Jesús Seade Kuri (Cidade do México, 24 de dezembro de 1946) é economista, diplomata e político com amplo conhecimento em negociações comerciais e gestão de crises financeiras internacionais. É desde 1 de dezembro de 2018 subsecretário para a América do Norte do Ministério (Secretaria) de Relações Exteriores (SRE) do México. https://mvsnoticias.com/noticias/nacionales/senado-ratifica-nombramiento-de-kuri-como-subsecretario-para-america-del-norte-de-sre/​

Pela sua trajetória profissional no âmbito do comércio internacional, em março de 2018​ foi convidado pelo então candidato presidencial Andrés Manuel López Obrador para ser seu representante na renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN/NAFTA), que nesse momento estava a cargo do governo de Enrique Peña Nieto. Ao chegar à referida negociação como parte da equipa de transição do Presidente Eleito López Obrador — depois da sua eleição a 1 de julho de 2019—, Seade contribuiu de forma significativa para desbloquear a negociação e concluir com êxito um novo acordo comercial, justo e benéfico para o seu país, que fortalecesse a colaboração para o seu desenvolvimento num contexto de respeito mútuo entre os países envolvidos.

De nacionalidade mexicana e libanesa, o Embaixador Seade residiu por longos períodos na Grã-Bretanha, na Suíça, nos Estados Unidos, em Hong Kong SAR, na República Popular da China (RPC), e no seu país natal, México, assim como um ano entre França e o Brasil, tendo trabalhado em estreita colaboração com funcionários e autoridades locais em mais de 70 países em África, na América Latina, Ásia (incluindo a China), na Europa, no Médio Oriente e na América do Norte. Uma parte destacada da sua carreira tem sido o desempenho de funções de alto nível nos três principais organismos económicos globais: no Banco Mundial (BM) onde, muito jovem, foi responsável pelos trabalhos económicos sobre o Brasil; no Fundo Monetário Internacional (FMI), no qual esteve a cargo da remissão massiva da dívida de 15 países de África, e liderou os trabalhos referentes às sérias crises financeiras da Turquia, do Brasil e da Argentina; e na Organização Mundial do Comércio (OMC), de cuja criação foi destacado negociador e depois facilitador de consensos até à finalização do difícil acordo que a estabeleceu, e da qual foi Diretor Geral Adjunto. É atualmente candidato para ocupar a Direção Geral.

Formação académica Formou-se como Engenheiro Químico da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) e obteve o seu mestrado e doutoramento em Economia na Universidade de Oxford, em Inglaterra, sob a direção de James Mirrlees (Prémio Nobel 1996). Foi o segundo estudante a completar num ano o programa de mestrado que normalmente dura dois. A sua tese de doutoramentoOn the Theory of Optimal Non-Linear Taxation, tese de doutoramento em Economia, Universidade de Oxford, 1979. é sobre as políticas fiscais perante o balanço de efeitos nos incentivos e na distribuição de recursos. Durante o seu último ano como estudante na Universidade de Oxford lecionou o curso de Microeconomia no mestrado e publicou um artigo que continua a ser uma referência na área¨On the shape of optimal tax schedules¨, Journal of Public Economics 7, 1977.

Trajetória profissional

Banco Mundial De 1986 a 1989 trabalhou no Banco Mundial como Economista Principal. As suas funções foram, em primeiro lugar, como especialista do cargo de Política Fiscal no Departamento de Políticas de Países onde teve uma participação sustentada e importante sobre reforma e política fiscal na República Democrática do Congo (RDC), no então Zaire, e no desenho do IVA de Marrocos. Posteriormente passou a ser Economista Principal liderando todo o trabalho económico do Departamento do Brasil, incluindo a implementação do novo IVA desse país.  

GATT e Ronda Uruguai Em março de 1989, Jesús Seade iniciou funções como embaixador do México ante o GATT, onde liderou e ganhou duas importantes disputas comerciais, ambas com os Estados Unidos: antidumping do sector cimenteiro e no embargo das exportações do atum¨Un Análisis de los Acuerdos de la Ronda Uruguay Propuestos, con Atención Particular a los Intereses de las Economías en Desarrollo¨, TN.TNC/W/122, nov. 1993.  https://docs.wto.org/gattdocs/q/UR/GNG/W30.PDF  [Base oficial para la evaluación de los resultados de la Ronda Uruguay requerida previo al establecimiento de la OMC.];​ presidiu vários comités e grupos de trabalho, e participou ativamente nas negociações da Ronda Uruguai. Esta ambiciosa negociação (1986-94) entrou, no final de 1989, num profundo estado de crise por três anos, no fim dos quais se alterou a direção do GATT como última tentativa para reavivar e concluir as negociações.

A nova equipa, com Peter Sutherland na liderança e Jesús Seade como um dos seus três Diretores Gerais Adjuntos (DGA), conseguiu concluir com êxito as negociações (1993-94), incluindo uma importante negociação adicional que se levou a cabo centrada nos benefícios e nas obrigações  dos Países Menos Desenvolvidos (os 49 países mais pobres de orbe, segundo a definição das Nações Unidas), negociação que foi liderada e presidida pelo DGA Seade e que permitiu o encerramento final das negociações e a criação da OMC.

