MIT Technology Review é uma revista bimestral pertencente integralmente ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Foi fundada em 1899 com o nome de The Technology Review e relançada em 23 de abril de 1998 sem o artigo "The" no nome, sob o então editor R. Bruce Journey. Em setembro de 2005, sob o então editor-chefe e editor Jason Pontin, seu formato foi alterado para se aproximar do modelo da revista original.
Antes do relançamento de 1998, o editor afirmou que "nada restará da antiga revista, exceto o nome". Tornou-se necessário, por isso, distinguir a Technology Review moderna da publicação original. A revista anterior era publicada pela associação de ex-alunos do MIT, tinha conteúdo mais próximo dos interesses dos ex-alunos, adotava um tom mais intelectual e possuía uma circulação pública muito menor. De 1998 a 2005, a publicação apresentou-se como "MIT's Magazine of Innovation" e, a partir de 2005, simplesmente como "published by MIT". Seu conteúdo passou a se concentrar em novas tecnologias e em sua comercialização. Era vendida ao público e dirigida a executivos, pesquisadores, financiadores e formuladores de políticas públicas, além dos ex-alunos do MIT.
Em 2011, a Technology Review recebeu o Independent Press Award da Utne Reader pela melhor cobertura de ciência e tecnologia.
História
Revista original: 1899–1998
A Technology Review foi fundada em 1899 com o nome The Technology Review e relançada em 1998 sem o "The" do título original. A revista afirma ser "a revista de tecnologia mais antiga do mundo".A Scientific American, porém, é publicada continuamente desde 1845, e a Popular Science desde 1872. Na comunicação pessoal citada adiante, Pontin afirmou que a alegação se baseava na definição de revista como uma publicação com lombada quadrada, enquanto a Scientific American tinha formato tabloide de jornal em 1899.
Em 1899, o The New York Times comentou:
Saudamos cordialmente o nº 1 do vol. I de The Technology Review, uma revista trimestral relacionada ao Massachusetts Institute of Technology, publicada em Boston e sob responsabilidade da Association of Class Secretaries. Quanto à apresentação, capa, papel, tipografia e ilustrações estão de acordo com as características marcantes da instituição que representa. Como anunciam seus editores, a revista pretende ser "um centro de intercâmbio de informações e ideias" e, no que diz respeito ao Institute of Technology, "aumentar seu poder, reduzir seu desperdício e assegurar [sic], entre seus inúmeros amigos, a mais perfeita cooperação".
A trajetória profissional de James Rhyne Killian mostra a proximidade que existia entre a Technology Review e o instituto. Em 1926, Killian concluiu a graduação e conseguiu seu primeiro emprego como editor-gerente assistente da Technology Review. Chegou ao cargo de editor-chefe, tornou-se assistente executivo do então presidente Karl Taylor Compton em 1939, vice-presidente do MIT em 1945 e sucedeu Compton na presidência em 1949.
A edição de 4 de maio de 1929 trouxe um artigo do doutor Norbert Wiener, então professor assistente de matemática, no qual apontava deficiências em um trabalho publicado por Albert Einstein naquele ano. Wiener também comentou a crítica de um cardeal à teoria de Einstein:
A suposta incompreensibilidade da teoria de Einstein tem sido usada como capital pelos anti-einsteinianos profissionais. Sem prejuízo à causa da religião, posso observar que as discussões teológicas nem sempre se distinguiram pela lucidez.
A antiga Technology Review publicava textos controversos ou críticos de certas tecnologias. Uma edição de 1980 trouxe um artigo de Jerome Wiesner que atacava a estratégia de defesa nuclear do governo Reagan, a Iniciativa Estratégica de Defesa. A capa de uma edição de 1983 dizia: "Mesmo que o programa de fusão produza um reator, ninguém vai querê-lo". A revista trazia um artigo de Lawrence M. Lidsky, diretor associado do Plasma Fusion Center do MIT, que questionava a viabilidade da energia de fusão, vista com frequência naquela época como uma tecnologia prestes a se tornar realidade. A edição de maio de 1984 publicou uma reportagem sobre os riscos da fabricação de microchips.
Em 1966, a revista passou a publicar uma coluna de quebra-cabeças que havia começado alguns meses antes na Tech Engineering News. Seu autor é Allan Gottlieb, que escreveu a coluna por mais de cinquenta anos.
Ainda em 1967, o New York Times chamava a Technology Review de "revista científica". O escritor George V. Higgins queixou-se do estilo editorial da publicação:
Technology Review, [o então editor] Stephen Marcus... [submete] seus colaboradores científicos a um rigor de reescrita que faria desmaiar o mais obstinado repórter iniciante. Marcus acredita que isso produz uma prosa legível sobre assuntos obscuros. Eu discordo.
Em 1984, a Technology Review publicou um artigo sobre um cientista russo que usava óvulos de mamutes congelados para criar um híbrido de mamute e elefante chamado "mammontelephas". Fora a data "1º de abril de 1984", a história não continha sinais óbvios de que fosse uma brincadeira. O serviço de notícias do Chicago Tribune tratou o texto como uma notícia verdadeira, e ele foi reproduzido como fato por centenas de jornais.
Em 1994, uma consulta a formadores de opinião colocou a Technology Review em primeiro lugar nos Estados Unidos na categoria "mais confiável".
Entre os colaboradores da revista estiveram Thomas Edison, Winston Churchill e Tim Berners-Lee.
Relançamento: 1998–2005
A revista passou por uma mudança radical a partir de 1996. Naquele ano, havia acumulado perdas de 1,6 milhão de dólares nos sete anos anteriores e enfrentava a possibilidade de encerrar suas atividades depois de anos de queda na receita publicitária.
