thumb|226px|Tremoços (sementes de Lupinus albus). Os tremoços são as sementes das plantas fabáceas conhecidas como tremoceiro (grafia alternativa tremoceira) - das quais se destaca especialmente a espécie Lupinus albus, comummente conhecida como tremoceiro-comum -, pertencentes ao género Lupinus e usadas na fixação de azoto nos solos.

A semente, de cor amarela, presentemente, não tem aproveitamento agrícola, podendo servir para forragem de gado, se bem que é geralmente vendida e consumida em conserva como petisco ou aperitivo (acepipe), sendo muito comum em cervejarias de Portugal.

O tremoço in natura contém um aminoácido neurotóxico que o veda ao consumo humano, além de uma série de substâncias alcalóides dotadas de efeitos neurotóxicos e hepatóxicos do grupo da quinolizidina, como a lupanina, ou lupinina, mas isto só ocorreria com o consumo do grão fresco ou seco, e em grandes quantidades e por longos períodos. Para poder consumir os tremoços sem risco, eles devem ser cozidos e depois cobertos de água mudada com frequência por diversos dias até perderem o seu amargo original, com a eliminação dos alcalóides. Assim preparados, os tremoços não oferecem qualquer risco à saúde.

A Festa dos Tremoços é uma tradição portuguesa, comemorada em agosto.site do Município de Trancoso, em Portugal

Botânica Lupinus é um dos géneros de plantas da família das fabáceas, subfamília Faboideae.

Há cerca de 150 espécies classificadas neste género e conhecidas como tremoceiro (subgéneros Lupinus, e Platycarpos (Wats.) Kurl.). A maioria destas espécies tem a propriedade de fixar azoto nos solos, e muitas são utilizadas como fertilizante natural em zonas agrícolas.

As sementes das plantas do género Lupinus são conhecidas como tremoços.

Cultivo O tremoço, em geral, é cultivado em sequeiro. É semeado por volta da altura das primeiras chuvas outonais, sendo que o espaçamento e a profundidade, durante o plantio, varia consoante a espécie de tremoço e a finalidade comercial a que se destina, seja como forragem, como adubo vegetal ou para consumo humano.

Em Portugal, os tremoços costumam florescer em Outubro. Geralmente suportam bem as secas e as temperaturas altas durante o Verão.

História e etnografia Historicamente, o tremoço-comum era uma espécie espontânea em Portugal, sendo que, presentemente, se trata de uma espécie cultivada.

Na tradição popular portuguesa, há a lenda de que o topónimo «Estremoz» terá provindo de um campo de tremoceiros, no meio do qual um grupo de desterrados se teria refugiado, para pernoitar, tendo decidido, posteriormente, fixar-se naquele local. Nalgumas versões da lenda, reza que os desterrados proviriam de Castelo Branco e que o episódio teria ocorrido no reinado de D. Afonso III.

Ao fundarem uma povoação naquele espaço, pediram ao rei que lhes concedesse um foral e que no brasão figurassem as coisas que tinham primeiramente encontrado naquela terra: o sol, a lua, as estrelas e o tremoceiro.

Sendo que o nome Estremoz, nos conformes desta lenda popular, derivaria da palavra tremoço.

Algumas espécies As espécies assinaladas com P ocorrem de forma espontânea em Portugal, normalmente em solos arenosos.

Lupinus albus (tremoceiro-comum) P Lupinus angustifolius Lupinus arboreus (tremoceiro-bravo) P Lupinus luteus (tremoceiro-amarelo) P Lupinus mutabilis Lupinus nootkatensis Lupinus polyphyllus Lupinus texensis Lupinus tidestromii Lupinus foliolosus Lupinus kuntii Lupinus michelianus Lupinus nubigenus Lupinus rupestris Lupinus smithianus

Constituintes tóxicos existentes neste género

Anagirina Esparteina Genisteína Gramina 13-hidroxilupanina L-Dopa Lupanina Luteona Wighteona

Classificação do gênero + Sistema Classificação ReferênciaLinnéClasse Diadelphia, ordem DecandriaSpecies plantarum (1753)

Ligações externas

https://www.embrapa.br/trigo/busca-de-publicacoes/-/publicacao/845789/o-tremoco-no-brasil

Tremoco Categoria:Nozes e sementes oleaginosas