Durante esse período de procura do êxito final nas negociações, Seade também elaborou e dirigiu a preparação da Análisis de los Acuerdos de la Ronda UruguayUn Análisis de los Acuerdos de la Ronda Uruguay Propuestos, con Atención Particular a los Intereses de las Economías en Desarrollo¨,  TN.TNC/W/122, nov. 1993.  https://docs.wto.org/gattdocs/q/UR/GNG/W30.PDF  [Base oficial para a avaliação dos resultados da Ronda Uruguai requerida depois do estabelecimento da OMC.], a qual era um requerimento formal apresentado pelos países em desenvolvimento, a ser cumprido antes de fechar as negociações. Para isso foi preparado uma analise profunda e honesta dos resultados, e não o breve comentário formal expectável, o qual teve um papel central na libertação de tensões e ajudou significativamente a chegar um acordo final.

As negociações da  Ronda Uruguai, oitava ronda de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT (General Agreement on Tariffs and Trade), foram as negociações comerciais e/ou económicas mais complexas que o sistema multilateral de comércio concluiu com êxito. Ao longo das mesmas nunca se propôs a criação de uma nova organização: procurava-se chegar a uma série de importantes acordos nos distintos temas e sectores, e no âmbito do próprio GATT. Foi só no final das negociações que três dos membros formularam a grande proposta de criar uma nova instituição: a OMC. Os coautores desta proposta foram a Comunidade Económica Europeia (CEE, que em 1993 se incorporou à União Europeia), o Canadá e o México, este último com Jesús Seade como representante.  

Durante a sua gestão como Representante Permanente ante o GATT, o Embaixador Seade liderou também a negociação de adesão do México à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) em 1994, primeiro país em desenvolvimento a formar parte da mesma,  assim como os trabalhos nos comités dos quais o seu país passou a formar parte desde o início: Comércio e Competência.

Organização Mundial do Comércio Como Diretor Geral Adjunto da nova Organização Mundial do Comércio, o organismo multilateral mais importante criado desde a Segunda Guerra Mundial, considerado como “o maior esforço para regular o comércio mundial na história da humanidade”,​ o Embaixador Seade foi diretamente responsável por uma gama de sectores importantes, incluindo as relações da OMC com as autoridades governamentais nas capitais, setores empresariais e imprensa; a relação comercio-finanças (coerência) e com as instituições de Bretton Woods, assim como com o Sistema das Nações Unidas; as áreas de desenvolvimento e formação; e, de forma alternada, as áreas de administração e pessoal. Em representação da OMC, negociou um ambicioso Acordo de Cooperação com o FMI com excelentes condições para a OMC, assim como outro com o Banco Mundial.

Fundo Monetário Internacional (FMI) No seguimento da severa crise financeira que sofreu a Ásia em 1997 e a séria sequela da crise financeira que a partir daí afetou os anos seguintes (por contágio) país a país, em todo o mundo, na transição e no desenvolvimento, em 1998 o Embaixador Seade foi convidado a colaborar com o  FMI, como Diretor Adjunto, responsável principal dos trabalhos referentes às fortes crises financeiras que sofreram a Argentina, a Turquia e o Brasil (em relação a este último país coordenou  o maior empréstimo da história do FMI, naquele tempo: uma associação sindical do G7 por 29 mil milhões de dólares); e de forma concorrente liderou os trabalhos para a remissão massiva da dívida externa de 15 países africanos altamente endividados, no âmbito da Iniciativa HIPC (Highly Indebted Poor Countries).

Depois disso foi Assessor Sénior para os assuntos fiscais, onde dirigiu um amplo trabalho de assistência técnica e outros trabalhos especializados em África, no Médio Oriente, na América Latina e na Europa; e supervisionou os trabalhos do FMI sobre Transparência bancária, fiscal e de dados, dirigindo operações em Transparência fiscal. O Embaixador Seade foi também o funcionário responsável pelo posicionamento do FMI sobre qualquer aspeto de política comercial que surgisse, incluindo em relação à OMC.

Outros postos Durante o período de 1976 a 1986, foi Professor Catedrático (Chair) na Universidade de Warwick, na Grã-Bretanha, na qual fundou e dirigiu o Centro de Estudos de Desenvolvimento Económico; diretor fundador do Centro de Estudos Económicos do El Colegio de México; e professor convidado  —durante um semestre em cada ano— no Centre d'études prospectives en économie mathématique appliquée à la planification (CEPREMAP) em Paris, França, e no Instituto de matemática pura e aplicada (IMPA) no Rio de Janeiro, Brasil. 

Durante o período de 1998 a 2010, concorrentemente com as suas funções no FMI e posteriores, foi membro do Conselho Assessor em Direito Económico Internacional da Escola de Direito da Universidade de Georgetown, em Washington DC.

Durante o período de 2008 a 2014 foi vice-presidente da Universidade de Lingnan em Hong Kong e durante 2007 a 2016 foi professor principal (Chair) em economia da mesma instituição. Durante esse período foi membro dos conselhos assessores dos Secretários dos Serviços Financeiros, e do Comércio e Indústria do governo de Hong Kong SAR; e dirigiu um estudo ambicioso —realizado por várias universidades de Hong Kong com apoio oficial— sobre Hong Kong como centro financeiro para China e no mundo. Desde 2007 e até à data tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento da Academia de Responsabilidade Corporativa de Hong Kong da qual é vice-presidente.

Em 2017 iniciou funções como Vice-presidente Associado para os Assuntos Globais da Universidade Chinesa de Hong Kong-Shenzhen, sita em Shenzhen, província de Guangdong, RPC.

Durante 12 anos, entre 2007 e 2018, teve uma ampla participação em foros oficiais, financeiros e empresariais de Hong Kong SAR e na República Popular da China.

Negociación del T-MEC