Os protestos contra a morte de George Floyd ou protestos antirracistas nos Estados Unidos são uma série de protestos e agitação social que tiveram início na cidade de norte-americana de Minneapolis em 26 de maio de 2020. Os protestos começaram em reação ao assassinato de George Floyd, um afro-americano de 46 anos que morreu durante uma detenção em que Derek Chauvin, um polícia do Departamento de Polícia de Minneapolis, se ajoelhou sobre o pescoço de Floyd durante cerca de oito minutos enquanto três outros polícias observavam.

A agitação social teve início com protestos na Região Metropolitana de Minneapolis-Saint Paul em apoio ao movimento Black Lives Matter, que rapidamente se alastraram a nível nacional e a mais de cidades em mais de 60 países. Os protestos prolongaram-se ao longo dos meses de junho e julho. Estima-se que à data de 3 de julho tivessem já participado entre 15 e 26 milhões de pessoas nos protestos nos Estados Unidos, o que os torna os maiores protestos na História do país.

Embora a maioria dos protestos tenham sido pacíficos, em algumas cidades os protestos foram acompanhados de tumultos, pilhagens, e confrontos com a polícia. Vários elementos da polícia responderam aos protestos com violência, incluindo violência contra jornalistas. Face à intensa agitação social, em 3 de junho pelo menos 200 cidades norte-americanas tinham imposto recolher obrigatório e mais de 30 estados tinham mobilizado cerca de  efetivos da Guarda Nacional. Em 30 de junho, tinham sido detidas pelo menos pessoas, entre as quais os quatro agentes da polícia envolvidos na detenção que resultou na morte de George Floyd.

Os protestos deram origem a numerosas propostas de lei a nível municipal, estadual e federal, com o objetivo de combater a má conduta da polícia, o racismo institucional, a imunidade qualificada e a brutalidade policial nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o governo de Trump tem sido amplamente criticado pela resposta de linha-dura e militarizada e retórica agressiva.Para críticas à reação da administraçãoo Trump, consultar:

Os protestos levaram à remoção de várias estátuas e memoriais e alterações de nomes em todo o mundo. Os protestos ocorreram durante a pandemia de COVID-19.

Antecedentes

Em 25 de maio de 2020, às 20:08, horário local, oficiais do MPD responderam a uma ligação do 911 sobre uma ocorrência de "falsificação" em andamento na Chicago Avenue South, no bairro Powderhorn, Mineápolis. Segundo a polícia, George Floyd, um afro-americano de 46 anos, estaria em um carro próximo e parecia ser o suspeito. Um porta-voz do departamento de polícia disse que os policiais ordenaram que ele saísse do veículo, momento no qual ele supostamente resistiu fisicamente à abordagem. Um vídeo feito por uma testemunha mostra Floyd sendo removido de seu veículo sem qualquer iniciativa de arrosto.

Segundo o MPD, os policiais "foram capazes de algemar o suspeito e notaram que ele parecia estar sofrendo de problemas médicos". Uma ambulância foi chamada. No entanto, uma transmissão ao vivo do Facebook, gravada por um espectador, mostrou que Derek Chauvin, um policial branco de 48 anos, sufocou Floyd no chão e estava ajoelhado em seu pescoço. Os policiais são ensinados que este tipo de contenção, com um indivíduo em posição de bruços, é "intrinsecamente perigosa". Floyd repetidamente diz a Chauvin "Por favor" e "Não consigo respirar", enquanto uma testemunha afronta o policial: "Você o derrubou. Deixe ele respirar". Floyd então afirma que estava "prestes a morrer", levando Chauvin a sugerir para que ele relaxasse. Depois de algum tempo, um presente indica que Floyd estava sangrando pelo nariz enquanto outro espectador notifica à polícia que Floyd não estaria "resistindo à prisão no momento". A polícia reage, anuindo que Floyd estava "falando, ele está bem". O espectador responde dizendo que Floyd "não está bem". Um outro presente então protesta que a polícia estava impedindo Floyd de respirar, exortando-os a tirá-lo do chão: "você poderia tê-lo colocado no carro agora. Ele não está resistindo à prisão ou a nada. Você está gostando. Olhe para você. Sua linguagem corporal".

