois, a revista Fate publicou "Sea Mystery at Our Back Door" (“Mistério no Mar à Nossa Porta”), um artigo curto de George X. Sand, que foi o primeiro a delinear a agora famosa área triangular onde as perdas ocorreram. Sand relatou o desaparecimento de vários aviões e navios desde a Segunda Guerra Mundial: o desaparecimento do Sandra, um cargueiro; a perda em dezembro de 1945 do Voo 19, um grupo de cinco bombardeiros torpedeiros da Marinha dos EUA em missão de treinamento; o desaparecimento em janeiro de 1948 do Star Tiger, um avião de passageiros da British South American Airways (BSAA); o desaparecimento em março de 1948 de um barco de pesca com três homens, incluindo o jóquei Albert Snider; o desaparecimento em dezembro de 1948 de um voo charter de um DC-3 da Airborne Transport, que ia de Porto Rico para Miami; e, em janeiro de 1949, o desaparecimento do Star Ariel, outro avião de passageiros da BSAA.
O caso do Flight 19 foi novamente abordado na edição de abril de 1962 da The American Legion Magazine. Citado em James R. Lewis (editor), Satanism Today: An Encyclopedia of Religion, Folklore, and Popular Culture, page 72, segment by Jerome Clark (ABC-CLIO, Inc., 2001). Nela, o autor Allan W. Eckert escreveu que o líder do voo foi ouvido dizendo: “Não podemos ter certeza de nenhuma direção... tudo está errado... estranho... o oceano não parece como deveria.” Em fevereiro de 1964, Vincent Gaddis escreveu um artigo chamado "The Deadly Bermuda Triangle" (“O Mortal Triângulo das Bermudas”) na revista Argosy, afirmando que o Flight 19 e outros desaparecimentos faziam parte de um padrão de eventos estranhos na região, datando pelo menos desde 1840. No ano seguinte, Gaddis expandiu esse artigo em um livro chamado Invisible Horizons.
Outros escritores desenvolveram as ideias de Gaddis, incluindo John Wallace Spencer (Limbo of the Lost, 1969, republicado em 1973);Spencer, 1969. Charles Berlitz (O Triângulo das Bermudas); e Richard Winer (The Devil's Triangle, 1974). Vários desses autores incorporaram elementos sobrenaturais.
Área do Triângulo O artigo de Sand na Fate descreveu a área como "um triângulo aquático delimitado aproximadamente pela Flórida, Bermudas e Porto Rico". O artigo de Gaddis na Argosy definiu ainda mais os limites, dando seus vértices como Miami, San Juan e Bermudas. Escritores posteriores nem sempre seguiram essa definição. Alguns deram limites e vértices diferentes para o triângulo, com a área total variando de 1,3 a 3,9 milhões de km². De fato, alguns autores chegaram a estendê-lo até a costa da Irlanda, segundo um programa da BBC de 1977. Consequentemente, a determinação de quais acidentes ocorreram dentro do triângulo depende de qual escritor os relatou.
Críticas ao conceito Larry Kusche Larry Kusche, autor de The Bermuda Triangle Mystery: Solved (1975),Kusche, 1975. argumentou que muitas das alegações feitas por Vincent Gaddis e escritores subsequentes eram exageradas, duvidosas ou impossíveis de verificar. As pesquisas de Kusche revelaram uma série de imprecisões e inconsistências entre os relatos de Berlitz e os depoimentos de testemunhas, participantes e outras pessoas envolvidas nos incidentes originais.
Kusche concluiu que:
O número de navios e aeronaves desaparecidos na área não era significativamente maior, proporcionalmente, do que em qualquer outra parte do oceano. Em uma região frequentemente afetada por ciclones tropicais, o número de desaparecimentos que realmente ocorreram não era, na maioria dos casos, desproporcional, improvável ou misterioso. Além disso, Berlitz e outros autores frequentemente não mencionavam essas tempestades e, às vezes, até apresentavam os desaparecimentos como ocorridos em condições de mar calmo, quando os registros meteorológicos claramente contradiziam isso. Os próprios números foram inflados por pesquisas descuidadas. Por exemplo, o desaparecimento de um barco poderia ser noticiado, mas seu eventual retorno ao porto — ainda que tardio — não era posteriormente informado. Alguns desaparecimentos considerados misteriosos, na realidade, não eram. Berlitz, por exemplo, citou um avião que se acreditava ter desaparecido em 1937, mas que, na verdade, caiu na costa de Daytona Beach, na Flórida, na frente de centenas de testemunhas. Kusche concluiu que a lenda do Triângulo das Bermudas é um mistério fabricado, perpetuado por escritores que, intencionalmente ou não, se aproveitaram de equívocos, raciocínios falhos e sensacionalismo.
Outras respostas Quando o programa de televisão britânico The Bermuda Triangle (1992) foi produzido por John Simmons, da Geofilms, para a série Equinox, o mercado de seguros marítimos Lloyd's de Londres foi questionado se um número anormalmente grande de navios havia afundado na área do Triângulo das Bermudas. O Lloyd's concluiu que não houve um número elevado de naufrágios na região. A empresa não cobra taxas de seguro mais altas para embarcações que atravessam essa área. Os registros da Guarda Costeira dos Estados Unidos confirmam essa conclusão. Na verdade, o número de desaparecimentos supostamente ocorridos é relativamente insignificante, considerando o volume de navios e aeronaves que passam regularmente por lá.
