Frances Glessner Lee (25 de Março de 1878 – 27 de Janeiro de 1962) foi uma cientista forense norte-americana. Ela contribuiu para desenvolvimento da ciência forense nos Estados Unidos da América. Ela criou o Nutshell Studies of Unexplained Death (Estudos Resumidos de Mortes Não Explicadas) conhecido como Nutshell Studies, constituídos por 20 dioramas de cenas de crime recriadas ao mínimo detalhe e à escala de uma casa de bonecas, para serem usados no treino de investigadores de homicídios. Dezoito deles ainda são usados para fins de ensino pelo escritório do médico legista de Maryland. Para além disto, os dioramas são actualmente considerados obras de arte. Lee também ajudou a criar o Departamento de Medicina Legal da Universidade de Harvard e investiu na Biblioteca Magrath de Medicina Legal de lá. Ela foi primeira mulher a ser capitã da polícia nos EUA. Ficou conhecida como a "mãe da ciência forense".
Vida pessoal Lee nasceu em Chicago a 25 de Março de 1878. O seu pai, John Jacob Glessner, era um industrial que ficou rico com a companhia International Harvester. Ela e o irmão foram educados em casa. Enquanto o irmão foi para Harvard, ela casou-se com o advogado Blewett Harrison Lee. O casamento acabou em divórcio. No início dos anos 30, ao herdar a fortuna Harvester, deu inicio à sua carreira nas ciências forenses. Ela tinha finalmente dinheiro para descobrir uma forma de ensinar os detectives a observarem uma cena de crime de maneira a recolherem pistas.Botz, Corinne. The Nutshell Studies of Unexplained Death, The Monacelli Press (2004), p. 18.Laura J. Miller, "Frances Glessner Lee: Brief life of a forensic miniaturist: 1878–1962", Harvard Magazine September–October 2005.
Notas pessoais O perfeccionismo dos dioramas de Lee reflectem a sua história familiar.Botz, Corinne. The Nutshell Studies of Unexplained Death, The Monacelli Press (2004). O pai dela era um ávido coleccionador de móveis finos, com os quais mobilava a casa da família , chegou a escrever um livro sobre o assunto. A casa da família, projectada por Henry Hobson Richardson, é actualmente o museu John J. Glessner House.Laura J. Miller, "Frances Glessner Lee: Brief life of a forensic miniaturist: 1878–1962", Harvard Magazine September–October 2005.
Para além disto, Glessner Lee gostava das histórias de Sherlock Holmes, cujas reviravoltas no enredo deviam-se frequentemente a detalhes que passavam despercebidos.
Carreira
Lee foi influenciada por George Burgess Magrath que era amigo do seu irmão e que estudava medicina na Harvard Medical School e estava particularmente interessado em investigar as causas da morte, em particular as que ficavam por explicar. Eles permaneceram amigos até à sua morte em 1938. Magrath tornou-se médico legista em Boston e juntos fizeram pressão para que os médicos legistas tivessem obrigatoriamente formação em medicina.Laura J. Miller, "Frances Glessner Lee: Brief life of a forensic miniaturist: 1878–1962", Harvard Magazine September–October 2005.
Glessner Lee apoiou a criação do Departamento de Medicina Legal de Harvard (o primeiro departamento deste tipo nos EUA) e a fundação da Biblioteca George Burgess Magrath. Ela também apoiou a Harvard Associates in Police Science que tem como objectivo promover o avanço da ciência forense e que deu o seu nome a uma escola em sua homenagem, a Frances Glessner Lee Homicide School.
Nutshell Studies of Unexplained Death miniaturadaimagem| O diorama do quarto vermelho |261x261px Durante as décadas de 1940 e 1950, Glessner organizou uma série de seminários semestrais sobre a investigação de homicídios. Organizou inclusive uma conferência com a duração de uma semana para a qual convidou detectives, promotores públicos e outros investigadores, onde apresentou os "Nutshell Studies of Unexplained Death", os seus complexos dioramas de cenas de crime reais, onde não faltavam portas, janelas e luzes de trabalho. Os 20 modelos foram baseados em casos reais complexos e pensados para testar as capacidade dos investigadores recolherem provas relevantes. Os modelos apresentavam múltiplas causas de morte e foram baseados em autópsias e cenas de crime visitados por ela.Laura J. Miller, "Frances Glessner Lee: Brief life of a forensic miniaturist: 1878–1962", Harvard Magazine September–October 2005.