Floyd fica quieto e imóvel, no entanto, Chauvin não levanta o joelho do pescoço de Floyd. Uma ambulância chega e Chauvin não tira o joelho até os serviços médicos de emergência colocarem Floyd em uma maca. Chauvin esteve ajoelhado no pescoço de Floyd por cerca de sete minutos, quatro minutos depois que Floyd parou de se mover. Os médicos não conseguiram detectar um pulso e Floyd foi declarado morto no hospital.

Repercussão cronológica

Primeiro dia: 26 de maio Os protestos surgiram durante o meio-dia de 26 de maio, horário local, um dia após a morte de Floyd. Centenas de pessoas marcharam até a delegacia da 3ª Delegacia do MPD para expressar seu descontentamento com a polícia de Mineápolis. O protesto se tornou violento quando a 3ª Delegacia foi vandalizada com tinta spray; os carros da polícia também foram depredados. No que parecia ser um impasse por volta das 20:00, na mesma noite, a polícia em equipamento anti-motim disparou balas de borracha e agentes químicos contra manifestantes, os quais, em represália, desferiram garrafas de água contra.

Segundo dia: 27 de maio Os protestos continuaram em 27 de maio, inclusive na Chicago Avenue South. Por volta das 18 horas, a polícia disparou balas de borracha e gás lacrimogênio perto da Avenida Hiawatha e da Rua Lake, enquanto manifestantes destruíam janelas da delegacia. No começo da noite, um homem branco, usando equipamento de proteção preto, respirador com máscara facial e portando um guarda-chuva, caminhou casualmente até um estabelecimento Autozone ao lado do departamento de polícia e talou as janelas do prédio com um martelo. Usuários de mídias sociais alegaram que o homem logrado de um guarda-chuva remontaria a, na verdade, um policial disfarçado do Departamento de Polícia de Saint Paul; o Departamento de Polícia de Saint Paul emitiu uma declaração via Twitter negando as contestações, retratando-se. esquerda|miniaturadaimagem| Grafites com os dizeres que "Vidas Negras Importam", lema do movimento social de mesmo nome dos EUA, em uma loja da Target, que fora saqueada na Lake Street, Mineápolis, na manhã de 28 de maio. Mais tarde, à noite, vídeos circularam no Twitter, Facebook e outras plataformas de mídia social, exibindo o comercio, Autozone, em carbonização da East Lake Street. Uma loja Target nas proximidades foi saqueada extensivamente por uma multidão de pelo menos 100 pessoas. Naquela noite, um homem foi morto a tiros por um dono de uma loja de penhores que acreditava que ele estivesse roubando seu negócio. O proprietário, de 59 anos, foi preso em conexão com a morte.

Terceiro dia: 28 de maio miniaturadaimagem| Bombeiros observando os danos em Mineápolis na tarde de 28 de maio. Estado de emergência foi declarado em Mineápolis em 28 de maio pelo prefeito Jacob Frey, e 500 soldados da Guarda Nacional de Minnesota foram enviados para a área.

Pela manhã, mais de 30 empresas em Mineápolis foram danificadas por manifestantes. Em Saint Paul, uma loja da Dollar Tree e outra da Target foram saqueadas, e um restaurante da Wendy foi incinerado. O Departamento de Polícia de Saint Paul informou que 170 empresas foram danificadas ou saqueadas na quinta-feira, e dezenas de incêndios foram destilados. Na noite de 28 de maio, revoltosos perto da Delegacia de Polícia do 3º Distrito incendiaram prédios próximos por dois lados. As cercas ao redor da instalação foram demolidas. Então, a polícia no local usou gás lacrimogêneo contra os militantes, enquanto as tensões e as chamas continuavam. O prédio da Terceira Delegacia foi invadido por manifestantes no final da noite, sendo ulteriormente queimado.