R. Bruce Journey foi nomeado editor, o primeiro a ocupar o posto em tempo integral na revista. William J. Hecht, que o antecedera, disse que a Technology Review havia sido "há muito tempo muito respeitada por sua excelência editorial", mas que a contratação de Journey pretendia ampliar seu "potencial comercial" e "garantir à Technology Review uma posição de destaque no competitivo mundo da publicação comercial".<ref name="globe1999"> John Benditt substituiu Steven J. Marcus como editor-chefe. Quase toda a equipe editorial foi demitida, e a revista foi reconstruída com uma nova proposta editorial.
O colunista David Warsh, do The Boston Globe, escreveu que a revista vinha oferecendo "velhas visões dos anos 1960 sobre as coisas: humanistas, populistas, reflexivas, desconfiadas das dimensões invisíveis das novas tecnologias" e que fora substituída por uma publicação que "leva a inovação a sério e com entusiasmo". Marcus chamou a nova postura editorial de "torcida pela inovação".
Sob Bruce Journey, a Technology Review apresentou-se como "MIT's Magazine of Innovation". Desde 2001, é publicada pela Technology Review, Inc., uma empresa de mídia independente, sem fins lucrativos e pertencente ao MIT.
Na tentativa de atrair dirigentes empresariais, Benditt disse em 1999: "Nosso assunto são, na verdade, as novas tecnologias e como elas chegam ao mercado". A Technology Review cobre avanços e questões de áreas como biotecnologia, nanotecnologia e computação. Também publica textos sobre campos mais consolidados, entre eles energia, telecomunicações, transporte e assuntos militares.
A partir da gestão de Journey, a Technology Review passou a ser distribuída como uma revista comum de circulação comercial e vendida em bancas. Em 2003, a tiragem havia mais que triplicado, de 92 mil para 315 mil exemplares, cerca da metade da circulação da Scientific American. Eram 220 mil assinantes pagantes e 95 mil exemplares enviados gratuitamente a ex-alunos do MIT. Em agosto de 2003, começou a ser publicada uma edição alemã da Technology Review em cooperação com a editora Heinz Heise. Sua circulação era de cerca de 50 mil exemplares em 2005. Em 2004, a revista ainda era financiada em parte pelo MIT, embora houvesse a expectativa de que viesse a gerar lucro.
A Technology Review também é a revista dos ex-alunos do MIT. A edição enviada a eles contém uma seção separada, "MIT News", com materiais como notas sobre as turmas de formandos. Essa seção não faz parte da edição distribuída ao público em geral.
A revista é publicada pela Technology Review, Inc., empresa de mídia independente pertencente ao MIT. O site do instituto a inclui entre suas publicações, e o MIT News Office afirmou que "a revista frequentemente recorre à experiência do MIT em parte de seu conteúdo". Em 1999, o Boston Globe observou que, fora a seção destinada aos ex-alunos, "poucos artigos da Technology Review realmente tratam de acontecimentos ou pesquisas do MIT".Jason Pontin resumiu a posição editorial da revista desta forma:
Nosso trabalho não é promover o MIT. Analisamos e explicamos tecnologias emergentes e, como acreditamos que as novas tecnologias são, de modo geral, algo positivo, acabamos promovendo indiretamente a atividade essencial do MIT, isto é, o desenvolvimento de tecnologia inovadora.Jason Pontin, comunicação pessoal por e-mail a Dpbsmith, 27 de agosto de 2005.
De 1997 a 2005, R. Bruce Journey teve o título de "publisher" e também foi presidente e diretor executivo da Technology Review, Inc. Entre os editores-chefes estiveram John Benditt, em 1997, Robert Buderi, em 2002, e Jason Pontin, em 2004.
A revista recebeu prêmios Folio!, entregues na feira anual do setor editorial promovida pela revista Folio!. Em 2001, recebeu um "Silver Folio: Editorial Excellence Award" na categoria de revistas de ciência e tecnologia voltadas ao consumidor, além de prêmios por tipografia e design gráfico. Em 2006, a Technology Review foi finalista na categoria "General Excellence" do National Magazine Award, patrocinado pela American Society of Magazine Editors.
Em 6 de junho de 2001, a Fortune e a CNET Networks lançaram uma publicação chamada Fortune/CNET Technology Review. O MIT processou a Time Inc., empresa controladora da Fortune, por violação da marca registrada Technology Review.Registro de marca 0668713, registrado em 21 de outubro de 1958 em nome da "Alumni Association of the Massachusetts Institute of Technology" e renovado em 1999. O processo foi resolvido rapidamente. Em agosto, o jornal estudantil do MIT informou que os advogados do instituto e da Time evitavam comentar o caso devido a um acordo de confidencialidade que as duas partes qualificavam como muito restritivo. Jason Kravitz, advogado de Boston que representou o MIT no processo, levantou a possibilidade de que a mudança do nome da revista para Fortune/CNET Tech Review, ocorrida durante a disputa, tivesse feito parte do acordo.
Outras publicações dedicadas a tecnologias específicas usaram "technology review" em seus nomes, entre elas Energy & Technology Review, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, Educational Technology Review, da Association for the Advancement of Computing in Education, e Nuclear Technology Review, da Agência Internacional de Energia Atômica.
A revista adotou um tom mais sóbrio em uma reformulação realizada em 2004.
Em 2005, a Technology Review, a Wired News e outras publicações de tecnologia enfrentaram problemas depois de publicarem textos da jornalista freelancer Michelle Delio com informações que não puderam ser confirmadas. Pontin afirmou: "Das dez matérias publicadas, apenas três estavam inteiramente corretas. Em duas delas, tenho bastante certeza de que Michelle Delio não falou com a pessoa com quem disse ter falado ou apresentou de forma incorreta sua entrevista com ela". As matérias foram retiradas.
Revista moderna: 2005–presente