Ela surpreendeu todos com a sua extraordinária capacidade de não deixar escapar mais pequeno dos detalhes da cena ao replicá-la numa maquete. Entre outros detalhes, as salas estavam cheias de ratoeiras que funcionavam, fotos de casamento, jornais velhos, rótulos de latas, cadeiras de balanço, as cozinhas tinham comida e até os cadáveres apresentavam com precisão a descoloração ou o inchaço que teriam ao serem encontrados na cena do crime. A criação de cada modelo custou entre 3.000 a 4.500 dólares. Os participantes convidados para a conferência, assumiam o papel de alunos e tinham 90 minutos para estudar a cena. A semana culminou num banquete no Ritz Carlton.Laura J. Miller, "Frances Glessner Lee: Brief life of a forensic miniaturist: 1878–1962", Harvard Magazine September–October 2005."The Nutshell Studies of Unexplained Death," from American Medical News, August 17, 1992, archived at brucegoldfarb.com, retrieved February 4, 2018.
Dezoito dos 20 dioramas originais ainda são usados para treinar pelos membros da Harvard Associates in Police Science.Lisa Respers, "Helping to Crack Cases: 'Nutshells': Miniature replicas of crime scenes from the 1930s and 1940s are used in forensics training", The Baltimore Sun, February 24, 1999.
Pelo seu trabalho, Lee foi nomeada capitã honorária da polícia do estado de New Hampshire em 1943, tornando-se na primeira mulher a fazer parte da Associação Internacional de Chefes de Polícia.Lisa Respers, "Helping to Crack Cases: 'Nutshells': Miniature replicas of crime scenes from the 1930s and 1940s are used in forensics training", The Baltimore Sun, February 24, 1999.
Homenagens e Cultura Popular direita|miniaturadaimagem| Nora Atkinson, a Curadora de Artesanato Lloyd Herman e Susan Marks durante a exibição do novo filme Murder in a Nutshell: The Frances Glessner Lee Story, na Renwick Gallery, em 18 de Novembro de 2017. |260x260px
A biografia de Frances Glessner Lee, 18 mortes minúsculas: a história não contada de Frances Glessner Lee e a invenção da ciência forense moderna, de Bruce Goldfarb, foi lançada pela Sourcebooks a 4 de Fevereiro de 2020. Os Nutshell Studies of Unexplained Death inspiraram o episódio sobre o Miniature Killer, da série de televisão CSI: Crime Scene Investigation. Glessner Lee é homenageada no premiado livro Encyclopedia Horrifica de Joshua Gee. Frances Glessner Lee e o escritor Erle Stanley Gardner eram amigos, ele dedicou-lhe vários dos seus romances policiais, incluindo "O caso do noivo duvidoso". A personagem de Agnes Lesser, do episódio "The Smallest of Things" da série policial Father Brown da BBC, é inspirada em Glessner Lee. A Galeria Renwick do Smithsonian American Art Museum, exibiu 18 dos Nutshell Studies of Unexplained Death, de 20 de Outubro de 2017 a 28 de Janeiro de 2018. A Academia Americana de Ciências Forenses foi um dos patrocinadores da exposição. A 18 de Novembro de 2017, o documentário Murder in a Nutshell: The Frances Glessner Lee Story, dirigido por Susan Marks, estreou na Galeria Renwick, seguido de um debate com a cineasta. Frances Glessner Lee e o seu trabalho pioneiro com os dioramas de cena de crimes, desempenham um papel crucial no episódio "In a nutshell", da 17ª temporada da serie televisiva NCIS.https://www.imdb.com/title/tt11786836/reference O departamento de recursos culturais de New Hampshire colocou uma placa em sua homenagem na estrada 302 em Bethlehem.
Leitura adicional
Botz, Corinne May: Nutshell Studies of Unexplained Death, Nova York, Monacelli, 2004, , , 23 de Outubro de 2017 Jeltsen, Melissa: These Bloody Dollhouse Scenes Reveal A Secret Truth About American Crime ", Huffington Post, 2 de Fevereiro de 2018 Rosberg, Gerald M: A Colloquium on Violent Death Brings 30 Detectives to Harvard . Harvard Crimson, 6 de Dezembro de 1966 Uebel, M.:Corpus Delicti: Frances Glessner Lee and the Art of Suspicion, in Epidemiology and Psychiatric Sciences, 2017 Valero, María G. Valero: La muerte en miniatura: La vida de Frances Glessner Lee, Casiopea, 2019
Ligações externas Fotografias d' Os estudos resumidos de inexplicáveis de mortes Site do documentário Of Dolls and Murder Site da Casa Glessner
Trailer Murder in a Nutshell: The Frances Glessner Lee Story The dollhouses of death that changed forensic science Destemidas: Frances Glessner Lee, ep. 22
Categoria:Mortos em 1962 Categoria:Nascidos em 1878 Categoria:Mulheres Categoria:Filantropos dos Estados Unidos Categoria:Naturais de Chicago
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