Quarto dia: 29 de maio Não havia presença da polícia, bombeiros ou suporte médico na área onde os tumultos incoaram-se, por volta das 10:00 da noite do horário local em 28 de maio, e continuou a não ter presença até as primeiras horas de 29 de maio. Às 1:30 da manhã no horário local, em 29 de maio, o prefeito Frey realizou uma conferência de imprensa sobre o alvoroço e condenou as ações dos saqueadores como "inaceitáveis". Frey disse que os indivíduos envolvidos na algazarra serão "responsabilizados" pelos danos causados à comunidade e que Mineápolis é "forte como o inferno".

Mais tarde naquela manhã, às 5:11, o repórter da CNN Omar Jimenez, descendente de afro-americanos e colombianos, e a equipe de filmagem que o acompanhava foram presos por oficiais da Patrulha Estadual de Minnesota, quando Jimenez fazia a cobertura televisionada ao vivo. Jimenez se identificou a si e a equipe como jornalistas. As autoridades disseram que a equipe não seguiu as ordens e a deteve. A CNN divulgou um comunicado dizendo que a prisão violou os direitos da Primeira Emenda dos repórteres, obtestando sua libertação imediata. A equipe foi libertada cerca de uma hora depois, após uma intervenção do governador de Minnesota, Tim Walz.

Em 29 de maio, o presidente Donald Trump indicou no Twitter que enviaria os militares a Mineápolis para controlar os tumultos, se o governador não pudesse; isso ocorreu depois que o governador Walz assinou uma ordem executiva para enviar a Guarda Nacional de Minnesota a Mineápolis, oficialmente para proteger propriedades e permitir que os bombeiros locais fizessem seu trabalho. Essa medida segue a publicação de Trump no início do dia, na qual ele criticou "o prefeito da esquerda radical muito fraco, Jacob Frey", e sua falta de controle sobre o desastre.

No final da tarde, o governador Walz impôs um toque de recolher para as cidades de Mineápolis e Saint Paul, que seria executado a partir das 8:00 às 18:00 nos dias de 29 de maio até 30 de maio. O prefeito de Mineápolis, Jacob Frey, também emitiu um toque de recolher semelhante. Kirk Varner, diretor de notícias da KSTP-TV, afiliada local da ABC, divulgou um comunicado depois que surgiram alegações de que o repórter Rich Reeve estaria incitando a violência ao reproduzir ruídos de tiros em seu telefone para promover uma reação. Em uma tentativa de impedir que as teorias da conspiração circulassem nas mídias sociais, a emissora divulgou o vídeo na íntegra, mostrando um homem que estava disparando uma arma ao ar enquanto manifestantes atravessavam paralelamente, pelo qual Reeve posteriormente ilustrou para manifestantes próximos para informar-se acerca do incidente.

Derek Chauvin foi acusado de homicídio de terceiro grau e homicídio culposo em 29 de maio. Apesar do anúncio das acusações e do novo toque de recolher, a insurreição foi reerguida novamente na noite de sexta-feira e bem no início da manhã de sábado, com Ben Crump, advogado representante da família de Floyd, altercando que "Esperávamos uma acusação de assassinato em primeiro grau. Queremos uma acusação de assassinato em primeiro grau. E queremos ver os outros policiais presos". A presença da polícia era supostamente "indetectável", pois a violência em Mineápolis se expandiu rapidamente até pouco antes da meia-noite, quando policiais, soldados estaduais e membros da Guarda Nacional começaram a confrontar manifestantes com gás lacrimogêneo e força em massa. A Associated Press informou que o Pentágono recebeu ordens de preparar tropas, que seriam enviadas às cidades gêmeas. As autoridades haviam declarado que os 350 policiais no local do tumulto eram amplamente superados em número pelas multidões.

Quinto dia: 30 de maio