A própria Guarda Costeira também se mostra oficialmente cética em relação ao Triângulo, destacando que, através de suas investigações, coleta e publica uma ampla documentação que contradiz muitos dos relatos divulgados pelos autores que defendem o mistério. Em um desses casos, envolvendo a explosão e o naufrágio do petroleiro V. A. Fogg em 1972, a Guarda Costeira fotografou os destroços e recuperou vários corpos, contrastando com a alegação de um autor que dizia que todos os corpos haviam desaparecido, com exceção do capitão, que teria sido encontrado sentado em sua cabine, à mesa, segurando uma xícara de café. Além disso, o V. A. Fogg afundou na costa do Texas, bem longe dos limites geralmente aceitos do Triângulo.
O programa Nova/Horizon exibiu, em 27 de junho de 1976, o episódio The Case of the Bermuda Triangle. O episódio foi bastante crítico, afirmando que "Quando voltamos às fontes originais ou às pessoas envolvidas, o mistério simplesmente desaparece. A ciência não precisa responder perguntas sobre o Triângulo porque essas perguntas não são válidas... Navios e aviões se comportam no Triângulo da mesma forma que em qualquer outro lugar do mundo."
Pesquisadores céticos, como Ernest Taves e Barry Singer, observaram como os mistérios e o paranormal são temas extremamente populares e lucrativos. Isso levou à produção de uma enorme quantidade de material sobre tópicos como o Triângulo das Bermudas. Eles conseguiram demonstrar que parte desse material favorável ao paranormal frequentemente é enganoso ou impreciso, mas seus produtores continuam a comercializá-lo. Assim, eles afirmam que o mercado é tendencioso a favor de livros, programas de TV e outras mídias que reforçam o suposto mistério do Triângulo, e desfavorece materiais bem pesquisados que adotam uma visão cética.
Em um estudo realizado em 2013, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) identificou as 10 áreas marítimas mais perigosas do mundo para a navegação — e o Triângulo das Bermudas não estava entre elas.
Benjamin Radford, autor e investigador científico de fenômenos paranormais, comentou em uma entrevista sobre o Triângulo das Bermudas que pode ser muito difícil localizar uma aeronave perdida no mar, devido à vasta área de busca. Embora o desaparecimento possa parecer misterioso, isso não significa que seja algo paranormal ou inexplicável. Radford também destacou a importância de conferir e checar cuidadosamente as informações, pois o mistério em torno do Triângulo das Bermudas foi criado por pessoas que negligenciaram esse cuidado.
A NOAA atribui a maioria dos desaparecimentos no Triângulo a fatores ambientais, como furacões, mudanças súbitas no clima provocadas pela Corrente do Golfo e águas rasas perigosas. A Marinha dos Estados Unidos rejeita qualquer explicação sobrenatural, enfatizando causas naturais e erro humano. Além disso, o Conselho de Nomes Geográficos dos EUA não reconhece o Triângulo das Bermudas como uma localização oficial, devido à falta de evidências que o distingam de outras regiões oceânicas.
Tentativas de explicação hipotética Explicações naturais Variações nas bússolas Segundo Nick Hutchings essa área é semelhante um vulcão submarino que erodiu em milhões de anos e informa a presença de magnetita em amostras do local; o material naturalmente mais magnético, pode potencialmente interferir com equipamentos de navegação, causando anomalias.
thumb|upright|Imagem com falsas cores da Corrente do Golfo fluindo para o norte através do Oceano Atlântico Norte. (NASA)
Corrente do Golfo A Corrente do Golfo é uma corrente oceânica que se origina no Golfo do México, e então passa através do Estreito da Flórida, indo ao Atlântico Norte. Em essência, é um rio dentro do oceano, e como um rio, pode e carrega objetos flutuantes. Tem uma velocidade de superfície ao redor de 2,5 m/s (6 mph). Um pequeno avião fazendo um pouso na água ou um barco tendo problema no motor serão carregados para longe da reportada posição pela corrente, como aconteceu com um cruzeiro chamado Witchcraft em 22 de Dezembro de 1967, quando foi reportado um problema no motor próximo a um marcador de boia a uma milha (1,6 km) da costa, mas o navio não estava lá quando a Guarda Costeira chegou.
Ondas gigantes Em vários oceanos ao redor do mundo, as ondas gigantes têm causado o afundamento de navios e a queda de plataformas de petróleo. Estas ondas são consideradas como sendo um mistério e até recentemente eram acreditadas como sendo um mito. No entanto, as ondas gigantes não explicam a perda de aviões. No entanto, o fato de que existem 300 metros de ondas presentes dentro do triângulo, os cientistas acreditam que pode ser uma razão por trás de tantos aviões afundados no mar dentro dele.Bermuda Triangle mystery ‘solved,’ scientists claim Scientists claimed that the Rogue waves are the reason behind it. por Amit Malewar (2019)
Hidratos de metano
thumb|400px|Distribuição mundial de sedimentos de hidratos de gás metano, em 1996.
Uma explicação de algumas das desaparições aponta a presença de várias zonas de hidratos de metano sobre as placas continentais.
Em 1981, o United States Geological Survey informou a aparição destes hidratos na área de Blake Ridge (no sudeste dos EUA).WoodsHole.er.usgs.gov (informação sobre a aparição de hidratos). As erupções frequentes de metano poderiam produzir regiões de água espumosa que não dão sustentação suficiente aos barcos.
Formação hexagonal das nuvens