Iagui Siã (Yaghi-Siyan) foi o turcomano que serviu de emir seljúcida de Antioquia de 1087/1088 até 1098. Nominalmente era vassalo dos senhores seljúcidas do Bilade Xame (Síria), mas agiu como autonomamente e se envolveu nas disputas dinásticas de sua época. Enfrentou os cristãos da Primeira Cruzada numa tentativa falha de impedir a conquista de Antioquia e terminou morto. Seus domínios seriam a base do futuro Principado de Antioquia.
Vida
Iagui Siã era um turcomano. Aparece pela primeira vez em 1087/1088, quando foi nomeado emir (governador) de Antioquia, que havia sido tomada de Filareto Bracâmio no fim de 1084 por , pelo então sultão . Ele conseguiu, por força da flexibilidade política, manter-se em bons termos com o emir de Damasco . Após a morte de Maleque Xá em 1092, Tutuxe aproveitou a juventude de seus sobrinhos e a anarquia pós-sucessão para tentar tomar vantagem. Em 1093, forçou Iagui Siã e os emires de Alepo (Aque Suncur Alhájibe) e Edessa (Buzã) a segui-lo para lutar no leste contra Barquiaruque, seu sobrinho que assumiu o trono.
Aque Suncur Alhájibe e Buzã desertaram Tutuxe, forçando-o a recuar. Como vingança, em 1094 capturou Alepo e executou ambos, tornando-se assim senhor do Bilade Xame (Síria) e forçando Iagui Siã a se submeter. Em 1095, tentou uma nova expedição contra Barquiaruque, mas foi derrotado e morto em 26 de fevereiro. A Síria foi dividida entre o Sultanato de Alepo sob seu filho mais velho Raduano e o Emirado de Damasco sob seu filho mais novo Ducaque . Já em fevereiro, Iagui caiu dentro da órbita de influência de Raduano, mas permaneceu um vassalo desleal e abertamente intrigou com Ducaque e Querboga de Moçul contra Raduano. Assim, em 1096, marchou contra Damasco com Raduano, mas o traiu e passou a considerar Ducaque seu suserano. No mesmo ano, incitou Ducaque a atacar Alepo, mas sua ajuda não foi suficiente.
Em 1097, Iagui Siã soube da chegada de uma força cristã que marchava pela Anatólia e derrotou as forças do Sultanato de Rum. As notícias o alarmaram e ele tomou providências. A maior parte de seus súditos eram cristãos gregos, armênios e siríacos, com quem sempre foi tolerante, mas na eminência do perigo só pensou ser possível confiar nos últimos. O patriarca ortodoxo foi preso; muitos líderes cristãos foram expulsos, enquanto outros fugiram; a Catedral de São Pedro foi profanada e se tornou estábulo; e houve alguma perseguição nas vilas e subúrbios de Antioquia, o que compeliu a população a massacrar as guarnições do emir a medida em que os exércitos cristãos avançavam.
O exército cruzado chegou em frente a Antioquia em 21 de outubro. As muralhas da cidade eram sólidas, mas Iagui Siã considerava que se tratava de uma tentativa do imperador bizantino de retomar a cidade. Nisso, partiu em busca de aliados. Raduano, em decorrência de sua traição passada, se recusou a ajudar. Então, buscou ajuda de Ducaque, a quem enviou seu filho Xemece Adaulá, mas o último hesitou e não partiu até dezembro. Ducaque aceitou participar, assim como seu atabegue Toguetequim e o emir de Homs Janá Adaulá. Outro emissário foi enviado a Querboga, que à época dominava toda a Alta Mesopotâmia, e que prontamente atendeu ao pedido, pois, se no fim tomasse Antioquia, isolaria seu rival Raduano. Atrás dele, os sultões de Baguedade e Pérsis prometeram apoio. No meio tempo, Iagui Siã reuniu suas forças e lhes forneceu suprimentos.
A situação era delicada para os cruzados porque não tinham comida e suas pequenas expedições contra os subúrbios de Antioquia eram atacadas por tropas que saíam da cidade. Mais que isso, e partiram com grande parte do contingente para garantir provisionamento. Aproveitando essa ausência de parte do exército, Iagui Siã atacou o acampamento em 29 de dezembro, mas foi repelido por . Por sua vez, em 30 de dezembro, Boemundo e Roberto encontram o exército de Ducaque em Albara, perto de Xaizar, e o derrotam e repeliram para Hama. Suas pesadas baixas, e o clima adverso, fizeram Ducaque retornar para Damasco. Com essa derrota, Iagui Siã enviou a Raduano um pedido de apoio através de seu filho Xemece Adaulá. Raduano lamentou sua inação até o momento, e ao obter novamente o reconhecimento de Iagui Siã como seu vassalo, marchou contra os cruzados com seu primo Soquemã ibne Ortoque. Raduano conseguiu alguns sucessos iniciais, mas foi severamente derrotado por Boemundo em 9 de fevereiro de 1098 perto do lago de Antioquia. Enquanto isso, Iagui Siã reuniu suas forças para um ataque total contra a infantaria cristã quando viu os cavaleiros cruzados retornando triunfantes. Quando soube que Raduano foi derrotado, se retirou para a cidade.
No começo de maio, Querboga marchou em socorro com suas tropas, reforços de Pérsis e Baguedade e vários dos príncipes artúquidas, enquanto que no seu caminho, teria apoio de tropas cedidas por Raduano. Ao longo do caminho, decidiu parar em Edessa, onde sitiou sem sucesso por três semanas. Esse atraso permitiu a Boemundo contactar o armênio antioqueno Firuz, a quem Iagui Siã havia punido por ter se envolvido no mercado negro. Na noite de 2 a 3 de junho, Firuz ajudou os cruzados a tomarem a Torre das Duas Irmãs, e então a cidade. Iagui Siã se assustou com o tumulto e decidiu fugir com 30 servos, enquanto Xemece Adaulá se refugiou na cidadela com soldados. Enquanto lamentava a perda de sua cidade e família, caiu de seu cavalo e foi abandonado por seus servos. Pouco depois, fazendeiros armênios o descobriram, decapitaram e enviaram sua cabeça a Antioquia.É lá que madeireiros armênios o descobrem, decapitam e levam a cabeça a Antioquia. Seu palácio seria depois ocupado por Raimundo.
Bibliografia
Categoria:Turcos do século XI Categoria:Governadores do Império Seljúcida