Carla Akotirene, Carla Adriana da Silva Santos, nascida em (Salvador, 05 de Maio de 1980) é uma militante antirracista, pesquisadora e intelectual ativista em gênero e raça, e escreve para colunas sobre movimento negro, racismo, feminismo negro, segurança pública e sistema de Justiça no Brasil. Pesquisadora reconhecida nacionalmente pelos estudos sobre interseccionalidade.

Recebeu a Comenda Maria Quitéria, em setembro de 2025, maior honraria da Câmara Municipal de Salvador que consagra a trajetória de mulheres que contribuem a partir de suas atividades com a cidade de Salvador e do estado da Bahia.

Biografia Carla Akotirene estudou Patologia Clínica no Instituto Anísio Teixeira (IAT) entre 1998 e 1999. Nesse ínterim, esteve envolvida com o Núcleo de estudantes negras Matilde Ribeiro, Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra e a coordenação nacional da Campanha Contra o Genocídio da Juventude Negra (seção Bahia).

Suas atividades intelectuais também reúnem conferências sobre igualdade racial, políticas para as mulheres e a juventude em eventos, como Encontro Nacional de Juventude Negra, pesquisa sobre violência letal e mapeamento de adolescentes e jovens que morrem em unidades de internamento, projeto Escola Plural do Instituto Ceafro, coordenado por Nazaré Lima, Licia Barbosa e Valdecir Nascimento. Criou o Opará Saberes, para contribuir no ingresso de pessoas negras, especialmente mulheres, nos programas de pós-graduação em universidades públicas brasileiras.

Começou sua formação no ensino superior no curso de bacharelado em Serviço Social da Universidade Católica do Salvador. Desenveu pesquisa de mestrado em Estudos Feministas pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia, no qual pesquisou a interseccionalidade no Conjunto Penal Feminino de Salvador, e abordou a questão das mulheres no sistema prisional. No doutoramento em estudos de gênero, mulheres e feminismos, pela mesma universidade, realizou um estudo comparativo entre as lógicas de racismo e sexismos institucionais nas prisões masculinas e prisões femininas, a partir do conceito da interseccionalidade.

Em 2016, Akotirene foi referenciada pelo coletivo feminista Think Olga como uma das Mulheres Inspiradoras daquele ano. A lista reuniu nomes de mais de 200 mulheres, grupos e coletivos cujas contribuições "merecem ser reconhecidas, valorizadas e incentivadas".

Em 2017, foi indicada por Djamila Ribeiro ao Trip Transformadores como uma das "sete mulheres de ação que nos ajudam a repensar a sociedade". Nesse mesmo ano, participou no evento "Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras", em Salvador, juntamente com outras mulheres negras convidadas para analisar a obra da escritora Conceição Evaristo.

Em setembro 2018, Akotirene lançou o seu primeiro livro autoral "O que é Interseccionalidade?", através da Editora Letramento. A publicação faz parte coleção Feminismos Plurais, dirigida pela filósofa Djamila Ribeiro, e traz olhares e críticas ao conceito de Interseccionalidade. No mesmo ano, apresentou a conversa Feminismos Plurais na Feira Literária das Periferias, junto com Joice Berth, Juliana Borges e Silvio Almeida. Essa feira literária reuniu mais de 80 autores da Inglaterra, Camarões, França, EUA, Senegal e Brasil.

Ainda em 2018, foi uma das especialistas convidadas pela ONU Mulheres para partilhar a sua visão como especialista negra sobre temas, como violência contra as mulheres negras; racismo nas cidades; mídia; trabalho decente e crescimento econômico; entre outros; e formas de o Brasil atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O evento ocorreu de 23 a 27 de julho, por meio da ação digital #MulheresNegrasNosODS, desenvolvida pela ONU Mulheres Brasil em parceria com o Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030.

Em março de 2020, o participou da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, realizada em parceria com o Itaú Cultural, na mesa Contradições no Debate da Cultura como bem comum, que contou também com as convidadas Daniele Small (RJ), Grazi Medrado (MG), Gyl Giffony (CE), Jaqueline Elesbão (BA) e Jé Oliveira (SP).

Também em 2020, a revista Vogue publicou uma lista de 10 obras fundamentais escritas por mulheres negras, na qual incluiu a obra "Interseccionalidade", de Akotirene. Do mesmo modo, Interseccionalidade foi incluída na revista Glamour, que recomendou 5 livros teóricos para entender a luta antirracista no Brasil. Desde junho 2020, Carla Akotirene é colunista da Revista Vogue Brasil.

Ela também foi uma das convidadas das Talks do Festival GRLS! do Canal GNT, dividindo a mesa de debate Cancelar e ser Cancelado com Linn da Quebrada, João Vicente e Pai Rodney.

Carla, que trabalhou como cordeira e segurança do tradicional bloco africano Ilê Aiyê na década de 1990, retornou em 2020 à casa do bloco, a Senzala do Barro Preto, onde foi homenageada especial em evento por sua luta pelos direitos das mulheres negras.

Akotirene é frequentemente apresentada como uma autora de referência no tema do feminismo, do combate à homofobia e ao racismo.

Principais ideias De acordo com Akotirene, a interseccionalidade é uma forma metodológica de se pensar como as mulheres são atravessadas por múltiplas diferenciações. No que se trata das mulheres negras, a interseccionalidade revela problemas além do racismo, como o machismo, o sexismo, entre outras formas onde as opressões se encontram.

"A interseccionalidade visa dar instrumentalidade teórico-metodológica à inseparabilidade estrutural do estrutural do racismo, capitalismo, e cisheteropatriarcado- produtores de avenidas identitárias em que mulheres negras são repetidas vezes atingidas pelo cruzamento e sobreposição de gênero, raça e classe, modernos aparatos coloniais" (AKOTIRENE, 2019, p.19).

Reconhecimento Em 2021, Carla Akotirene foi um das personalidades nomeadas pela lista Bantumen Powerlist 100, onde se encontram reunidas as "As 100 Personalidades Negras Mais Influentes da Lusofonia".

Obras

2018 - O que é interseccionalidade? - ISBN 9788598349695 2020 - Ó pa í, prezada! Racismo e sexismo institucionais tomando bonde nas penitenciárias femininas - ISBN 9786550940034

Ver também Feminismo negro Intersecionalidade Djamila Ribeiro Cis-heteropatriarcado Referências

Ligações Externas

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